''Darseneros'' avançam

Na noite desta quarta-feira enfrentaram-se em Buenos Aires, San Lorenzo x River Plate de Montevidéu, pelas quartas-de-final da Copa Sul-americana. No primeiro jogo o San Lorenzo venceu o River Plate no Centenário, 1 x 0.
Portanto, o River precisava de uma vitória a qualquer custo e qualquer placar, que no mínimo ia levar a decisão para os pênaltis.

E foi o que o clube uruguaio conseguiu. Uma vitória por 1 x 0, no Nuevo Gasometro. Depois do primeiro tempo terminar empatado em 0 x 0, que servia aos “cuervos”, os uruguaios abriram o placar com Porta, logo no começo da segunda etapa. Kily González tentou atrasar para um zagueiro da equipe argentina, mas Porta interceptou, driblou outro defensor e chutou para o gol. A partir daí o San Lorenzo começou a atacar com mais ímpeto, tendo mais posse de bola, mas com poucas chances claras de gol. Aliás, a chance mais clara do jogo seria uma jogada de contra-ataque do River Plate, que estava bem na defesa, e desta maneira tentava o segundo gol. Assim foi a tônica da segunda etapa, bom jogo de futebol, apesar de não ter havido uma grande atuação do San Lorenzo. O River Plate, surpreendentemente até, pela falta de cancha em jogos deste porte, se postou bem, foi matando o jogo com toques na intermediária e prendendo a bola, “amorcegando” a partida, deixando tudo para a decisão por pênaltis.
E sendo assim, com o San Lorenzo ineficiente nas finalizações, a partida ficou no 0 x 1 para os uruguaios.

Aí entra em campo a transmissão do canal Sportv. Para que entendam o ocorrido, cabe explicar que no Sportv estavam passando ao vivo San Lorenzo x River Plate. Até aquele momento crucial do jogo e da competição. No Sportv 2, um amistoso entre Argentinos Jrs e Cruzeiro, jogo de despedida do Sorin. Para o Sportv 1, estava previsto na sequência da programação, o jogo Botafogo x Cerro Porteño, também pela “Sudaca”.
Por motivos que desconheço, o Sportv apostou que a partida de Buenos Aires se resolveria no tempo regulamentar. Então, a cada cobrança finalizada, a transmissão era interrompida por imagens do começo do jogo do Rio de Janeiro. Não dá para entender isto. Além da falta de planejamento (poderiam fazer este “duplex” no Sportv 2, onde passava um amistoso), não entendo como podem não priorizar uma decisão que está nos pênaltis para colocar no ar o começo de uma partida, sendo que as duas eram da mesma grandeza. Mas assim fez o Sportv, confundindo inclusive seu narrador, que chamou o Cerro de San Lorenzo, e entrava nas imagens do jogo do Rio de Janeiro ainda narrando o gol da cobrança anterior em Buenos Aires. Cenas inimagináveis para um canal especializado em esporte, que se dedica só a isto. Aliás, não é a primeira vez que o canal brinda seus assinantes com transmissões cortadas. Na decisão do campeonato argentino na metade deste ano, a transmissão foi interrompida (em seus minutos decisivos e finais) para que mostrassem uma premiação do campeonato mundial de judô. Não era uma luta final, mas uma premiação.

Voltando ao jogo (estou fazendo o que o Sportv fez), o River Plate já havia conseguido a primeira façanha: vencer em Buenos Aires e com o retrospecto negativo da derrota em Montevidéu. A segunda façanha, seria a classificação, mas faltavam as cobranças.

O River começou as séries dando impressão que não teria muito drama. Converteu os dois primeiros, e o San Lorenzo errou o primeiro. 2 x 0. Mas por fim, a coisa terminou empatada em 3 x 3, para desespero do Sportv, imagino, e dos 300 (segundo uma rádio uruguaia) torcedores do River que estavam no estádio. A partir daí, nenhum jogador do River errou. Foram mais oito cobranças (Sportv chora), os dois goleiros também bateram e converteram, até que Pintos, do S. Lorenzo bate e a cobrança é defendida pelo goleiro Luciano dos Santos. Festa uruguaia no Nuevo Gasometro (lágrimas e abraços na cabine de edição do Sportv),depois de um jogo digno das jornadas “coperas”, resultado histórico do River Plate, que agora se coloca nas semi-finais da Copa Sul-americana, esperando o vencedor de LDU x Vélez. Mas como disse o locutor da rádio uruguaia, sobre o próximo adversário do River Plate, após a decisão: “Que importa! Depois de vencer aqui em Buenos Aires, nada é impossível para esta equipe.”.

Aguante, River!

E no Rio de Janeiro, no jogo que o Sportv insistiu em lançar imagens interrompendo as cobranças de tiros livres diretos, Botafogo 1 x 3 Cerro Porteño. Os paraguaios seguem em frente também.

Foto: Agência EFE

La Doble Visera

Em novembro de 2006, foi publicado aqui no PF uma nota sobre o fim das atividades futeboleras na “Doble Visera”, estádio do Independiente de Avellaneda, até o final da sua remodelação. Depois de quase 3 anos, os rojos voltam a jogar em casa, com o estádio “Libertadores da América” reformulado. Ainda existem etapas a serem cumpridas, mas na noite de hoje o Independiente se reencontrou com a torcida, em sua casa.

É interessante observar que em muitos casos, o estádio de determinado time, por sua história, se torna coadjuvante , no mínimo, quando contada a saga do clube. Apesar dos apelos da modernidade, mesmo que alguns destes sejam justos, um estádio com história nunca deve ser desprezado. Não raro, um estádio é o time.

A famosa cancha do Independiente começou a ser elaborada nos anos 20, já que o clube precisava de um novo local para seus jogos. Seria a terceira sede do clube, fundado em 1905. Pensaram num grande estádio porque já nos anos 20, o Independiente colocava dez mil expectadores em clássicos locais. O projeto, portanto, deveria ter também isto em vista.

A compra do atual terreno não foi fácil (foi pago em 72 prestações), incluindo negociações com proprietários de famílias “racinguistas”, torcedores do rival.


Uma curiosidade, é que o projeto vencedor, do engenheiro Federico Garófalo, previa um pavilhão igual ao da tribuna do hipódromo do Rio de Janeiro, recém inaugurado na época. Segundo o Olé, através do historiador Claudio Keblaitis:
“La intención era construir una estructura de 157 metros de largo, 35 escalones y 28° de inclinación. Totalmente techada. Una construcción novedosa: una visera curva, doble... De cemento...”

Ainda como hoje, os abnegados do Independiente sofriam problemas com os rivais do Racing: enquanto a torcida do rojo colaborava durante o dia com materiais para a empreitada, à noite torcedores do Racing os subtraiam. A coisa acabava em tiros, inclusive, o que obrigou o Independiente a construir muros e contratar um ronda:
“La gente de Independiente llegaba con carros de tierra para rellenar el terreno. Y por la noche, aparecían los de Racing, con chatas, para robárselos. Terminaban a los tiros. Hubo que alambrar el predio y pagarle a un sereno".

Esta terra era necessária para nivelar o terreno, e também para aterrar, já que era uma área de charco (de apelido ‘’El Pantano de Ohaco’’). Somado a isto, a intenção era contruir um estádio de cimento, o que naquele local, era mais difícil ainda. Mas a chuva colaborou para que os depósitos de terra fossem nivelados. Estava aterrado “el Pantano”.

Depois destes e outros percalços, o Independiente inaugurava sua cancha, em 4 de março de 1928, num 2 x 2, contra o Peñarol, frente a 35000 torcedores. O terceiro estádio “de cimento” da América do Sul e um dos maiores.






Passado os anos, “La Doble Visera” presenciou o Independiente finalista em sete títulos da Libertadores, 2 vezes conquistar o Mundial Interclubes, e inumeráveis partidas lendárias. Casualmente ou não, estas vitórias vieram após a remodelação que ocorreu em 1960. Da mesma maneira que a “modernidade” pode ser nefasta a um clube, muitos são os exemplos de clubes que atingem outros patamares mais altos, após investir no seu estádio. Temos exemplos aqui mesmo, no Rio Grande do Sul.




Hoje o Independiente, depois de quase três anos, retornou para sua casa, com vitória: 3 x 2, diante do Colon. Como nos anos 20, a empreitada foi alvo de dúvidas e piadas, não infundadas, porque as dificuldades eram muitas. Mas pela segunda vez, a Avellaneda não tem exatamente uma nova cancha, mas um novo estádio. Se pode perder algo de sua história, com o novo “Libertadores da América”, por outro lado cria uma expectativa em seus torcedores, inclusive olhando para 1960: é de se perguntar o que poderá ocorrer nesta nova fase do Independiente, numa “Doble Visera” remodelada, mas que sempre carregará a história desta legendária cancha.

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Fotos: Deportivo Olé e Claudio Keblaitis


Fonte: Deportivo Olé, Wikipédia Hispânica e Site Oficial do Independiente.

Ainda sobre o estilo gaúcho

A discussão é inesgotável. E aproveitando que estamos na Semana Farroupilha, voltamos ao tema: o estilo gaúcho de jogar futebol, ou ainda, se existe um estilo gaúcho.

Na quarta-feira desta semana, David Coimbra escreveu na Zero Hora a respeito de Oswaldo Rolla (Foguinho), que segundo Coimbra, foi “ quem instituiu o chamado futebol-força no Estado”.

Na sexta-feira, Luís Felipe dos Santos, do Impedimento, fez uma réplica ao texto publicado na Zero Hora. Para Luís Felipe, a pegada gaúcha foi ensinada por Vicente Feola: “Vicente Feola estava aí, nos ensinando como ter “pegada” e “garra” desde 1958. Demoramos quase vinte anos para aprender.”.

Recomendo que leiam os dois textos acima, porque são textos muito bons, mas também para que não fiquem fora de contexto, as frases retiradas dos dois artigos, utilizadas no trecho anterior.

Como dar pitaco é grátis, vamos lá.

No início dos anos 2000, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo já perguntava, também através da Zero Hora, meio que duvidando, de onde viria esta “receita” que tornaria o estilo gaúcho algo tangível. Uma idiossincrasia regional ou mito? Veríssimo sutilmente ironizava, perguntando se esse traço se dava através do hábito do chimarrão, já que naquela época, assim como hoje, a maioria dos jogadores da dupla Gre-Nal era nascida em outras querências.

Neste tipo de discussão surgem alguns vícios de origem, como diria algum bacharel recém-formado.

O primeiro é que, da mesma forma quando algum gaúcho aborda o separatismo, de maneira infundada ou não, ocorre que para o interlocutor, soa como uma espécie de acusação: se “eles” pregam secessão, logo, nos consideram inferiores. Mas o contrário poderia ser real também, dependendo do ponto de vista. Entretanto, normalmente soa como soberba mesmo, e daí os vários desdobramentos.

O segundo diz respeito a uma figura de humor, mas de traço ideológico, que é considerada um sinal de inteligência, que é a auto-depreciação. Que de maneira quase inversa, torna qualquer tipo de ‘’defesa’’ de uma identidade, seja qual for (e mesmo no futebol), um bairrismo simplório, fora acusações mais sérias, que remetem, também, à ideologias. Se não te deprecias, bom sujeito não és...(ainda mais sendo gaúcho).

O terceiro, e não menos importante, refere-se ao ‘’pai da criança’’. Para quem considera o futebol-força uma “brucutulidade” hedionda, então os inventores desta aberração residem bem longe da casa dele.
Já para os que pensam que o futebol-força, de resultado, etc, seja a essência do futebol, então estes dirão: - surgiu, na verdade, no pátio da casa do meu avô, num gol a gol em 1922.

A discussão é infindável também por isto: carência de boas fontes, total ausência de vídeos e, hoje em dia, nem testemunhas oculares temos daquele princípio de futebol.
Como podemos saber, se um repórter do Correio do Povo, de Porto Alegre, ao reportar uma partida como “normal”, na verdade não presenciou um jogo de alta rispidez? Para ele, normal, mas para nós, com a visão de hoje, poderia ser extremamente futebol-força, ou futebol-arte, ou nem futebol.

A respeito dos vídeos, muito poderiam elucidar. Mas normalmente servem para confundir, pois são poucos, mas utilizados como prova cabal (até por sua raridade). Eu não acredito, ao menos até agora, que um Brasil x Suécia, em 1958, fosse mais ríspido do que qualquer jogo do Gauchão no mesmo ano, por exemplo. E nem falo de esquema tático. Mas não imagino um jogo de tal pompa, tendo as mesmas características de um jogo de Gauchão, mesmo em 1958. É algo como imaginar um Brasil x França nos dias atuais, disputado da mesma maneira que um Bra-Pel ou Ba-Gua. Inimaginável. Por que na metade do século passado seria diferente? Na falta de prova mais substancial, fico com a comparação atual, mesmo sabendo que os jogadores hoje em dia, estão muito mais vigiados em termos disciplinares, fator que reduz a força empregada, inclusive nas jogadas consideradas “limpas”.

Sobre o Foguinho ter iniciado o ‘’futebol de resultados” por aqui, também tenho minhas dúvidas, como todos que não presenciaram os acontecimentos naquela época deveriam ter.
Foguinho, como jogador, enfrentou equipes do Interior do RS que faziam frente a Grêmio e Inter (Foguinho nasceu em 1909). Enfrentou times da fronteira, que eram considerados bons tecnicamente (segundo relatos, óbvio), mas que já eram chamados de “times aplicados”. O futebol começou no RS trazido por ingleses em Rio Grande, e na fronteira quem nos apresentou à pelota foram uruguaios e argentinos (Santana do Livramento, Uruguaiana e Bagé), e muitos deles tornaram-se jogadores dos times daqui. Essa influência é inegável. O que pode-se discutir é que tipo de legado deixaram: “arte” ou “força”, ou o nome que quiserem dar.

Fato é que, Inter e Grêmio tiveram como primeiros adversários, fora de Porto Alegre, estes times do interior gaúcho.
E é fato também que, geograficamente e em termos de números absolutos de torcedores e população, Grêmio e Inter não deveriam ter conquistado tantos títulos fora do Estado como conquistaram, isto baseando-se na observação de outras cidades relativamente semelhantes a Porto Alegre nestes quesitos, dentro do Brasil.

A resposta à pergunta de Luis Fernando Verissimo não está no chimarrão, ou no número de gaúchos que hoje compõe os times da dupla Gre-Nal, e sim com quem estes clubes aprenderam a jogar bola. Ou seja, no pátio de nossos avós, invariavelmente embarrados.

E afirmar que o futebol gaúcho, em geral, prima pela força ou “raça” não exatamente quer dizer que os outros não possuem estas características, ou que não há técnica por aqui.

Como disse Luís Felipe na bela postagem que publicou no Impedimento, não é preciso nascer em alguma cidade interiorana do Rio Grande do Sul para se ter ‘’raça’’ e virilidade num campo de futebol. Mas que ter nascido por estes pagos ajuda na hora de encarar um Ba-Gua de bota, espora e bombacha, isto é inegável:



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Foto: Jornal Minuano (Bagé-RS), sobre o polêmico e último ''Ba-Gua de botas, esporas e bombachas'', realizado em 1988 na Pedra Moura, com jogadores amadores, e árbitro "de a cavalo".

Clássico Eterno

Nasci alguns meses antes da Argentina ser campeã mundial pela primeira vez. O Brasil empatou em 0 x 0 num confronto também em Rosário, como o do próximo sábado. Depois a Argentina seguiu em frente goleando o Peru, o que até hoje rende polêmica pelo placar, e saiu campeã contra a Holanda.

A primeira Copa do Mundo que quase assisti foi em 82. Como tinha apenas 4 anos, não lembro de nada, a não ser que minha família assistia os jogos, e que sofreram com a eliminação frente à Itália. Alguns anos depois a imagem do Falcão comemorando o gol que marcou naquele jogo entrou num clipe de final de ano da RBS TV (aquele repetido à exaustão nos finais de outros anos, da música “Vida”) e meus pais ao verem a cena da comemoração no clipe ainda lamentavam, comentando que todo aquele esforço, infelizmente, não rendeu a classificação. Mas nesta Copa, eu não lembro do jogo, possivelmente nem assisti, enfrentamos a Argentina de novo. 3 x 1 para o Brasil, com expulsão de Maradona por uma solada em Batista.
Li na coluna do Falcão estes dias, que Maradona declarou que aquela solada era na verdade para Falcão, que estaria debochando dos derrotados (Falcão negou, dizendo que isso nunca foi seu estilo).

Já em 86 eu lembro de muito mais lances dos jogos e dos sentimentos. Havia ganhado uma camisa oficial do Brasil, uma linda camisa da Topper, na época em que dentro
do escudo estava a Jules Rimet, e um detalhe com um ramo de café.
Foi com ela que assisti aquele golaço do Josimar no 3 x 0 contra a improvável Irlanda do Norte e eliminação nos pênaltis (quartas-de-final, contra a França), sendo que durante o jogo, quando ainda estava empate, Zico, que havia entrado alguns minutos antes, perdeu um pênalti sofrido por Branco. Desde este jogo que detesto comemorações por pênaltis marcados, antes de serem concluídos.


Depois da partida fui para a casa do meu vizinho para jogar botão e encontrei o pai dele, que na época parecia ter mais de 2 metros de altura, debruçado numa estante, chorando a eliminação. Na final, Alemanha e Argentina. Jogávamos bola na frente de nossas casas, já sem o menor interesse pela Copa, mas na rua estreita ouvíamos os gols narrados na TV. Ia 2 x 0 para a Argentina, até que deduzimos que a Alemanha havia empatado pelos berros daquele vizinho que havia chorado a eliminação do Brasil dias antes: - Era disso que “precisávamos”! Era disso!
Não, ele não era descendente de alemães ou algo do tipo.
Mas no final não houve jeito, Burrochaga, num gol clássico, fez o 3º e definitivo tento platino, decretando a segunda e dolorosa eliminação do meu vizinho naquela copa.

http://www.youtube.com/watch?v=UeleVz86uKI

Desta copa também lembro das tradicionais figurinhas do chiclete Ping Pong. Hoje em dia acho que nem o chiclete existe mais.

Na Copa de 90, a seleção de Lazaroni encontraria a Argentina nas quartas-de-final. Mais sofrimento (por isso sempre digo que a geração pós-90 não está nem aí pra “selenike” muito em virtude da fartura de finais e títulos...antes era dureza). A história não conta, mas o Brasil foi muito melhor durante o jogo. Mas numa jogada genial, Maradona coloca Caniggia frente a frente com Taffarel (lembra do gol do Burrochaga?), e gol da Argentina. Aqui no Brasil falavam que Alemão, companheiro de Maradona no Nápoli, deveria ter entrado rachando e que não fez por ser amigo do argentino. Um golaço, além de tudo. Aquele gol eu senti mais que a eliminação nos pênaltis para França. Além de estar mais velho, a disputa por pênaltis meio que vai fortalecendo o couro em caso de derrota.
Mas aquele gol de Caniggia, não. Nos deixou atônitos. O replay, com a câmera de trás do gol, era como um soco na boca do estômago quando a bola batia na rede.

http://www.youtube.com/watch?v=2zENs7iALyg


Terminado o jogo, fomos jogar bola, meio sem vontade, comentando do jogo. Mas no começo dos 90 era assim que curávamos as tristezas futeboleras. Jogando futebol.

Brasil e Argentina são de tal forma envolvidos em termos de futebol, que até nas Copas que não se enfrentam, um acompanha o outro. Lamento por aqueles que hoje em dia acham Brasil e Argentina somente mais jogo, por causa do dinheiro, da falta de respeito de alguns jogadores, etc. Não deixam de ter razão, mas prefiro a nostalgia dos 80, revivida em lampejos como na Copa América de 2004.

http://www.youtube.com/watch?v=8txyy_PXQM8

P.S: tentei por várias vezes colocar os vídeos diretos aqui, mas o Blogger está dando problema, pra variar.

Fotos: do Google Imagens, em blogs que não citavam os autores.

A história de Álvaro


O zagueiro Álvaro saiu do Internacional e ontem se apresentou ao Flamengo.
Como a estupidez humana, o futebol raça do Bagé, e as declarações imbecis de boleiros não têm fim, Álvaro também tem o direito de dar seu pitaco:

- É um desafio para mim e isso cria motivação por tudo o que o clube representa. É quase uma religião. A história do Flamengo é muito maior do que a do Inter. Não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados do Brasil. Pressão é só um braço de tudo o que representa o clube. Para jogar aqui tem que ser grande e pensar como grande.

Para que todos fiquem a par do "diz-que-disse", dia 10 de agosto, o jornalista Wianey Carlet escreveu a versão dele sobre a saída de Álvaro.

Álvaro pode ter alguns defeitos, além da lentidão, mas extra-campo revelou-se como um profundo desconhecedor do futebol gaúcho, mesmo que possamos compreender a tentativa de fazer média com a torcida do Flamengo.

Sobre a declaração do supra-citado boleiro, além de eu desconhecer os parâmetros dele para mensurar a história de um clube, urge um esclarecimento, para os milhões de cariocas e fluminenses que sempre visitam este blog.

Álvaro cometeu o pecado de ser superficial. Tanto na frase, como na falta de conhecimento que mostrou na parte que declara: "A história do Flamengo é muito maior do que a do Inter. Não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados do Brasil."

Na tocante à história, cai muito no subjetivo, mas no trecho em que ele fala "em todos Estados do Brasil", Álvaro entra no campo do clichê, como bom boleiro que é, frequentador nato do Globo Esporte.

Lá pelos anos 90, a revista Placar fez uma pesquisa sobre as torcidas brasileiras (infelizmente não existe link). Elencou um título para cada resultado (Estado). O título do trecho sul-riograndense da matéria era: "Gaúcho torce pra Gaúcho", apontando Grêmio em primeiro lugar, Inter em segundo e nas colocações abaixo, times do interior gáúcho, para depois aparecerem os times de outros Estados, com menos de 1% da preferência.

O título da reportagem era porque, o RS, tornou-se o Estado com menor número de torcedores de clubes de outros estados. Algo beirando ao insignificante, que poderia ser facilmente imputado a moradores oriundos de outros estados residentes aqui.

Temos vários defeitos, inclusive citadinos abandonarem os clubes locais em prol da dupla Gre-Nal. Mas entre estes defeitos, não se inclui o de torcer para times de fora do Rio Grande do Sul.

O evangélico e boleiro Álvaro não sabe disso. Morou por aqui por vários meses e não aprendeu.
Claro, ele pode estar querendo fazer média, guardar mágoa do Inter, ou qualquer coisa do tipo. Mas de toda maneira, Álvaro não aprendeu que gaúcho pode até torcer por time de fora de sua cidade, mas jamais por um time "estrangeiro".
A história do Flamengo é respeitável, e José Roberto Wright corrobora. Mas no Rio Grande do Sul o Flamengo é isto: um brioso adversário. E convenhamos, não é pouco.

Álvaro, conheça o Rio Grande do Sul.

Havemos Papa na Segundona


Pelotas e Porto Alegre estão na Primeira divisão. O PF saúda as enormes torcidas dos dois clubes.
Mas sempre direi: a Segundona é o melhor do futebol gaúcho.
A primeira divisão é desejada, óbvio, mas é um dos piores campeonatos do país. Não vale nada para o interior, a não ser o orgulho de ver o rival na segundona. Mas quem vence a Segundona, merece os parabéns.
No final de semana, Pelotas e Porto Alegre decidirão o campeão (estão empatados em pontos). Mas os dois já estão na Primeira. Parabéns e sorte.
Como curiosidade, em Pelotas aconteceu duas vezes, recentemente: o Pelotas subiu exatamente no ano em que o Brasil caiu, assim como no ano em que o Pelotas caiu...o Pelotas sobe e o Brasil enfrenta a Segundona.





Imagens do vídeo retiradas destes sites:
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blog do Flamengo de Alegrete
http://futebesteirol.blogspot.com/ (o melhor blog de imagens e textos sobre a segundona Gaúcha, lejos)
http://imagensnarrativas.wordpress.com/
http://www.novohamburgo.org/
http://blogdorui.wordpress.com/
http://gafarroupilha.blogspot.com/
http://esportche.com.br/
http://www.esporteaqui.com.br/
http://w3.ufsm.br/
http://impedimento.wordpress.com/
http://www.sportclubriogrande.com.br/
http://www.diariopopular.com.br/
http://radiogaucha.clicrbs.com.br/
http://www.finalsports.com.br/
http://imagensfatos.blogspot.com/
http://www.gebage.blogspot.com/

Música: Miguel Figueroa - Abrazando mi pais (puro chamamé)

Não foi este ano, Brasil

Se o Brasil subisse para a Série B, não faria uma postagem "normal". Tinha pensado em apenas colocar uma foto do jogo de hoje e, obviamente, um título.
Como perdeu, resolvi escrever. Também esta não é uma daquelas postagens do tipo "força, Xavante!".
Mas resolvi postar na noite de domingo por alguns fatores.
O principal deles é que nestas derrotas doloridas é que se forjam torcedores verdadeiros. Obviamente, é muito melhor vencer. O futebol é também, e muitas vezes, principalmente isto: vencer.
O segundo motivo, é que para futebol do interior gaúcho, seria muito bom que Caxias e Brasil conquistassem a vaga na "B" nacional, ou ao menos um deles. Além do galardão da vitória, mostraria que é possível, no interior do RS, fazer futebol o ano inteiro, com torcida fidelizada, sem depender do Gauchão, e com ótimas receitas.

Não deu para nenhum dos dois.

Estava em Pelotas neste final de semana, e no
Laranjal vi uma galera com camisas do Brasil e bandeiras do Brasil de Pelotas, preparada para escutar o jogo. Algumas camisas do Pelotas (que vive ótima fase na Segundona Gaúcha), mas muitas (a maioria, em empate técnico com as do Brasil) camisas de Grêmio e Inter (adultos, adolescentes e crianças). Não eram estudantes de fora da cidade. São resultantes do "massacre" midiático. Há que se reconhecer a doença, para tratá-la.

Na volta para a "cidade", passei por um posto de gasolina e vi dezenas de xavantes sofrendo, juntos, e já ia 2 x 1 para o América. Ainda há futebol no interior gaúcho e não só em Pelotas, mas Pelotas é emblemática.

Escrevo para pouca gente, mas entre os leitores do blog, tem dois xavantes. Um eu conheço pessoalmente, outro é um que conheço pela internet. O segundo deles, está viajando de volta para Pelotas, viagem longa, e com essa derrota dolorida (eu já viajei assim, em outras circunstâncias, mas sei como demora esta viagem).

Obviamente, a parte áureo-cerúlea da cidade ficou contente, e com razão, pois rivalidade é isto. Jorginho e Alex, dois apaixonados áureo-cerúleos e meus grandes amigos também, devem estar contentes. Futebol é assim, e isso nos mantém....Bra-Pel, Ba-Gua, Rio-Rita, Ca-Ju.... Mas estão de olho na "A" do Gauchão, os lobos.

Mas que a subida do Brasil pra "B" do Brasileirão, justamente no ano em que caiu pra "B" do Gauchão, iria corroborar ''minha tese''...isto é fato.

Faltou o gol no Bento Freitas. Mas também faltou segurar o empate em Minas. Coisas do futebol.
E no futebol, sempre tem o ano que vem.

Não me iludo. Quarta-feira tem Brasil x Bagé pela Copa FGF. Provavelmente o Brasil entre com reservas, a torcida estará fazendo pouco ou nenhum caso, mas seguirá a história. Ao primeiro pontapé ou cotovelaço, estarão xingando o Bagé de "varzeano" e de "bagequino", assim como são nossos jogos contra o Pelotas.
Mas tenho certeza que hoje, através de Brasil e Caxias, o futebol do interior gaúcho perdeu junto.
Aos do Brasil que viajaram até Minas Gerais, meu respeito.
Aos que continuerem apoiando e peleando nesta luta desigual (grenás e rubro-negros), minha admiração.
2010 é logo ali,
diria Vanucci

Força, interior!

Receita simples para a Sulamericana

Sempre gostei da Copa Sul-americana e já escrevi isto aqui no blog, lá em 2006 e 07 (bem antes da discussão Gre-Nal sobre ela, na época em que todos gostavam da competição, ao menos aqui no RS). É uma Copa que nos possibilita ver times que não frequentam tanto as transmissões de TV (na primeira fase), sem abrir mão de vários grandes da América do Sul. Também há todo o clima de “Copa”, que só os ‘’mata-mata’’ proporcionam.

Mas a Conmebol insiste em colocar em prática algumas medidas que só fazem colaborar para o não “desarrollo” da competição.

Então, faço abaixo uma pequena e simples lista de sugestões para a Conmebol, e como acredito que Nicolás Leóz seja um leitor assíduo do PF, talvez sejam colocadas em prática já em 2010.

1) Critérios técnicos: Só garantem vaga para a Sul-americana os clubes que ficarem logo abaixo da última posição que dá vaga para a Libertadores, em cada país. Sem convites ou outros tipos de critérios políticos.

2) Número de vagas: O número de vagas para cada país até pode ser variável, mas não este absurdo que há hoje em dia no Brasil, por exemplo, onde um time tanto luta para não cair, como para pegar a última vaga da Sul-americana. A vaga deve ser privilégio e não prêmio de consolação. Para o Brasil, 3 ou 4 vagas estaria ótimo (do 5º ao 8º colocado do Campeonato Brasileiro, por exemplo).

3) 1ª fase por grupos: uma primeira fase em grupos de 4 times, por sorteio, e já internacional, acabando com estes jogos eliminatórios entre times do mesmo país.

4) Nomenclatura: a partir de agora, jamais mudar o nome da competição, e após escolhido o melhor semestre a ser disputada, manter a decisão.

5) Jogo pós-título: o campeão da Sul-americana disputaria um jogo contra o campeão da Copa da UEFA (competição disputada pelo mesmo critério e moldes).

6) Torcida: proibir a entrada na cancha de torcedores portando facas.

Uma Sul-americana nestes moldes teria a seguinte configuração em 2009:

Flamengo
Internacional
Botafogo
Goiás
Newells Old Boys
Gymnasia La Plata
Estudiantes
Arsenal
Defensor
Racing
Liverpool
Peñarol
Universidad Católica
O’Higgens
Everton
Colo-Colo
Nacional (Par)
Cerro Portenho
Guarani (Par)
Boyacá Chico
Santa Fé
Independiente de Medellín

E seguiria por aí...faltam ainda os times de Bolívia, Equador e Venezuela. E não esquecendo que os clubes, já na primeira fase, seriam sorteados por grupos, 4 equipes em cada grupo.

Quem quiser ler um texto que trata de como iniciou a competição este ano e seus defeitos, tem
um texto de Ubiratan Leal no Trivela. E quem quiser ler um almanaque atualizado de todas as edições, tem um muito bom no Bola na área, inclusive com o ranking histórico da competição.
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Foto: de Daniel Cassol, em
uma excelente postagem no Impedimento.
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