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Paulo Roberto Rocha - Eterno Capitão do Bagé

Como alguns sabem, sou torcedor do Bagé. Também por isto, junto com a torcida jalde-negra, criei o site do Bagé (link acima). E para o site entrevistei o Capitão Rocha, que foi capitão da equipe do Bagé que conquistou um dos títulos mais importantes da história do Bagé: a Copa Governador do Estado de 1974.
As respostas do Capitão são belíssimas e mesmo para os que não são torcedores do Bagé, é uma ótima oportunidade para conferir como nascem as paixões futebolísticas, ainda que por times que não comparecem tanto na mídia.
Além disto, Rocha conta um pouco como era o futebol gaúcho nos anos 70. Recomendo fortemente a leitura, pra torcedores de todos os times, mas que acima de tudo gostam de futebol.
Puríssimo.

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O site jalde-negro entrou em contato com o Capitão Paulo Roberto Rocha para a realização desta entrevista que os torcedores jalde-negros poderão conferir abaixo.Paulo Roberto Rocha é um dos maiores ídolos da história do Grêmio Esportivo Bagé e foi capitão da equipe que conquistou o inesquecível título da Copa Governador do Estado de 1974.
Nesta entrevista, Rocha conta alguns fatos bastante interessantes ,fala daquela época, do Bagé e sobre futebol de maneira geral.
Fica aqui nosso agradecimento ao capitão Paulo Roberto pelas excelentes respostas na entrevista e por tudo que realizou defendendo a camisa amarela e preta. Nosso sincero “muito obrigado”, de toda a torcida jalde-negra.
Dados Pessoais:Paulo Roberto Rocha
Nascimento: em Porto Alegre, no dia 27 de junho de 1951.
Carreira 1967 - infantil do Grêmio Porto-alegrense
1968/1969 - juvenil do Grêmio Porto-alegrense
1970 - profissionalização
1970 - Náutico de Rio Pardo
1971 a 1979 - Bagé
Posição: Ala (atuava tanto na esquerda como direita)
Formado em Educação Física pela Urcamp e professor estadual em atividade, atualmente leciona na Escola Waldemar Amoretty Machado, em Bagé. _________________________________________________________
Sobre seus dados pessoais, Paulo Roberto Rocha acrescenta:
"Apenas um reparo quanto á minha posição em campo.Nos meus tempos de guri, em times de várzea, comecei como lateral esquerdo. Quando fui para o Grêmio nas categorias de base, atuei na zaga, o mesmo ocorrendo no Náutico de Rio Pardo.Quando cheguei em Bagé, era zagueiro, com a chegada do Galego, fui deslocado para lateral direita.Naquele tempo éramos laterais, ala é coisa mais moderna, apesar de fazermos a mesma função, e ainda voltarmos para marcar".


Como ocorreu sua vinda para o Bagé?
Lá em Rio Pardo jogavam vários jogadores que eram, ou haviam jogado aqui.(Nilson goleiro, Walter, Osmar irmão do Carlinhos, Casemiro, Celmar, Baiano, Danúbio, Amarante).Quase vim para o Guarani, junto com o Claudionor, desisti na ultima hora (não queria me afastar de perto de Porto Alegre) Mas o Náutico estava fechando e aceitei o convite do Bagé, através do Jacob Sued e do Dr. Roberto Garrastazú, e vim junto com o Amarante.


Observando algumas imagens da conquista da Copa Governador, nota-se que já à época o título foi extrema e justamente valorizado pela torcida - inclusive com invasão de campo -. Os jogadores daquela grande equipe tinham a real dimensão do título conquistado e da importância que ele viria a ter a partir dali na história jalde-negra?
Sempre coloco o Campeonato Gaúcho de 1925, como o maior titulo conquistado pelo Bagé. Mas a Taça Governador do Estado em 1974 vem logo em seguida. Foi um título muito suado com dois turnos e na virada do 1º para o 2º estávamos em 14º lugar. Fomos recuperando posições e chegamos na rodada final, para decidir tudo num Baguá. Só a vitória interessava, e ela chegou com 1x0 gol do Derli (ponta esquerda).O estádio do Guarani veio abaixo... E no final do jogo nunca tinha visto coisa igual, foi a maior comemoração feita ate hoje. A torcida invadiu literalmente o campo, fomos fazer desfile de “carro” pela ”sete “de setembro... Eu subi e desci a sete umas quatro ou cinco vezes, com uma câimbra infernal na barriga... Na Pedra Moura a festa seguia... Estendeu-se até o meio da noite. Não deu como não ficarmos sabendo do quanto nossa torcida estava feliz (e tudo em cima do tradicional adversário) e que aquele título estava para sempre marcando um feito na historia do GRÊMIO ESPORTIVO BAGÉ.Aquela equipe era unida, mas muito unida mesmo. A maioria dos jogadores morava na concentração (inclusive o Galego) éramos como irmãos.Uns ajudavam os outros dentro e fora de campo. Tudo passava pela mão do Galego, que exigia de nós o máximo, tanto dentro do campo, quanto em atitudes fora de campo. Era quase um pai. Suas exigências e ajuda, também era para os jogadores casados, que moravam fora da Pedra Moura. Com certeza, não seriamos vencedores por tanto tempo sem a presença dele.Ele sempre nos fazia ver que ficaríamos marcados na história do clube, se ganhássemos títulos, se nossas campanhas nos campeonatos fossem boas. Mas para isso teria que trabalhar duro, no nosso máximo.Então sabíamos que de nossos esforços, viriam as glorias. E é muito bom saber que o Bagé daquele tempo, através das suas conquistas, serve de exemplo até hoje.
[Na foto acima, Rocha ergue a Taça Governador do Estado]

O Bagé sempre impôs muitas dificuldades aos adversários, principalmente na Pedra Moura, e nos anos 70 inclusive contra a dupla Gre-Nal. Qual era a maior virtude da equipe Campeã de 1974 (e da base que seguiu nos outros anos) e dos jogadores que por ela atuaram?
Minha resposta de cima, ajuda a responder esta. A era Galego no Bagé, se caracteriza por essa persistência e teimosia de estar sempre exigindo o nosso limite máximo. Lembro que suas preleções sempre iniciavam assim: ”Hoje é um jogo” chave ““.Se contra os outros...Era jogo chave... Contra a dupla Gre-nal (jogo que estaríamos na vitrine de toda imprensa gaúcha) era o jogo de nossas vidas.


A famosa garra das equipes do Bagé, de maneira geral, e particularmente do grupo que o senhor participou nos anos 70, juntamente com a técnica, é sempre lembrada. Era um grupo diferenciado em termos de aplicação e luta?
Sempre foi estilo Galego, essa determinação em buscar o melhor resultado. Diziam que ele como jogador corria o campo todo, motivando e mostrando aos seus companheiros que deveriam fazer o mesmo. Acho que ele teve a sorte e competência de juntar os jogadores certos aqui no Bagé. Eu perdia em média de 2 a 4 kg por partida, mas muitas vezes era poupado nos treinamentos. Sem um preparador físico formado...Era ele o responsável.Juntam-se ao Galego...O trabalho de toda direção...Presidentes como Luis Carlos Alcalde, Julio Machado, Pedro Dirceu, Liader Previtali, diretor de futebol como José Pedro de Melo Fuchs, não se encontram a toda hora.


Entre as fotos dos anos 70 (publicada recentemente no Jornal Minuano) há uma (inclusive muito apreciada pelos jovens torcedores do Bagé), em que o senhor aparece erguendo o braço direito com o punho cerrado. Foi algum tipo de manifestação? Fale um pouco sobre esta foto.
Não recordo em que momento é aquela foto. Mas pode ser na hora de um gol...Ou em um final de partida ganha.

Sobre os clássicos Ba-Guá nos anos 70: algum marcou mais na memória? Como era este confronto para o senhor?
Meu 1º Baguá foi o mais importante. Fazia 4 anos que o Bagé perdia pro Guarani,e ganhamos de 1x0 gol meu .Fui escolhido o melhor em campo, e recebi muitos presentes. Sempre dei muita sorte nos clássicos.

Algum fato pitoresco ou engraçado que o senhor lembre nestes anos como jogador? (ou alguma "fria" enfrentada neste interior gaúcho)
Vários... Logo que cheguei no Bagé (antes do Galego vir) passei por alguns fatos interessantes...Minha chuteira quebrara o solado, e fiz muitas partidas com ela me “beliscando” a sola do pé. Não tinha dinheiro para outra.Nossa alimentação era: de segunda á quinta arroz com repolho refogado, na sexta ao se aproximar do jogo do fim de semana...Arroz, feijão e um bife á milanesa, sábado e domingo...Comida de jogo da época: arroz, bife purê e salada de tomates.Nas viagens, íamos em duas Kombi, jogadores,roupeiro e massagista...Quem já viajou de Kombi sabe que os bancos não têm encosto para cabeça...Já pensou ir e voltar á Passo Fundo? De engraçado não tem nada, mas serve para medir as mordomias de hoje.


Qual a fato mais marcante vivenciado pelo senhor nestes anos como jogador do Grêmio Esportivo Bagé?
Muitos...Foram 8 anos como jogador do Bagé.Lembro quando realmente me tornei jalde-negro de verdade. Foi no meu 1º Baguá (aquele que fiz o gol da vitória). Não lembro que jogador do Guarani veio me gozar, retruquei, e ouvi dele, que nem distintivo nos tínhamos na camiseta (era verdade). Lembro que entrei no vestiário no intervalo do jogo, irritado com aquilo, comentei e quase exigi do “seu Paulo” (Galego) uma camiseta decente para o próximo jogo.No 2º tempo e tendo feito o gol da vitória passei por esse jogador e falei que nosso distintivo tava no nosso peito...Por baixo da nossa pele...Nosso distintivo era nosso coração.Ali nascia mais um jalde-negro.[grifo meu]



Um gol e/ou partida inesquecível:
Gols...Além de dois em baguá...Tem dois pitorescos: Baile de Debutantes no Clube Comercial, o Galego deixa-me ir, sem beber (só guaraná), sem fumar (eu fumava) e sem dançar...Assim que terminassem os desfiles eu viria para concentração. Isso aconteceu às 5 da madrugada. Às 8 horas viagem para Pelotas e jogo às 3 da tarde. Final do jogo Bagé 1 x 0 Farroupilha ,gol meu. Lembro que o Paulo Sergio Brasil que tbm tinha ido ao baile, quando me viu indo para área em um escanteio, me gozou: ”fica lá atrás te poupando, capitão...” Na volta, com meu gol de cabeça, retruquei: “tá faltando o teu agora...Senão o “homem” não te deixa ir mais aos bailes... Eu vou ir...”Sábado, jogo contra o Pelotas, o Galego diz que volta conosco para Bagé, pois não teremos folga para ir ao carnaval. Faço uma aposta com ele, se fizesse um gol, ele nos daria folga e ficaria em Pelotas após o jogo (ele morava lá). Fizemos 2x1 e eu o gol da vitória. Ele nunca mais quis apostar comigo outras folgas.Partida...Em Passo Fundo. Para classificarmos para o Gauchão precisávamos empatar com o Gaúcho.O Gaúcho um baita time...Os irmãos Pontes, Bebeto (canhão da serra) Leivinha (mais tarde veio para o Guarani e nos formamos juntos em educação física) Luis Freire, Raul Matte, Roberto (pai do Juca do Botafogo e cunhado do P.C.Carpeggiani, (treinador do Corinthians) jogou no Guarani tbm).O 1º tempo terminou 2 x 0 para o Gaúcho. Começa o 2º tempo o Mariotti desconta 2 x 1 , mas aos 15 min. O Bebeto faz 3 x 0. Aos 40 minutos eu cruzo uma bola e o Walter de meia bicicleta faz 3 x 2 , e aos 45 min. O Derli chuta de fora da área...A bola bate no travessão e no chão...E saí. O bandeirinha corre p/ o centro do campo...O juiz confirma o gol, 3 x 3.Os Pontes queriam matar o Mario Severo (bandeirinha conhecido por ser “caseiro”), termina o jogo,alegria total.”Seu Fuchs” (diretor de futebol) entra de roupa e tudo nos chuveiros junto conosco, e avisa que a gratificação estava dobrada...O L.C.Alcalde (Michidinha) prevê que vai ter que sair para rua conseguir o dinheiro que o “Fuchs” prometera.Chegamos em Bagé às 7 da manhã, sol alto (o Derli havia levado toda a delegação do ônibus para um passeio pelas ruas da “zona” lá em Sta Cruz, como tudo era festa... com o aval do Presidente, e isso nos atrasou).A torcida nos esperava na entrada da cidade, fomos até a Pedra Moura depois de comemorar pela “sete”.
Qual a diferença que o senhor observa entre a época do titulo da Copa Governador do Estado e os últimos anos no futebol profissional de Bagé, em termos de torcida, mobilização da comunidade e entusiasmo?
Eu posso dizer que no meu tempo, nossa torcida era mais tradicional, pois era mais velha, e não menos apaixonada como é hoje. Noto que hoje os torcedores mais entusiasmados são mais jovens, que torcem pelos resultados obtidos em campo, e não pela história do clube ou pela rivalidade com os adversários. Esta mesma torcida de hoje, que são na maioria jovens e, portanto mais efusivos, terão com certeza o mesmo perfil daqueles do meu tempo, com o passar dos anos. Quando presente nos jogos de hoje, noto que a “corneta” é bem mais pesada, inclusive saindo do nosso próprio pavilhão. E isso chega aos jogadores dentro do campo, sempre de forma negativa. A torcida deve apoiar mais, nos piores momentos, pois isso além de fortalecer a equipe dentro do campo, mostra ao adversário, que eles estão em minoria. Lembro de muitas vezes sermos aplaudidos, mesmo nas derrotas. Era só notarem que havíamos demonstrado luta.Tudo são seqüências...Com um bom time virão as conquistas... Com as conquistas, o respeito e admiração do torcedor...Com o torcedor as boas rendas...Com as rendas, melhores condições de ter time competitivo...Com um time competitivo, ajuda e entusiasma a comunidade. Um depende do outro.

Nos fale um pouco sobre a emoção de ver seu filho vestindo a camisa jalde-negra e também carregando a braçadeira de capitão. Há nervosismo? E se há, é mais difícil apenas torcer do que estar em campo?
Sempre foi melhor estar em campo, pois as coisas poderiam depender do teu esforço...na torcida, dependemos dos esforços dos outros. E isso nos faz sofrer demais.E com o Tiago em campo, aumentava mais essa agonia. Mas ele sempre soube representar muita bem a garra jalde-negra, aliada a uma grande capacidade de visão coletiva e habilidade individual, e isso me enche de muito orgulho. Por isso galgou a capitania em campo (outro motivo de satisfação).
[na foto ao lado, Tiago Rocha]


Qual sua impressão sobre o futebol atualmente? O senhor costuma ir a estádios, assiste pela TV, ou se mantém mais distante?
Tudo ajuda hoje para que se jogue melhor o futebol, a bola, os gramados, os salários (dos grandes clubes) os uniformes, as concentrações, os melhores hotéis, as chuteiras, as viagens, tudo. Até a variedade de jogos transmitidos pela tv ajudam no aprendizado, nas informações que chegam de todos cantos do mundo.Claro que tem muitas coisas para serem aperfeiçoadas...Mas não dá para fazer comparações com antigamente nestes itens que enumerei.Estive presente no estádio todos estes anos que o Tiago jogou pelo Bagé. Agora estou um pouco afastado, mas acompanho pelo rádio sempre.

Qual sua opinião sobre o futuro do futebol do interior? Existem coisas que podem ser melhoradas na sua opinião para o crescimento dos clubes e torcidas?
É uma pena ver o interior enfraquecido. Pra mim, tudo começou, quando a dupla Grenal se desinteressou do Gauchão. Muitas vezes comparecem com times reservas, pra eles é muito mais vantajoso financeiramente outro campeonato. O interior sempre dependeu deles para vender bem seus jogadores, para terem boas rendas. Um jogo contra a dupla, muitas vezes colocava os salários em dia, a mídia comparecia e atletas e clubes eram notados. Outra coisa são as trocas constantes de planteis, existe uma perda de identidade clubisticas por parte dos atletas. Parece que antigamente pegava-se mais amor ao clube, torcedores sabiam de cor as escalações do seu time e do adversário (as rendas muitas vezes eram melhores por que queriam também ver os bons jogadores do time visitante).Não tem como recuperar esses pequenos erros, uns foram levando aos outros, e o acúmulo causou esse caos no futebol interiorano. Não saberia apontar a solução, pelo imenso mal causado, a não ser, dizer que as soluções existem, mas interesses maiores, parecem que obstruem esses caminhos. A crise é geral, e o futebol do interior mostra isso a cada ano. Os grandes estádios estão sendo diminuídos em suas capacidades, porque não conseguem mais enchê-los de torcedores. Dói ver um jogo do Bagé, com a geral vazia.Parece-me que uma das maneiras de puxar os torcedores ao estádio é ter em seu time, um craque, que esteja identificado com o clube. O torcedor gosta de ver esta diferença, é ela que vai lhe levar ao estádio.Todo ídolo muitas vezes acaba se tornando automaticamente um líder, e com isso contagia o resto do grupo.Desde que seja uma liderança positiva. Outra coisa que sempre acreditei, são as categorias de base.É lá que está a solução dos clubes. Além de ser mais viável financeiramente, jogador da “terra” parece que é mais cobrado (a família, os vizinhos, o bairro, enfim... a comunidade) Desde que seja muita bem trabalhada essa “responsabilidade”.

O senhor considera a hipótese de voltar ao futebol profissional em outras funções?
Nunca quis mexer com futebol, pois entendo que nunca seria fora, o que fui dentro campo. Já pensou dirigir o Bagé, e não atingir meta nenhuma? Já pensou ser chamado de “burro” por aquele mesmo torcedor que um dia me aplaudiu? Não tenho esse perfil de aturar ofensas e aplausos das mesmas pessoas quieto, poderia me frustrar e com isso me afastar de vez. Parei aos 27 anos, confesso que cansado das viagens e concentrações. Recebi vários convites, mas preferi me manter torcedor a vida toda, do que ter que um dia deixar de ser jalde-negro.Quem sabe... Quando me aposentar, e encontrar pessoas que pensem próximas do que acho seja dirigir futebol, eu não possa colocar meu nome a disposição dos interesses do Bagé. Encanta-me muito, a Direção de futebol...Contratações de jogadores, contato com treinadores,administrar contratos, etc.

Um abraço jalde-negro,
Rocha

Campeonato Gaúcho nos Anos 70

Na sua coluna desta quarta-feira na Zero Hora, David Coimbra comenta sobre os anos 70, ditadura e acaba escrevendo sobre os Campeonatos Gaúchos daquela época.
E como ele cita o Bagé e os irmão Pontes (família de jogadores a qual faz parte o mito
Daison Pontes), reproduzo abaixo o trecho do artigo:

"E o Gauchão! Dava-se a vida pelo Gauchão, nos anos 70. Quando tinha de ir para o Interior, a dupla Gre-Nal ia pé ante pé. Sabia que lá em Passo Fundo estavam os Irmãos Pontes, de dentes rilhados e chuteiras de trava de metal. Os Irmãos Pontes. João, Daison e Bibiano. Tão temíveis quanto o delegado Fleury. E, nos campos duros de Bagé, rosnava o Orcina. Naquela época, o Grêmio Bagé era chamado de "time jalde-negro". Jalde! Ainda se usava a palavra jalde, nos anos 70! Pois Orcina envergava a jaqueta jalde-negra e, que me lembre, quebrou pelo menos três pernas de atacantes metidos a dribladores. Ninguém entrava na grande área impunemente, em Bagé. Mesmo assim, no final, sempre dava Gre-Nal. Era bom o Gauchão, nos anos 70. A cada ano, quando o campeonato começa, como começará esta semana, lembro daquelas epopéias na grama rala e no barro denso. E fico torcendo para que um pouco da mágica daquele tempo volte para dentro dos campos. Mas só para dentro dos campos."

David Coimbra, Jornal Zero Hora, 17/01/2007.

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Dei alguns pitacos por e-mail(não sei se foi lido).
Um deles é sobre a frase: "Mesmo assim, no final, sempre [grifo meu] dava Gre-Nal".
Daí como não sabia se ele se referia ao final do campeonato, ou o final das partidas contra o Bagé, pesquisei alguns pontos deixados em Bagé (na tabela, que fique claro), nos anos 70:

08/07/73 Bagé 1x1 Grêmio

09/05/76 Bagé 0x0 Inter

27/08/78 Bagé 1x1 Grêmio

05/07/79 Bagé 0x0 Internacional

13/08/80 Internacional 0x0 Bagé

Além disso, a torcida do Bagé ainda refere-se ao time como jalde-negro, e a alcunha é Bagé, não Grêmio Bagé.

Na foto acima, tirado dos arquivos do Jornal Minuano (Bagé-RS), está o meia-cancha Orcina, que depois viria a jogador no próprio Grêmio Porto Alegre, e definido na legenda da foto do Jornal Minuano, como um meia de "muito vigor".

Em tempos de Segundona para o Bagé (11 anos!), sempre é bom ver algo publicado sobre o jalde-negro em veículos de grande circulação, além deste resgate de jogadores que marcaram época no interior.

Sobre os campeonatos gaúchos dos anos 70, alguns tinham fórmulas esdrúxulas, mas entre eles encontrei alguns anos em que eram disputados com menos times e sem a complexidade de chaves e sub-chaves, enfrentavam-se todos, turno e returno. Deveriam ser realmente campeonatos interessantes.

Clique aqui para ler o artigo completo do David Coimbra (os links da Zero Hora são temporários, portanto quem estiver lendo isto a mais de 20 dias, possivelmente não funcione).

Foto: do jogador Orcina, no Bagé. Jornal Minuano (Bagé-RS)

Romário

A pedido do nosso leitor Maurício, aqui vai um pequeno resumo da passagem do tetra-campeão Romário em campos australianos.

Romário está jogando no Adelaide, que disputa a chamada A-League, da Austrália. O contrato é de US$ 350.000,00 por quatro partidas (que beleza!). O atacante ainda não marcou nenhum gol em 3 partidas pelo Adelaide, e na terceira partida, em que a equipe empatou em 1 x 1 com o lanterna do campeonato, Romário foi substituído aos 18 do segundo tempo, e deixou o estádio 5 minutos antes do término do jogo.

O técnico John Kosmina, já admitia deixar Romário no banco no que seria a quarta partida dele na Austrália. No dia seguinte à partida, Romário não compareceu ao treino, e através de um intermediário mandou avisar ao técnico que estava insatisfeito com o tratamento que tem recebido. E apesar da polêmica, e talvez justamente por ela, o jogador voltou aos treinos nesta quarta, e o treinador já passou a dizer que a presença do craque é garantida na quarta partida dele por lá. É o velho Romário.

Mas no futevôlei continua se destacando, sem dúvida. Infelizmente não achei as fotos publicadas no site do Terra Esportes ontem, as quais mostravam mais um bom desempenho de Romário nas areias, agora australianas.

Enquanto isso no Brasil, o presidente do Cene, do Mato Grosso do Sul, já tenta contato com Romário, para que ele atue no seu clube. A idéia do presidente do Cene:
"Meu pensamento é aliar a parte técnica do Romário ao baixo nível técnico dos adversários."

A outra intenção do presidente do Cene é aproveitar a exposição do clube com a presença de Romário no elenco. Romário faria o gol 999 pelo Cene, e partiria em busca do milésimo no Maracanã, com a camisa do Vasco, que seria a intenção inicial do jogador. Questionado sobre a possibilidade de Romário criar carinho pelo time do Cene e resolver marcar o milésimo gol por lá mesmo, o presidente foi espirituoso novamente:
"Se o Romário quisesse fazer o milésimo gol aqui pelo Cene, eu me atiraria nas águas do Pantanal e abraçaria os jacarés de tanta alegria".

Romário atualmente possui 986 gols na carreira.

Fonte: Terra Esportes
Foto: Assim que eu achar a supra-citada

adeus,puskas

Morreu aos 79 anos de idade, nesta sexta-feira, Ferenc Puskas, um dos maiores gênios da história do futebol mundial.

Puskas, antes da consagração de Pelé, era considerado o maior jogador de futebol do mundo.

Jogador de classe, possuia um fortíssimo chute na perna esquerda, que era além de forte, tinha muita precisão.

É um dos grandes do futebol mundial, sem a menor sombra de dúvida.


Um breve resumo da carreira de Puskas como jogador:
Kispesti FC (1939-1944) (antigo nome do Honvéd)
Kispesti AC (1944-1949) (antigo nome do Honvéd)
Honvéd (1949-1956)
Real Madrid (1958-1967)

Seleções
Seleção Húngara de Futebol (1945-1956)
Seleção Espanhola de Futebol*(1961-1962)

Treinador
Panathinaikos (Grécia)
Colo-Colo (Chile)
AEK Atenas (Grécia)
Sol de América (Paraguai)
Cerro Porteño (Paraguai)
Al-Masri (Egito)
Panhellenic Melbourne (Austrália)

Puskas foi treinador até o início dos anos 90.

Títulos
Campeão Húngaro - 1950, 52, 54 e 55
Campeão Espanhol - 1961, 62, 63, 64 e 65
Copa da Espanha - 1962
Copas da Europa (atual Liga dos Campeões) - 1959, 60 e 66
Mundial Interclubes - 1960

Pela seleção húngara, marcou 85 gols em 84 partidas, foi medalha de ouro nas Olimpíadas de 1952 e vice-campeão Mundial em 1954, na Suiça.

E chegou a impressionates 1176 gols em 1300 partidas em sua carreira.

Fonte: Wikipédia
Foto: Real Madrid

Morre o maior artilheiro da Libertadores

Faleceu nesta sexta-feira Alberto Spencer, aos 69 anos, vítima de complicações cardíacas.
Spencer era equatoriano, mas teve a ascensão no futebol no Uruguai, nos anos 60. Jogou pelo Peñarol, onde foi campeão uruguaio, da Copa Libertadores e da Copa Intercontinental (atual Mundial de Clubes). Chegou a defender a seleção uruguaia em amistosos e só não foi para a Copa do Mundo vestindo a celeste, porque nunca quis abdicar de sua nacionalidade equatoriana.




Na Libertadores, marcou 54 gols, sendo o maior artilheiro da história da competição.
Recorde quase impossível de ser batido.

ícones do futebol II -Daison Pontes - o mito

Bom, começo o post pedindo desculpas: não achei sequer uma foto do Daison Pontes na internet para aqui colocar. Daison Pontes, apesar da falta de fotos, não é um mito tão antigo assim. Mas é um mito. Uma espécie de Charles Browson do futebol gaúcho, e isso que o futebol gaúcho é repleto de 'charles bronwsons'.
Pois o gaúcho Daison Pontes tem a ficha mais 'suja' do futebol brasileiro. E olha que na época dele e aqui no Rio Grande do Sul, muitas coisas não iam pra súmula. Segundo vários sites (mas não sei de informações oficiais, advirto), Daison foi o jogador que mais vezes foi expulso no futebol brasileiro. Sem julgamentos das atitudes, até mesmo porque não sou contemporâneo do jogador, podemos afirmar que este jogava "a morrer".

Entre as lendas futebolísticas, confirmada por vários veículos e profissionais da imprensa, se encontra o episódio de Daison Pontes com o juiz José Luis Barreto, atualmente aposentado e que cuida da direção de arbitragem no RS.
Daison Pontes jogava pelo Gaúcho de Passo Fundo, e em 1974 Barreto apitava uma partida por lá.
Pênalti contra o Gaúcho. Daison Pontes xinga José Barreto.
Barreto o sentencia: - Se eu te pegar fora de Passo Fundo, te expulso.
Daison Pontes responde: - Se tu me expulsar eu te quebro.

Barreto o "pegou" num jogo em Santa Maria (RS), Daison Pontes foi expulso.
Daison Pontes cumpriu a promessa também.

Relato do jornalista e narrador Régis Höher, numa entrevista para a PUC-RS:
"Tem coisas impressionantes. Depois de 1975 até 1982 quando eu vim para a rádio Gaúcha. Eu nunca esqueço de um lance que o Inter de Santa Maria jogava contra o Gaúcho de Passo Fundo. O Daison Pontes, um zagueiro machão, forte, num lance, tendo como juiz José Luiz Barreto, mais recentemente tornou-se diretor de árbitros da Federação Gaúcha de Futebol. O Daison Pontes agrediu* o Barreto. Eu tenho guardadas as gravações daquele lance. Eu estava narrando. "

(* um soco no rosto e pontapé)

Daison Pontes é figura lendária, e mesmo assim não pude descobrir nas pesquisas do Google foto ou paradeiro atual dele. Tentarei descobrir e publicarei aqui.

Sem nenhuma apologia à violência, o que marca a trajetória de Daison Pontes no futebol (e imagino que haja muito mais histórias por este interior gaúcho), é a autencidade do jogador. Pré-julgamentos à parte, Daison Pontes faz parte do folclore do futebol gaúcho.

Breve ficha de Daison Pontes, segundo as fontes (não sei se está completa):

1959 - agressão a adversário
1962 - invasão de campo
1963 - ofensa ao juiz
1963 - agressão ao adversário
1964 - ofensa ao juiz
1964 - ofensa ao juiz
1964 - ofensa ao juiz
1966 - agressão ao adversário
1968 - ofensa ao juiz
1969 - agressão ao adversário
1969 - atitude inconveniente
1970 - agressão ao adversário
1971 - atitude inconveniente
1972 - agressão ao adversário
1973 - agressão ao adversário
1974 - ofensa ao juiz
1974 - agressão ao juiz*

* Foi suspenso por 18 meses e voltou em 1976 apenas para encerrar a carreira.

Curiosidade:
Daison Pontes formava a dupla de zaga com seu irmão João Pontes, ao qual são atribuídas estas trangressões:
1964 - agressão a adversário
1965 - agressão a adversário
1966 - ofensa ao juiz
1966 - agressão a adversário
1967 - ofensa ao juiz
1969 - atitude inconveniente
1970 - agressão a adversário
1970 - agressão a adversário
1972 - ofensa ao juiz
1973 - agressão a adversário
1974 - ofensa ao juiz
1978 - ofensa ao juiz

Que avante encara esta zaga?

Fontes:
http://www.futebolgaucho2003.hpg.ig.com.br/curiosidades/curiosidades.htm
http://www.pucrs.br/famecos/vozesrad/regis/completa.html
http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=7110 (neste site tinha a foto, mas não "carrega" no computador)

Foto: escudo do Gaúcho de Passo Fundo

Ícones do futebol - I

Neste mês de outubro faz 9 anos que morreu o atacante gaúcho Chico*. Natural de Uruguaiana, Chico jogou muito tempo pelo Vasco da Gama, e é personagem lendário da Seleção Brasileira, ainda que não seja lembrado como merece.

Chico, por seu temperamento forte e tendo a valentia como traço marcante, foi protagonista duma das maiores guerras futebolísticas da história da Seleção Brasileira, ocorrido em 1946.
Mas para entender a história, temos que voltar três meses antes.

O início do fato que desencadeou a peleia internacional, ocorreu em 20 de dezembro de 1945, no estádio de São Januário,RJ. Era um Brasil x Argentina.
Em campo o Brasil vence por 6 x 2. Mas além da goleada, o fato marcante foi a contusão do zagueiro argentino Batagliero, que fraturou a perna após choque com Ademir Menezes. Segundo a fonte do relato, Ademir na época com 20 anos, entrou no choque de maneira involuntária, e quem havia batido mesmo era Chico e Zezé Procópio, mais experientes e de estilo mais "chegador".

Pois três meses depois, o Brasil vai disputar o Sul-americano em Buenos Aires. A final: Argentina e Brasil, no Monumental de Nuñez. A Argentina queria vingança e o clima era de guerra. Numa tentativa diplomática, o então chefe da delegação brasileira Ciro Aranha, leva Ademir pra visitar o zagueiro Batagliero, ainda em recuperação. Não adiantou muito.

Já no estádio do River Plate, Chico recebeu o seguinte conselho de um argentino (diálogo publicado no site NetVasco):

- É melhor não jogar. Nós vamos te matar.

Chico, gaúcho valente e brigão, que nascera e se criara em Uruguaiana, na fronteira, respondeu com raiva:

- Pois vão ter que me matar mesmo!

Para acirrar ainda mais os ânimos platinos, Batagliero desfila em torno do gramado, numa maca, para inflamar torcedores e jogadores locais. A torcida dava o recado para o Brasil:

-Mira!Mira!

A partida começa nesse clima, e aos 28 minutos, o capitão argentino Salomon entra de carrinho em Jair, que levanta a perna, e a perna do jogador argentino choca-se contra a sola da chuteira de Jair. Salomon tem fratura dupla na tíbia e perônio (popular canela), e nunca mais se recuperou para o futebol.

Tempo fecha e Jair tenta ir para o vestiário. O argentino Fonda parte para agredir Jair e Chico intervém na defesa de Jair. Chico é acertado pelas costas por Strembel, e nesse momento se vê cercado por argentinos. Segue brigando valentemente, soco e pontapés de todos os lados, até o máximo em que soldados argentinos de cavalos começam a bater com sabre em Chico, que se defende como pode no meio da turba argentina.

Até que Mário Vianna consegue adentrar no tumulto, em meio a cavalos e jogadores, e tirar Chico dali, trazendo-o para o vestiário, por coragem e sorte, pois com a confusão mais de 500 torcedores argentinos estavam invadindo o campo. A polícia só conseguiu retirá-los com a utilização de bombas de gás.

O Brasil não queria voltar a campo, mas o chefe da polícia local foi ao vestiário brasileiro e disse para que voltassem, pois em caso de cancelamento da partida ele não poderia garantir a segurança da equipe brasileira.
O Brasil volta, mas não houve mais futebol. Chico estava expulso nesta altura. O Brasil perdeu por 2 x 0, e tiveram que se conformar com a derrota.

Na volta ao Brasil, a delegação rumava ao Rio de Janeiro, enquanto Chico ia de trem para Uruguaiana, machucado, mas onde foi recebido pelos gaúchos de lá como herói de guerra, merecidamente.

Fato interessante: Chico em sua carreira pela seleção brasileira, jogou 10 vezes contra a Argentina. Foi expulso em 9.


*Nome: Francisco Aramburu
Nascimento: 7/1/1922, Uruguaiana-RS
Falecimento: 1/10/1997, Rio de Janeiro-RJ
Posição: Ponta-esquerda
Gaúcho de Uruguaiana, Chico foi um ponta veloz, inteligente e valente, que chutava forte com os dois pés, driblava na corrida e cruzava certeiro com a canhota. Dono da camisa 11 do Expresso da Vitória (no Vasco da Gama), travava duelos memoraveis com Biguá, lateral do Flamengo. Na seleção brasileira, Chico também não negava fogo nem fugia do pau. Durante o Sul-Americano de 46 em Buenos Aires, revidou a uma entrada mais dura de um zagueiro argentino. Na briga generalizada que se seguiu, apanhou da polícia argentina a golpes de sabre. Em 1950, Chico marcou 4 gols pela seleção vice-campeã mundial.


Fonte: o excelente texto de Mauro Prais, no site do NetVasco.
Foto: Site Museu dos Esportes
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