Após ir dormir com a cabeça inchada por mais uma aviltante goleada sofrida pelo seu time do coração no semi-clássico regional, Cesinha acordou possuindo a Verdade Absoluta.
Acordou num sobressalto, é bom que se diga. Consciente do impacto que tal revelação causaria ao mundo, ao sentimento de paixão incondicional de cada torcedor, de cada time do globo terrestre pelo futebol em si, Cesinha cogitou omitir.
Além do mais, a Verdade Absoluta era por demais grandiosa (afinal era a Verdade Absoluta) e, como toda a nova revelação revolucionária, haveria de ser desacreditada.
É. O melhor mesmo era calar-se para sempre. O mais ajuizado, o mais sensato, o mais inteligente.
E, por isso mesmo, Cesinha decidiu fazer a grande revelação. Para isso, chamou seus dois comparsas e futuros difusores da Verdade Absoluta: Alex e Alemão.
Sexta-feira, oito da noite, Mesa Magna da sala de reuniões (Snooker do Patinho, mesa de plástico da Polar)
Alemão: Ó, Cesinha, espero que desta vez valha a pena, hein...
Alex: É! Da última vez em que falamos, tu vieste com aquela história de complô da Federação Gaúcha de Futebol pra beneficiar você sabe quem, e, quando perderam, ficou aí inventando mil desculpas...
Cesinha: É que eu tinha um bom informante... conheço um cara que é filho de um conselheiro do clube, e...
Alemão: (levantando) Eu vou embora!
Cesinha: Tô pagando a cerveja
Alemão: (senta-se rapidamente) Vou ficar só pra não dizerem que sou mau amigo.
Alex: Qual é o caso desta vez? Quem está armando contra teu time desta feita? O Talibã, a máfia soviética? (risos)
Cesinha: Russa! É máfia russa. Mas não, não tem ninguém querendo prejudicar o meu time, a não ser, é claro, os de sempre. Hoje vim revelar-lhes A Verdade.
Alemão: A verdade?
Cesinha: Não. A Verdade. Com maiúscula. A Verdade Absoluta.
Alex: Bom, então neste caso, que venha a primeira rodada!
Alemão: É!
Cesinha: Certo, certo (esfregando as mãos) Patinhô, uma Polar grande e três copos. Limpos, desta vez.
Sexta-feita, oito horas da noite mais quatro minutos, mesmo lugar mas agora com cerveja
Cesinha: seguinte, eu fui dormir na noite passada um pouco chateado, devido aos acontecimentos...
Alemão (interrompendo) O sacolaço de 6x0 que vocês tomaram, de novo, do...
Cesinha: (cortando aos gritos) Cala a boca! Eu tô pagando a cerveja e vocês vão me ouvir!
Alex: Fala aí!
Cesinha: Hunpf...
Alemão: Deixa de frescura. Fala!
Cesinha: Todas as Copas do Mundo foram arranjadas!
É preciso dizer que Alex e Alemão levantaram ao mesmo tempo e foi preciso que o Cesinha, além de implorar para que ficassem, prometesse cerveja ilimitada para ambos, a noite toda, até às seis da madrugada.
Caso alguém estivesse consciente até lá, é claro.
Reinício da palestra, oito da noite mais treze minutos, o lugar não muda nem sequer mudará. Mais uma cerveja na mesa
Cesinha: Como eu ia dizendo, quando vocês de maneira muito desrespeitosa interromperam, todas as Copas do Mundo foram arranjadas.
Alex: Tá bom...
Alemão: Todas?
Cesinha: Todas menos uma! Que foi arranjada, mas uma das partes não colaborou. E por isso paga até hoje.
Alemão: Qual é...
Cesinha: Calma! Esta revelação se dará somente mais tarde.
Alex: Olha, Cesinha... que uma ou outra tenham sofrido influência até vá lá, mas... todas... ou todas menos uma...
Cesinha: Provarei através de evidências irrevogáveis, meu caro. Evidências irrevogáveis. Obviamente devo dizer que as regras do jogo do poder mudaram muito durante os anos. Que medidas preventivas foram tomadas em função de determinadas circunstâncias, mas, hoje, temos padrões muito bem definidos de conduta, possíveis campeões, leis de compensação histórica e, é claro, motivações políticas de toda a ordem.
Alemão: Nossa, isso vai longe... ô, Patinhô... mais uma.
Após alguns protestos, discussões de veto às influências políticas e três cervejas além, já passa das nove da noite e o álcool começa a trabalhar na mente dos convivas. Além do mais, ficou convencionado que, antes do arranca-rabo de 45, a coisa era por demais obscura à luz dos fatos e evidências. Cesinha sorriu com a simples menção de tal divisão. E assim ficou acordado entre os três.
Alex: Tá como tu nos explica a Itália ter ganhado a Copa da Alemanha, em 2006?
Cesinha: Europeísmo e compensação histórica. Fácil!
Alemão: como assim?
Cesinha: Os europeus, depois de 58 (e mais tarde darei uma explicação adicional que é a alma da teoria), tomaram uma medida de preservação – que eu chamo de europeísmo – para que jamais uma seleção não-européia ganhasse naquele continente.
Alemão: Tá, mas por que não a Alemanha?
Cesinha: Poderia até ser, em caso de acidente, mas foi a compensação histórica por a Alemanha ter conquistado a de 90, na Itália.
Considerando tal uma evidência ao menos considerável, Alex e Alemão começaram a se interessar mais pela teoria do amigo.
Alex: Tá. Resolvido 2006 e 90. Mas e 2002? O que tem a ver o Brasil com o Japão e a Coréia?
Cesinha: Lembra o que fizeram com a Espanha e a Itália nos jogos contra a Coréia? E o Brasil contra a Turquia! Os brasileiros – sobretudo o Zico – reinventaram o futebol no Japão e como a Copa era fora da Europa, a CBF já havia previamente aceitado perder a Copa de 98 para a França e reconquistar o título quatro anos depois, por predileção nipônica e sob o aval da FIFA.
Novamente Alemão e Alex se entreolham. As coisas começavam a tomar forma. De repente tudo parecia fazer sentido: uma incrível, milionária e mundial manipulação de resultados se mostrava palpável.
Alex queria mais evidências, porém:
Alex: 62?
Cesinha: América do Sul. O Brasil tinha o melhor time. Não tinha como não ganhar!
Alemão: 66?
Cesinha: Inglaterra. Os inventores do futebol nunca tinham conquistado o título-maior do futebol...
Alex: 70...
Cesinha: O time do Brasil era mágico. Talvez o maior de todos os tempos. O Negão tava no auge... mas só ganharam porque era no México. Fosse na europa, teria dado Itália.
Alemão: 54! Final européia! O que tu me diz disso? Hein, hein?
Cesinha: (sorrindo com ares de fidalgo) Bem... primeira Copa do Mundo na Europa pós-guerra... Alemanha em frangalhos... o povo alemão precisava de um alento... de uma nova razão para se orgulhar... de um milagre... um milagre de Berna!
Alemão já estava arrepiado – e bêbado, enquanto Alex não parava de se remexer na cadeira. Tudo fazia sentido. Tudo estava claro! Como haviam sido inocentes! Graças a Deus eram amigos do Cesinha, que tanto subestimavam e que agora mostrava-se, irretorquivelmente, o mais genial de todos deles.
Alemão: Quais Copas faltam... un...
Alex: 74?
Cesinha: Alemanha jogou em casa. Poderia ter dado Holanda. Prevaleceu o fator local...
Alemão: 1978...
Cesinha: A ditadura comprou esta Copa, meus caros. Era na Argentina, eles nunca haviam sido campeões.
Alex: ora, ditadura...
Cesinha: A Argentina ganhou de 6x0 do Peru no último jogo classificatório e foi pra final. O tal do Cruyff se negou a jogar esta copa pois sabia do que a ditatura era capaz.
Alemão: Meu Deus, tudo faz sentido... ô, Patinhôôô, mais uma aqui pra nós!
Alex: 82?
Cesinha: Na Europa. Final entre Itália e Alemanha. Vocês acham que foi por acaso? Com o timaço do Brasil? Precisa ser muito inocente...
Alex: 86?
Cesinha: Copa fora da Europa. Gol de mão. Maradona no auge...
Alemão: 90?
Cesinha: Já falamos de 90, que, além do já dito... bem... foi a revanche de 86, na Europa. Era claro que a Alemanha seria a campeã... ou vocês acreditam que um time que tinha Maradona poderia perder uma partida daquelas e com gol de pênalti ainda por cima...
Houve um longo tempo de silêncio. Todos davam generosos goles em seus copos. Pareciam meditar.
Cesinha estava em transe.
Alex estava perplexo.
Alemão pedia mais uma cerveja.
Alex consultou o velho cebola: nove e trinta e três. Respirou fundo e veio-lhe à mente uma idéia que poderia colocar tão maravilhosa trama abaixo. Não teve escolha:
Alex: Mas... Cesinha...
Cesinha: Sim?
Alex: E 50? O mais óbvio era que o Brasil ganhasse, afinal a copa era aqui, o Maracanã estava estourando gente, o Uruguai já havia sido campeão em sua própria casa...
Alemão: Pois é (gole) em 50 (gole duplo) o Brasil (gole longo) deveria ter sido o campeão!
Cesinha atirou os braços para os lados. Sorriso de Mona Lisa no rosto.
Os amigos perceberam, aliviados, que ele deveria ter uma justificativa para aquilo.
E tinha.
Cesinha: De fato, 1950 foi arranjada para o Brasil ser campeão.
Alemão: Mas como?! E por que o Uruguai ganhou?
Alex: É, pelo visto a sua tese caiu por terra...
Cesinha serviu-se com mais cerveja. Entornou o copo inteiro e produziu um “Ahhh” de satisfação. Prosseguiu.
Cesinha: O Uruguai sabia que deveria perder. Em troca de compensações futuras, como todas as seleções de qualidade e/ou força política. No entanto, alguns homens de muito valor como Schiaffino e Ghiggia simplesmente se negaram a entregar o jogo para o vizinho e rival histórico. Eles sabiam que se perdessem a partida em tais circunstâncias, não perderiam somente um campeonato. Perderiam suas almas.
Houve um silêncio de alguns segundos. Nem o Alemão se atreveu a dar um gole neste lapso de tempo. Cesinha não deixou a bola cair.
Cesinha: Tanto é, que quando o jogo acabou, os jogadores do Uruguai não foram comemorar direto. O juíz apita e alguns deles se olham, como que dizendo: “O que foi que nós fizemos?” Os brasileiros não acreditam no que está acontecendo... e, por fim, 58 foi a compensação histórica por 50. E todos os títulos europeus na Europa foram a compensação desta compensação. Hoje, enfim, temos um padrão bem definido de como a coisa toda funciona.
Alemão: (já completamente alcoolizado, mas juntando forças para formar uma frase completa) Mas Cesinha... o Uruguai não deveria ser punido?
Alex: (com olhos arregalados) Meu Deus... o Uruguai... nunca mais ganhou nada... ficou fora de muitas e muitas Copas do Mundo... é eliminado em repescagens contra times de Rugby... Cesinha, meu querido: eis a Verdade Absoluta.
Cesinha: Sim, mas tal punição tem prazo, meus queridos...
Alemão e Alex: Tem?!
Cesinha: Sim, 100 anos.
Alex: 100 anos?! Mas...
Cesinha: Sim, a punição tem um nome: Centúria Celeste.
Alemão: Centúria Celestre...
Alex: Centúria Celeste...
Cesinha: É. Centúria Celeste. Até 2050, pelo menos, o Uruguai não ganhará uma Copa do Mundo sequer. Este é o preço que pagam por não terem vendido suas almas.
Alemão, mais por bebedeira que por amor à República Oriental, tinha lágrima nos olhos. Alex estava em êxtase. Cesinha sorria, superior.
Cesinha: E saibam que esta é somente a ponta do iceberg. Citei as Copas do Mundo pois trata-se da vitrine do futebol. Até aqui, no nosso certamente gaúcho há manipulações de toda a ordem e que vocês não enxergam porque não o querem...
Obviamente a esta altura do campeonato qualquer coisa que o Cesinha dissesse seria lei. O brasileiro (gaúcho ou não) tem verdadeira tara por uma teoria conspiratória. E quanto mais conspiratória e mais inverossímel, mais digna de crédito!
Alemão: (recuperando por alguns segundos a sanidade e a sobriedade) Patinho, vê mais uma... ô, Cesinha, perdão por ter duvidado de ti... mas agora conta, sério, o que o campeonato gaúcho nos reserva? Quem será o campeão?
Cesinha: pois bem, estas derrotas que meu time vem sofrendo são embustes, disfarces para despistar o grande público. O campeonato já está comprado para nós por nosso futuro novo patrocinador. Já tá tudo certo!
Alex: Como é que é?!
Cesinha: Exato. Já tá tudo certo! Uma grande empresa multinacional patrocinará o glorioso. Compraram este campeonato junto à federação e aos times de capital por uma fortuna e alguns favores futuros que, agora, não posso revelar, por favor não insistam (ninguém haviam feito sequer menção de insistir). Ano que vem o patrocinador entra oficialmente no time que é campeão gaúcho e – por favor, é segredo, viu – campeão da Copa do Brasil deste ano também e ganhará muita mídia... como eu disse, já tá tudo certo!
Alex e Alemão estavam perplexos. Beberam muito até o amanhecer. Cesinha sentia-se um deus.
Nas semanas que passaram, nosso profeta-futebolístico teve tratamento de Rei pelos dois amigos (e pelos amigos dos amigos que ficaram sabendo dos fatos). Cesinha não pagava mais cerveja nem entrada em lugar que fosse. Celebridade: era isso o que Cesinha se tornara entre os fanáticos da bola naquela cidade e assim era tratado por todos.
O clube do coração de nosso filósofo do esporte bretão chegou – como não poderia deixar de ser – à final do Campeonato Gaúcho. Todos em polvorosa. Primeiro jogo da final na casa do glorioso (no interior do estado), segundo jogo na capital.
A primeira partida acabou em 1x1. Após o término, numerosa audiência no Snooker do Patinho. Cesinha chegou – com a camisa do clube – e, após ser rapidamente cobrado, respondeu com ares de despreocupado:
- Já tá tudo certo! Querem exposição maior na mídia do que uma vitória épica fora de casa?
Todos se calaram, envergonhados. De fato, Cesinha estava num patamar acima dos demais. Eram todos medíocres nos conhecimentos do futebol. Menos ele, o Escolhido.
Todos beberam à saúde do amigo.
Cesinha, a essas alturas, tinha copa livre na casa.
Domingo, cinco horas da tarde mais três quartos, finalíssima do Gauchão, Snooker do Patinho, todos os amigos, conhecidos e admiradores do Cesinha presentes. Cesinha estava na capital, vendo o jogo no estádio.
O juíz apita o final do jogo. Time da capital 4, time do Cesinha 0.
Apesar de seu time ser o campeão, Alex está revoltado. Quer tirar satisfações.
O celular de Cesinha está desligado, mas pouca diferença faz. Ele nunca mais irá ligá-lo. Cesinha sequer voltou para sua cidade. Está morando com uns primos e – dizem – até já arrumou emprego.
Patinho está revoltado: quer cobrar todas as cervejas que Cesinha tomou quando ainda era ídolo.
Alemão e Alex não vêem a hora de encontrar o Cesinha: querem surrá-lo até a exaustão. Todos os seus amigos lhes viraram as costas, por professarem tamanho despautério, esquecendo, é claro, o fato de também terem dado crédito e divulgado tal tese.
É, pode ser que o castigo para o Uruguai não dure tanto, mas o Cesinha, ah, o Cesinha sim, vai curtir um longo exílio.
E pensará 2 vezes antes de falar qualquer coisa que seja, principalmente sobre futebol.
Cesinha, já tá tudo certo: sua carreira acabou, garoto!
Aqui no blog, há algum bom tempo, abandonamos os comentários diários ou sobre fatos pontuais do futebol atual. Escrevemos (?) sobre o futebol genericamente, ou sobre "periféricos" futebolísticos, como apropriadamente denominou o Maurício.
Mas hoje quero fazer um breve comentário sobre o jogo Flamengo x América, pelas oitavas-de-final da Libertadores da América 2008. Aliás, após o resultado, pode-se chamar o fato Flamengo x América. Poderia estar escrevendo sobre o 8 x 1 fora-de-série da final do Gauchão, mas isto todos já sabem, é exceção no futebol. Goleadas já são difíceis de serem aplicadas, e muito mais quando extrapolam o sexto gol (não me perguntem o motivo de respeitarem a marca de 6, que o Inter acaba de ultrapassar também). Então esta final de Gauchão é um fato diferente. A derrota do Flamengo de ontem, não. Se não é vulgar, ao menos não é rara. Todo os ano, em algum campeonato pelo mundo acontece algo parecido. E mesmo assim, sucedem-se os ingênuos e invariavelmente perdem.
Eu, sinceramente, não tenho a menor idéia de quando os gestores e jogadores do futebol irão respeitar - não o adversário - mas o futebol. Não é ser pessimista ante a um confronto (o Flamengo havia aplicado um humilhante 4 x 2 no jogo de ida, no México), mas basta olhar alguns confrontos do ano passado, quem sabe até no mês passado, para observar que o imponderável pode acontecer dentro do próprio campo.
Mas o Flamengo, de alguma maneira, mais uma vez cometeu este erro, o que reforçará a estatística, mas tenho certeza, não reforçará os devidos cuidados em situações similares. Ano que vem teremos outra situação assim, quem sabe mês que vem. Porque vislumbram camisas, e não o futebol. Não será o primeiro, nem o último, e possivelmente o próprio Flamengo recorra no erro.
Na entrevista de despedida, um ponderado Joel Santana falava sobre as lições que a Libertadores apresenta. Mas talvez tenham esquecido, que não é apenas na Libertadores, mas no futebol é assim. A palavra mais recorrente que encontramos para descrever isto, talvez por falta de outra mais apropriada é soberba, ou na gíria futebolera, salto-alto. Não acho tão simples assim, apesar disto contribuir bastante. Olhando os lances da partida, os gols do América, quase chega-se a perceber alguma presença mística, mal-humorada e sarcástica. Se um dia me disserem que estes fatos são comandados por um ente futebolero, terei dificuldades em duvidar.
Mas assim é e sempre ocorre e continuará ocorrendo. A tal caixinha de surpresas é impiedosa e gosta de tragédias contra os que esquecem da essência. Certo, esta estava de alguma forma anunciada (pelas festas anteriores), mas 0 x 3 ? A medida exata.
No México estão chamando de "Novo Maracanazo". Eu chamo de futebol, e que bom que seja assim. Se duvidarem de mim, conversem com o Leprechaun. O Flamengo o perdeu de vista por alguns segundos, como muitos já fizeram, e bastou. Afinal, é futebol.
Mas alguns soam mais irritantes, porque escondem a realidade e fica como verdade.
No jornal Zero Hora de ontem, o jogador Nilmar ao comentar sobre a derrota do Inter contra o Paraná pela Copa do Brasil, declarou:
- No futebol brasileiro não dá tempo de ficar triste, é um jogo em cima do outro.
Ora, na Europa os jogos se dividem entre quarta e domingo também. Nos finais de semana os campeonatos nacionais e nas quartas, as copas de cada país e as competições continentais. Não que o calendário no Brasil seja melhor que o da Europa ou perfeito, longe disto, mas o intervalo de dias do jogo do Paraná e do Gauchão é perfeitamente normal, considerando-se qualquer calendário. E não é só jogador que repete isto, na imprensa também, e dando a nítida impressão que não há jogos nas quartas na Europa.
Outro destes clichês europeus é sobre a adaptação ao frio. Ok, jogadores de São Paulo para cima no mapa brasileiro podem estranhar. Mas um jogador do Sul, que chega lá na primavera (por exemplo) dizendo que a dificuldade era o frio, parece que estava sob 40º graus aqui. E eu vi uma entrevista neste sentido, há alguns anos atrás. Mais uma vez cabe esclarecer: todos sabem que na Europa, no inverno, o frio é muito mais intenso que no Sul (se bem que depois de 0º grau, é tudo “frio”, tirando a dificuldade nos países que jogam com campos cobertos de neve). Mas nas entrevistas, passam a impressão que saíram de uma vida inteira jogando com 45º de temperatura, e foram jogar diretamente no pólo norte. Qualquer dia algum jogador brasileiro reclama da dificuldade de adaptação ao idioma em Portugal.
Terceiro clichê e deliberadamente repetido por imprensa e jogadores: o tal do “campo pequeno”. Em qualquer empate ou jogo difícil no interior, sempre aparece um comentário de jogador e da imprensa: “neste campo pequeno é complicado”.
Sim, existem campos pequenos no interior. Mas existem campos de todos tamanhos e por maior que sejam as medidas do gramado, as declarações serão as mesmas. Isto porque a arquibancada sendo acanhada e perto do gramado, o campo “é pequeno”.
Sobre este ponto, vou fazer outro tópico, com ajuda do Google Earth, comprovando que muitos clubes do interior, têm estádios pequenos mas campos da mesma dimensão ou maiores do que os da dupla Gre-Nal. Já fiz a verificação, mas de maneira desorganizada, quanto fizer a relação completa irei postar aqui, vale um tópico.
Quarto clichê, mas não menos importante: um time “menor” que o adversário, após a vitória, sai aos microfones: “isto é para provar para aqueles que nos menosprezaram que...blá blá blá”. Na realidade atual, ninguém dá declaração menosprezando adversários (apesar de eu querer ver mais declarações deste tipo, sinceras) , mesmo que menores historicamente.
Mas atualmente, ainda que respeitem o tal adversário menor, em caso de vitória deste, invariavelmente ele virá ao microfone de alguma rádio ou TV: “esta é a nossa resposta ao..blá blá blá”.
E mesmo que não haja uma linha escrita ou uma declaração que desmerecesse a porcaria do time, os jogadores do time “menor” saem falando isto.
Acho que eles deveriam dizer: “esta é a nossa resposta ao nosso próprio treinador, que no vestiário disse que se não jogássemos a nossa vida hoje, perderíamos de 8 x 0 “. Seria mais honesto e engraçado.
Existem dezenas, talvez centenas, de outros clichês no futebol, mas estes são alguns dos que mais irritam, porque não são simples chavões ou frases feitas, mas escondem a realidade. Por isto, coloco-os como os mais irritantes.
Volantes*1.Que voa ou pode voar; voante.
2.Flutuante, ondulante.
3.Que se pode mudar facilmente; móvel.
4.V. voltívolo (1).
6.Passageiro, transitório, efêmero.
Estas são as seis definições do Dicionário Aurélio para o verbete volante, enquanto adjetivo.
Pra falar a verdade, eu nunca entendi muito bem essa coisa de chamarem volante o jogador que ocupa a posição reservada aos atletas mais voluntariosos e menos técnicos do time. Mas quando cheguei ao item de número 5, conclui: é um deboche! Só pode ser um deboche!
- É um erro de tradução, meu caro, e...
Sim, sim! Esqueçamos este detalhe, senão a coisa descamba para a seriedade explícita.
Além do mais, algumas culturas do futebol dão a entender que volante técnico é imprestável. Basta um camisa 5 ou camisa 8 dar um toque mais refinado ou uma subida pela linha de fundo que já aparece a turma da corneta pra largar:
- Ih... volante faceiro... não sei não...
Ou:
- Epa! Ei, treinador! Ô, burro! Saca esse passista e coloca o Sidnei Volvo pra dar mais pegada!
Ou, pior ainda:
- Volante bom tem que dar pau o tempo todo. E se for expulso, cospe na cara do juiz. Que é pra mostrar quem é que manda.
Confesso que já fui assim. Fui e ainda sou um pouco; no entanto sou bem menos radical hoje em dia. Inclusive até admito que um dos dois volantes saiba jogar. Os dois não, porque aí também seria exagero.
Falar sobre volantes me fez recordar uma história, verídica, claro.
Certo, ela pode ser quase verídica, e, se não é de uma veracidade plena, ao menos é baseada em fato sucedido, e... enfim, vamos ao causo:
Certa feita surgiu num time do Rio de Janeiro um volante muito habilidoso, que marcava gols, inclusive. Tinha uma boa noção de cobertura da zaga e dificilmente errava um passe.
Pois aconteceu que este jogador, depois de conseguir o merecido destaque, foi negociado com o futebol ucraniano e passou duas temporadas lá. Se jogou bem ou não pouca diferença faz, afinal, o cara que vai pra lá, vai pra ficar rico e pra desaparecer.
Bom, mas acontece que depois deste tempo o cidadão quis voltar para o Brasil, sob o pretexto de tentar vaga na seleção, pois assim seria observado de perto e etc...
Seu empresário numa – como diria o grande jornalista Marcello Carvalho Barbosa – "negociação digna de um Oscar" tanto fez que conseguiu colocar seu atleta, através de uma transferência milionária, no futebol paulista.
Após certa demora, graças aos trâmites de praxe, o cara estreou já num clássico. Passou o primeiro tempo inteiro perdido correndo atrás da bola, e, quando recebia um passe, logo despachava a pelota para o campo de ataque.
Voltou para o segundo tempo mais perdido ainda. Poucas vezes pegou na bola e, assim, foi substituído.
Em entrevistas pós-jogo o treinador pediu paciência para com o atleta, pois era sua primeira partida, a equipe havia conseguido a vitória... Aquela conversa de técnico de futebol.
Foi, porém, na única resposta dada pelo atleta à única questão que lhe foi feita, que todos sentiram o drama da coisa:
- E aí, o que falta pra você voltar a apresentar o seu melhor futebol?
- Neve.
O empresário do atleta riu.
O presidente do clube chorou.
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* Texto de Maurício Kehrwald
Esse aí acima é Nick Hornby (vocês ainda me ver citá-lo muitas, muitas vezes) comentando o que ele chama de "o melhor momento da vida (dele)": o gol de Michael Thomas no último minuto de jogo contra o Liverpool, na última rodada do campeonato inglês de 1989 - que, em Anfield, tirou o título das mãos do time da casa e deu para o Arsenal, que amargava uma fila de 18 anos.
Desnecessário dizer que concordo integralmente com esse inglês. Caso fosse listar os melhores momentos da minha vida creio que muitos deles, pra não dizer a maioria, seriam lembranças de euforia desmedida relacionadas ao futebol, mais especificamente ao meu clube. Muitos desses momentos com uma carga de dramaticidade fora do comum (Dunga contra o Palmeiras em 1999), outros guiados por uma sensação de apoteose heróica e gloriosa (Gabiru contra o Barcelona), mas todos eles servindo para fechar as próprias cicatrizes que o futebol abriu.
Porque o torcedor de futebol tem cicatrizes na alma.
Melhor: o torcedor que sofre tem cicatrizes na alma. Ainda mais se for criança.
Foi na minha infância, principalmente entre os 9 e 14 anos, que se abriram as maiores rachaduras no meu peito. Verdadeiros canyons sangrentos. Era a época em que os colorados torciam pra torcida colorada, e não exatamente pro time, já que o Grêmio só ganhava, o Inter só perdia, e a torcida era o que mantinha por um fio a nossa moral e o nosso orgulho, lotando o Beira-Rio logo após 2 vitórias seguidas, naquela esperança cega. A minha relutância em virar a casaca, a minha irredutibilidade no coloradismo era tão absurda quanto os fracassos em campo da era Zachia/Amoretty. Mais absurdo ainda é a maneira com que, hoje, eu olho aqueles anos: uma ternura melancólica, quase que sentindo saudades.
E creio que pra muitos que viveram aquela época o sentimento é o mesmo. Torcedores de outros clubes que passaram grandes períodos de seca e sofrimento devem sentir a mesma coisa... um misto de terror ("que essa fase nunca mais volte") e nostalgia ("ah, mas naquele tempo as coisas eram diferentes").
Porém, pra sentir isso, é preciso ter fechado as cicatrizes. O gol de Thomas fechou as cicatrizes de Hornby, tanto que ele escreveu um livro inteiro sem vergonha alguma de falar dos fracassos homéricos do boring, boring Arsenal entre 1971 e 1989. Da mesma maneira, não sinto vergonha de falar da minha fase de puro sofrimento xiíta e desilusão que durou de 1992 até 2006 (com alguns gauchões ganhos pelo caminho - que eu prezo muito), dos dias ouvindo protestos no portão 8 pelo rádio após as derrotas, das inúmeras trocas de técnico, das desclassificações para times inexistentes, de Mazinho Loyola e Leandro Guerreiro, João Santos e Manoel e Pretto, da MSI e Zveiter, da sensação de que o universo conspirava contra o meu time, e que eu deveria me resignar e aceitar que nunca veria o Inter campeão fora do Rio Grande do Sul.
Os gols de Sóbis, Tinga e Fernandão foram sarando as feridas, e o que transformou todas essas lembranças outrora atormentadoras em memórias carinhosas de um tempo que não volta mais foi, claro, o gol do Gabirú. Naquele domingo, logo depois de voltar da Av. Goethe, creio que no fim da tarde - depois de ter gasto 50 reais em cerveja, ter desmaiado no meio da avenida e ter sido acordado com mais cerveja - eu sentei em frente ao computador e caí num choro emocionado, profundo e fiasquento, de puro regozijo, que durou horas e horas, enquanto ligava para o maior número de pessoas que eu conseguia me lembrar na hora.
Esses gols, esses momentos, devem ativar algo no sistema nervoso das pessoas e, num piscar de olhos, aquela lembrança que te tirava o sono por anos e anos acaba se tornando uma prova viva (nem tão viva, já que só existe na memória) e terna da tua fidelidade, do teu caráter, do teu ideal mais alto e palpável, que é torcer pelo teu time. Acordei na madrugada do dia seguinte todo queimado do sol, com a alma leve, olhos inchados e a sensação de que algo havia mudado. Que eu acabara de passar por um momento que talvez jamais eu passe novamente.
Esse é o fardo comum entre todos os fanáticos por futebol: somos completamente previsiveis até mesmo pra escolher os grandes momentos das nossas vidas. Tenho absoluta certeza que mais alguns milhões de pessoas por aí apontariam aquele segundo da manhã do dia 17 de dezembro de 2006 como o melhor da vida delas. Assim como gremistas e corinthianos (pra citar dois tipos de torcedores que eu não nutro muita simpatia) mais antigos possivelmente apontariam o(s) gol(s) de Renato em 1983 e o de Basilio em 1977.
Mas pouco importa a individualidade de cada um quando o que está em jogo é o fim do teu martírio e o início de uma nova era. Se for para ter momentos como aquele novamente, eu me prontifico a realizar grande parte do maior número de clichês possíveis.
E claro, mostrar pra todos as minhas cicatrizes fechadas, como prova da minha inquebrantável fidelidade.
Se você urina de pé e tem entre vinte e poucos e trinta e alguns, já descobriu, mas nunca é demais lembrar: fomos, repito, enganados.
Todos nós, integrantes de uma irmandade de embusteados por quem menos deveria nos enganar: nossos progenitores; nossos pais.
- Maurício Eduardo, não vai jogar bola sem antes fazer os temas! (aqui no Rio Grande nós chamamos a lição de casa de tema)
- Mas, mãe... eu vou ser jogador!
- Não delira, guri! Quer ter um futuro? Estuda! Tem que estudar se quiser ter em emprego bom e blablablá...
Emprego bom?
Estudar?
Anos depois:
- Conseguiu emprego?
- Claro que não, velha filha da puta! Tô quase formado e não arrumo um emprego que me pague mais de 500 pilas!
- Ah, é assim mesmo...
- Assim mesmo é o teu cu. E agora já tô muito velho pra jogar futebol.
- Olha o respeito com a tua mãe...
- Respeito é o caralho. Eu tô fudido.
- (...)
- Vou sair. Sobrou R$6 e eu posso tomar um litro de vodca pra esquecer que eu nasci.
Ou isso ou você explica para os que arruinaram sua vida que o Avestruz, volante pesado, anão e atarracado )além de, dizem as más línguas, bêbado e gaveteiro) ganha por mês o que ele ganham - juntos - em um ano.
Você pode xingá-los e culpá-los.
Ou lamentar por não ter insistido mais.
Infelizmente, pra você não há mais tempo.
Mas sempre há uma parte engraçada: você não terá outra vida para realizar este sonho.
Ah, esta não é a parte engraçada!
A parte engraçada é que o Avestruz, agora 2 quilos mais pesado e um ano mais velho, foi contratado pelo Vasco por R$40.000 por mês e você não ganhará isso nos próximos 3 anos.
É irrevogável: nossos pais estavam errados.
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Texto de Maurício Alejándro Kehrwald
No lado uruguayo, bem na margem do Rio Jaguarão, encontram-se vários free-shops, para deleite de vários brasileiros que vão para lá abastecerem-se de especiarias e produtos, principalmente eletrônicos. Vi carros com placas de várias cidades gaúchas (algumas bem distantes, como Venâncio Aires e Palmeira das Missões) e o comércio é bastante intenso, principalmente nos finais de semana.
Junto com meu irmão, invadimos o lado uruguayo, uma vez a pé e outra de carro. Quando de carro, fomos até o balneário uruguayo da Lagoa Mirim. Achei até que seria mais acanhado, mas já conta com uma estrutura razoável. Nesta ida até lá, fui procurando algo sobre futebol para depois postar por aqui.
Em termos de camisas de clubes nas ruas, vi várias de Inter e Grêmio, mas possivelmente fossem pessoas de Jaguarão (muitos têm moradia no lado castelhano ou no próprio balneário). Lá também tem o fenômeno dos camelôs, e nestas “tiendas” também tinham várias camisas de times brasileiros (de procedência pirata, óbvio). A maioria era da dupla Gre-Nal, mas também observei algumas de clubes argentinos, Peñarol e Nacional, claro, e de brasileiros vi as de São Paulo, Santos, Palmeiras (sim, a verde-limão) e Flamengo. Creio que sejam os uruguayos que comprem as camisetas da dupla Gre-Nal, pois não tenho motivos para acreditar que alguém vá do outro lado da fronteira para comprar uma camisa pirata...do time de sua própria cidade. Mas não sei ao certo, para falar a verdade.
As impressões sobre a pequena e simpática Rio Branco foram as melhores. Como aqui não é um blog de turismo, vou resumir em algumas frases:
Rio Branco é uma cidade bastante limpa (excetuando-se a zona dos free-shop, que fica mais afastada do centro, mais perto da margem do rio).
Os motoristas respeitam a faixa de segurança, incrível.
E sim, existe futebol na cidade, ainda que não seja profissional.
Vejam o futebol presente no dia-a-dia, neste muro abaixo. Fui obrigado a tirar uma foto. Sensacional, uma pena que está tão descascado, mas este muro fica na "avenida principal" de Rio Branco:

Um adendo na parte gastronômica: bem na entrada do centro de Rio Branco, há o restaurante “La Punta”. Não sei se é o melhor ou o mais barato, pois foi o único que fui, além do “El Turista” (o "el turista" não é ruim, fica junto com os free-shop, mas como o nome sugere, é mais caro). No "La Punta" eles servem o “chivito” (foto abaixo), mas tens que adentrar um pouco mais na cidade de Rio Branco.
Neste amontoado que vocês podem observar na foto do delicioso chivito, escondem-se dois filés e dois nacos de bacon. Belleza muchacho, como já disse Jorge Ramos. 18 reais e teoricamente serve duas pessoas (tudo é duplo), mas aí depende do freguês, é claro. Patrícia de litro a 4 pila, e gelada. Mas não é em todos os lugares que a cerveja é “gelada” para os padrões daqui. Em alguns locais eles não se preocupam muito com a temperatura da cerveja, e existem explicações teóricas sobre a cerveja não ser tão gelada, mas não vêm ao caso.
E o “chivito” pode ser encontrado também em lanches de rua, como na praça central, mas não sei o preço e a qualidade. O do “La Punta” é muito bom. Os de “bicão” não quisemos experimentar porque no chivito vai salada de maionese, mais perigosa que atacante ruim, mas veloz, de time pequeno jogando no contra-ataque, ainda mais no calor que estava.
Na estrada que leva de Rio Branco para o balneário, achamos o estádio da cidade. A foto não está boa, mas o estádio é melhor do que as fotos: possui iluminação, cabines de imprensa e arquibancada.
É um estádio acanhado, mas muito bem cuidado. No momento em que chegamos acontecia um treino. Como o clube é semi-profissional (ou semi-amador, conforme a ótica), cada um trajava material de treino exclusivo (em relação aos demais da própria equipe). Impressionante a variedade. Um dos jogadores trajava uma listrada amarela e preta de mangas longas, a despeito do calor de quase 40º. Tenho certeza que era a camisa do Bagé, já que só olhei de longe e nem estar no país do Penãrol me demoveu da idéia de que ele estava envergando a camisa jalde-negra do GEB.
Só um jalde-negro para estar de manga longa naquele calor, e ele era o único.
O nome deste clube é como vários aqui no Brasil: “Ferroviário”. As cores são o azul e amarelo, a julgar pelas cores do estádio, pois não vi camisetas (abaixo a bilheteria do clube).

O motivo: a sede se localiza quase na linha férrea, que passa atrás do estádio. Assim como aqui, a linda estação ferroviária está abandonada (foto abaixo), e sua arquitetura guarda alguma pujança econômica que ficou no passado. Uma pena.
Mas o Ferroviário segue firme e treinando. Eu não pude descobrir como é o sistema do campeonato deles, mas no Uruguay a “divisão amadora” disputa jogos contra outras equipes do “departamento”, podendo chegar a ser campeão nacional nesta categoria. Tenho que descobrir o nome e sistema de disputa... Imagino que seja uma competição interessante.Finalizo a postagem dando boas-vindas ao nosso novo colaborador, o Froner. Froner além de escrever sobre futebol, tem um projeto musical (solo) denominado “Svanat”. Como gostei bastante das músicas, especialmente da “D’alba”, utilizei ela para ilustrar algumas imagens de Jaguarão e Rio Branco (ou as fotos ilustram a música). Dêem uma conferida aí em baixo, no “vídeo”, e podem achar mais músicas do projeto do Froner em Svanat . Tem tudo a ver com o pampa. Parabéns, Froner.
Cabe avisar que das fotos que coloquei neste vídeo, apenas 4 são de minha autoria, retirei as outras do Flickr, e são vários os autores, espero que me desculpem por não nomear um por um.
Amanhã tem postagem do Maurício e estamos inseridos no Prêmio Ibest, se alguém tiver paciência para votar, chegue de carrinho:
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Carnaval my ass, tudo contra ele (e a favor das gurias com tapa-sexo) por três razões:
- Quem usa o carnaval como muleta pra beber bastante é viado, come traveco¹ e assiste Zorra Total. O segredo para ter huevos y aguante é beber não somente em lugares públicos com gente ao redor, mas também sozinho em casa, às 11 da manhã de uma segunda feira;
- Brasil-sil-sil, AKA Rio de Janeiro;
- A única histeria coletiva aceitável é a motivada pelo futebol.
Té.
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