Mais sobre o futebol do Interior Gaúcho

Sei que algum ufanista torcedor do Juventude vai ter xiliques.

Calma! Caso Vossa Senhoria faça parte da Nova Geração de viventes que nasceram torcendo pelo clube, obviamente nem sabe do que eu falo, portanto apenas leia e não reclame.
Caso seja um dos 200 torcedores DE FATO que o clube tinha antes dos anos 90, orgulhe-se de si mesmo.
Caso faça parte do resto, leia, caso ainda não saiba, como sua paixão começou.
Pouco antes da metade dos anos 90 o Juventude fechou aquela tão famosa parceria com a Parmalat. Logo subiram - com méritos - para a série A. (Inclusive na semifinal, jogando contra o Americano de Campos, no RJ, o clube disputou uma das partidas mais violentas de que tenho lembrança, mas, enfim...).

Nos primeiros anos de Série A (uns 3) 90% da torcida (eu diria mais, mas não quero ser radical) era formada por torcedores do Grêmio (uns 80%) e torcedores do Inter que queriam dar uma força para um time da cidade que havia subido etc, etc...
(Quero ressaltar que fui prestigiar, em 1995, a convite de um vizinho, uma partida entre o supracitado clube e outro que infelizmente a memória obliterou. Estávamos às vésperas do confronto Grêmio X Ajax e um vendedor anunciava FAIXAS ALUSIVAS A TAL PARTIDA.
Algo como "Grêmio Campeão do Mundo 95". Estávamos nas cadeiras e, só na proximidade, vi 6 pessoas COMPRAREM A FAIXA, para o desespero do meu vizinho e minha total incredulidade.)
Tranqüilo.
O tempo passou e após uma série de bons resultados do emergente Juventude frente ao "sucateado por diretorias mambembes" Internacional, a tal maioria gremista presente nas arquibancadas do Jaconi ficou cada vez mais evidente. Foi em 1998, com a conquista do título gaúcho perante o mesmo Inter e o título da Copa do Brasil no ano seguinte (com direito a goleada folclórica em pleno Beira-Rio nas semi-finais), que ser torcedor do Juventude passou a ser interessante.

Eu acompanhei bem de perto - e isso certamente teve algum impacto na minha forma de ver o futebol e a vida - o formidável caráter de toda uma geração, que sepultou suas camisetas tricolores (vi alguns torcedores do Internacional fazendo isso também, mas Caxias sempre foi uma cidade majoritariamente gremista, então a proporção foi tipo 7 pra 1 no concerne à abominável traição) e passou a trajar a nova paixão eterna: o branco + verde esmeraldino.
Corta 2007 - Juventude cai para a Série B2008 - Juventude perde de uma maneira bastante singular a final do Gauchão.

Comentários de 4 conhecidos, juventudistas, em resposta à mesma pergunta, em ocasiões diferentes: E agora, tá otimista pra subir para a série A?

Sujeito A: "Ah, cara, meu time MESMO, sempre foi o Grêmio
"Sujeito B: "Ah, sou Juventude no interior, time, time, é o Grêmio
"Sujeito C: "Meu time tá na Libertadores
"Sujeito D: "Logo sobe... mas tu tá ligado que torço pro Juventude só quando não joga contra o Grêmio, né?"

Ah... um deles integra uma organizada do Juventude. Outro é filho de conselheiro do clube (e, sim, herdou o time do pai). Não quero fazer pouco caso do Juventude. Não mesmo. O que o clube conseguiu entre 94 e 99, nunca vi clube algum do interior conseguir (tirando o São Caetano, que nem é EXATAMENTE do interior...).

O que eu quero dizer é que, mesmo concordado com o George (que aliás, defende o futebol do interior como poucos), sempre há exceção.

E além disso, fazia tempo que eu queria contar como vi essa história acontecer. Ah, sim... pra mostrar como tenho RESPEITO pelos torcedores do clube, e que sou um cara legal, nem citei o caso Red Bull.

Maurício Alejándro Kehrwald
__________________________
Fotos: Globo.com, site do Juventude e http://arivaldomaia.globolog.com.br

A descarga

No Jogo do Bicho, uma manobra utilizada pelos bicheiros era a “descarga”: se um apostador jogasse uma quantia muito alta para determinada praça, o que geraria um prêmio altíssimo, o mesmo jogo era feito pela banca em uma praça maior. A intenção era evitar a “quebra da banca”.

Aqui no Rio Grande do Sul ocorre algo parecido no futebol. Com as redes de comunicação do centro do país destinando a maior parte de sua cobertura para times de Rio de Janeiro e São Paulo, a grande imprensa gaúcha ( principalmente a TV) faz uma espécie de “descarga”, há muito anos, no interior do Estado. E não só a imprensa, mas os grandes clubes também. Então tudo aquilo que a dupla Gre-Nal reclama, tanto da imprensa como de arbitragens e CBF (STJD), praticam em escala menor (para eles) nos seus domínios.

O resultado disto vai muito além de problemas com arbitragens para os times do interior gaúcho, mas passa principalmente pelas fórmulas que são feitas com exclusiva preocupação com a dupla Gre-Nal e suas competições maiores, e principalmente, pela formação de novos torcedores.

Se tratando da fórmula, todos sabem que para os grandes da capital, seria inviável economicamente um campeonato mais longo. Entretanto para os times do interior, o campeonato é muito curto, e no restante do ano sobram apenas o ócio ou a Copa do segundo semestre, sempre pouco valorizada e mal trabalhada. Este é um problema que a solução envolve muitos fatores, contribuindo para sua permanência o tamanho territorial do Brasil. O ideal seria que todos os clubes em atividade estivessem inseridos em uma competição nacional, não importando a divisão, mas com um calendário anual e bem organizado. O problema é que a partir de certo ponto, se torna inviável dadas as distâncias que teriam que ser percorridas, e o dinheiro para custeá-las, inversamente proporcional.

O que sobra para o torcedor do interior o resto do ano, é assistir à exaustão a dupla Gre-Nal disputando grandes competições, e o futebol do interior quase não divulgado, inclusive nas próprias cidades, efeito do massacre de informações da Dupla, que chegam via televisão, TV a cabo, grandes portais, grandes rádios e grandes jornais. O torcedor não acompanha o time da cidade, passa a não consumir os produtos do time da cidade (que a partir disto passa a oferecer menos produtos, por falta de dinheiro e patrocínio), e alimentando este ciclo, a imprensa diminui ainda mais a cobertura do time local e/ou do futebol do interior gaúcho...na sequência , menos torcedores se importam como anda seu time, e assim continua.

A dupla Gre-Nal, ajudada pela imprensa, faz sua “descarga” no Interior Gaúcho. É ali que conseguem expandir mercado. Com a valiosa ajuda da imprensa, principalmente televisão. A mesma imprensa que é acusada de ser “pró-Eixo” (RJ e SP), aqui no RS faz exatamente o mesmo, só que contra os times do interior, times que têm muito menos condições de lutar contra isto do que os “coitadinhos” da Dupla.

Hoje à tarde, no jogo Inter - SM x Grêmio, uma pequena mostra disso. Uso o jogo apenas como exemplo recente, mas sei que isso ocorre por todo o Interior Gaúcho, em menor ou maior escala, dependendo da cidade.
Atrás das duas goleiras, torcedores do Grêmio. Num dia de semana, ingressos por 30 reais, uma das arquibancadas lotada por torcedores do Grêmio, e a outra com um bom público, ainda que não lotada. Já a arquibancada em frente às sociais, onde ficaram os torcedores do Inter-SM, cheia de espaços e clarões. Poderia ser uma coisa absolutamente trivial, se não fosse o fato de que, aqueles clarões produzidos na arquibancada do Inter-SM, eram justamente porque centenas de “locais” entupiam a arquibancada gremista, inclusive com uma faixa atrás do gol, orgulhosamente (?) mostrada. É óbvio que também estavam ali torcedores de outras localidades, principalmente de pequenas cidades adjacentes, e outros de Porto Alegre, mas não diminui o fenômeno.

Pelo acima escrito, há que se entender que a superexposição da Dupla nos meios de comunicação gaúchos causam este tipo de resultado e isto e aquilo .......mas eu não entendo mais.
Ver o time da própria cidade peleando com o que não tem, contra um time que tudo possui, inclusive os moradores da própria cidade interiorana, não se comover e continuar e vestir uma camisa ‘’estrangeira’’, e a entoar cantos contra o time que, muitas vezes, foi construído por seus antepassados? Já seria de uma imbecilidade extrema, mas transcende isto e torna-se uma grande traição, não há outra maneira de qualificar isto. E aí restam apenas as migalhas do que já era farelo.

E assim, pagam 180 reais por uma camisa do time da capital, e não pagam 80 pela camisa do time da cidade. Associam-se (mesmo não indo na maioria dos jogos), criam consulados, excursionam, debatem na internet, tudo porque na TV as imagens são sedutoras. Para o time da cidade, reclamam quando pagam um ingresso de 10 reais, e quando pagam, vão para tela exigir elenco igual ao que eles se acostumaram a torcer pela TV.

Se essa situação que é quase surreal fosse vista de outro modo, beiraria o ridículo. É como se uma família miserável deixasse de comprar algo da alimentação diária, para colocar os poucos reais economizados na caixa de correio de um vizinho bastante rico. E quando o vizinho rico trocasse de carro (pela 3ª vez no ano), essa família se amontoasse emocionada, abraçada e entre lágrimas, a gritar no pátio de terra batida: “arrá, urrú, temo carro novo!”. O vizinho, que está indo estrear o carro, agradece a comoção sem sentido com um leve toque de buzina.

Parafraseando um grande escritor, “Longa é a jornada de um imbecil até o entendimento”. Aí, para o cúmulo, o interior tem que ler frases do tipo: JAMAIS NOS MATARÃO (e frases similares, nas torcidas da dupla Gre-Nal). Mas é óbvio que jamais matarão nenhum dos grandes da capital, que vampirizam no interior aquilo que reclamam por perdido no centro do país.

Mais um Gauchão teve início, a Segundona começa em março, e ano após ano se repetem as mesmas coisas, os mesmos comportamentos e com isso o definhamento dos clubes locais. O que começa a mudar, e é negativo igualmente, é que agora, com a TV também dedicando enormes espaços aos grandes europeus, estão aparecendo muitos adolescentes (e alguns adultos) “torcedores” de manchesters e reias madrids, aqui no Brasil, e consumindo produtos destes times.
O interior que trate de manter seus últimos torcedores, porque vem por aí mais outra “descarga” dos tão infortunados e perseguidos times da Capital.

Carta aberta de Maurício Kehrwald

Maurício anda lá pelas bandas do ''Eixo'', e de lá escreve este excelente relato, via e-mail. Abre a gaita, Maurício!

_____________________________________


George,


A gente, que acompanha com um interesse doentio aquilo que convencionamos (nosotros do Puro Futebol) como periféricos do futebol, provavelmente já chegou ao que eu chamaria, sem falsa modéstia, de estado parapsicológico do segmento. Sabemos só pelo discurso de determinado dirigente qual o jogador que ele vai vender e de quais regiões do país ele vai trazer os próximos ineptos para a posição (gastando quase todo o dinheiro obtido com a venda do jogador bom e errando miseravelmente em TODAS as contratações).

Acontece que precisamos ter a humildade de reconhecer que, quando tratando-se de extra-campo, nosso conhecimento superior é bastante restrito ao futebol gaúcho, o que é normal e compreensível.

Como tu deves saber - ou não - eu estou faz um mês aqui em SP. Este pouco tempo não me torna um candidato a parapsicólogo da cultura futebolística local, mas dá, sim, pra tirar uma temperatura aproximada de alguns FATOS sobre o torcedor-médio (aquele mané que torce pra um time mas não se preocupa muito com ele).

Para a nossa realidade isto é mais complicado, pois no Rio Grande temos aquela cultura de SER alguma coisa. Quem torce pro INTER tem um motivo forte para tal e a mesma coisa acontece com o GRÊMIO (cito os dois representantes pois não estou mais em idade de fazer demagogia dizendo que tem mais algum clube grande no estado). [N.E: esqueceu do Bagé, mas tudo bem.]

Em São Paulo é diferente. E nas minhas vindas anteriores eu não havia detectado que a diferencia de cultura era TÃO grande, no que tange ao futebol, como reflexo de outras coisas.

Sobre os torcedores DE FATO, aqueles que sabem o que se passa com o clube (tipo 1 pessoa a cada 20 com quem conversei), vale ressaltar uma curiosidade: eles respeitam muito, mas muito mesmo o futebol gaúcho e têm certeza absoluta que jogar contra Inter ou Grêmio é enfrentar um bando de doente que vai dar a vida em campo, além de ser comum-acordo que a imprensa esportiva local é um câncer.

Certo... mas como eu disse estes são exceção. Caras assim, dá pra convidar pra um churrasco no Rio Grande e falar de futebol numa bueníssima. Quem trata o futebol como filosofia de vida pode ser gaúcho, paulista, uruguayo ou acreano... vai ser uma conversa legal.

Eu quero é falar do TORCEDOR COMUM.

E quando eu falo de TORCEDOR COMUM, eu preciso destacar 2 em especial. O torcedor do São Paulo e o torcedor do Corínthians

O torcedor COMUM do São Paulo é um retardado mental. Sabe que o clube é hexacampeão brasileiro, mas só conhece o Rogério Ceni (alguns escrevem Rogério Sene), como eu pude observar - pois sou um Filho da Puta e fiz questão que escrevessem o nome do cara.
Ah, sim, não estou falando de pessoas com problemas de alfabetização, caso tu pense isso. Não, tô falando de torcedor do São Paulo, normalmente mais elitizado.

Um cara que estava gravando aqui no estúdio (trajando abrigo do São Paulo) me viu com a camisa do Internacional e perguntou que time era.

Depois que os amigos dele me garantiram que não se tratava de deboche da parte dele, expliquei:

É a camisa do Internacional, que tu deveria saber, posto que ganhamos uma Libertadores em cima de vocês, na casa de vocês.

A resposta do sujeitinho é assustadora (e só vou citá-la pois os caras que estavam com ele - 2 palmeirenses doentes e 1 corinthiano - me garantiram que a visão de mundo e o conhecimento dele era isso mesmo):

''Que Libertadores? A gente que ganhou o brasileiro contra teu time esse ano! E outro time do Sul ganhou a Taça das Américas ''(sic).

Este é o torcedor-médio do São Paulo.

Aí tem o corinthiano médio.

Bom, este aí é um esteriótipo a parte. Simplesmente NÃO ADIANTA tu tentar explicar qualquer coisa sobre 2005, porque os caras simplesmente NÃO SABEM DO QUE TU TÁ FALANDO. Sério!
Eles acreditam que o Ronaldo foi a maior contratação da história do clube.
Eles acham que são mesmo campeões mundiais (alguns não sabem o que é Libertadores - sério, não é deboche - e não sabem diferenciar Copa do Brasil de Brasileiro).
Uns 3 me perguntaram se tinha CAMPEONATO PAULISTA NO RIO GRANDE DO SUL.
Todos conhecem o Inter e o Grêmio (e até o Juventude) mas pelo menos 20% tem imensa dificuldade para entender que o FIGUEIRENSE NÃO DISPUTA O CAMPEONATO GAÚCHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A curiosidade, é que saindo na noite com a camisa do Inter, DIVERSOS torcedores DO CORINTHIANS, vinham me parabenizar pelo título da sulamericana (torcedores mesmo) e dizer que torceram muito pelo Inter porque gostam muito do clube. e tinham certeza de que nós, colorados também torcemos pra eles subirem pra série A.

O que só mostra como algumas pessoas, independente de para quem torçam, ainda têm a inocência que Jesus queria no coração das pessoas.

Achei bonito, até.


Abraço, George.

Maurício

Aos 45 do segundo

Luxemburgo, além de técnico do Palmeiras, é nome de um minúsculo país europeu, lindeiro com Alemanha, França e Bélgica. Possui um pouco mais de 450 mil habitantes que vivem abastadamente sob uma monarquia constitucional.
Futebolisticamente falando, a seleção de Luxemburgo é uma das tantas seleções nanicas do continente europeu, com raras vitórias nas competições européias (entre estas, encontra-se apenas uma honrosa exceção, na
Eurocopa de 1964). Além deste retrospecto nada alentador, a seleção de Luxemburgo conta com um time misto de profissionais e amadores. Segundo uma das matérias que li para escrever esta postagem, na atual seleção jogam apenas dois profissionais (a verificar).

Mas o futebol tem muito destas coisas, jamais deve-se diminuir o orgulho que torcedores têm por clubes de pouca expressão, ou a entrega total de jogadores de times de pequeno porte, ainda mais quando o orgulho nacional está em jogo, como no caso de seleções nacionais (menos no Brasil, aqui isto é considerado ''patriotada'').

E exatamente com este orgulho, que um jogador luxemburguês chamado Fons Leweck, deu uma bela declaração, após ter feito o gol da vitória histórica de sua seleção sobre a Suiça, na casa dos adversários.

"Quando houve o apito final, tive uma sensação extraordinária, o fato de termos vencido. Sabíamos que tínhamos criado uma grande sensação, e estávamos nas nuvens. Quando terminou, a primeira coisa que pensei foi na minha família, que certamente estaria comemorando muito em casa. Como luxemburguês, estou muito orgulhoso em poder somar algo tão grande à minha pequena e insignificante carreira no futebol, sabendo que ninguém poderá tirar esse momento de mim, por nada. Vencer fora de casa, diante de uma grande torcida deve ter sido a melhor experiência que já tive."


Palavras ditas por Fons Leweck, depois da histórica vitória de Luxemburgo sobre a Suíça, fora de casa, pelas Eliminatórias da Copa (2-1). Leweck é atacante da seleção de Luxemburgo e do FC Etzella Ettelbruck. Foi ele o autor do gol desta vitória de Luxemburgo, com um gol aos 40 do segundo tempo. Um ano antes, ele também fez o gol da vitória sobre a Bielorrússia, nas Eliminatórias da EURO, com um gol aos 50 do 2° tempo, outra data histórica.

(texto disponível no
site da Fifa, em espanhol).

Lá no site da Fifa, este fato é mencionado na matéria "Pequenos Heróis do Futebol", sobre eventos marcantes no ano de 2008 (o jogo foi em setembro).

Um belo feito, sem dúvidas.

Aproveito o post para desejar um Feliz Natal para todos(?) os leitores do blog, mesmo os ocasionais via Google, mas principalmente aqueles poucos, mas fiéis e persistentes leitores, que mesmo com a baixíssima freqüência de postagens neste 2008, sempre deram uma passada por aqui.
Que em 2009, ainda que só tenhamos a nosso favor um time ruim, que seja combativo e raçudo, e que algumas vezes possamos ter momentos como o que Luxemburgo viveu, no vídeo abaixo:



____________________________________________
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Luxemburgo
http://es.fifa.com/worldfootball/news/newsid=986056.html#pequenos+heroes+futbol
e as demais citadas no texto.

A informação da escolha dos "Pequenos Hérois do Futebol" da Fifa, veio através de postagem de Gabriel Andrezo, da comunidade
Futebol Alternativo, do Orkut.

Y se dicen hinchas...

Aconteceu em Rosário, Argentina. Depois de 14 anos de administração de Eduardo López, agora ex-presidente do Newell’s Old Boys, o novo presidente encontrou um clube quase que, literalmente, em ruínas.
As frase de Guillermo Lorente (presidente empossado) é ilustrativa:
“Newell's parece Kosovo”.

Novos presidentes encontrarem situações desalentadoras quando da posse em clubes é fato corriqueiro. Mas o que chama atenção nesta notícia, é que a barra-brava leprosa participou de saques nas duas sedes do clube, Bella Vista e Malvinas (onde abrigam as categorias de base), após a vitória do grupo de Guillermo Lorente. Segundo o jornal Olé, a barra possui ligação com o ex-presidente do clube.

Na madrugada de segunda-feira, três caminhões estacionaram em frente à sede da Bella Vista, com alguns integrantes da barra. Saquearam de tudo: computadores, material de escritório, uniformes do time (que já estão sendo vendidos em bairros de Rosário, segundo a notícia), bolas de futebol, ventiladores, máquinas de escrever, refrigeradores de ar, 10 câmeras de seguranças, material de treinamento, entre outras coisas.

Não satisfeitos, foram até a sede onde treinam as categorias de base do clube, e de lá também furtaram material esportivo, inclusive as roupas das crianças que lá jogam (palavras do Olé: “¡Se llevaron hasta la ropa de los chicos!”).

Administrativamente há outros danos, como sumiço de livros de contabilidade, dinheiro e outros itens que tratam da organização do clube. Outro exemplo: o Newell’s não recebia energia elétrica da companhia de luz por estar há anos sem pagar. A energia elétrica vinha de geradores próprios que...também foram roubados. Mas o que mais espanta, volto no tema, é a atitude deste grupo de barras.

E não parou no saque: partiram pra depredação do próprio clube. O busto do fundador do clube foi destruído, os troféus foram achados amontoados em um canto, além de muitos vidros quebrados, tudo contra a sede.

Este lamentável episódio (e é lamentável, sim, não é ser “politicamente correto”, ou um discurso clichê, achar isto lastimável) serve para desmistificar algumas quase “lendas urbanas” sobre barra-bravas que circulam por aqui. Se por um lado é certo que existe uma característica argentina de um apoio que algumas vezes parece incondicional, por outro lado tem alguns pseudo-torcedores que estão ali por interesse financeiro, e que há muito tempo deixaram de serem torcedores, e sim parasitas do clube, pouco lhes importando a situação do time, a não ser quando esta reflete diretamente nos seus ganhos.

Que isto ocorre em qualquer lugar do mundo, é fato sabido, mas no caso argentino a referência que se faz é com alguns mitos que se criaram aqui no Brasil sobre a atuação destas facções, como se tudo fosse por amor ao clube. Infelizmente não é assim, o resto é apenas uma visão romântica de quem só vê o belo espetáculo dentro do estádio. Em alguns casos, o preço é altíssimo, como este que o Newell’s está pagando.

No Brasil, Argentina, Uruguai ou em qualquer lugar do mundo, quando a paixão é substituída por dinheiro, a coisa muda de figura. Porque ninguém há de dizer que destruir o busto do fundador do clube é um ato de paixão, ou um “manifesto político”. Não há crise, oposição à presidência ou qualquer insatisfação que faça um verdadeiro torcedor atentar contra a história de seu clube. Torcedor. ‘’Profissionais’’ são bem diferentes.


O título desta postagem é a legenda da foto publicada pelo Olé.


Fonte e foto: Diário Olé:
http://www.ole.clarin.com/notas/2008/12/19/futbollocal/01825205.html

http://www.ole.clarin.com/notas/2008/12/16/futbollocal/01822990.html

A volta(?) dos citadinos

Soube mês passado, primeiramente através do Impedimento, e depois no Jornal Minuano sobre a volta do Campeonato Citadino de futebol profissional em Bagé no ano que vem. Este campeonato já foi muito tradicional, tendo sua primeira edição ocorrido em 1918 e em muitos anos, o representante bageense no Campeonato Gaúcho era o vencedor do Citadino.

Com o passar dos anos e com as mudanças no sistema de disputa do Gauchão, o Citadino perdeu sua força, ainda que tenham sido realizados outros torneios em que a dupla Ba-Gua se enfrentava em uma série de jogos, valendo diversos troféus, mas nenhum destes contava com a chancela de "Campeão Citadino", o último foi em 1976.



Na versão 2009, inclusive a prefeitura municipal participou do lançamento do campeonato. A fórmula prevê dois jogos em fevereiro (dias 8 e 15 , coincidindo com a preparação para a Segundona 2009) e mais dois clássicos, que serão os dois da primeira fase da Série B. Quem fizer o maior número de pontos, leva (em caso de empate, ocorrerá uma quinta partida). Por sorteio ficou definido que o primeiro jogo será na Pedra Moura.


E também em Rio Grande, parece que está voltando o Campeonato Citadino, reunindo seus 3 tradicionais clubes. Neste caso a idealização desta competição ocorreu de maneira inusitada: através do Orkut, mostrando que nem sempre aquele batido chavão "sai do Orkut e vai pra cancha" deve ser considerado literalmente. A internet já se mostrou muito útil, inclusive para os clubes do interior.

Do
Jornal Agora, de Rio Grande:
"(...)Os idealizadores da competição foram representados por Paulo Mancha, Miguel Duarte e Farnei Coelho que representou Rodrigo Gomes, eles mais algumas pessoas idealizaram a competição através da comunidade "Futebol Riograndino", do site de relacionamentos "Orkut", que possui 154 membros. "A idéia surgiu na comunidade (do orkut) , queremos colaborar para que na nossa terra tenhamos torcedores dos nossos clubes. O apoio do torcedor será fundamental para o crescimento dos times do Rio Grande. Somos líderes irmanados pelo futebol da terra", afirmou Paulo Mancha.

Os jogos do campeonato de Rio Grande ocorrerão no estádio do Cassino Futebol Clube, com ingresso convidativo, 5 pila e irá de 24 de janeiro a 19 de fevereiro.

Fica a torcida para que estes campeonatos tenham sucesso, ou ao menos que sejam razoavelmente bem-sucedidos para que possam fomentar uma seqüência de torneios locais.
Isto porque, nos casos dos times do interior, é útil de várias maneiras. Primeiramente porque revive a velha rivalidade. Deixa as direções dos times mais alertas e trabalhando mais intensamente. Também serve como preparação para a competição oficial, já que nesta época sempre procuram por amistosos, além de que, com sorte, pode-se ter uma boa renda para dar uma reforçada no livro-caixa.

E estas duas tradicionais praças desportivas voltarão a ter suas peleias locais em 2009, mas inclusive na capital já foi realizado este tipo de torneio, a última vez que ocorreu foi em 1972. Não teria, a dupla Gre-Nal, huevos para encarar um simples citadino de começo de ano também?


Abaixo a lista de Campeões*, em Bagé, e logo depois a lista rio-grandina:

Citadino de Bagé:
1918 - Guarany Futebol Clube
1919 - Guarany Futebol Clube
1920 - Guarany Futebol Clube
1921 - Guarany Futebol Clube
1922 - Grêmio Esportivo Bagé
1923 - Não Houve (
Revolução de 23 - foram praticar o verdadeiro esporte favorito: guerra)
1924 - Não Houve (Revolução de 23)
1925 - Grêmio Esportivo Bagé
1926 - Guarany Futebol Clube
1927 - Grêmio Esportivo Bagé
1928 - Grêmio Esportivo Bagé
1929 - Guarany Futebol Clube
1930 - Não Houve
1931 - Grêmio Esportivo Bagé
1932 - Guarany Futebol Clube
1933 - Grêmio Esportivo Bagé
1934 - Guarany Futebol Clube
1935 - Guarany Futebol Clube
1936 - Grêmio Esportivo Bagé
1937 - Grêmio Sportivo Ferroviário
1938 - Guarany Futebol Clube
1939 - Grêmio Esportivo Bagé
1940 - Grêmio Esportivo Bagé
1941 - Grêmio Esportivo Bagé
1942 - Grêmio Esportivo Bagé
1943 - Guarany Futebol Clube
1944 - Grêmio Esportivo Bagé
1945 - Guarany Futebol Clube
1946 - Guarany Futebol Clube
1947 - Guarany Futebol Clube
1948 - Guarany Futebol Clube
1949 - Grêmio Esportivo Bagé
1950 - Guarany Futebol Clube
1951 - Grêmio Esportivo Bagé
1952 - Grêmio Esportivo Bagé
1953 - Grêmio Esportivo Bagé
1954 - Grêmio Esportivo Bagé
1955 - Grêmio Esportivo Bagé
1956 - Guarany Futebol Clube
1957 - Grêmio Esportivo Bagé
1958 - Guarany Futebol Clube
1959 - Não se sabe o campeão
1960 - Guarany Futebol Clube
1961 - Guarany Futebol Clube
1962 - Não Houve
1963 - Não Houve
1964 - Guarany Futebol Clube
1965 - Guarany Futebol Clube
1966 - Guarany Futebol Clube
1967 - Não Houve
1968 - Não Houve
1969 - Guarany Futebol Clube
1970 - Guarany Futebol Clube
1971 - Guarany Futebol Clube
Grêmio Esportivo Bagé (1)
1972 - Não Houve
1973 - Não Houve
1974 - Não Houve
1975 - Grêmio Esportivo Bagé
1976 - Grêmio Esportivo Bagé

(1) Não houve decisão. Os dois terminaram empatados e foram declarados campeões.


Citadino de Rio Grande:
1913 -
1914 - Sport Club Rio Grande
1915 -
1916 - Sport Club São Paulo
1917 -
1918 - Sport Club São Paulo
1919 - Sport Club Rio Grande
1920 - Sport Club São Paulo
1921 - Football Club Riograndense
1922 - Sport Club Rio Grande
1923 -
1924 -
1925 - Grêmio Atlético Militar General Osório
1926 - Sport Club Rio Grande
1927 - Sport Club São Paulo
1928 - Sport Club São Paulo
1929 -
1930 -
1931 - Sport Club São Paulo
1932 - Sport Club São Paulo
1933 - Sport Club São Paulo
1934 - Sport Club Rio Grande
1935 - Sport Club São Paulo
1936 - Sport Club Rio Grande
1937 - Football Club Riograndense
1938 - Football Club Riograndense
1939 - Football Club Riograndense
1940 - Football Club Riograndense
1941 - Sport Club Rio Grande
1942 - Sport Club Rio Grande
1943 - Sport Club São Paulo
1944 - Sport Club Rio Grande
1945 - Sport Club São Paulo
1946 - Football Club Riograndense
1947 - Football Club Riograndense
1948 - Football Club Riograndense
1949 - Sport Club Rio Grande
1950 - Football Club Riograndense
1951 - Sport Club Rio Grande
1952 - Sport Club São Paulo
1953 -
1954 - Sport Club São Paulo
1955 -
1956 -
1957 - Football Club Riograndense
1958 - Sport Club São Paulo
1959 - Sport Club São Paulo
1960 - Football Club Riograndense
1961 - Sport Club Rio Grande
1962 - Sport Club Rio Grande
1963 -
1964 - Sport Club Rio Grande
1965 - Sport Club Rio Grande
1966 - Sport Club São Paulo
1967 - Sport Club São Paulo
1968 - Sport Club São Paulo
1969 - Sport Club São Paulo
1970 - Sport Club São Paulo
1971 - Sport Club São Paulo
1972 -
1973 - Sport Club São Paulo
1980 - Sport Club São Paulo
1987 - Sport Club São Paulo


Fotos:
Ba-Gua em 2006, realizado excepcionalmente no Estádio Passo D'areia (jornal Zero Hora)

O valor da Copa Sulamericana

No dia 27 de setembro de 2006, escrevi aqui no Puro Futebol sobre a importância da Copa Sulamericana. Cito a data porque até então, nem Inter nem Grêmio haviam vencido a competição. Agora como o Inter venceu, as análises se tornam tendenciosas em virtude da rivalidade, o que é normal, e o inverso também aconteceria se o Grêmio tivesse vencido.

Como sempre fui um entusiasta da Copa, escrevo em defesa da competição, não por que A ou B venceu, mas porque agora o assunto é mais pertinente e atual.

Um dos argumentos usados para diminuir a Copa, é que ela não leva a lugar nenhum. Um tremendo "vício de origem" presente neste argumento. Temos exemplos de competições que "não levam a lugar nenhum" e isto não é um fato que torne a conquista menor. Peguemos dois extremos: Gauchão e Mundial Interclubes não levam a lugar nenhum, em fria análise. No caso do Gauchão, mesmo considerando vaga à Copa do Brasil, o vice também conquista a vaga. No caso do Mundial, não lugar a ir mais além. E ambos, guardadas todas a proporções, são valorizados de acordo com suas grandezas. Ou seja, uma bobagem enorme exigir que um torneio tenha que levar a algo, necessariamente. Se um torneio é bom (lucrativo, exposição positiva, etc) pode sim, esgotar-se na própria conquista.

De outra forma, alguns torcedores comparam a participação na Libertadores com algo muito maior que a conquista da Sulamericana. O porém é que essa participação na Libertadores, só é maior que um título da Sulamericana, se a presença na Libertadores for exitosa. O próprio Inter, com a participação pífia de 2007, jamais trocaria aquela simples participação pelo título deste ano.

Em termos financeiros, as premiações são bastante interessantes, podendo ser ampliada com a conquista do torneio contra o Campeão japonês. Nesta conta também entram as cotas da televisão, o aumento nas vendas de artigos do clube, aumento do número de sócios (ou no mínimo a manutenção dos atuais), e quando há ingressos a serem vendidos, lucros de bilheteria.

Na parte de divulgação da - palavra da moda - "marca do clube", é também muito vantajoso. Desde as semi-finais, as partidas são transmitidas para mais de 60 países ( e isso não é pouco). Sites do mundo inteiro divulgando partidas e principalmente o campeão, não só nos dias de jogos mas nos dias que antecedem as decisões.

No futuro, fica para o clube, uma partida no Japão (mercado muito cobiçado pelos grandes clubes brasileiros), a manutenção de um ciclo de decisões internacionais, a certeza de já estar envolvido e em exposição em outra decisão internacional através da Recopa (com mais plata entrando e mídia) do ano seguinte, além, obviamente, do próprio caneco armazenado na sala de troféus.

Subjetivamente ainda tem a auto-estima da torcida engrandecida, o entusiasmo, diminuição da pressão por grandes títulos, maior poder de negociação junto aos patrocinadores (atuais e futuros), e por aí vai.

Já vi gente escrevendo que a Sulamericana já foi ganha por equipes de menor expressão (Cienciano e Arsenal), e na hora de argumentarem, citam tais equipes ( e eu estou citando novamente), mostrando justamente a fragilidade do argumento: só citam estas equipes exatamente por terem vencido a Sulamericana, de outra forma não estariam sendo citadas. Isto mostra que há valorização do clube, tenha o tamanho que tiver.

No site da Fifa (
via Clic RBS), a competição é tratada como similar a Copa da UEFA. No site da Conmebol, a entidade coloca Inter e Boca como os maiores campeões da América do Sul. Em fóruns pela Argentina e Brasil, o Inter é comentado e elogiado. Não há como negar a importância da Copa Sulamericana, que mesmo menor que a Libertadores, é o segundo torneio em importância do continente. E a final deste ano só fez valorizar esta Copa. A mística da grande final, o jogo tenso, entrega total das equipes, prorrogação, o gol dramático do título e a consagração.

É certo que a rivalidade tem muito a ver com essa tentativa de depreciação, o que é normal, só não dá pra emburrecer por isto.

Talvez a conquista do Inter acelere o envolvimento dos clubes brasileiros na Copa Sulamericana, o que seria bom, principalmente para os clubes.
E mesmo que todos os argumentos acima não sejam suficientemente convincentes, lembrem de como os brasileiros tratavam a Libertadores até os anos 80. Depois que foram correr atrás, quando outras equipes (argentinas e uruguaias) já empilhavam títulos. A Sulamericana, principalmente se manter o critério técnico de classificação, diminuir o número de vagas por país e já começar em fases de grupos internacionais, seguirá o mesmo caminho da Libertadores. Será primeiro conquistada várias vezes por times estrangeiros (a Argentina já possui 4), até que os clubes brasileiros resolvam parar de rasgar dinheiro e prestígio.


Foto: Jornal O Estado de São Paulo (www.estadao.com.br)

Um domingo sem futebol

"Portanto, deixando de lado as observações judiciais, vejamos como se procede a observância do Dia Sagrado para o fanático. O dia sagrado determina que nenhum trabalho mundano deve ser realizado. Se então você cessa de todo emprego secular e não faz nada mundano ficando livre para ocupações futeboleiras, vai à cancha, ouve a torcida enaltecendo o clube, pensa sobre coisas divinas, preocupa e espera o futuro, têm diante de seus olhos a decisão próxima e não se importa com as coisas presentes e visíveis, mas com as coisas invisíveis e futuras, esta é a observância do Domingo sagrado do torcedor."*
*Adaptado de um
texto religiososo.


Um domingo é um domingo em qualquer lugar do mundo. Para os que têm a ida ao estádio tão sagrada como a ida à Igreja para os cristãos, o domingo, além de tudo que o domingo pode ser, é dia de futebol. Mas não o futebol da TV ou dos outros times. Se o teu time não joga no domingo, é um domingo sem futebol. Exceções feitas a jogos de Copa do Mundo que, além da óbvia importância, guardam como consolo que o mundo inteiro vive, nestes casos, um domingo sem futebol.

Ainda agora lembro dos domingos da adolescência, quando acordava lá pelas 13 horas, almoço com a família (algumas vezes desfalcado da presença de meu pai, que já se encontrava no estádio, possivelmente na preleção), e rumava para a Pedra Moura, subindo a Salgado Filho, passando por um escritório de contabilidade que todo domingo de jogos do Bagé, colocava uma bandeira jalde-negra no alto do prédio, depois atravessar a Praça das Carretas e finalmente chegar na Líbio Vinhas, no “arrabalde do Menino Deus”, e ficar mirando o número de carros estacionados nos arredores para fazer uma estimativa do público da tarde. Mais perto do estádio, vislumbrava as três bandeiras tremulando (e sempre estão tremulando em dias de jogo): Brasil, Rio Grande do Sul e Bagé, com seu sol que irradia amarelo e preto desde o canto superior (GEB!), e se espalha pelo pavilhão. No portão (seja de sócios ou da arquibancada), sempre aquele tumulto, por menor que seja a partida: venda de ingressos, produtos, alimentos e - principalmente - os pedidos de ingresso gratuitos e as juras de alguma ligação com o clube (que por motivos misteriosos dariam direito a entrada franca). Alguns levavam...
Depois, é claro, o futebol. Futebol!

Esse era e é, um domingo de futebol, verdadeiramente. Não esses de finais e decisões pela TV, nada contra eles, acompanho da mesma forma, mas são incomparáveis. Os da TV, embalados a vácuo e insossos; os do campo, saborosos, daqueles que engraxam os dedos e o bigode.

Por isso tem algo de (muito) melancólico um domingo sem futebol. Mesmo que o futebol salte por todos os lugares, pela rádio, pela internet, com o Jader Rocha em imagem congelada desde Salvador atrás do Grêmio (neste exato momento, na TV Com)... Mas isso é domingo de futebol para eles, não para nós.

Como sou torcedor do Bagé e resido a uns 220 quilômetros da Pedra Moura, meus domingos de futebol se tornaram mais raros ainda. Salvo quando volto ao pago, ou quando o meu time anda por aqui, a maioria dos domingos é sem futebol, e hoje é mais um deles. Mas hoje é duplamente sem futebol, porque além de estar longe, mesmo que estivesse na cidade, não haveria futebol.
Mas para os dias em que o Bagé está em campo, para mim é um domingo de futebol, graças a internet. Pode parecer paradoxal, mas com o meu time em campo, nada é insosso, e até criei certo “ritual” para acompanhar os jogos, ainda que via computador. Mesmo de longe, também almoço cedo, porque barriga cheia na hora da tensão não é nada agradável. Verifico a transmissão on-line da digna e valorosa Rádio Clube de Bagé, (a única das 6 emissoras da cidade a acompanhar os jogos da dupla Baguá) e a partir das 13 horas já fico conectado. No horário do jogo, um maço de cigarros fechado, cinzeiro, isqueiro e o aviso de “não perturbe” no semblante. Não é de engraxar os dedos, mas é um domingo de futebol, mesmo longe da terra.

E hoje que é um dos domingos sem futebol, assisto Cerâmica x Novo Hamburgo na TV (bom jogo, já na segunda etapa), mas o domingo está tão com cara de domingo, que fiquei com vontade de vir até aqui e escrever sobre os domingos de (sem) futebol.

Aos que podem ter um domingo verdadeiramente futebolero hoje: aproveitem, no nosso caso, nem todo o dia o templo está aberto.




Foto: Flickr, autor: rsapa57
top