Segundona Gaúcha - Chave 3

Chegamos na última chave da Segundona 2009. A Chave 3 abrange clubes de mais de uma região do Estado, como Serra e Região Noroeste. Só não entendi o motivo do Riograndense de Santa Maria estar nesta chave, já que o São Gabriel (pertinho de Santa Maria), está na chave 2, por exemplo.
É também a chave com maior número de clubes.


Vamos a eles:
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Clube Atlético Carazinho
Estádio: Paulo Coutinho
Fundação: 01/07/1970
Presidente: Gilberto Kamphorst
1º uniforme: camisa vermelha, meias e calções pretos.
Mascote: Galo
Melhor colocação: campeão da Segunda Divisão em 1994.
Endereço: -
Bairro: -
Cidade: Carazinho
Site Oficial: -

O Carazinho estava licenciado desde 1996, retornando este ano. A cidade também já teve outros clubes na Segundona, como a Associação Carazinhense (de uniforme semelhante à Fiorentina). Neste ano, é o Atlético que defende as cores da cidade. Como preparação para a Segundona, já realizou dois amistosos, perdendo de 4 x1 para o Ypiranga (da 1ª divisão) e empatando com o São Gabriel (da chave 2). O técnico é Edgar Perez Soares.




Grêmio Esportivo Glória
Estádio: Altos da Glória
Fundação: 15/11/1956
Presidente: Francisco Joaquim Schio
1º uniforme: camisas, calções e meias azul-celeste, com detalhes
brancos.

Mascote: Leão
Melhor colocação: 3º lugar da Primeira Divisão (2004)
Endereço: Av.Militar, 5010
Bairro: Glória
Cidade: Vacaria
Site Oficial: http://www.gloriadevacaria.com.br/

O Glória normalmente é forte candidato, e este ano parece que vem forte também. O clube tem boas participações na 1ª divisão desde a década de 90, mas acaba frequentando as duas divisões, em virtude da irregularidade. Conta com jogadores como Borges Neto, Pansera e o goleiro Marcelo Pitol. Após o Gauchão se apresentam Marcelo Müller (Ypiranga de Erechim), e Carlão (Brasil de Pelotas). O técnico é Ronaldo Rangel.



Clube Esportivo Lajeadense
Estádio: Florestal
Fundação: 23 de abril de 1911
Presidente: Darlei Christ
1º uniforme: camisa com listras verticais azul-celeste e brancas, meias e
calções brancos.

Mascote: -
Melhor colocação: campeão da Segunda Divisão em 1959 e 1979.
Endereço: Av.dos Quinze, s/n º
Bairro: -
Cidade: Lajeado
Site Oficial: http://www.lajeadense.net/

O clube do Vale do Taquari em 2009 contratou vários jovens da região. Apesar de ser outra equipe tradicional, com boas participações na Segundona, o clube estava inativo, retornando este ano. Já está realizando amistosos preparativos para a Segundona 2009. O tecnico é Luiz Freire.



Esporte Clube Milan
Estádio: Miguel Wairich Filho
Fundação: 07/03/1989
Presidente: Márcio Rubin
1º uniforme: camisa com listras verticais vermelhas e pretas, meias e
calções pretos.

Mascote: -
Melhor colocação: -
Endereço: Rua Aristides Gomes, 1253
Bairro: Centro
Cidade: Júlio de Castilhos
Site Oficial: -

É apenas a 4ª participação do Milan de Júlio de Castilhos na Segundona Gaúcha. Foram duas participações nos anos 90, e depois de vários anos, outra no ano passado (caindo já na primeira fase da disputa). O técnico é Valduíno.



SER Panambi
Estádio: Complexo Esportivo Piratini
Fundação: 01/01/2004
Presidente: Darcy Deckert
1º uniforme: camisa verde com detalhes bancos, calções verdes e meias
brancas.

Mascote: -
Melhor colocação: -
Endereço: Rua 7 de Setembro, 731
Bairro: Centro
Cidade: Panambi
Site Oficial: -

A Panambi é mais outro jovem clube na Segundona. Em 2008 conseguiu chegar na segunda fase da Segundona. O destaque da equipe é o experiente goleador Evandro Brito. O técnico é Rodrigo Bandeira.



Riograndense Futebol Clube
Estádio: Eucaliptos
Fundação: 07/05/1912
Presidente: Saul Fin
1º uniforme: camisa com listras verticais verdes e vermelhas, meias e
calções verdes.

Mascote: Periquito
Melhor colocação: vice-campeão da Primeira Divisão em 1921.
Endereço: Rua Mariazinha Domingues, s/nº
Bairro: Perpétuo Socorro
Cidade: Santa Maria
Site Oficial: http://www.riograndensesm.net/

O tradicional "time dos ferroviários" de Santa Maria começará 2009 de cancha nova, já que o gramado dos Eucaliptos passa por profunda reforma. Inativo por alguns anos, em 2008 o Riograndese deixou de chegar ao octogonal decisivo da Segundona por ter perdido seis pontos no tribunal (escalou um jogador que deveria cumprir suspensão automática pelo 3º cartão amarelo).
No gol conta com o experiente goleiro Tigre. O técnico é Bebeto Rosa, que ''já subiu'' para a 1ª divisão o arqui-rival, Inter-SM.




SER Santo Ângelo
Estádio: Zona Sul
Fundação: 26 de setembro de 1989
Presidente: Carlos Luís Lunardi
1º uniforme:camisa com listras verticais em vermelho e verde, preto nas
mangas.

Calções brancos e meias verdes.
Mascote: -
Melhor colocação: campeão da Segunda Divisão em 1995.
Endereço: Av.Getúlio Vargas, 500
Bairro: Centro
Cidade: Santo Ângelo
Site Oficial: http://www.sersantoangelo.com.br/

O Santo Ângelo esteve licenciado em 2008. Em 2007, por muito pouco não obteve o acesso à 1ª divisão, quando esteve no octogonal final, perdendo a vaga por apenas um ponto. Este ano, a grande atração estará na casa-mata, já que o técnico é o ex-goleiro gremista Mazaropi. Tem se preparado para a Segundona com vários amistosos.
* Um texto (de autoria de Germano Schneider) falando mais sobre a volta do Santo Ângelo pode ser lido no blog Futebol Força.



Três Passos Atlético Clube
Estádio: Luiz de Medeiros
Fundação: 9 de fevereiro de 1966
Presidente: Joel de Almeida Fonseca
1º uniforme: camisas com listras verticais amarelas e pretas, calções
pretos e meias amarelas.

Mascote: -
Melhor colocação: -
Endereço: Rua Ruy Barbosa, s/nº - Centro Esportivo
Bairro: -
Cidade: Três Passos
Site: http://www.tac.zip.net/

O "TAC", em 2008, chegou ao octogonal final da Segundona. Para este ano manteve o técnico Eugênio Silva, que ano passado esteve no comando da equipe. No grupo atual a grande maioria de jogadores são do grupo do ano passado e da própria base atual do clube.


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Mais uma vez, peço a colaboração de torcedores dos clubes acima para completar os dados que estão faltando, como sites (servem os blogs também, na ausência de site oficial) e blogs, ou alguma outra correção.
Na próxima postagem, o mapa da Segundona 2009 e outros detalhes.

Conheça também as chaves 1 e 2:
* Chave 1
* Chave 2
No rótulo da parte de trás da garrafa de Velho Barreiro, a seguinte promoção (talvez seja antiga, já que o brasileirão é do ano passado, mas as garrafas continuam circulando):

"Brasileirão 2008 - Futebol emoção Nacional -

No Campeonato Brasileiro de Futebol, torça pelo time do coração pois o campeão é você!Participe!
Basta juntar 180 (!) tampinhas novas da cachaça VB 910ml com mais R$ 1,50 e você compra bolas oficiais!" [grifos e ponto de exclamação entre parênteses, meus].

Ao ler rapidamente, fiquei pensando se poderia haver algum fanático futebolero que entornaria 180 garrafas de Velho Barreiro dentro do prazo da promoção. Eu sei, vão dizer que tem gente tomaria as 180, mesmo sem brinde. Mas é uma quantidade deveras relevante. Seria algo em torno de 160 litros do mais puro Velho Barreiro!

Mas, mais abaixo no rótulo, a sempre esclarecedora e miúda mensagem do asterisco: "Esta é uma ação dirigida exclusivamente aos profissionais de atendimento ao balcão e/ou proprietários de estabelecimentos comerciais (...)".

Perdeu a graça, até porque muita gente que não é "profissional de atendimento ao balcão e/ou proprietário de estabelecimento comercial" gostaria de ter uma bola de futebol clássica destas.
Fora os 160 litros...
E coitado de quem não leu o "asterisco".

Segundona Gaúcha - Chave 2

Dando continuidade a esta pequena apresentação da Segundona Gaúcha e seus clubes, hoje vão os times da Chave 2. Após a publicação dos clubes da Chave 3, irei postar um resumo da fórmula, a primeira rodada e mapa da Segundona (na verdade era mais lógico que eu fizesse isso antes da primeira postagem sobre a Segundona 2009, mas só lembrei hoje, então ficará para a postagem final desta série).
Com os senhores, a Chave 2 - Série B do Gauchão 2009:
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Cerâmica Atlético Clube
Estádio: Antônio Vieira Ramos
Fundação: 19/04/1950
Presidente: Décio Vicente Becker
Mascote: Ligeirinho

1º Uniforme: camisa amarela com detalhes em preto e verde, calções verdes e meias verdes.
Melhor colocação: vice-campeão da Copa FGF de 2008
Endereço: Av. José Loureiro da Silva, 2321
Bairro: Centro
Cidade: Gravataí
Site Oficial:
www.ceramicaatleticoclube.com.br/

Apesar de ser fundado em 1950, o Cerâmica só passou a jogar profissionalmente ano passado. A campanha inexpressiva no ano de estréia (5º lugar na primeira fase, não classificando-se), foi compensada pela bela campanha na Copa Lupi Martins (Copa FGF), na qual foi vice-campeão. E da equipe vice-campeã permaneceram vários jogadores para a disputa da Segundona deste ano.
Além disso, apesar de ser apenas o segundo ano em certames profissionais, o clube oferece uma ótima estrutura para seus jogadores. O técnico é Leocir Dallastra.



Clube Esportivo Aimoré
Estádio: João Corrêa da Silveira (Cristo Rei)
Fundação: 26/03/1936
Presidente: Cláudio Mota Schein
1º Uniforme: camisa azul, calções brancos e meias azuis.
Mascote: índio
Melhor colocação: vice-campeão da Segunda Divisão em 1982 e 1987
Endereço: Rua Concórdia, 450
Bairro: Cristo Rei
Cidade: São Leopoldo
Site Oficial:
http://www.ceaimore.com.br/

O tradicional "índio capilé" ano passado caiu na segunda fase da Segundona, ficando em 6º lugar, ainda na chave da segunda fase. Neste ano investe forte para voltar à primeira divisão. Conta com jogadores como Marcelo Buda, Longaray, o goleiro Sandro e o zagueiro Bicudo. O técnico é Leco (que foi campeão da Segundona 2006, com o Guarany de Bagé).


Esporte Clube Cruzeiro
Estádio: Estrelão
Fundação: 14/07/1913
Presidente: Dirceu Antônio de Castro
1º Uniforme: camisa com listras verticais azuis e brancas, calções e meias brancos.

Mascote: -
Melhor colocação: Campeão da Primeira Divisão em 1929
Endereço: Av.Protásio Alves, 8301
Bairro: Morro Santana
Cidade: Porto Alegre
Site Oficial:
http://www.cruzeiropoa.com.br/

O estrelado de Porto Alegre (cabe ressaltar: asssim como o São Paulo de Rio Grande, o Cruzeiro é mais antigo que seu homônimo mais famoso) também investe mais forte este ano na busca pelo acesso. Além dos jovens valores, o clube fez um "pacotão" de empréstimos com jogadores emprestados para times que disputam a 1ª divisão (este expediente é utilizado para que os jogadores quando regressarem ao clube, não "queimem" fichas da Série A, já que pelo regulamento, apenas 3 jogadores podem ser contratados junto aos times da A), e que irão reforçar ainda mais a equipe. O técnico é Fabiano Daixt.


Porto Alegre Futebol Clube
Estádio: Parque Lami
Fundação: 06/01/2006
Presidente: Roberto de Assis Moreira
1º Uniforme: camisa com listras verticais vermelhas e brancas, com mangas em azul-marinho, meias e calções brancos.

Mascote: -
Melhor colocação: Campeão Gaúcho da 3ª Divisão, 2003 (ainda chamava-se "Lami")
Endereço: Av. Edgar Pires de Castro, 11.100
Bairro: Aberta dos Morros
Cidade: Porto Alegre
Site Oficial: -

O Porto Alegre é mais conhecido entre os torcedores dos times participantes da Segundona como o "time do Ronaldinho Gaúcho", já que seu irmão está à frente do clube. É o antigo "Lami", que agora conta com o aporte financeiro dos irmãos Assis. Para 2009, começou contratar há pouco, e conta com alguns jogadores conhecidos no Estado, como Douglas Tuchê (ex-Inter), Hyantony (atacante, ex-Brasil de Pelotas) e o goleiro Alexandre Marasca (campeão da Série B pelo Ypiranga, em 2008). Outra curiosidade é que seu 2º uniforme é igual a um utilizado pelo Barcelona, num tom amarelo limão. Em 2008 chegou ao Octogonal Final da Segundona, ficando em terceiro lugar.


SERC Brasil
Estadio: Castanheiras
Fundação: 15/01/1939
Presidente: Juarez de Rossi
1º Uniforme: camisas verdes, com faixa central e horizontal vermelha, meias e calções brancos.

Mascote: -
Melhor colocação: Campeão Gaúcho da Segunda Divisão em 1993.
Endereço: Rua Alvorada, s/nº
Bairro: Cinqüentenário
Cidade: Farroupilha
Site Oficial: -

O Brasil de Farroupilha (clube da Serra Gaúcha) fez boa campanha na Segundona de 2008, ficando em 4º lugar no Octogonal Final. Neste ano o clube comemora os 70 anos de fundação, e quer celebrar com o acesso. Para isto, foram contratados vários jogadores, somados à base de atletas do clube. Jogadores como o goleiro Márcio (ex-Ulbra), Márcio Silveira (ex-Glória), Dionatan (ex-Juventude) e o meia Kiko (ex-Guarani de Venâncio) fazem parte do elenco. O time está cumprindo um longo calendário de amistosos como preparação para a Segundona. O técnico é Geraldo Delamore.


São Gabriel Futebol Clube
Estádio: Sílvio de Faria Corrêa
Fundação: 1º de maio de 1979
Presidente: Roque Oscar Hermes
1º Uniforme: camisa branca com duas listras horizontais no centro (verde e vermelha), meias e calções brancos.

Mascote: -
Melhor colocação: 4º lugar da Primeira Divisão em 2002 e 2003
Endereço: Rua Gabriel Coimbra Meyer, 30
Bairro: Centro
Cidade: São Gabriel
Site Oficial:
http://www.saogabrielfc.com.br/

Clube da região Central do Estado, o São Gabriel já teve em anos recentes boas participações na Série A e também já participou da Copa do Brasil,
dando trabalho a um assustado Palmeiras. Para este ano, sob o comando do presidente Roque Hermes, que há vários anos está à frente do futebol gabrielense, contratou para treinador o ultra-experiente Chiquinho. No elenco aparecem jogadores como Tiago (ex-Juventude), Renato Martins e Delmer (ex-Caxias).


Futebol Clube Rio Pardo
Estádio: Estádio Municipal Amaro Cassep
Fundação: 27/11/2008
Presidente: Tabajara Ramalho de Andrade
1º Uniforme: camisas, calções e meias verdes, com detalhes amarelos na
camisa.

Mascote: -
Melhor colocação: estreiante
Endereço:
Bairro:
Cidade: Rio Pardo
Site Oficial:

O Rio Pardo é o caçula da Segundona este ano, foi fundado em 2008. Por este motivo, foi o clube que mais tive dificuldade em obter informações (nem o escudo eu consegui). O que posso garantir é que querem subir de divisão. Em termos de contratações, o time do Vale do Rio Pardo (região que inclui times como Avenida e Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul e Guarani de Venâncio Aires) conta com alguns ex-jogadores da dupla Gre-Nal, como Itaqui, Otacílio e o zagueiro Maidana. O técnico é o experiente Laone Luz.


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Clique aqui para conhecer os clubes da Chave 1.

Obs: se alguém souber sobre os sites e mascotes (e o escudo do Rio Pardo) que desfalcam as informações acima, favor relatar nos comentários. Gracias.

Tchê bagual, perdi meus brinco!

Uma das especialidades humanas é usar, sempre de acordo com a situação, de maneira conveniente, sentenças, frases de efeito e conceitos. A utilização não é reprovável, o que causa estranheza é ver o pensamento exatamente ao contrário, quando mudam as circunstâncias.

Em jogo válido pelo Gauchão, no último domingo, Willian Magrão sofreu
séria lesão no joelho. A extensão da lesão só foi conhecida nesta segunda-feira, acabando na imprensa, e nela e nos fórum da rede, centenas de torcedores emitindo opinião.
Uma parcela de torcedores, não pequena, imputa como culpado pela lesão, o próprio Gauchão.

Campeonato já tachado de tudo, que muitas vezes serviu de "salva-temporada", desta vez é atacado no âmago: na rispidez (ou violência, conforme quem escreve) dos seus jogos. Agora já não é só intitulado de "cafezinho", "ruralito" (apenas em anos em que disputam Libertadores no 1º semestre, ou ao final do semestre, quando a Copa do Brasil já está decidida). Neste momento, para muitos, o ruralito também é a causa desta e de outras contusões, em virtude de sua suposta virulência ( a escala também muda conforme a circunstância).

Há alguns anos atrás, o escritor Luis Fernando Verissimo perguntava em sua coluna na Zero Hora, de onde tiravam (a concepção) este "estilo gaúcho de jogar", se a maioria dos jogadores da dupla Gre-Nal (como hoje), era oriunda de fora do Rio Grande do Sul? Respondi por e-mail que este estilo era justamente adquirido, mal ou bem, no Gauchão (principalmente em décadas anteriores), e que mesmo jogadores de fora do Estado, acabavam por entender o que era o jogo mais marcado, mais brigado, ainda que a técnica seja mais que bem-vinda, desde que objetiva. Era uma exigência do jogo, uma espécie de seleção natural para se dar bem nos campos do sul.

Além disso, todos os times do Rio Grande do Sul orgulham-se de serem times "raçudos" (se bem que todos os torcedores de todos os times do Brasil devem praticar este discurso, ao menos para consumo externo). Mas no caso sul rio-grandense a coisa se agigantou. Orgulha-se e exige-se isto.
Vários outros cronistas esportivos afirmam que isto beira à falácia, principalmente aqueles que só têm olhos para a dupla Gre-Nal, argumentando que o futebol competitivo é assim no mundo todo.

De qualquer maneira, mesmo os torcedores oriundos da "Mui valorosa e leal" (título concedido à Porto Alegre pelas resistências aos cercos rebeldes, quando da Revolução Farroupilha - pra quem não é do RS -) adotaram este gosto. Desde que (quando) fosse a favor: vitórias épicas, jogador adversário quebrado, ordens de "mandar bater", etc. Um orgulho só. "Ah, eu sou gaúcho!".

Agora neste caso específico, por exemplo, em que um jogador do Grêmio se contundiu seriamente no interior, aparecem várias manifestações contra o fato do Grêmio disputar o Campeonato Gaúcho. Argumentos como: "O Gaúchão só serve para aleijar jogador"...."jogar nestes potreiros só pode dar nisso", "várzea das várzeas", e por aí vai.

Neste pensamento, e apenas nestes casos, quando se sentem prejudicados, o Gauchão é um atentado contra às equipes da dupla Gre-Nal. Acaba-se a "raça" gaúcha. Todos são açougueiros invejosos, independente que a lesão tenha sido mera fatalidade ou não.

Este é um dos problemas das coisas artificiais. Criadas pelo discurso, pelo marketing, oficial ou não, torna-se confuso, evasivo. O torcedor comum, longe dos discursos, não sabe para onde atirar. Exemplificando com um fato de anos atrás, Porto Alegre é tão longe do interior, futebolística e culturalmente falando, que conseguiram achar estranho o termo "borracho". Uns acharam que estavam trazendo algo novo pra suas faixas, estrangeiro; outros achavam que isto era pura cópia estrangeira. Fácil de entender, já que o termo realmente é um estrangeirismo artificial em Porto Alegre. O difícil era explicar pros gaúchos torcedores de Grêmio e Inter espalhados pela fronteira sul, sudoeste e oeste, o motivo de toda aquela celeuma, já que pra estes, o termo é comum no cotidiano, entre vários outros.

Vai no mesmo caminho o que quero dizer sobre o começo do tema. Para um torcedor de Porto Alegre, o que ocorre em jogos do interior, quando seu time é prejudicado (raramente) de uma maneira ou outra, é culpa do barbarismo dos nativos locais dentro de campo. Mas é neste barbarismo que se abraçam, para forjar uma identidade que nunca os pertenceu totalmente. Mas aí é chamado de "raça". Nos momentos em que conquistaram algo baseado nesta concepção de "futebol gaúcho" esquecem onde foi que afiaram as esporas, que apesar de miúdas, neste caso, e de destoarem do contexto deles, ainda eram esporas.

De todo modo, ainda restam algumas alternativas para não serem atingidos pelo "barbarismo" interiorano:
- jogar com juniores (recentemente sugerido por um dirigente, por outro motivo insólito);
- jogar com juvenis ;
- simplesmente não disputar o Gauchão, em acordo entre os dois grandes;
- jogar vôlei;
- disputar o campeonato baiano.

E depois, tendo dignidade, não reclamar que faltam amistosos ou jogos, quando enfrentarem o valoroso combinado da Ortopé.

Segundona Gaúcha 2010

E começa 2010 para os clubes participantes da Segundona 2010. Depois de apreensões, especulações, amistosos e contratações, a partir deste final de semana, 26 equipes entram em campo para honrar suas cidades e lutar pelo acesso na competição mais aguerrida e difícil de todo o planeta.

Nos mesmos moldes do ano passado, no Puro Futebol terá um pequeno resumo de cada Chave. Iria começar esta, escrevendo que Farroupilha e Guarany abririam o campeonato neste sábado no Estádio Nicolau Fico, do tricolor do Fragata, mas fui verificar a tabela e já houve um jogo nesta sexta-feira, lá em Santa Rosa, na volta do Juventus, que enfrentou outro que volta ao futebol profissional, o Passo Fundo. Placar: goleado do Juventus, 5 x 1. Este ano também marca o retorno do Gaúcho, também de Passo Fundo, que mandará seus jogos em Marau (distante 30 km de Passo Fundo).

Como novidade no futebol profissional bugre-pampeano, o Guarany de Camaquã, que apesar de ser debutante, dizem que montou uma equipe de jogadores com experiência neste certame.

No restante são todos velhos conhecidos ou só trocaram de CPF, caso do Garibaldi, que era Guarani (e ainda é assim chamado por seus torcedores), mas não lembro se a mudança de nome ocorreu este ano.

Abandono: o Flamengo de Alegrete, que participou em 2009 e este ano não consta.

Os favoritos são, segundos os fóruns e blogs por aí: Glória, Brasil de Pelotas, Brasil de Farroupilha e Cerâmica. Começamos pela Chave 1, que entre seus clubes soma 7 títulos gaúchos da Primeira Divisão.

Tabela completa, aqui.

Regulamento, aqui.
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Chave 1


Grêmio Atlético Farroupilha
Estádio: General Nicolau Fico
Fundação: 26 de abril de 1926
Presidente: Ewaldo José Poeta
Uniforme n°1: Camisas brancas, com 3 listras horizontais na altura do peito, (verde, amarela e vermelha), calções brancos e meias brancas.
Mascote: Fantasma
Melhor colocação: Campeão Gaúcho em 1935
Endereço: Av.Duque de Caxias, 837
Bairro: Fragata
Cidade: Pelotas
Blog Oficial:
http://www.gafarroupilha.blogspot.com/



Grêmio Esportivo Brasil
Estádio: Bento Freitas
Fundação: 07/09/1911
Presidente: Helder Lopes
1º Uniforme: Camisa vermelha, calções pretos e meias brancas.

Melhor colocação: Campeão Gaúcho de 1919
Endereço: Rua João Pessoa, 694
Bairro: Centro
Cidade: Pelotas
Site Oficial:
http://www.brasildepelotas.com/



Esporte Clube 14 de Julho
Estádio: João Martins
Fundação: 14 de julho de 1902
Presidente: Juliano Dal Mollin
1º Uniforme: listras horizontais em vermelho e preto, calções e meias pretas.
Mascote: Leão
Melhor colocação: 3º Lugar da Primeira Divisão em 1927 e 1958
Endereço: Rua Pinheiro Machado, 687
Bairro: -
Cidade: Sant'ana do Livramento


Esporte Clube Pelotas
Estádio: Cel. Silvio Luz

Fundação: 11 de outubro de 1908
Presidente: Luiz Antônio de Mello Aleixo
1º Uniforme: camisa e calção azul-marinho e meias brancas.
Mascote: índio
Melhor colocação: -

Endereço: Rua Cristovão Gomes de Andrade
Bairro: Centro
Cidade: Camaquã
Site Oficial: http://guaranyfc.vilabol.uol.com.br/index2.htm



Grêmio Esportivo Bagé
Estádio: Pedra Moura
Fundação: 5 de agosto de 1920
Presidente: Carlos Alberto de Macedo Ducos
1º Uniforme: listras verticais amarelas e pretas, calções pretos e meias pretas.
Mascote: abelha
Melhor colocação: Campeão Gaúcho em 1925
Endereço: Av.Líbio Vinhas, 159
Bairro: Menino Deus
Cidade: Bagé
Site Oficial:
http://www.gebage.com/



Guarany Futebol Clube
Estádio: Antônio Magalhães Rossel
Fundação: 19 de abril de 1907
Presidente: Guilherme Monteiro
1º Uniforme: listras verticais vermelhas e brancas, calções brancos, meias brancas.
Mascote: índio
Melhor colocação: Campeão Gaúcho em 1920 e 1938
Endereço: Rua Gaspar Silveira Martins, 70
Bairro: Estrela D'alva
Cidade: Bagé
Site Oficial:
http://www.guaranyfutebolclube.com.br/


Sport Club Rio Grande
Estádio: Arthur Lawson
Fundação: 19/07/1900
Presidente: Alexandre Duarte Lindenmeyer
1º Uniforme: listras verticais amarelas, vermelhas e verdes, calções brancos e meias brancas.
Mascote: Vovô
Melhor colocação: Campeão Gaúcho em 1936
Endereço: Rua General Bacelar, 197
Bairro: Centro
Cidade: Rio Grande
Site Oficial:
http://www.sportclubriogrande.com.br/


Sport Club São Paulo
Estádio: Aldo Dapuzzo
Fundação: 4 de outubro de 1908
Presidente: Ivo Artigas Costa
1º Uniforme: camisa verde com detalhes vermelhos, calções verdes e meias verdes.
Melhor colocação: Campeão Gaúcho em 1933
Mascote: Leão
Endereço: Av.Presidente Vargas, 518
Bairro: Linha do Parque
Cidade: Rio Grande
Site Oficial:
http://www.saopaulors.com.br
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Amanhã, Chaves 2 e 3.

Mais sobre o futebol do Interior Gaúcho

Sei que algum ufanista torcedor do Juventude vai ter xiliques.

Calma! Caso Vossa Senhoria faça parte da Nova Geração de viventes que nasceram torcendo pelo clube, obviamente nem sabe do que eu falo, portanto apenas leia e não reclame.
Caso seja um dos 200 torcedores DE FATO que o clube tinha antes dos anos 90, orgulhe-se de si mesmo.
Caso faça parte do resto, leia, caso ainda não saiba, como sua paixão começou.
Pouco antes da metade dos anos 90 o Juventude fechou aquela tão famosa parceria com a Parmalat. Logo subiram - com méritos - para a série A. (Inclusive na semifinal, jogando contra o Americano de Campos, no RJ, o clube disputou uma das partidas mais violentas de que tenho lembrança, mas, enfim...).

Nos primeiros anos de Série A (uns 3) 90% da torcida (eu diria mais, mas não quero ser radical) era formada por torcedores do Grêmio (uns 80%) e torcedores do Inter que queriam dar uma força para um time da cidade que havia subido etc, etc...
(Quero ressaltar que fui prestigiar, em 1995, a convite de um vizinho, uma partida entre o supracitado clube e outro que infelizmente a memória obliterou. Estávamos às vésperas do confronto Grêmio X Ajax e um vendedor anunciava FAIXAS ALUSIVAS A TAL PARTIDA.
Algo como "Grêmio Campeão do Mundo 95". Estávamos nas cadeiras e, só na proximidade, vi 6 pessoas COMPRAREM A FAIXA, para o desespero do meu vizinho e minha total incredulidade.)
Tranqüilo.
O tempo passou e após uma série de bons resultados do emergente Juventude frente ao "sucateado por diretorias mambembes" Internacional, a tal maioria gremista presente nas arquibancadas do Jaconi ficou cada vez mais evidente. Foi em 1998, com a conquista do título gaúcho perante o mesmo Inter e o título da Copa do Brasil no ano seguinte (com direito a goleada folclórica em pleno Beira-Rio nas semi-finais), que ser torcedor do Juventude passou a ser interessante.

Eu acompanhei bem de perto - e isso certamente teve algum impacto na minha forma de ver o futebol e a vida - o formidável caráter de toda uma geração, que sepultou suas camisetas tricolores (vi alguns torcedores do Internacional fazendo isso também, mas Caxias sempre foi uma cidade majoritariamente gremista, então a proporção foi tipo 7 pra 1 no concerne à abominável traição) e passou a trajar a nova paixão eterna: o branco + verde esmeraldino.
Corta 2007 - Juventude cai para a Série B2008 - Juventude perde de uma maneira bastante singular a final do Gauchão.

Comentários de 4 conhecidos, juventudistas, em resposta à mesma pergunta, em ocasiões diferentes: E agora, tá otimista pra subir para a série A?

Sujeito A: "Ah, cara, meu time MESMO, sempre foi o Grêmio
"Sujeito B: "Ah, sou Juventude no interior, time, time, é o Grêmio
"Sujeito C: "Meu time tá na Libertadores
"Sujeito D: "Logo sobe... mas tu tá ligado que torço pro Juventude só quando não joga contra o Grêmio, né?"

Ah... um deles integra uma organizada do Juventude. Outro é filho de conselheiro do clube (e, sim, herdou o time do pai). Não quero fazer pouco caso do Juventude. Não mesmo. O que o clube conseguiu entre 94 e 99, nunca vi clube algum do interior conseguir (tirando o São Caetano, que nem é EXATAMENTE do interior...).

O que eu quero dizer é que, mesmo concordado com o George (que aliás, defende o futebol do interior como poucos), sempre há exceção.

E além disso, fazia tempo que eu queria contar como vi essa história acontecer. Ah, sim... pra mostrar como tenho RESPEITO pelos torcedores do clube, e que sou um cara legal, nem citei o caso Red Bull.

Maurício Alejándro Kehrwald
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Fotos: Globo.com, site do Juventude e http://arivaldomaia.globolog.com.br

A descarga

No Jogo do Bicho, uma manobra utilizada pelos bicheiros era a “descarga”: se um apostador jogasse uma quantia muito alta para determinada praça, o que geraria um prêmio altíssimo, o mesmo jogo era feito pela banca em uma praça maior. A intenção era evitar a “quebra da banca”.

Aqui no Rio Grande do Sul ocorre algo parecido no futebol. Com as redes de comunicação do centro do país destinando a maior parte de sua cobertura para times de Rio de Janeiro e São Paulo, a grande imprensa gaúcha ( principalmente a TV) faz uma espécie de “descarga”, há muito anos, no interior do Estado. E não só a imprensa, mas os grandes clubes também. Então tudo aquilo que a dupla Gre-Nal reclama, tanto da imprensa como de arbitragens e CBF (STJD), praticam em escala menor (para eles) nos seus domínios.

O resultado disto vai muito além de problemas com arbitragens para os times do interior gaúcho, mas passa principalmente pelas fórmulas que são feitas com exclusiva preocupação com a dupla Gre-Nal e suas competições maiores, e principalmente, pela formação de novos torcedores.

Se tratando da fórmula, todos sabem que para os grandes da capital, seria inviável economicamente um campeonato mais longo. Entretanto para os times do interior, o campeonato é muito curto, e no restante do ano sobram apenas o ócio ou a Copa do segundo semestre, sempre pouco valorizada e mal trabalhada. Este é um problema que a solução envolve muitos fatores, contribuindo para sua permanência o tamanho territorial do Brasil. O ideal seria que todos os clubes em atividade estivessem inseridos em uma competição nacional, não importando a divisão, mas com um calendário anual e bem organizado. O problema é que a partir de certo ponto, se torna inviável dadas as distâncias que teriam que ser percorridas, e o dinheiro para custeá-las, inversamente proporcional.

O que sobra para o torcedor do interior o resto do ano, é assistir à exaustão a dupla Gre-Nal disputando grandes competições, e o futebol do interior quase não divulgado, inclusive nas próprias cidades, efeito do massacre de informações da Dupla, que chegam via televisão, TV a cabo, grandes portais, grandes rádios e grandes jornais. O torcedor não acompanha o time da cidade, passa a não consumir os produtos do time da cidade (que a partir disto passa a oferecer menos produtos, por falta de dinheiro e patrocínio), e alimentando este ciclo, a imprensa diminui ainda mais a cobertura do time local e/ou do futebol do interior gaúcho...na sequência , menos torcedores se importam como anda seu time, e assim continua.

A dupla Gre-Nal, ajudada pela imprensa, faz sua “descarga” no Interior Gaúcho. É ali que conseguem expandir mercado. Com a valiosa ajuda da imprensa, principalmente televisão. A mesma imprensa que é acusada de ser “pró-Eixo” (RJ e SP), aqui no RS faz exatamente o mesmo, só que contra os times do interior, times que têm muito menos condições de lutar contra isto do que os “coitadinhos” da Dupla.

Hoje à tarde, no jogo Inter - SM x Grêmio, uma pequena mostra disso. Uso o jogo apenas como exemplo recente, mas sei que isso ocorre por todo o Interior Gaúcho, em menor ou maior escala, dependendo da cidade.
Atrás das duas goleiras, torcedores do Grêmio. Num dia de semana, ingressos por 30 reais, uma das arquibancadas lotada por torcedores do Grêmio, e a outra com um bom público, ainda que não lotada. Já a arquibancada em frente às sociais, onde ficaram os torcedores do Inter-SM, cheia de espaços e clarões. Poderia ser uma coisa absolutamente trivial, se não fosse o fato de que, aqueles clarões produzidos na arquibancada do Inter-SM, eram justamente porque centenas de “locais” entupiam a arquibancada gremista, inclusive com uma faixa atrás do gol, orgulhosamente (?) mostrada. É óbvio que também estavam ali torcedores de outras localidades, principalmente de pequenas cidades adjacentes, e outros de Porto Alegre, mas não diminui o fenômeno.

Pelo acima escrito, há que se entender que a superexposição da Dupla nos meios de comunicação gaúchos causam este tipo de resultado e isto e aquilo .......mas eu não entendo mais.
Ver o time da própria cidade peleando com o que não tem, contra um time que tudo possui, inclusive os moradores da própria cidade interiorana, não se comover e continuar e vestir uma camisa ‘’estrangeira’’, e a entoar cantos contra o time que, muitas vezes, foi construído por seus antepassados? Já seria de uma imbecilidade extrema, mas transcende isto e torna-se uma grande traição, não há outra maneira de qualificar isto. E aí restam apenas as migalhas do que já era farelo.

E assim, pagam 180 reais por uma camisa do time da capital, e não pagam 80 pela camisa do time da cidade. Associam-se (mesmo não indo na maioria dos jogos), criam consulados, excursionam, debatem na internet, tudo porque na TV as imagens são sedutoras. Para o time da cidade, reclamam quando pagam um ingresso de 10 reais, e quando pagam, vão para tela exigir elenco igual ao que eles se acostumaram a torcer pela TV.

Se essa situação que é quase surreal fosse vista de outro modo, beiraria o ridículo. É como se uma família miserável deixasse de comprar algo da alimentação diária, para colocar os poucos reais economizados na caixa de correio de um vizinho bastante rico. E quando o vizinho rico trocasse de carro (pela 3ª vez no ano), essa família se amontoasse emocionada, abraçada e entre lágrimas, a gritar no pátio de terra batida: “arrá, urrú, temo carro novo!”. O vizinho, que está indo estrear o carro, agradece a comoção sem sentido com um leve toque de buzina.

Parafraseando um grande escritor, “Longa é a jornada de um imbecil até o entendimento”. Aí, para o cúmulo, o interior tem que ler frases do tipo: JAMAIS NOS MATARÃO (e frases similares, nas torcidas da dupla Gre-Nal). Mas é óbvio que jamais matarão nenhum dos grandes da capital, que vampirizam no interior aquilo que reclamam por perdido no centro do país.

Mais um Gauchão teve início, a Segundona começa em março, e ano após ano se repetem as mesmas coisas, os mesmos comportamentos e com isso o definhamento dos clubes locais. O que começa a mudar, e é negativo igualmente, é que agora, com a TV também dedicando enormes espaços aos grandes europeus, estão aparecendo muitos adolescentes (e alguns adultos) “torcedores” de manchesters e reias madrids, aqui no Brasil, e consumindo produtos destes times.
O interior que trate de manter seus últimos torcedores, porque vem por aí mais outra “descarga” dos tão infortunados e perseguidos times da Capital.

Carta aberta de Maurício Kehrwald

Maurício anda lá pelas bandas do ''Eixo'', e de lá escreve este excelente relato, via e-mail. Abre a gaita, Maurício!

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George,


A gente, que acompanha com um interesse doentio aquilo que convencionamos (nosotros do Puro Futebol) como periféricos do futebol, provavelmente já chegou ao que eu chamaria, sem falsa modéstia, de estado parapsicológico do segmento. Sabemos só pelo discurso de determinado dirigente qual o jogador que ele vai vender e de quais regiões do país ele vai trazer os próximos ineptos para a posição (gastando quase todo o dinheiro obtido com a venda do jogador bom e errando miseravelmente em TODAS as contratações).

Acontece que precisamos ter a humildade de reconhecer que, quando tratando-se de extra-campo, nosso conhecimento superior é bastante restrito ao futebol gaúcho, o que é normal e compreensível.

Como tu deves saber - ou não - eu estou faz um mês aqui em SP. Este pouco tempo não me torna um candidato a parapsicólogo da cultura futebolística local, mas dá, sim, pra tirar uma temperatura aproximada de alguns FATOS sobre o torcedor-médio (aquele mané que torce pra um time mas não se preocupa muito com ele).

Para a nossa realidade isto é mais complicado, pois no Rio Grande temos aquela cultura de SER alguma coisa. Quem torce pro INTER tem um motivo forte para tal e a mesma coisa acontece com o GRÊMIO (cito os dois representantes pois não estou mais em idade de fazer demagogia dizendo que tem mais algum clube grande no estado). [N.E: esqueceu do Bagé, mas tudo bem.]

Em São Paulo é diferente. E nas minhas vindas anteriores eu não havia detectado que a diferencia de cultura era TÃO grande, no que tange ao futebol, como reflexo de outras coisas.

Sobre os torcedores DE FATO, aqueles que sabem o que se passa com o clube (tipo 1 pessoa a cada 20 com quem conversei), vale ressaltar uma curiosidade: eles respeitam muito, mas muito mesmo o futebol gaúcho e têm certeza absoluta que jogar contra Inter ou Grêmio é enfrentar um bando de doente que vai dar a vida em campo, além de ser comum-acordo que a imprensa esportiva local é um câncer.

Certo... mas como eu disse estes são exceção. Caras assim, dá pra convidar pra um churrasco no Rio Grande e falar de futebol numa bueníssima. Quem trata o futebol como filosofia de vida pode ser gaúcho, paulista, uruguayo ou acreano... vai ser uma conversa legal.

Eu quero é falar do TORCEDOR COMUM.

E quando eu falo de TORCEDOR COMUM, eu preciso destacar 2 em especial. O torcedor do São Paulo e o torcedor do Corínthians

O torcedor COMUM do São Paulo é um retardado mental. Sabe que o clube é hexacampeão brasileiro, mas só conhece o Rogério Ceni (alguns escrevem Rogério Sene), como eu pude observar - pois sou um Filho da Puta e fiz questão que escrevessem o nome do cara.
Ah, sim, não estou falando de pessoas com problemas de alfabetização, caso tu pense isso. Não, tô falando de torcedor do São Paulo, normalmente mais elitizado.

Um cara que estava gravando aqui no estúdio (trajando abrigo do São Paulo) me viu com a camisa do Internacional e perguntou que time era.

Depois que os amigos dele me garantiram que não se tratava de deboche da parte dele, expliquei:

É a camisa do Internacional, que tu deveria saber, posto que ganhamos uma Libertadores em cima de vocês, na casa de vocês.

A resposta do sujeitinho é assustadora (e só vou citá-la pois os caras que estavam com ele - 2 palmeirenses doentes e 1 corinthiano - me garantiram que a visão de mundo e o conhecimento dele era isso mesmo):

''Que Libertadores? A gente que ganhou o brasileiro contra teu time esse ano! E outro time do Sul ganhou a Taça das Américas ''(sic).

Este é o torcedor-médio do São Paulo.

Aí tem o corinthiano médio.

Bom, este aí é um esteriótipo a parte. Simplesmente NÃO ADIANTA tu tentar explicar qualquer coisa sobre 2005, porque os caras simplesmente NÃO SABEM DO QUE TU TÁ FALANDO. Sério!
Eles acreditam que o Ronaldo foi a maior contratação da história do clube.
Eles acham que são mesmo campeões mundiais (alguns não sabem o que é Libertadores - sério, não é deboche - e não sabem diferenciar Copa do Brasil de Brasileiro).
Uns 3 me perguntaram se tinha CAMPEONATO PAULISTA NO RIO GRANDE DO SUL.
Todos conhecem o Inter e o Grêmio (e até o Juventude) mas pelo menos 20% tem imensa dificuldade para entender que o FIGUEIRENSE NÃO DISPUTA O CAMPEONATO GAÚCHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A curiosidade, é que saindo na noite com a camisa do Inter, DIVERSOS torcedores DO CORINTHIANS, vinham me parabenizar pelo título da sulamericana (torcedores mesmo) e dizer que torceram muito pelo Inter porque gostam muito do clube. e tinham certeza de que nós, colorados também torcemos pra eles subirem pra série A.

O que só mostra como algumas pessoas, independente de para quem torçam, ainda têm a inocência que Jesus queria no coração das pessoas.

Achei bonito, até.


Abraço, George.

Maurício
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