Um verdadeiro amistoso

Escrevo esta postagem, principalmente, como uma maneira de prestar um serviço à memória do futebol, ao menos no que tange a internet, já que na época do ocorrido, as publicações bageenses não eram “upadas” para a rede. Então, a partir de agora, espero que quem procure pelo jogo abaixo relatado na internet, chegue pelo menos a este texto, que apesar das falhas da memória, já é alguma coisa.

O ano é 1994, e o local é o estádio da Pedra Moura.
Os dirigentes de Bagé e Guarany organizaram uma rodada dupla, na qual as equipes locais enfrentariam duas equipes de Montevidéu. Ao Guarany tocou enfrentar o Sud América, naranja, e o jogo de fundo seria Bagé x Miramar Misiones, la zebrita.

O primeiro jogo começou às 15h30min, e transcorreu dentro da normalidade. A partida entre Bagé e Miramar Misiones começou quando já caia a noite. Era uma noite muito fria, com o vento ajudando a aumentar o frio e uma garoa miúda de congelar ossos.
Neste cenário começou o prélio amistoso internacional.

O frio era tão intenso que desestimulou a torcida do Guarany a apoiar os adversários do Bagé e se retirou em sua maioria, numa atitude sensata.
Para quem não conhece a Pedra Moura e nem as rodadas duplas, uma breve explicação: em algumas situações, como nestes dois amistosos, ou quando Bagé e Guarany reformaram seus gramados, ocorreram a rodada dupla: o rival fazia a preliminar e o dono da casa fazia a partida de fundo. Neste tipo de rodada, quem era beneficiado também eram os times visitantes, que passavam a contar com inesperada e ardorosa torcida, ocasionando um verdadeiro Ba-Gua, ao menos nas arquibancadas.
Ocorre que na Pedra Moura, a torcida adversária fica na lateral oposta ao “pavilhão social”, sem nenhuma cobertura. E este pavilhão é a única área coberta do estádio.

Voltando ao jogo, começada a partida, eu e meu irmão (na época eu com 16 anos e ele com 11) estávamos no lugar que costumávamos assistir sempre os jogos: atrás da casamata adversária (hoje em dia não existem mais as casamatas, que foram destruídas na reforma de 2004, mas na foto abaixo vocês podem observar como era antigamente):

Neste local do estádio podíamos externar toda a nossa paixão jalde-negra, estranhamente contra os adversários que ficavam por ali, a poucos metros do primeiro degrau da arquibancada. Mas como contei no começo do texto, caía uma chuva miúda, que era quase neve, mas quando apertava virava chuva mesmo. Pensando nisto, “subimos” para o pavilhão, como a maioria que estava lá naquela noite.

O jogo ia bonito, apesar de ser um amistoso internacional, estava com toda a cara de Gauchão. O campo estava virado numa mangueira, e os jogadores não tratavam o jogo como amistoso. Muita correria, chegadas ríspidas, carrinhos e toda a sorte de golpes lícitos e ilícitos.

E a coisa ia assim, acirrando os ânimos, esquentando os torcedores naquele gelado inverno e tornando a partida uma decisão Rio Grande do Sul x Uruguai.

Até que lá pelas tantas, já no segundo round, uma falta para o Bagé, uns 35 metros da goleira, mas frontal.

Um jogador do Bagé, de apodo Capincho, pega a bola para cobrar a falta. Arruma o balão no chão, e se levanta, com aquele jeito de quem ainda vai decidir se cobra direto ou se cruza na área. Mas neste momento, dá de cara com um jogador do Misiones muito perto do rosto dele. Não trocam, aparentemente, uma palavra sequer. Encaram-se. O jalde-negro empurra o “zebrita” forte, na altura do pescoço, e o desequilibra, como que arrumando espaço para cobrar a falta. Na volta do “desequilíbrio”, o jogador do Misiones já vem com o punho na frente, desferindo um soco no atleta jalde-negro.

O jogador do Bagé devolve o cumprimento, mas por cordialidade, adiciona um pontapé lateral. Ato contínuo, o jogador do Miramar “se bota”, e os dois continuam nessa troca de socos e pontapés. Claro que escrever sobre isto é lento, mas na hora foi rápido, e no momento que começou a ‘’trocação’’, ambas as equipes correram em direção à pugna que ali se instalara. A partir daí, é difícil relatar com precisão, porque além dos anos para embaçar minha memória, criaram-se muitos os focos pelo campo...e aí a briga começou.

Nesta altura, eu e meu irmão, comodamente instalados nas cadeiras da Pedra Moura, nos sentimos como traidores, enquanto a peleia ia solta, nós ali, longe da casamata dos “visita”, sem nem ao menos xingar. A resolução foi rápida: vamos para a tela. Para isto pulamos o muro que faz a divisa das sociais com a arquibancada, que se encontrava quase vazia naquele local, e outros torcedores, empolgados com o nosso gesto (quero crer), fizeram o mesmo. A Brigada, que estava em pouco número junto à tela, se assustou com a movimentação repentina, e partiu pra cima de nós, subindo os degraus em direção à pequena turba (em número e idade) com cacetetes em punho e com a intenção clara de liquidar com o nosso “aguante”. De qualquer maneira, das humilhações a menor, não tivemos que pular de volta para as sociais fugindo, mas ficou claro que não poderíamos sequer tocar na tela do gramado.

Em campo, o que havia começado com apenas dois jogadores, agora envolvia os 22 atletas e mais as duas comissões técnicas. Lembro de pequenos grupos de jogadores brigando quase isoladamente, como por exemplo, dois atletas do Bagé, segurando e dando socos em dois jogadores do Miramar, colocando-os contra a tela (bem no trecho em que a Brigada não deixava a torcida chegar perto).

Para não me perder em pequenos relatos de tantas brigas que ocorreram naquela verdadeira luta campal, relato um fato curioso, mas que mostra bem o tamanho da briga, e provo que esta sim, pode ser chamada de generalizada.

Nesta época, o Bagé possuía um massagista que pesava muito além dos 100 quilos. Ele foi um dos que tornaram a labuta “generalizada”.
Quando vemos, adentra ao gramado, correndo em direção ao grande círculo, o massagista, numa corrida desajeitada por causa do peso e do barro.
O alvo: um jogador do Misiones, obviamente.
A arma: um soco poderoso, capaz de botar a dormir um javali.
O fail : o castelhano se esquivou e o massagista, desequilibrado, girou sobre o próprio eixo, uns 180º. A consagração: sem intenção, o massagista quando já estava de costas para o oponente, não sustentou mais o equilíbrio, e acabou caindo em cima do uruguayo. Festa nas arquibancadas: o jogador adversário estava espremido entre o generoso peso do massagista e o gramado embarrado e o principal,fora de combate.
Sinceramente não lembro em que altura conseguiram, os mais calmos dentro de campo e a brigada, acabar com a contenda. Mas acabou.

Outro fato engraçado foi que, ao acabar a briga, um dirigente do Bagé “invade” o túnel do Misiones, mas com a intenção de pedir desculpas pelo ocorrido. Já estava indo em direção a um dirigente, que não sabia do final da briga, e ouve do uruguaio: “Não me dê! Não me dê!”. Teve que explicar a razão da visita.

Já estava programado que ao final da partida, o Bagé ofereceria um jantar ao Miramar Misiones, na AABB de Bagé. E o jantar ocorreu, e por incrível que possa parecer, com a presença de vários jogadores e dirigentes jalde-negros.

Meu pai sempre havia falado, que nas andanças como técnico já tinha enfrentado algumas vezes uruguayos, e de um comportamento particular deles. E isto se comprovou neste jantar: a briga foi dentro do campo, e por mais violenta que tenha sido, no jantar todos riam e celebravam. O tema predominante, claro, foi a briga de mais cedo, cada um contando seu ponto de vista, no mais autêntico portunhol. Ali sim, foi onde ocorreu o amistoso.

Bem, eu não fui nesse jantar, soube disso por quem lá esteve. Saí da Pedra Moura direto para casa (morava cerca de oito quarteirões do estádio, bons tempos). Ligo a TV, Jornal Nacional* no final e qual minha surpresa: revejo o giro matador do massagista do Bagé, em cadeia nacional. Só o Bagé...

O resultado do jogo, realmente não lembro (não foi o mais importante), mas perguntarei pra outras pessoas e faço a edição aqui. Mas que foi um baita jogo, foi.

* Tentei, há dois anos atrás recuperar esta filmagem através de e-mails para a Globo. Não consegui, por enquanto.

Segundona Gaúcha: rodada decisiva

Se na Chave 8 a última rodada será por laranjas e bergamotas, já que Porto Alegre e Cerâmica estão classificados antecipadamente para o quadrangular final com 10 pontos, contra seis do Glória e 1 do TAC, na chave 7 tudo é incerteza.
Na penúltima rodada deste quadrangular semifinal ocorrida nesta fria noite de julho (ao final da partida em Farroupilha, os termômetros apontavam -2º graus), o Pelotas foi a Farroupilha e perdeu por 1 x 0 para o Brasil, gol de Gavião. No outro jogo o surpreendente Panambi deixou escapar a classificação antecipada ao empatar com o Riograndense em casa. Agora decide fora, necessitando ao menos de um empate na Boca do Lobo, contra um sedento Pelotas, que depende de uma vitória simples para se classificar para o quadrangular final, porque empataria em pontos contra o próprio Panambi, mas levaria vantagem no primeiro critério de desempate: número de vitórias. E o Riograndense também dependerá apenas de uma vitória simples contra o já desclassificado Brasil de Farroupilha, jogando em Santa Maria, nos Eucaliptos.
Ou seja, rodada de muito nervosismo para os 3 clubes envolvidos, onde as arbitragens terão muito trabalho.
Pelotas e Riograndense com a faca e a costela gorda na mão, mas não dá pra esquecer que a Segundona Gaúcha tem apresentado resultados surpreendentes, e que o Pananbi é um visitante que chega e se espalha (obteve a classificação para esta fase na última rodada, de visitante, contra o Aimoré, e empatou com Riograndense e goleou o Brasil-FA fora de casa nestas semifinais). A ver.
A rodada decisiva desta chave será realizada na próxima segunda-feira*, às 15 horas.


Classificação Chave 7:
1º - Panambi : 9 pontos (2 vitórias, saldo 4)
2º - Riograndense : 8 pontos (2 vitórias, saldo -1)
3º - Pelotas : 6 pontos (2 vitórias, saldo 1)
4º - Brasil-FA : 4 pontos (eliminado)

Última rodada:
Pelotas x Panambi
Riograndense x Brasil-Fa


* Isto porque o Brasil de Pelotas joga no domingo, em Pelotas, pela Série C do Brasileiro.

Foto: de arquivo, do blog
Futebol Pelotense.

Triste aniversário

Lá em Santana do Livramento, até há alguns anos atrás, existia um tradicional clube do interior do RS, e que contra o 14 de Julho, faziam o também tradicional clássico Gre-Qua. Mês passado, mais precisamente no dia 11 de junho, o Grêmio Santanense completou 96 anos de fundação. Mas um “cumple” meio estranho, para não dizer que não completou 96 anos. Sem festas, sem mobilização, e principalmente sem futebol, o que é muito para um clube nascido com o nome de Grêmio Foot-Ball Santanense.

Como maior feito de sua história, o Grêmio Santanense tem o título de Campeão Gaúcho de 1937 (equipe campeã na foto abaixo).

Mas acho feito ainda maior, um detalhe do uniforme do Santanense, mas que graças a muitos de seus jogadores e diretores, conseguiram através de campanhas dignas, fixar esta marca inconfundível: apesar de ter “Grêmio” no nome, e possuir as cores alvi-rubras (o que no RS poderia mais confundir ao “grande público” do que qualquer outra coisa), o clube possuia forte identidade, e bastava olhar aquele time de camisa vermelha, mas com mangas brancas entrar em campo, que ninguém tinha dúvida: era o Grêmio Santanense, e com esse detalhe se diferenciava de todos os tantos times alvi-rubros do Estado.

Os anos passaram para o Grêmio Santanense, assim como passaram-se os anos para a maioria dos clubes do interior do RS, especialmente os da metade sul do RS: ficou a tradição, foram-se os grandes times e o pior, vão-se os torcedores também. O massacre via sucursais da RBS TV pelo interior, como já foi comentado antes aqui no PF,é um dos maiores responsáveis, junto com o bom marketing de Inter e Grêmio nas cidades do interior. Não sei de números, mas aposto alguns reais que tanto Grêmio como Inter, separadamente, possuem mais sócios em Livramento, do que Grêmio Santanense e 14 de Julho somados, nas suas melhores épocas. E isto ocorre por todo o interior. Ainda não decifrei o que passa na cabeça de uma pessoa, para gastar tempo e dinheiro com um time de fora da cidade, que além disso é muito bem financiado por seus milhões de torcedores, enquanto os times de sua terra não recebem nada, vão à falência e acabam fechando suas portas em muitos casos. Isto só tem um nome: traição, deixar vendido, ser um “noveleiro do futebol”, que só acompanha a fantasia da TV, enquanto a realidade bate à porta, ali na arquibancada ao lado, clamando por torcedores, mas permanece vazia.

Na foto abaixo vemos ao fundo a torcida comparecendo em um Gre-Qua. Eram assim os campos do interior gaúcho. Hoje em dia, nem clássico tem mais. Crime hediondo contra o futebol.


O Grêmio Santanense, depois de algumas boas campanhas nos anos 90 na primeira divisão gaúcha, caiu para a Segundona em 1997, permanencedo por ali até o ano de 2003, quando desistiu da Série B e se licenciou, estando fechado até hoje.

Como não moro em Santana do Livramento, e nem tenho informações de lá, não tenho como saber os exatos motivos que levaram ao fechamento do Grêmio Santanense, mas mesmo não tendo conhecimento disso, dá para perceber que a manutenção desta situação é inacreditável. Não existirá um grupo de torcedores do Grêmio santanense disposto a encarar esta briga? Montar um time ao menos de juniores para ir aos poucos formando uma base seria uma solução viável financeiramente. Ir negociar com a prefeitura o combustível das viagens (a gente sabe como são onerosas as viagens para os clubes do interior) e batalhar algumas empresas que se comprometam com o clube. É muito fácil para estas empresas irem pro interior, de lá retirar seu justo lucro, mas não se comprometer em nada com as coisas da cidade. E na hora de patrocinar o esporte local, nada, é tudo para os mesmos de sempre.

Um triste aniversário este do Grêmio Santanense. Mais um ano fechado, chegando próximo o seu centenário. Em Livramento, o 14 de Julho ainda luta, na raça, para se manter em atividade, pois sofre de todas estas dificuldades também. Torço para que se mantenha sempre em atividade, e que um dia possa enfrentar o velho rival, num Gre-Qua em que a cidade pare, dentro de um dos estádios, e não na frente de uma TV.



Para finalizar, deixo um texto que encontrei na pesquisa para esta postagem, de alguém com muito mais propriedade, porque além de ser jornalista e escritor, é filho da terra, ainda que ardoroso torcedor do colorado da Capital: (publicado no

jornal A Platéia)

"
Emoção e Saudade *
Há poucos dias, conversando com um conterrâneo residente em Porto Alegre, perguntei-lhe se poderia ajudar na localização de fotos de época do time do Grêmio Santanense. Ele prometeu ajudar, sem muito entusiasmo.Meu interesse em relação a tarefa que me impus segue inalterado, embora os resultados tenham sido modestos. A razão do meu interesse não é a do colecionar de revistas antigas nem a do filatelista obsessivo na localização de selos. Ou do historiador acadêmico que se abraça com os livros para aumentar os títulos de sua obra e obter mais prestígio junto ao seus pares.Meu interesse na localização das fotos de época do Grêmio Santanense tem a vibração energizante do sentimento amoroso..É compreensível. Mesmo que eu me entregasse ao exercício masoquista de ocultação do passado, para me jogar por inteiro na caudal do presente, parte da minha adolescência vivida no espaço mágico da Vila Honório Nunes continuaria preservada. Não sou louco para matar a lembrança do guri espigado que sempre dava um jeito para se misturar com os freqüentadores mais ilustres do pavilhão de madeira do estádio e aplaudir as jogadas dos meus ídolos. Não sou idiota para jogar fora a foto em que apareço no meio de outros adolescentes que dividiam comigo o gramado de Honório Nunes, vestindo as camisas das divisões de base. Eu ficaria com o sentimento dilacerado por imenso prejuízo. Mas, voltando a obsessão pelas fotos de época do Grêmio Santanense. No fundo, o que desejo, se Deus me der forças para tanto, é escrever um livro, fartamente ilustrado, com a bela história do Grêmio Santanense, campeão estadual de 1937. Este, aliás, seria um capítulo escrito com especial esmero. Eu tentaria informar, na medida do possível, quem foram aqueles heróis do título, comandados por Ricardo Diez, mais tarde técnico do famoso Rolo Compressor, do Internacional, nos anos 40. As novas gerações de santanenses e amantes do futebol tem obrigação de ter estes nomes na ponta da língua: Brandão;Alfeu e Seringa;Gabriel, Mascarenhas e Pepe Garcia (Pasqualito); Sorro , Bido , Hortêncio Souza e Tom Mix. Até que o livro saia, ou não, dependendo das colaborações indispensáveis para a sua realização, lamento profundamente que o Grêmio Santanense viva na mais triste e desanimadora inatividade. O que terá acontecido com o Luiz Paulo Dutra, tão guerreiro, tão abnegado combatente do principal grupo de dirigentes do Grêmio Santanense de todos os tempos? O que aconteceu com outros torcedores do clube, que se conformam em ver por anos e anos o estádio fechado, sem que haja no seu interior nem mesmo a atividade risonha dos meninos das categorias de base? Tenho certeza de que na minha próxima viagem a Sant´Ana do Livramento a situação já será diferente. Se todos os torcedores mais velhos do Grêmio Santanense já se entregaram à corrosão do tempo, se já não vêem nenhum encanto no engajamento das atividades cotidianas, se já desistiram de ver o time entrando em campo com suas camisas vermelhas, que ao menos contem para seus filhos o que sabem a respeito da grande história do clube.Os jovens torcedores do Grêmio Santanense não vão me decepcionar. A eles cabe a tarefa urgente de erguer bem alto o pavilhão vermelho. O Grêmio Santanense não pode integrar o elenco de instituições que existiram e desapareceram na paisagem da cidade. O general José Antonio Flores da Cunha, que convenceu o Alfeu a atuar no Grêmio Santanense em 1937, está acenando lá de cima para dizer que concorda comigo. Ele gostaria de assinar seu nome nesta crônica calcada na emoção e na saudade
.”
* Kenny Braga
Fotos: do site Filhos de Santana, via blog Relíquias do Futebol.

Nossos queridos potreiros

Uma discussão que envolve os estádios gaúchos é a dimensão do gramado de cada estádio. Os torcedores discutem, puxam metros pra cá, metros pra lá, e assim vai.


Colaborou para esta curiosidade uma afirmação recorrente, emitida pelos ilibados comentaristas da RBS TV, que muitas vezes falam que o campo de tal time "é pequeno", o que dificulta, segundo eles, a prática do bom futebol quando Inter ou Grêmio jogam no interior. Aqui eu sempre tive esta dúvida: será que eles não confundem alambrado perto do campo, com a real dimensão do gramado?


Numa conversa com um amigo comentei sobre isto, e alguns dias depois ele retornou, através de e-mail, as medidas de vários gramados de alguns estádios do Rio Grande do Sul. O levantamento não tem rigor científico (apesar de ele ter tentado o máximo de exatidão, e também o fato de algumas marcações serem fracas), mas já é alguma coisa frente à desinformação gerada por discussões entre torcedores, medidas divulgadas por sites oficiais, wikipédias, etc. Quanto à precisão do Google Earth, cabe salientar que qualquer erro é reduzido em relação aos demais gramados, já que todas as medidas foram geradas pela mesma fonte.


E aí? Será que a dupla Gre-Nal realmente sofre com os tais "campos pequenos"? Será que o campo do XV de Novembro tem, além do ótimo gramado, medidas de uma quadra de futsal?


Lembrando que pela regra, o campo de futebol deve ter de largura entre 45 e 90 metros, e entre 90 e 120 metros de comprimento (em jogos internacionais estas medidas sobem para entre 64 e 75 metros de largura e entre 100 e 110 metros de comprimento).


Abaixo, alguns campos do Rio Grande do Sul[1][2].


[1]Qualquer correção, usem os comentários. Reclamações quanto às medidas, falar com Luciano Avancini, responsável por este erro contra o SEU time.
[2]Aqui as imagens foram reduzidas para melhor navegação.
_____________________________________________

Alfredo Jaconi


Antônio D. Farina





Beira-Rio




Bento Freitas




Estádio 19 de outubro



Estádio Alcides Santa Rosa



Estádio Aldo Dapuzzo


Estádio Boca do Lobo



Estádio Centenário




Estádio das Castanheiras




Edmundo Feix




Estrela D'alva






Florestal




Nicolau Fico




João Martins




Luiz de Medeiros




Passo D'areia




Santa Rosa




Zona Sul




Montanha dos Vinhedos




Olímpico



Pedra Moura




Sady Schmidt




Ulbra

Súmulas

O torcedor Luis F. Bavaresco fez um interessante levantamento de algumas súmulas do começo da segunda fase da Série B do Gauchão, na comunidade da competição no Orkut. Abaixo as súmulas por ele selecionadas (os grifos abaixo são meus).

Brasil 3 x 1 Rio Grande
''RELATO QUE APÓS O TÉRMINO DO 1º TEMPO DE JOGO, QUANDO EU E MEUS ASSISTENTES ESTÁVAMOS NOS DIRIGINDO AO VESTIÁRIO DA ARBITRAGEM, O DIRETOR DA EQUIPE SERC. BRASIL, O SR. LUCIANO DE OLIVEIRA ELIAS, SAIU DE UMA PORTA DAS IMEDIAÇÕES DO ESTÁDIO, VEIO EM NOSSA DIREÇÃO, GESTICULANDO GRITOU VÁRIAS VEZES AS SEGUINTES PALAVRAS "O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO SEUS CAGALHÕES, AQUI NO BRASIL PODEM TER CERTEZA QUE VOCÊS NÃO APITAM MAIS", O REFERIDO DIRETOR NOS ACOMPANHOU ATÉ A PORTA DE NOSSO VESTIARIO, REPETINDO VARIAS VEZES ESSA MESMA FRASE."

PANAMBI X AIMORÉ
"Não poderia deixar de ser informado que após o término da partida, adentrou ao campo de jogo um Senhor que não tinha ligação com os membros da Comissão Técnica que se encontravam relacionados para a partida e aos gritos assim se dirigiu a arbitragem: "VOCÊS VEM LÁ DE PORTO ALEGRE PARA ROUBAR DE NÓS AQUI.... TU SÓ DESTE 04 (QUATRO) MINUTOS DE ACRÉSCIMO, SEU LADRÃO E INCOMPETENTE!!!! AMANHÃ MESMO VOU LIGAR PARA A FGF E VOU ACABAR COM A TUA CARREIRA, SAFADO!!!!
Após consultar o Delegado da partida, fui informado que se tratava do Sr. DARCY DECKERT, Presidente do Clube PANAMBI, o qual pedi a BM que o acompanhasse para área externa e longe da porta de acesso ao vestiário. Não poderia deixar de salientar, que esta conduta foi isolada, bem como, não foi compatilhada por quaisquer membros da Comissão Técnica e demais jogadores."

Flamengo de Alegrete x Glória
''EXPULSEI NO FINAL DE PARTIDA, AINDA EM CAMPO , O JOGADOR DO BANCO N.16 LUIZ FERNANDO BORGES FREITAS DO FLAMENGO POR TER ELE INVADIDO O CAMPO DE JOGO E OFENDIDO O TRIO DE ARBITROS, "SEUS LADRÕES , FILHOS DA PUTA, VOCES TEM QUE APANHAREM ", O REFERIDO ATLETA AINDA CUSPIU NO ROSTO DO ASSISTENTE LUIS EUCLIDES CASTIGLIONE.EXPULSEI AOS 80" MINUTOS O TREINADOR DO FLAMENGO SR. CYRO GARCIA SOARES LEÃES POR TER ELE , DURANTE UM ARREMESSO LATERAL CORRIDO EM DIREÇÃO AO ASSISTENTE LUIS EUCLIDES CASTICLIONE E AOS GRITOS E GESTICULANDO FALOU : " FILHO DA PUTA , O QUE QUE TU DEU, SEU SAFADO, TU TEM QUE APANHAR." O REFERIDO TREINADOR AO FINAL DE PARTIDA INVADIU O CAMPO DE JOGO COM A NITIDA INTENÇÃO DE AGREDIR O TRIO DE ÁRBITROS, NÃO O FEZ POR QUE FOI CONTIDO PELA BRIGADA MILITAR, ANTES DE SAIR AINDA FALOU :" VOCES NÃO VAO SAIR DAQUI VIVOS HOJE, VOCES VÃO APANHAR AQUI NO ALEGRETE".

Porto Alegre x Cerâmica
''Aos 79 minutos exclui do reservado do Porto Alegre seu treinador, Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, que em altos brados exclamou:"_Quero falar contigo lá fora, depois do jogo, safado!" O mesmo já havia sido advertido por mim de forma verbal para que parasse com gesticulações exacerbadas e reclamações contra decisões da arbitragem.Após o término da partida, quando eu ainda estava no centro do gramado, esta pessoa saiu do seu vestiário e correu em alta velocidade em minha direção, e aos gritos, exclamou:"_Quero olhar bem pra tua cara e ver o que tu vai me dizer, seu filho da puta!Nós ainda vamos nos encontrar no estacionamento do supermercado e aí vai ser diferente!"
Devo dizer que os dois policiais militares que davam segurança para arbitragem, apesar de serem solicitados previa-mente que entrassem no centro do campo ao final dos dois tempos do jogo, se limitaram a observar o incidente da li-nha lateral do campo.O treinador do Porto Alegre teve que ser contido por seus próprios jogadores e funcionários.''

Santo Angelo x Lajeadense
''Expulsei de campo aos 56 minutos de jogo o sr. Rafael Castro camisa numero 9 , jogador da equipe do Santo Angelo e o sr Cristiano Pereira Beato camisa numero 5 , jogador da equipe do Lajeadense , por o senhor Rafael dizer as seguintes palavras: filha da puta , seu merda e empurrar o seu adversario senhor Cristiano que em ato continuo disse as seguintes palavras ao senhor Rafael: merda é tu , safado , louco e por empurrar o senhor Rafael , após as suas expulsões os dois jogadores retiraram-se do campo de jogo.''

Três Passos x Cruzeiro
''Aos 32 minutos de jogo, expulsei o atleta suplente do banco de reservas, sr. Tiago Fontoura Fernandes, N°17, do CRUZEIRO, por ofensa verbal, que no momento em que me aproximei do reservado de sua equipe, para pedir que todos ali tivessem um comportamento mais adequado para com o trio de arbitragem, fui surpeendido com a seguinte frase do referido jogador: "É só parar de roubar que a gente se comporta".
Após fim do primeiro tempo, adentrou ao gramado, por onde não sei, o presidente do TRÊS PASSOS, identificado como sendo o sr. VANDERLEI ALVES, que mesmo com a presença marcante da Brigada Militar, não se intimidou em chegar próximo ao trio de arbitragem e fazer inumeras ofensas verbais, do tipo: "_Tu não vai sair daqui vivo, seu sem vergonha, filho da puta"; "_Tu já me roubou uma vez, mas hoje não vai ser a segunda";
Com o auxilio da Brigada chegamos até nosso vestiário, e quando nos preparavamos para fechar a porta, o mesmo furou o bloqueio da Brigada, e disparou um ponta pé na porta do vestiário. Foi contido pelos policiais, e conseguimos fechar a porta. No nosso retorno para a segunda etapa, o sr Vanderlei Alves continuava dentro de campo, e no mesmo instante avisei o Comandante da Brigada pra que o mesmo fosse retirado de campo, caso contrario o jogo não reiniciaria. O referido presidente resolveu deixar o campo tendo o acompanhamento da Brigada, mas sem maiores problemas.''

Rio Pardo x Riograndense
''- Informo por pertinente, que após o término do jogo - 1º T., três pessoas sairam de dentro da porta que dá acesso ao vestiário da equipe local, e segundo informações da segurança (BM) um deles era o Presidente do Clube, Sr. TABAJARA RAMALHO, o qual aos gritos dizia: "OLHA PARA ESTA TORCIDA SEU LADRÃO... TU NÃO VAIS SAIR AQUI HOJE, POIS VAIS APANHAR MUITO". Nesta ocasião, a BM os escoltou para fora do campo de jogo;- Não poderia deixar de citar que após a expulsão do atleta da equipe local mencionada no campo "EXPULSÕES", o mesmo dirigente invadiu o campo de jogo, com mais duas ou três pessoas as quais não pude identificar, ficando o jogo parado por aproximadamente 03 (três) minutos, e, na sequência, solicitei a BM que deixasse 02 (dois) homens na porta do vestiário que dava acesso ao gramado, para evitar nova invasão.- Cabe ressaltar, que logo após a retirada do jogador agredido do campo de jogo para atendimento e a saída do jogador expulso, foram arremessadas 02 (duas) pedras ao campo de jogo, sendo que uma delas atingiu o joelho do atleta nº 04, Sr. DIEGO, do RIOGRANDENSE. As pedras arremessadas vieram do local onde estavam concentradas um número significativo de pessoas identificadas como torcedores da equipe do RIO PARDO, inclusive com instrumentos de percussão. As pedras citadas foram juntadas por mim, árbitro do jogo, e acostada a Súmula da partida.''

Panambi x Brasil
''Informo que aos 30 minutos de jogo foi EXCLUÍDO da partida o Médico da SER PANAMBI, Sr AIRES CARLOS M BERGER, pois foi solicitado sua presença no campo de jogo, para atendimento ao atleta de nº 3, da equipe SERC BRASIL, Sr THIAGO JOSÉ JAIR MARTINS, pois equipe SERC BRASIL, não possuía médico, e após ter atendido ao atleta discutiu com o goleiro da equipe da SERC BRASIL, com palavras, onde chamou o goleiro de Bobalhão, sendo excluído da partida.''

As súmulas das partidas podem ser encontradas no
site da FGF.
Foto: arquivo ClicRBS (jogo entre Inter-SM e Veranópolis, pela Série A, 2009)

Segunda Fase

E chegamos à Segunda Fase da Série B 2009. Diferentemente da primeira fase, agora as vagas para os quadrangulares das semi-finais são escassas, classificando-se os dois primeiros de cada grupo e mais os dois melhores terceiros colocados. Serão três grupos com seis equipes cada, caindo o critério regional, já que a composição dos grupos foi definida por critérios técnicos.

A Federação Gaúcha de Futebol tem o costume de seguir a numeração dos grupos de forma "cumulativa", ou seja, se na primeira fase tínhamos as chaves 1, 2 e 3, agora na segunda fase as chaves são 4, 5 e 6. Aviso para que alguém que não acompanha a Segundona mais de perto, acabe procurando inutilmente pelas chaves iniciais nesta fase.

Hexagonais da Segunda Fase

Chave 4


A chave 4 está formada com Bagé, Cruzeiro, Riograndense (SM), Rio Pardo, São Paulo e Três Passos. Com a credencial de boas campanhas na primeira fase, Bagé e Riograndense chegam forte neste grupo. O Cruzeiro, além de toda a tradição, começa a disputa com reforços importantes, como Gilian, que estreirá contra o Bagé. O São Paulo quase ficou de fora (apesar do 4º lugar na chave 1), obtendo a classificação na última rodada, corre por fora, mas se embalar pode repetir os bons públicos do ano passado no Aldo Dapuzzo, levando o time à classificação. O Rio Pardo, para um ano de estréia, fez uma boa campanha, chegando em 3º lugar no seu grupo e o TAC chegou em 5º, num grupo aparentemente difícil.

Chave 5


Formada por Cerâmica, Guarany, Lajeadense, Pelotas, Porto Alegre e Santo Ângelo.
Na chave 5 quem chega credenciado por uma ótima primeira fase é o Pelotas, que além disso vem se reforçando bastante, e hoje possui um ótimo elenco. O Porto Alegre chega como primeiro colocado de seu grupo na primeira fase, mas com pontuação menor que a do Pelotas. Do Guarany todos esperam uma segunda fase melhor que foi a primeira, já que recém agora os bons reforços já se encontram ambientados na equipe (entre eles Cássio e Alê Menezes). O Santo Ângelo classificou em 3º no seu grupo, mas o clube tem tradição recente de boas campanhas nas fases decisivas. Cerâmica fez uma campanha mediana (as expectativas eram maiores em virtude da campanha da Copa Lupi Martins do ano passado) e o Lajeadense, que antigamente sempre fazia bons times, entrou na última vaga de classificação.

Chave 6

Aimoré, Brasil (Fa), Flamengo, Glória, Panambi e Rio Grande formam a última chave. Na chave 6 quem chega com estampa de favorito é o Glória, melhor campanha entre todos os clubes da primeira fase, com 33 pontos e elenco numeroso e qualificado. O Aimoré também fez uma boa primeira fase, e chega para brigar por vaga, junto com o Brasil de Farroupilha que ultimamente tem sempre investido acima da média nos seus times. O vovô Rio Grande se reforçou, acabou como terceiro da chave 1, mas nos últimos jogos da primeira fase teve uma sequência de maus resultados, o último deles uma derrota exatamente para o Flamengo de Alegrete, que após empolgante início de campeonato, ficou com a última vaga da chave 1. O Panambi chegou com um honroso 4º lugar, vindo da chave do Glória.

Tabelas do 1º Turno:


Imagens das tabelas: site da Federação Gaúcha de Futebol

Jalde-negro é Campeão de Bagé

O jogo prometia e cumpriu. Era o quarto de uma série que começou lá em fevereiro. Dois deles seriam válidos simultaneamente pela Segundona gaúcha e citadino, como no caso de ontem. Nos jogos anteriores, dois empates e uma vitória do Bagé na Pedra Moura por 2 x 1. Portanto o Bagé jogava pelo empate para sair com o título da cidade.
O título de Bagé não era disputado desde os anos 70, o que dava um caráter mais especial à partida, e era um Ba-Gua (o 396) e tudo que o envolve.
Além do título, o Guarany buscava a reabilitação na Segundona, onde tem 10 pontos, e trouxe várias novidades, jogadores que disputaram a Série A este ano, como o goleiro Cássio e o atacante Alê Menezes, entre outros.

Antes mesmo do começo da partida uma boa notícia para o Bagé era transmitida pela Rádio Clube: teria que ser aberto um setor de arquibancada a mais para os jalde-negros, que esgotavam o espaço inicialmente dedicado para a torcida.


No primeiro tempo, mesmo que o empate já garantisse o título, o Bagé marcava forte a saída de bola, e dominava as ações ofensivas. Chegou a ter um gol mal anulado (segundo relatos), marcado por Dênio e uma bola que acabou no travessão.


Aos 36 minutos, em cobrança de falta ensaiada, o zagueiro Aguinaldo acerta uma bomba de fora da área, daquelas que não deixam dúvida que foi gol, para verdadeira loucura da torcida visitante.

Os jogadores comemoram junto aos torcedores, subindo no alambrado.

Na segunda etapa o domínio continuou sendo do Bagé, apesar do Guarany tentar equilibrar mais a partida, levando algum perigo em cobranças de escanteio. Mas o Bagé na maior parte do tempo mantinha a posse de bola, e evitando os perigos que o 0 x 1 pode oferecer.

A partir do momento que a torcida do Guarany começou a deixar o estádio (antes do final da partida), os jalde-negros começaram a puxar o tradicional "é campeão!", que seguiu sendo entoado mesmo depois do apito final.


Fim de jogo, começa a comemoração e uma rusga entre Aguinaldo e alguns (ou algum, não sei os detalhes nem os envolvidos, li a notícia no Jornal Minuano) do Guarany, mas que foi dispersada.
Festa dentro do Estrela D'alva, volta olímpica e taça entregue. O Bagé recupera a hegemonia na cidade e se torna o maior vencedor desta taça (até este citadino, os clubes estavam empatados em número de títulos).


Depois da partida os torcedores do Bagé partiram em direção ao centro da cidade, em carreata e lá na Avenida 7 de Setembro, comemoraram com "buzinaço" e músicas jalde-negras.
Espero que mantenham o citadino, não dá pra entender este intervalo tão grande que ocorreu em Bagé e em outras cidades do interior gaúcho. A cidade volta a se mobilizar pelo futebol local, e pela grande rivalidade, a festa é de título estadual e assim que tem que ser.
________________________________________________
Fotos*: mais uma vez colaboraram Fabiana Borges e Antônio João. Muito obrigado!
*A última desta postagem é de autoria de Bosco, do Jornal Minuano, de Bagé.

Segundona 2009 - 6ª Rodada

Não levem muito em consideração o título da postagem: tem times que jogaram hoje o sexto jogo, mas alguns têm sete.
No caso da Chave 1, o Bagé lidera com 13 pontos e seis jogos, por exemplo.

Falando em Chave 1 e no Bagé, neste domingo teve São Paulo x Bagé, no estádio do São Paulo, o Aldo Dapuzzo.
Como estávamos distantes em torno de uma hora de carro do estádio, nos deslocamos, eu, meu irmão, e nossas respectivas prendas, para Rio Grande. Um domingo de Páscoa de temperatura agradável e céu azul.




O estádio do São Paulo é bem fácil de achar, depois do trevo é só seguir sempre reto por uma avenida. No caminho através desta avenida, passa-se na frente do campo do rival Rio Grande (pena que não saquei foto), o estádio Arthur Lawson.


Apesar da fácil localização chegamos atrasados, lá pelos 10 minutos da primeira etapa, mas ainda a tempo de ver o primeiro gol do Bagé, que saiu aos 16 minutos, com Marcelo Rezende.

Uma coisa que nos atrasou mais foi que, como bons gaúchos, fomos (inocentemente) munidos de chimarrão e térmica, equipamento que foi barrado pela Brigada Militar (coisa que eu desconfiei que aconteceria e avisei...ao menos tive o prazer do "eu não disse?"). Acontece que o carro ficou estacionado a uns 300 metros do estádio...meu irmão acabou tendo que voltar, a gente ficou mas mesmo assim atrasou um pouco mais o ingresso no estádio.
Preço: 10 reais para homens e 2 reais para mulheres (ou um quilo de alimento não-perecível, informação que não tínhamos). Na frente do estádio o tradicional churrasquinho e latão da Skol por 3 reais. Dentro do estádio eu já imaginava que a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas já estaria em vigor, mas me alegrei ao ver um senhor com um generoso copo de cerveja. Vou ao bar, mas havia me esquecido desta possibilidade: cerveja sem álcool. Sem jeito. Pepsi por 2 reais.

Depois do primeiro gol o Bagé dominou todo o primeiro tempo, perdendo duas chances cristalinas de gol, uma delas a menos de dois metros da goleira do São Paulo, com o goleiro batido. O São Paulo ameaçava em chutes sem pontaria de longe, mas sempre perigosos, ainda que casualmente.




Fim do primeiro tempo, e sem a tradicional cerveja do intervalo para baixar "os nervos". Cigarrito e só (agora eu queria o mate que a esta altura já estava re-cevado no carro).

No começo do segundo tempo o São Paulo se mostra mais animado e parte atrás do empate. Num lançamento, um atacante rubro-verde entra na cara do gol, não resta outra alternativa a não ser o velho carrinho, dentro da área. Pênalti e gol do São Paulo, convertido pelo uruguaio Castillo, aos 7 minutos, para a alegria dos "Leões do Parque" e demais são-paulinos presentes.

Apesar do Bagé estar melhor na partida, uma coisa que sempre amedontra o torcedor é tomar gol de empate logo cedo, ainda mais na casa do adversário, que tem a torcida para inflamar os ânimos. Mas o Bagé soube contornar a situação e foi retomando o domínio que havia apresentado no primeiro tempo.

Algumas chances perdidas, erros no "penúltimo passe", mas o Bagé ia levando o São Paulo pra defesa. Depois de 2 ou 3 escanteios seguidos, no último da sequência, a bola vem baixa, Marcelo Rezende toca pra dentro da pequena área de letra ou calcanhar (eu estava longe do lance) e o avante Leandro Guerreiro (havia entrado poucos minutos antes) completa para dentro do gol, agora para alegria dos jalde-negros presentes no estádio, ainda que poucos, valorosos. Isso foi aos 25 minutos.
Depois disso o Bagé tratou de manter a posse de bola, alguma outra chance, até o derradeiro lance, uma falta para o São Paulo em que o bom goleiro Sandro foi para área do Bagé tentar o cabeceio. Quase chegou na bola, mas o goleiro do Bagé, Fernando, chegou antes e bem, no último lance da partida.



Em termos de Segundona, foi um jogo bastante calmo disciplinarmente, colaborando para isto a boa arbitragem de Rogério Espilman (auxiliado por Luís Peverada Fernandes e Cláudio Luís Gonçalves) que deixou o jogo correr um pouco mais e não ficou considerado cada choque uma falta, como muitos árbitros que têm esse irritante costume.
Cabe salientar a última cena dentro do estádio: antes desta partida tinha combinado com um grande torcedor jalde-negro de nos juntarmos no estádio. Conhecia ele só de internet. Acabei me apresentando abruptamente mas a cena que ficou na retina foi ver ele com dois pequenos guris, pelas mãos, ambos dignamente trajados com a amarela e preta listrada e de queixos levantados atravessando o estádio. Uns gurizotes valorosos, mas que talvez não tenham mais que 6 anos, e são Bagé. Isto é um enorme incentivo, para que continuemos nesta nossa luta, que nem solitária mais é. Temos a gurizada ao nosso lado. Ao Marcelo os parabéns e agradecimentos: uma nova geração jalde-negra surge. Independente de títulos, mas honrando as raízes.

_______________________________________

Uma ótima tarde de futebol e uma ótima vitória para o Bagé. Retornamos ouvindo o final de Flamengo de Alegrete e Pelotas, que empataram em 1 x 1, lá no Alegrete. Espero que todos tenham tido um ótimo domingo de Páscoa, assim como foi o meu. Eu que moro uns 220 km longe do "meu" estádio, quando tenho estas oportunidades fico pensando que existem poucas coisas melhores que um bom domingo de futebol. E também, na volta, pra completar, tivemos um mate com uma das melhores cevadas da história...duas horas e pico.


Das outras chaves, só tive contato agora, ao publicar a classificação:

Chave 1
1º Bagé 13
2º São Paulo 10
3º Pelotas 9
4º Flamengo 9
5º Rio Grande 8
6º Guarany-Ba 7
7º 14 de Julho 5
8º Farroupilha 2

Chave 2
1º Aimoré 11
2º Porto Alegre 11
3º Cruzeiro 10
4º Cerâmica 9
5º Rio Pardo 6
6º Brasil-Fa 5
7º São Gabriel 3

Chave 3
1º Glória 15
2º Santo Ângelo 14
3º Riograndense-SM 13
4º Panambi 11
5º Três Passos 9
6º Atlético-Ca 8
7º EC Milan 5
8º Lajeadense 3


Tabela completa,
clique aqui.
________________________________
Fotos: colaborou nos retratos e no envio por e-mail, Fabiana Borges. Gracias pela presteza na ajuda.
top