Campeonato Gaúcho nos Anos 70

Na sua coluna desta quarta-feira na Zero Hora, David Coimbra comenta sobre os anos 70, ditadura e acaba escrevendo sobre os Campeonatos Gaúchos daquela época.
E como ele cita o Bagé e os irmão Pontes (família de jogadores a qual faz parte o mito
Daison Pontes), reproduzo abaixo o trecho do artigo:

"E o Gauchão! Dava-se a vida pelo Gauchão, nos anos 70. Quando tinha de ir para o Interior, a dupla Gre-Nal ia pé ante pé. Sabia que lá em Passo Fundo estavam os Irmãos Pontes, de dentes rilhados e chuteiras de trava de metal. Os Irmãos Pontes. João, Daison e Bibiano. Tão temíveis quanto o delegado Fleury. E, nos campos duros de Bagé, rosnava o Orcina. Naquela época, o Grêmio Bagé era chamado de "time jalde-negro". Jalde! Ainda se usava a palavra jalde, nos anos 70! Pois Orcina envergava a jaqueta jalde-negra e, que me lembre, quebrou pelo menos três pernas de atacantes metidos a dribladores. Ninguém entrava na grande área impunemente, em Bagé. Mesmo assim, no final, sempre dava Gre-Nal. Era bom o Gauchão, nos anos 70. A cada ano, quando o campeonato começa, como começará esta semana, lembro daquelas epopéias na grama rala e no barro denso. E fico torcendo para que um pouco da mágica daquele tempo volte para dentro dos campos. Mas só para dentro dos campos."

David Coimbra, Jornal Zero Hora, 17/01/2007.

_______________________________________

Dei alguns pitacos por e-mail(não sei se foi lido).
Um deles é sobre a frase: "Mesmo assim, no final, sempre [grifo meu] dava Gre-Nal".
Daí como não sabia se ele se referia ao final do campeonato, ou o final das partidas contra o Bagé, pesquisei alguns pontos deixados em Bagé (na tabela, que fique claro), nos anos 70:

08/07/73 Bagé 1x1 Grêmio

09/05/76 Bagé 0x0 Inter

27/08/78 Bagé 1x1 Grêmio

05/07/79 Bagé 0x0 Internacional

13/08/80 Internacional 0x0 Bagé

Além disso, a torcida do Bagé ainda refere-se ao time como jalde-negro, e a alcunha é Bagé, não Grêmio Bagé.

Na foto acima, tirado dos arquivos do Jornal Minuano (Bagé-RS), está o meia-cancha Orcina, que depois viria a jogador no próprio Grêmio Porto Alegre, e definido na legenda da foto do Jornal Minuano, como um meia de "muito vigor".

Em tempos de Segundona para o Bagé (11 anos!), sempre é bom ver algo publicado sobre o jalde-negro em veículos de grande circulação, além deste resgate de jogadores que marcaram época no interior.

Sobre os campeonatos gaúchos dos anos 70, alguns tinham fórmulas esdrúxulas, mas entre eles encontrei alguns anos em que eram disputados com menos times e sem a complexidade de chaves e sub-chaves, enfrentavam-se todos, turno e returno. Deveriam ser realmente campeonatos interessantes.

Clique aqui para ler o artigo completo do David Coimbra (os links da Zero Hora são temporários, portanto quem estiver lendo isto a mais de 20 dias, possivelmente não funcione).

Foto: do jogador Orcina, no Bagé. Jornal Minuano (Bagé-RS)

Comunidade da Seleção Gaúcha de Futebol

Dizem que os gaúchos, ou uma parte considerável, têm uma veia separatista inerente. Nunca fiz uma mensuração (nem informalmente, como nas esquentes da internet) da quantidade percentual de quem é contra ou favor à idéia.
De qualquer maneira, muitos gaúchos, ainda que não separatistas e longe disso, sonham em ver um dia uma seleção gaúcha organizada e atuando de vez em quando. Alguns sonham mais longe, e pensam nela nos moldes da Seleção da Catalunha na Espanha, que mesmo sendo uma região e não um país, tem a chancela da FIFA para jogar uma vez ao ano.


E pensando nisso tudo, o leitor João Xavier criou a comunidade "Seleção Gaúcha de Futebol", no Orkut. Na comunidade são comentadas possíveis escalações da Seleção Gaúcha atual, histórias de quando a Seleção Gaúcha era formada, alguns exercícios de imaginação, uniformes, além dos resultados das seleções das categorias de base (que eu não sabia que atuava).

A respeito de antigas seleções de Estados, antigamente existiam, mas eram combinados dos grandes clubes de cada Estado, não importando o local de nascimento do jogador, e sim onde atuava. Já o assunto da comunidade é mais voltado para os jogadores nascidos no Rio Grande do Sul e não sobre os que atuam no Estado apenas.


A comunidade conta atualmente com mais de 500 participantes.

O assunto sempre faz a gente puxar pela memória, e normalmente saem seleções bem razoáveis, que fariam frente na América do Sul com as melhores seleções. Faria?

Pra quem quiser participar da comunidade,
clique aqui (necessário ser usuário do Orkut).

Foto: não sei a autoria, e é a imagem utilizada pela comunidade do João.

Expresso da Bola & Foreign Fields

O programa Expresso da Bola, apresentado pelo repórter Décio Lopes, passa no Sportv (canal 39, NET). Hoje assisti o programa visitando o Uruguai, e tentando mostrar alguns fatores que contribuiram para a decadência do futebol uruguaio, tanto seleção como clubes, em termos de conquistas.

O programa é excelente (reprisará, entre outros horários, neste domingo à 8h e 30min), e trata da parte cultural envolvida no futebol e neste programa específico, mostra as mazelas que passa o futebol cisplatino. Há entrevistas com ex-jogadores, treinadores e jornalistas uruguaios também.

Uma das coisas que chama atenção, é o estado em que se encontram os centros de treinamentos dos grandes Peñarol e Nacional. O do Peñarol é um pouco melhor, mas deixa muito a desejar em comparação aos times de ponta brasileiros, por exemplo. Estão naquele esquema: "tudo bem pintadinho", bem cuidado, etc, mas observando as condições de infra-estrutura mesmo, nota-se que eles pararam no tempo. São CT's de times pequenos, que não condizem com a grandeza de Peñarol e Nacional.
Um outro problema é semelhante ao nosso, que é o êxodo dos melhores jogadores, mas com um país de apenas 3 milhões de habitantes, nem os "exportados" são grandes destaques tecnicamente.

O programa mostra também a relativa ascensão do Danúbio, e a curiosidade é que existem 3 jogadores gaúchos por lá. Um deles, zagueirão de 1,95 de Santana do Livramento, já há 7 anos por lá, que virou o "xerife" e líder da equipe e também o ex-Brasil de Pelotas, Marcos Tora (meio-campista). O time está investindo nas categorias de base, e começa a colher os primeiros resultados, com um título uruguaio e neste ano participará da fase "pré-Libertadores", enfrantando o Vélez Sarsfield. O vencedor entrará no grupo do Inter.

E o documentário retrata também a economia uruguaia e a cultura "futebolera" de lá. Vale a pena assistir, excelentes imagens da capital Montevidéu, e um ótimo texto de Décio Lopes.

_________________________________________

Ainda sobre documentários, o leitor Froner indicou aí na caixa de recados ao lado , o documentário da BBC "Foreign Fields", que trata sobre a violência nos estádios pelo mundo. Assisti apenas a primeira parte, estou carregando as outras, mas já me apresso em indicar mesmo assim. Muito bom o documentário, e na primeira parte aparecem as torcidas italianas e argentinas, com entrevistas de torcedores (Rafa di Zeo), Di Canio (jogador da Lazio) e inclusive uma com "el Dié", Maradona. Vale a pena assistir também, só pela primeira parte dá pra ver que tem tudo o que não tinha no outro documentário que comentei aqui ontem. Após assistir todo, coementarei aqui, mas só pela primeira parte, nota 10, muito bom mesmo.
Abaixo os links do Youtube para quem quiser ver (é em inglês e sem legendas em português). O Froner, que já assistiu todo, pode comentar aí pro pessoal ter mais uma idéia do documentário.
Valeu pela dica, Froner!

(os trechos são de aproximadamente 10 minutos cada um)

Primeira Parte
Segunda Parte
Terceira Parte
Quarta Parte
Quinta Parte
Sexta Parte

Violência

Alguns falam que os torcedores de futebol são violentos, se não necessariamente, em média. Eu discordo. Acho que o ser humano em geral (e principalmente em grupo) tende à violência.
Se o esporte mais popular do Brasil fosse o tênis, considerariam os torcedores de tênis violentos.

O exemplo vem de fora do futebol. Alguém imaginaria que fãs de certo cantor seriam violentos, por serem fãs de música e discutirem sobre ela e seus artistas?
Pois vejam esta notícia:

Homem é baleado na barriga em briga sobre altura de James Brown
Altura de James Brown faz homem levar dois tiros

11 de Janeiro de 2007

Um homem recebeu dois tiros no abdômen durante uma acalorada discussão sobre a exata altura do recém-finado James Brown, na cidade norte-americana de Atlanta.
David James Brooks Jr foi baleado por Dan Gulley quando uma singela discussão sobre as dimensões verticais do ícone da soul music acabou virando uma briga feia. Gulley foi acusado na última segunda-feira.
Testemunhas disseram que a discussão foi tomando formas mais acaloradas e culminaram nos dois tiros na barriga de Brooks, que correu para o carro para pegar sua arma, atirou contra Gulley, mas errou todas as tentativas. Após o incidente, Brooks foi levado ao hospital.


Da redação por: Rafael Mordente

Tirem suas conclusões.

Foto e fonte: Terra
O tradicional Torneio de Verão que ocorre todos janeiros em Mar Del Plata, Argentina, está em disputa. A competição envolve River, Boca, Racing, Independiente e San Lorenzo.
O torneio já foi glamoroso, servindo para mostrar as novidades dos times e levar ao público veranista grandes clássicos argentinos.
Mas este ano o estado do gramado foi o que chamou a atenção de quem assistiu a partida (o Sportv está transmitindo). O jogo inicial foi o clássico de Avellaneda, Racing x Independiente. Terminou 0 x 0, e o gramado(?) ajudou na falta de gols.

A organização do evento diz que o motivo do campo estar neste estado, é que houve um show de uma banda de rock, só que a apresentação já faz quase um mês.
A foto acima até que é generosa (por não mostrar o panorama completo), pois na tv se viam grandes círculos de barro ao invés de grama.

A iniciativa de levar jogos de início de temporada para cidades onde estão os veranistas é excelente, entretanto problemas de estrutura como estes não são raros.
No Rio Grande do Sul, a Federação Gaúcha novamente marcou alguns jogos da dupla Gre-Nal no litoral, este ano em Cidreira. Espera-se que o gramado e estádio (ex-Sessinzão) estejam em boas condições para abrigar as partidas e não como as bilheterias da foto ao lado (certo, está em reformas, eu sei).

Sobre o clássico na lama, as palavras de um cronista argentino, Sergio Dubcovsky, do Olé :
"Um pouco de vergonha nos deu o estado calamitoso do campo de jogo do estádio José María Minella de Mar del Plata na abertura do futebol de verão, com um clássico, titulares e tudo. Além das questões estéticas (horríveis os lagos de lodo e as grandes franjas de pasto), o descuido influiu diretamente no espetáculo: uma bola que picava como se tivesse um coelho dentro, imprecisões aos montes, jogadores temerosos de lesionarem-se quando apenas começa a temporada."



Ainda sobre filmes de torcedores de futebol, um que assisti e não gostei foi o Guerra de Torcidas (Hooligans e Thugs: Soccer´s Most Violent Fan Fights). Na realidade o filme é um documentário, feito (quer dizer, editado) em 2005, mas com imagens bem antigas de ultras italianos (na maior parte das cenas) envolvidos em distúrbios. Mais para o final do filme, as cenas são de torcedores ingleses, e alguns holandeses.

A idéia, apesar de não ser muito original, até que não é ruim. O problema é que o pessoal parece que não quis ter muito trabalho e também não entendem de torcidas.

O resultado é que o documentário é um apanhado de imagens amadoras, jogadas de forma desorganizada no filme. Quase não há informações sobre as torcidas envolvidas, passando a nítida impressão que o texto foi feito por alguém estranho ao futebol. As cenas são antigas e também não são informadas as datas, apenas quando aparece na gravação devido à filmadora amadora (a maioria é de meados de 90).
A locução é bem parecida (quanto ao conteúdo, ou falta dele) com as dos programas do tipo "Vídeos Incríveis" ou dos vídeos que o Sílvio Santos passava nos tempos do programa "Tentação".

Na capa (nesta daí de cima não aparece, mas no DVD que aluguei tinha) em destaque aparece: "comentários de José Trajano"(ESPN Brasil). Bem, realmente Trajano comenta, mas não sobre o que está aparecendo no filme, e sim um papo sobre violência de torcedores, bem genérico.
E não sei onde gravaram o áudio, mas parece que o Trajano está sentado no seu banheiro, com um eco de fazer inveja a muitos vídeos amadores.

Além disso, para completar os 65 minutos do filme, os caras deixam rodando longas "picuinhas" entre meia dúzia de torcedores, que se arrastam por vários minutos. Tem alguma ou outra cena mais bizarra, mas poucas. Resumo da história: eu estava torcendo que acabasse duma vez.

______________________________
A imagem do garoto da capa do filme fez sucesso aqui no Brasil, porque o pessoal usava a foto dele em montagens com camisetas de vários times brasileiros, nos avatares de fóruns e no Orkut.

The Football Factory

Já havia assistido o "Hooligans", que é aquele filme com o Elijah Wood ou "Frodo", sobre a violência entre torcidas no futebol bretão. Depois de comentar, vi em vários fóruns, o pessoal elogiando mais o The Football Factory (o título em português é "Violência Máxima" - impressionante como avacalham com os títulos originais aqui no Brasil), e muitos indicando como melhor entre os dois mencionados - a comparação é(?) inevitável.

Então ontem assisti ao The Football Factory. Na verdade eu gostei do filme sim, é bem interessante até porque usa bastante do humor, sem ser comédia, é claro, tendo vários momentos engraçados. Mas quem espera ver algo sobre futebol ou relacionado, não há uma nesga. Nada. Os torcedores nem camisas dos times usam. Não sei se esta é a realidade local inglesa, mas acho que durante todo o filme vi dois ou três adereços dos times citados e um pequeno trecho de um jogo entre duas "escolinhas".

Na verdade são gangues de bairros que se enfrentam tendo como pano de fundo suas simpatias clubísticas. Se isto, de certa forma não decepcionar o fã do futebol e de cultura futebolística, o filme é legal. Mostra a velha Inglaterra, aquele ambiente londrino de pubs e ruas antigas. O filme se é fiel à realidade, mostra que o pessoal inglês anda muito desocupado mesmo em termos de diversão. Sem nada melhor para fazer nos finais de semana, o povo prefere a adrenalina de enfrentamentos com rivais à uma mesa de poker, e com muita cerveja, maconha e cocaína como coadjuvantes.

E tanto em Hooligans como em The Football Factory, aparece a ansiedade com que as torcidas esperam o sorteio da Copa da Inglaterra (que como no Brasil junta times de todas as divisões). Aqui no Brasil não há isso, de esperar o sorteio, assistir, etc. Mas isso também devido às dimensões do Brasil. Como disse antes, essas torcidas são gangues que convivem na mesma cidade muitas vezes, ainda que seus times não se enfrentem, e a Copa é o único momento em que times como Manchester e Liverpool, enfrentarão clubes modestos e no caso inglês, em que suas gangues poderão enfrentrar-se "oficialmente".
E apesar disso tudo, também nos dois filmes, as brigas retratadas são sem facas, revólveres e assemelhados. Rola um tijolo aqui e um "soco-inglês" ali, mas nada comparado com o que aparece em alguns estádios brasiileiros. Só não sei se é assim na realidade também.

Sobre a violência propriamente dita e o título em português, não espere muito: nada demais.
Mas quem estiver interessado em locar, vale pelo entreterimento e pelo humor, nota 7,5.

2007 e "off-futebol"

Aos amigos que visitaram o Puro Futebol neste período de festas de final de ano, minhas sinceras desculpas. Coisa irritante é site/blog desatualizado e blogueiro/webmaster que não dá sinal de vida. Mas foi inevitável.

Fui passar alguns dias em Bagé e de lá não entrei na internet. Antes que pensem mal de minha cidade, explico: sim, existem computadores, mas não acessava nada de lá. Mas lembrava do blog.

Passados os dias de reunião familiar, volto ao meu velho PC e às agruras do dia-a-dia (meu ano universitário ainda é 2006). Me retirei na cidade mais quente do RS (e a mais fria no inverno). Muito calor e nem um zéfiro de alento, literalmente, absolutamente literalmente. Mas as reuniões com familiares e amigos foram ótimas. Agora volto ao "mundo real". Só para terem uma idéia, eu só soube ontem que Saddam Hussein havia sido enforcado (se é que não foi algum "spam" sensacionalista enviado ao "Jornal Hoje").

Sobre o nosso velho futebol, apenas acompanhei de "relancina" algumas contratações, as quais já estamos acostumados: valores saem, e voltam "japoneses" e "segunda linha" européia, todos brasileiros, diga-se.

De resto, a alegria de estar com o "meu" povo, e matar sobremaneira a saudade do assado verdadeiro, na brasa (moro em apartamento, imaginem). Foram 9 dias e 9 churrascos, variando entre churrasqueira "tradicional", sobre tijolos, no "tonel cortado", e pra cúmulo da tradição, até no valão.

Portanto, peço aos generosos leitores que relevem este tópico, pois nada trata de futebol.

Sobre futebol, volto amanhã. Mas estamos de volta.
Agradeço ao pessoal que ainda visitou o blog, mesmo que estivesse mais atirado que gato de solteirona perto do fogão a lenha.

E agradecimento especial ao Maurício, que mesmo nesta ausência de posts, andou por aqui vendo como as coisas estavam. Para ele, digo: o bolicho tava com o bolichero oitavado, talvez depois de perder as fichas e esvaziar a guaiaca numa carpeta pelas bandas orientais, mas sempre contando com os paisanos da freqüência para cuidar das dependências, como o amigo.
Abraço, Maurício!

Um grande 2007 pra todos. Ainda é lugar-comum, mas a sinceridade está presente. E muito futebol nas veias de todos nós.


Feliz 2007!


top