O Uruguai classificou pra copa?**

O Uruguai classificou pra Copa? No mais puro copeirismo atávico? Só estou esperando caírem em uma chave bem bacana, do tipo França, Portugal, Uruguay e Nigéria. Não que eu queira, mas é que...

A Centúria Celeste
Após ir dormir com a cabeça inchada por mais uma aviltante goleada sofrida pelo seu time do coração no semi-clássico regional, Cesinha acordou possuindo a Verdade Absoluta.Acordou num sobressalto, é bom que se diga.
Consciente do impacto que tal revelação causaria ao mundo, ao sentimento de paixão incondicional de cada torcedor, de cada time do globo terrestre pelo futebol em si, Cesinha cogitou omitir. Além do mais, a Verdade Absoluta era por demais grandiosa (afinal era a Verdade Absoluta) e, como toda a nova revelação revolucionária, haveria de ser desacreditada. É.
O melhor mesmo era calar-se para sempre.
O mais ajuizado, o mais sensato, o mais inteligente. E, por isso mesmo, Cesinha decidiu fazer a grande revelação.

Para isso, chamou seus dois comparsas e futuros difusores da Verdade Absoluta: Alex e Alemão. Sexta-feira, oito da noite, Mesa Magna da sala de reuniões (Snooker do Patinho, mesa de plástico da Polar) Alemão: Ó, Cesinha, espero que desta vez valha a pena, hein...

Alex: É! Da última vez em que falamos, tu vieste com aquela história de complô da Federação Gaúcha de Futebol pra beneficiar você sabe quem, e, quando perderam, ficou aí inventando mil desculpas...

Cesinha: É que eu tinha um bom informante... conheço um cara que é filho de um conselheiro do clube, e...

Alemão: (levantando) Eu vou embora!
Cesinha: Tô pagando a cerveja
Alemão: (senta-se rapidamente) Vou ficar só pra não dizerem que sou mau amigo.
Alex: Qual é o caso desta vez? Quem está armando contra teu time desta feita? O Talibã, a máfia soviética? (risos)
Cesinha: Russa! É máfia russa. Mas não, não tem ninguém querendo prejudicar o meu time, a não ser, é claro, os de sempre. Hoje vim revelar-lhes A Verdade.
Alemão: A verdade?
Cesinha: Não. A Verdade. Com maiúscula. A Verdade Absoluta.
Alex: Bom, então neste caso, que venha a primeira rodada!
Alemão: É!
Cesinha: Certo, certo (esfregando as mãos) ...Patinhô, uma Polar grande e três copos. Limpos, desta vez.

Sexta-feita, oito horas da noite mais quatro minutos, mesmo lugar mas agora com cerveja.

Cesinha: seguinte, eu fui dormir na noite passada um pouco chateado, devido aos acontecimentos...
Alemão (interrompendo) O sacolaço de 6x0 que vocês tomaram, de novo, do...
Cesinha: (cortando aos gritos) Cala a boca! Eu tô pagando a cerveja e vocês vão me ouvir!
Alex: Fala aí!
Cesinha: Hunpf...
Alemão: Deixa de frescura. Fala!
Cesinha: Todas as Copas do Mundo foram arranjadas!

É preciso dizer que Alex e Alemão levantaram ao mesmo tempo e foi preciso que o Cesinha, além de implorar para que ficassem, prometesse cerveja ilimitada para ambos, a noite toda, até às seis da madrugada.Caso alguém estivesse consciente até lá, é claro.
Reinício da palestra, oito da noite mais treze minutos, o lugar não muda nem sequer mudará. Mais uma cerveja na mesa.

Cesinha: Como eu ia dizendo, quando vocês de maneira muito desrespeitosa interromperam, todas as Copas do Mundo foram arranjadas.
Alex: Tá bom...
Alemão: Todas?
Cesinha: Todas menos uma! Que foi arranjada, mas uma das partes não colaborou. E por isso paga até hoje.
Alemão: Qual é...
Cesinha: Calma! Esta revelação se dará somente mais tarde.
Alex: Olha, Cesinha... que uma ou outra tenham sofrido influência até vá lá, mas... todas... ou todas menos uma...
Cesinha: Provarei através de evidências irrevogáveis, meu caro. Evidências irrevogáveis. Obviamente devo dizer que as regras do jogo do poder mudaram muito durante os anos. Que medidas preventivas foram tomadas em função de determinadas circunstâncias, mas, hoje, temos padrões muito bem definidos de conduta, possíveis campeões, leis de compensação histórica e, é claro, motivações políticas de toda a ordem.

Alemão: Nossa, isso vai longe... ô, Patinhô... mais uma.
Após alguns protestos, discussões de veto às influências políticas e três cervejas além, já passa das nove da noite e o álcool começa a trabalhar na mente dos convivas. Além do mais, ficou convencionado que, antes do arranca-rabo de 45, a coisa era por demais obscura à luz dos fatos e evidências.
Cesinha sorriu com a simples menção de tal divisão. E assim ficou acordado entre os três.

Alex: Tá como tu nos explica a Itália ter ganhado a Copa da Alemanha, em 2006?
Cesinha: Europeísmo e compensação histórica. Fácil!
Alemão: como assim?
Cesinha: Os europeus, depois de 58 (e mais tarde darei uma explicação adicional que é a alma da teoria), tomaram uma medida de preservação – que eu chamo de europeísmo – para que jamais uma seleção não-européia ganhasse naquele continente.
Alemão: Tá, mas por que não a Alemanha?
Cesinha: Poderia até ser, em caso de acidente, mas foi a compensação histórica por a Alemanha ter conquistado a de 90, na Itália.

Considerando tal uma evidência ao menos considerável, Alex e Alemão começaram a se interessar mais pela teoria do amigo.

Alex: Tá. Resolvido 2006 e 90. Mas e 2002? O que tem a ver o Brasil com o Japão e a Coréia?Cesinha: Lembra o que fizeram com a Espanha e a Itália nos jogos contra a Coréia? E o Brasil contra a Turquia! Os brasileiros – sobretudo o Zico – reinventaram o futebol no Japão e como a Copa era fora da Europa, a CBF já havia previamente aceitado perder a Copa de 98 para a França e reconquistar o título quatro anos depois, por predileção nipônica e sob o aval da FIFA.

Novamente Alemão e Alex se entreolham. As coisas começavam a tomar forma. De repente tudo parecia fazer sentido: uma incrível, milionária e mundial manipulação de resultados se mostrava palpável.
Alex queria mais evidências, porém:
Alex: 62?
Cesinha: América do Sul. O Brasil tinha o melhor time. Não tinha como não ganhar!
Alemão: 66?
Cesinha: Inglaterra. Os inventores do futebol nunca tinham conquistado o título-maior do futebol...
Alex: 70...

Cesinha: O time do Brasil era mágico. Talvez o maior de todos os tempos. O Negão tava no auge... mas só ganharam porque era no México. Fosse na europa, teria dado Itália.
Alemão: 54! Final européia! O que tu me diz disso? Hein, hein?
Cesinha: (sorrindo com ares de fidalgo) Bem... primeira Copa do Mundo na Europa pós-guerra... Alemanha em frangalhos... o povo alemão precisava de um alento... de uma nova razão para se orgulhar... de um milagre... um milagre de Berna!

Alemão já estava arrepiado – e bêbado, enquanto Alex não parava de se remexer na cadeira. Tudo fazia sentido. Tudo estava claro! Como haviam sido inocentes! Graças a Deus eram amigos do Cesinha, que tanto subestimavam e que agora mostrava-se, irretorquivelmente, o mais genial de todos deles.

Alemão: Quais Copas faltam... un...
Alex: 74?
Cesinha: Alemanha jogou em casa. Poderia ter dado Holanda. Prevaleceu o fator local...
Alemão: 1978...
Cesinha: A ditadura comprou esta Copa, meus caros. Era na Argentina, eles nunca haviam sido campeões.
Alex: ora, ditadura...
Cesinha: A Argentina ganhou de 6x0 do Peru no último jogo classificatório e foi pra final. O tal do Cruyff se negou a jogar esta copa pois sabia do que a ditatura era capaz.
Alemão: Meu Deus, tudo faz sentido... ô, Patinhôôô, mais uma aqui pra nós!
Alex: 82?
Cesinha: Na Europa. Final entre Itália e Alemanha. Vocês acham que foi por acaso? Com o timaço do Brasil? Precisa ser muito inocente...
Alex: 86?
Cesinha: Copa fora da Europa. Gol de mão. Maradona no auge...
Alemão: 90?
Cesinha: Já falamos de 90, que, além do já dito... bem... foi a revanche de 86, na Europa. Era claro que a Alemanha seria a campeã... ou vocês acreditam que um time que tinha Maradona poderia perder uma partida daquelas e com gol de pênalti ainda por cima...

Houve um longo tempo de silêncio. Todos davam generosos goles em seus copos. Pareciam meditar. Cesinha estava em transe. Alex estava perplexo. Alemão pedia mais uma cerveja. Alex consultou o velho cebola: nove e trinta e três. Respirou fundo e veio-lhe à mente uma idéia que poderia colocar tão maravilhosa trama abaixo. Não teve escolha:

Alex: Mas... Cesinha...
Cesinha: Sim?
Alex: E 50? O mais óbvio era que o Brasil ganhasse, afinal a copa era aqui, o Maracanã estava estourando gente, o Uruguai já havia sido campeão em sua própria casa...
Alemão: Pois é (gole) em 50 (gole duplo) o Brasil (gole longo) deveria ter sido o campeão!

Cesinha atirou os braços para os lados. Sorriso de Mona Lisa no rosto.Os amigos perceberam, aliviados, que ele deveria ter uma justificativa para aquilo.E tinha.

Cesinha: De fato, 1950 foi arranjada para o Brasil ser campeão.
Alemão: Mas como?! E por que o Uruguai ganhou?
Alex: É, pelo visto a sua tese caiu por terra...

Cesinha serviu-se com mais cerveja. Entornou o copo inteiro e produziu um “Ahhh” de satisfação. Prosseguiu.

Cesinha: O Uruguai sabia que deveria perder. Em troca de compensações futuras, como todas as seleções de qualidade e/ou força política. No entanto, alguns homens de muito valor como Schiaffino e Ghiggia simplesmente se negaram a entregar o jogo para o vizinho e rival histórico. Eles sabiam que se perdessem a partida em tais circunstâncias, não perderiam somente um campeonato. Perderiam suas almas. Houve um silêncio de alguns segundos. Nem o Alemão se atreveu a dar um gole neste lapso de tempo. Cesinha não deixou a bola cair.

Cesinha: Tanto é, que quando o jogo acabou, os jogadores do Uruguai não foram comemorar direto. O juíz apita e alguns deles se olham, como que dizendo: “O que foi que nós fizemos?” Os brasileiros não acreditam no que está acontecendo... e, por fim, 58 foi a compensação histórica por 50. E todos os títulos europeus na Europa foram a compensação desta compensação. Hoje, enfim, temos um padrão bem definido de como a coisa toda funciona.

Alemão: (já completamente alcoolizado, mas juntando forças para formar uma frase completa) Mas Cesinha... o Uruguai não deveria ser punido?
Alex: (com olhos arregalados) Meu Deus... o Uruguai... nunca mais ganhou nada... ficou fora de muitas e muitas Copas do Mundo... é eliminado em repescagens contra times de Rugby... Cesinha, meu querido: eis a Verdade Absoluta.
Cesinha: Sim, mas tal punição tem prazo, meus queridos...
Alemão e Alex: Tem?!
Cesinha: Sim, 100 anos.
Alex: 100 anos?! Mas...

Cesinha: Sim, a punição tem um nome: Centúria Celeste.Alemão: Centúria Celestre...
Alex: Centúria Celeste...
Cesinha: É. Centúria Celeste. Até 2050, pelo menos, o Uruguai não ganhará uma Copa do Mundo sequer. Este é o preço que pagam por não terem vendido suas almas.

Alemão, mais por bebedeira que por amor à República Oriental, tinha lágrima nos olhos. Alex estava em êxtase. Cesinha sorria, superior.

Cesinha: E saibam que esta é somente a ponta do iceberg. Citei as Copas do Mundo pois trata-se da vitrine do futebol. Até aqui, no nosso certamente gaúcho há manipulações de toda a ordem e que vocês não enxergam porque não o querem...Obviamente a esta altura do campeonato qualquer coisa que o Cesinha dissesse seria lei. O brasileiro (gaúcho ou não) tem verdadeira tara por uma teoria conspiratória. E quanto mais conspiratória e mais inverossímel, mais digna de crédito!

Alemão: (recuperando por alguns segundos a sanidade e a sobriedade) Patinho, vê mais uma... ô, Cesinha, perdão por ter duvidado de ti... mas agora conta, sério, o que o campeonato gaúcho nos reserva? Quem será o campeão?

Cesinha: pois bem, estas derrotas que meu time vem sofrendo são embustes, disfarces para despistar o grande público. O campeonato já está comprado para nós por nosso futuro novo patrocinador. Já tá tudo certo!
Alex: Como é que é?!
Cesinha: Exato. Já tá tudo certo! Uma grande empresa multinacional patrocinará o glorioso. Compraram este campeonato junto à federação e aos times de capital por uma fortuna e alguns favores futuros que, agora, não posso revelar, por favor não insistam (ninguém haviam feito sequer menção de insistir). Ano que vem o patrocinador entra oficialmente no time que é campeão gaúcho e – por favor, é segredo, viu – campeão da Copa do Brasil deste ano também e ganhará muita mídia... como eu disse, já tá tudo certo!

Alex e Alemão estavam perplexos. Beberam muito até o amanhecer. Cesinha sentia-se um deus.Nas semanas que passaram, nosso profeta-futebolístico teve tratamento de Rei pelos dois amigos (e pelos amigos dos amigos que ficaram sabendo dos fatos). Cesinha não pagava mais cerveja nem entrada em lugar que fosse. Celebridade: era isso o que Cesinha se tornara entre os fanáticos da bola naquela cidade e assim era tratado por todos. O clube do coração de nosso filósofo do esporte bretão chegou – como não poderia deixar de ser – à final do Campeonato Gaúcho. Todos em polvorosa. Primeiro jogo da final na casa do glorioso (no interior do estado), segundo jogo na capital. A primeira partida acabou em 1x1. Após o término, numerosa audiência no Snooker do Patinho. Cesinha chegou – com a camisa do clube – e, após ser rapidamente cobrado, respondeu com ares de despreocupado:- Já tá tudo certo!
Querem exposição maior na mídia do que uma vitória épica fora de casa? Todos se calaram, envergonhados.
De fato, Cesinha estava num patamar acima dos demais. Eram todos medíocres nos conhecimentos do futebol. Menos ele, o Escolhido.Todos beberam à saúde do amigo. Cesinha, a essas alturas, tinha copa livre na casa.

Domingo, cinco horas da tarde mais três quartos, finalíssima do Gauchão, Snooker do Patinho, todos os amigos, conhecidos e admiradores do Cesinha presentes. Cesinha estava na capital, vendo o jogo no estádio. O juíz apita o final do jogo. Time da capital 4, time do Cesinha 0.

Apesar de seu time ser o campeão, Alex está revoltado. Quer tirar satisfações.O celular de Cesinha está desligado, mas pouca diferença faz. Ele nunca mais irá ligá-lo. Cesinha sequer voltou para sua cidade. Está morando com uns primos e – dizem – até já arrumou emprego.
Patinho está revoltado: quer cobrar todas as cervejas que Cesinha tomou quando ainda era ídolo.

Alemão e Alex não vêem a hora de encontrar o Cesinha: querem surrá-lo até a exaustão.
Todos os seus amigos lhes viraram as costas, por professarem tamanho despautério, esquecendo, é claro, o fato de também terem dado crédito e divulgado tal tese.

É, pode ser que o castigo para o Uruguai não dure tanto, mas o Cesinha, ah, o Cesinha sim, vai curtir um longo exílio.
E pensará 2 vezes antes de falar qualquer coisa que seja, principalmente sobre futebol.

Cesinha, já tá tudo certo: sua carreira acabou, garoto!

** Por Maurício Kehrwald

Sangue,sufrir e la main de Dieu

E o Fluminense está novamente numa final continental. O jogo de volta com o Cerro Portenho foi complicado, tomou gol cedo e a partida estava com todo o jeito que iria para a prorrogação (em Assunção a equipe brasileira havia vencido por 1 x 0). O jogo ia catimbado, com os paraguaios tentando quebrar o ritmo, mas o Fluminense conseguiu o gol de empate (Gum, na foto acima comemora) quase no finalzinho do jogo. Com este resultado o Cerro Portenho ficava de fora, então se atirou ao ataque até com o goleiro. O Fluminense recuperou a bola, tocou para Alan que quase na divisória do gramado disputava o lance com o goleiro Barreto, que foi batido. 2 x 1. Estavam ainda comemorando, quando iniciou uma rusga na lateral do gramado. Segundo a reportagem (Sportv) a briga começou porque algum jogador do Cerro Portenho agrediu um gandula. A coisa quase generalizou, mas os contendores foram acalmados. O Cerro Portenho é convidado pela PM para ir ao vestiário, e na entrada do túnel, aquele velho problema: alguns policiais tornam o convite oficial, de cassetetes nos lombos paraguaios. Uma coisa é jogador brigar dentro de campo, todo mundo de meião e chuteira, outra é a polícia, bem equipada, brigar com jogador por estar irritado. Algumas vezes se desequilibram. E de cassetetes e escudos nas mãos (com os quais podiam empurrar a cachorrada pra dentro do túnel sem maiores cansaços), saem distribuindo indiscriminadamente. O pessoal da TV, por sua vez, trata tudo como "cenas lamentáveis", mas são coisas bem diferentes, sendo que a segunda é bem mais perigosa. Aqui no RS mesmo, há alguns anos atrás, um jogador do São Luiz de Ijuí, numa briga no campo do Juventus de Santa Rosa, foi posto a knockout por uma agressão deste tipo, saindo de campo desacordado.

Mas assim foi e ocorre não só no Brasil. Mais tarde, um repórter informa que foi avisado pela polícia que os jogadores paraguaios brigavam entre eles dentro do vestiário. Não sei o que a polícia fazia lá dentro e nem o motivo de tanta rapidez em divulgar a informação. Só espero que não tenham emprestado os cassetetes para os paraguaios que brigavam entre si.

Uma sugestão é que a polícia dentro de campo divida o efetivo em dois grupos:
- grupo 1: composto pelos mais calmos, que sabem usar o equipamento para dispersar o tumulto e não para envolver-se nele passionalmente;
- grupo 2: os mais "emotivos", que costumeiramente envolvem-se em campo. Este grupo iria pro campo de abriguinho e chuteiras. Pronto, aí vão pra cima dos jogadores, em condições de igualdade(?), como foi em Porto Alegre, em 1993,Grêmio e Penharol, pela Supercopa (este vídeo só achei em espanhol, apesar da narração de fundo ser em português, mas é de um programa uruguaio).



O que não gosto neste tipo de confusão, típica de copas sul-americanas e segundona gaúcha, é o dia seguinte nas televisões e jornais brasileiros. Amanhã o coro será de "cenas lamentáveis", "manchou a festa", "estragaram o espetáculo", "já deveriam ter sido banidas do futebol", "triste espetáculo" e assim por diante. Nos tele-jornais com menos tempo dedicado ao esporte, um apresentador sério e indignado, após as cenas (mal editadas):
- Lamentável.

Mas o baile segue e o Fluminense avança, chegando às finais desta Copa Sul-americana. Nesta quinta-feira conhecerá o adversário, sai de LDU x River do Uruguai, que se enfrentam no Equador, foi 2 x 1 para o River na primeira partida. Muita gente torce para que LDU e Fluminense reeditem a final da Copa Libertadores 2008, mas o River tem tudo para atrapalhar este desejo.
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Pare de sufrir: ¡Al Mundial!
(Manchete do El País do Uruguai, baseada no bordão publicitário da Igreja Universal


E o Uruguai está de volta a um Mundial. Mas não foi fácil e novamente o Centenário teve uma noite de calafrios até o final da partida. Os uruguaios haviam vencido a primeira partida fora de casa por 1 x 2 e nos fizeram acreditar numa classificação fácil., ainda mais depois de abrir o marcador em Montevidéu, ainda . Que nada. Minutos depois, o time da Costa Rica empatou a partida, deixando a coisa dramática. Neste jogo também teve confusão, no reservado do Renê Simões. Depois de 5 minutos de interrupção o jogo é retomado e o Uruguai não consegue o comando do jogo, deixando a torcida com o chivito na mão. A Costa Rica chegou a ter uma ótima chance de gol, numa bola em que o atacante entra na área uruguaia, agarrado pela camisa, e chuta cruzado. Perto do final, o Uruguai consegue alçar algumas bolas na área, perdendo uma ótima chance de gol, mas aí sim, conseguindo a manutenção da posse de bola. Ao final, como era esperado, delírio no Centenário, que quase presenciou mais uma tragédia do futebol charrua. Agora é Copa do Mundo, com o Uruguai fechando a lista de 32 seleções classificadas.

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Quase fizeram o que parecia impossivel:

Mas não deu para a Irlanda. Torço para estes toscos em todas as eliminatórias e este ano estiveram perto de conquistar uma vaga histórica (sempre é histórica) e heróica. Tocou aos irlandeses enfrentar a França na repescagem européia. Na primeira partida em Dublin, perderam por 1 x 0. Hoje não pude assistir à partida, mas imaginava um passeio francês, dada a dificuldade histórica da Irlanda em fazer gols, ainda mais fora de casa. Mas surpreendentemente a Irlanda venceu em Paris, 1 x 0, gol de Robbie Keane. O resultado levou o jogo para a prorrogação. Aos 13 minutos, fim do sonho irlandês: Henry(também há a duvida que ele estivesse em posição impedida) mata a bola com a mão esquerda e cruza, para o gol irregular de Gallas. França na Copa. Após a partida, Henry assumiu a matada com a mão, que retirou a camisa de seleção mais bonita do mundo da Copa 2010.

A desclassificação irlandesa facilita a vida de jornalistas e comentaristas esportivos, já que foram chamados de britânicos¹ pelo globo.com, suas bandeiras nos jogos do Celtic (Escócia) são designadas como bandeiras da Itália (na ESPN), Robbie Keane não será confundido com Roy Keane (se bem que não seria, porque o último não atua mais como jogador) e tabelas da Copa feitas no Brasil não farão a tradicional confusão entre as "Irlandas" , que tanto maltratam nossos impolutos locutores.

1 Segundo o artigo (Wikipédia) sobre a seleção irlandesa, a partir de 1990, a seleção irlandesa começou a utilizar alguns jogadores nascidos no Reino Unido, mas de origem Irlandesa. Mas duvido que seja por este motivo que o Globo.com denomine os gaélicos de britâncos. E os irlandeses ficaram putos.
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Fotos 1 e 3: Agência Reuters (via Globo.com)
Foto 2: ATP (via El País-Uy)

''Darseneros'' avançam

Na noite desta quarta-feira enfrentaram-se em Buenos Aires, San Lorenzo x River Plate de Montevidéu, pelas quartas-de-final da Copa Sul-americana. No primeiro jogo o San Lorenzo venceu o River Plate no Centenário, 1 x 0.
Portanto, o River precisava de uma vitória a qualquer custo e qualquer placar, que no mínimo ia levar a decisão para os pênaltis.

E foi o que o clube uruguaio conseguiu. Uma vitória por 1 x 0, no Nuevo Gasometro. Depois do primeiro tempo terminar empatado em 0 x 0, que servia aos “cuervos”, os uruguaios abriram o placar com Porta, logo no começo da segunda etapa. Kily González tentou atrasar para um zagueiro da equipe argentina, mas Porta interceptou, driblou outro defensor e chutou para o gol. A partir daí o San Lorenzo começou a atacar com mais ímpeto, tendo mais posse de bola, mas com poucas chances claras de gol. Aliás, a chance mais clara do jogo seria uma jogada de contra-ataque do River Plate, que estava bem na defesa, e desta maneira tentava o segundo gol. Assim foi a tônica da segunda etapa, bom jogo de futebol, apesar de não ter havido uma grande atuação do San Lorenzo. O River Plate, surpreendentemente até, pela falta de cancha em jogos deste porte, se postou bem, foi matando o jogo com toques na intermediária e prendendo a bola, “amorcegando” a partida, deixando tudo para a decisão por pênaltis.
E sendo assim, com o San Lorenzo ineficiente nas finalizações, a partida ficou no 0 x 1 para os uruguaios.

Aí entra em campo a transmissão do canal Sportv. Para que entendam o ocorrido, cabe explicar que no Sportv estavam passando ao vivo San Lorenzo x River Plate. Até aquele momento crucial do jogo e da competição. No Sportv 2, um amistoso entre Argentinos Jrs e Cruzeiro, jogo de despedida do Sorin. Para o Sportv 1, estava previsto na sequência da programação, o jogo Botafogo x Cerro Porteño, também pela “Sudaca”.
Por motivos que desconheço, o Sportv apostou que a partida de Buenos Aires se resolveria no tempo regulamentar. Então, a cada cobrança finalizada, a transmissão era interrompida por imagens do começo do jogo do Rio de Janeiro. Não dá para entender isto. Além da falta de planejamento (poderiam fazer este “duplex” no Sportv 2, onde passava um amistoso), não entendo como podem não priorizar uma decisão que está nos pênaltis para colocar no ar o começo de uma partida, sendo que as duas eram da mesma grandeza. Mas assim fez o Sportv, confundindo inclusive seu narrador, que chamou o Cerro de San Lorenzo, e entrava nas imagens do jogo do Rio de Janeiro ainda narrando o gol da cobrança anterior em Buenos Aires. Cenas inimagináveis para um canal especializado em esporte, que se dedica só a isto. Aliás, não é a primeira vez que o canal brinda seus assinantes com transmissões cortadas. Na decisão do campeonato argentino na metade deste ano, a transmissão foi interrompida (em seus minutos decisivos e finais) para que mostrassem uma premiação do campeonato mundial de judô. Não era uma luta final, mas uma premiação.

Voltando ao jogo (estou fazendo o que o Sportv fez), o River Plate já havia conseguido a primeira façanha: vencer em Buenos Aires e com o retrospecto negativo da derrota em Montevidéu. A segunda façanha, seria a classificação, mas faltavam as cobranças.

O River começou as séries dando impressão que não teria muito drama. Converteu os dois primeiros, e o San Lorenzo errou o primeiro. 2 x 0. Mas por fim, a coisa terminou empatada em 3 x 3, para desespero do Sportv, imagino, e dos 300 (segundo uma rádio uruguaia) torcedores do River que estavam no estádio. A partir daí, nenhum jogador do River errou. Foram mais oito cobranças (Sportv chora), os dois goleiros também bateram e converteram, até que Pintos, do S. Lorenzo bate e a cobrança é defendida pelo goleiro Luciano dos Santos. Festa uruguaia no Nuevo Gasometro (lágrimas e abraços na cabine de edição do Sportv),depois de um jogo digno das jornadas “coperas”, resultado histórico do River Plate, que agora se coloca nas semi-finais da Copa Sul-americana, esperando o vencedor de LDU x Vélez. Mas como disse o locutor da rádio uruguaia, sobre o próximo adversário do River Plate, após a decisão: “Que importa! Depois de vencer aqui em Buenos Aires, nada é impossível para esta equipe.”.

Aguante, River!

E no Rio de Janeiro, no jogo que o Sportv insistiu em lançar imagens interrompendo as cobranças de tiros livres diretos, Botafogo 1 x 3 Cerro Porteño. Os paraguaios seguem em frente também.

Foto: Agência EFE

La Doble Visera

Em novembro de 2006, foi publicado aqui no PF uma nota sobre o fim das atividades futeboleras na “Doble Visera”, estádio do Independiente de Avellaneda, até o final da sua remodelação. Depois de quase 3 anos, os rojos voltam a jogar em casa, com o estádio “Libertadores da América” reformulado. Ainda existem etapas a serem cumpridas, mas na noite de hoje o Independiente se reencontrou com a torcida, em sua casa.

É interessante observar que em muitos casos, o estádio de determinado time, por sua história, se torna coadjuvante , no mínimo, quando contada a saga do clube. Apesar dos apelos da modernidade, mesmo que alguns destes sejam justos, um estádio com história nunca deve ser desprezado. Não raro, um estádio é o time.

A famosa cancha do Independiente começou a ser elaborada nos anos 20, já que o clube precisava de um novo local para seus jogos. Seria a terceira sede do clube, fundado em 1905. Pensaram num grande estádio porque já nos anos 20, o Independiente colocava dez mil expectadores em clássicos locais. O projeto, portanto, deveria ter também isto em vista.

A compra do atual terreno não foi fácil (foi pago em 72 prestações), incluindo negociações com proprietários de famílias “racinguistas”, torcedores do rival.


Uma curiosidade, é que o projeto vencedor, do engenheiro Federico Garófalo, previa um pavilhão igual ao da tribuna do hipódromo do Rio de Janeiro, recém inaugurado na época. Segundo o Olé, através do historiador Claudio Keblaitis:
“La intención era construir una estructura de 157 metros de largo, 35 escalones y 28° de inclinación. Totalmente techada. Una construcción novedosa: una visera curva, doble... De cemento...”

Ainda como hoje, os abnegados do Independiente sofriam problemas com os rivais do Racing: enquanto a torcida do rojo colaborava durante o dia com materiais para a empreitada, à noite torcedores do Racing os subtraiam. A coisa acabava em tiros, inclusive, o que obrigou o Independiente a construir muros e contratar um ronda:
“La gente de Independiente llegaba con carros de tierra para rellenar el terreno. Y por la noche, aparecían los de Racing, con chatas, para robárselos. Terminaban a los tiros. Hubo que alambrar el predio y pagarle a un sereno".

Esta terra era necessária para nivelar o terreno, e também para aterrar, já que era uma área de charco (de apelido ‘’El Pantano de Ohaco’’). Somado a isto, a intenção era contruir um estádio de cimento, o que naquele local, era mais difícil ainda. Mas a chuva colaborou para que os depósitos de terra fossem nivelados. Estava aterrado “el Pantano”.

Depois destes e outros percalços, o Independiente inaugurava sua cancha, em 4 de março de 1928, num 2 x 2, contra o Peñarol, frente a 35000 torcedores. O terceiro estádio “de cimento” da América do Sul e um dos maiores.






Passado os anos, “La Doble Visera” presenciou o Independiente finalista em sete títulos da Libertadores, 2 vezes conquistar o Mundial Interclubes, e inumeráveis partidas lendárias. Casualmente ou não, estas vitórias vieram após a remodelação que ocorreu em 1960. Da mesma maneira que a “modernidade” pode ser nefasta a um clube, muitos são os exemplos de clubes que atingem outros patamares mais altos, após investir no seu estádio. Temos exemplos aqui mesmo, no Rio Grande do Sul.




Hoje o Independiente, depois de quase três anos, retornou para sua casa, com vitória: 3 x 2, diante do Colon. Como nos anos 20, a empreitada foi alvo de dúvidas e piadas, não infundadas, porque as dificuldades eram muitas. Mas pela segunda vez, a Avellaneda não tem exatamente uma nova cancha, mas um novo estádio. Se pode perder algo de sua história, com o novo “Libertadores da América”, por outro lado cria uma expectativa em seus torcedores, inclusive olhando para 1960: é de se perguntar o que poderá ocorrer nesta nova fase do Independiente, numa “Doble Visera” remodelada, mas que sempre carregará a história desta legendária cancha.

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Fotos: Deportivo Olé e Claudio Keblaitis


Fonte: Deportivo Olé, Wikipédia Hispânica e Site Oficial do Independiente.

Ainda sobre o estilo gaúcho

A discussão é inesgotável. E aproveitando que estamos na Semana Farroupilha, voltamos ao tema: o estilo gaúcho de jogar futebol, ou ainda, se existe um estilo gaúcho.

Na quarta-feira desta semana, David Coimbra escreveu na Zero Hora a respeito de Oswaldo Rolla (Foguinho), que segundo Coimbra, foi “ quem instituiu o chamado futebol-força no Estado”.

Na sexta-feira, Luís Felipe dos Santos, do Impedimento, fez uma réplica ao texto publicado na Zero Hora. Para Luís Felipe, a pegada gaúcha foi ensinada por Vicente Feola: “Vicente Feola estava aí, nos ensinando como ter “pegada” e “garra” desde 1958. Demoramos quase vinte anos para aprender.”.

Recomendo que leiam os dois textos acima, porque são textos muito bons, mas também para que não fiquem fora de contexto, as frases retiradas dos dois artigos, utilizadas no trecho anterior.

Como dar pitaco é grátis, vamos lá.

No início dos anos 2000, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo já perguntava, também através da Zero Hora, meio que duvidando, de onde viria esta “receita” que tornaria o estilo gaúcho algo tangível. Uma idiossincrasia regional ou mito? Veríssimo sutilmente ironizava, perguntando se esse traço se dava através do hábito do chimarrão, já que naquela época, assim como hoje, a maioria dos jogadores da dupla Gre-Nal era nascida em outras querências.

Neste tipo de discussão surgem alguns vícios de origem, como diria algum bacharel recém-formado.

O primeiro é que, da mesma forma quando algum gaúcho aborda o separatismo, de maneira infundada ou não, ocorre que para o interlocutor, soa como uma espécie de acusação: se “eles” pregam secessão, logo, nos consideram inferiores. Mas o contrário poderia ser real também, dependendo do ponto de vista. Entretanto, normalmente soa como soberba mesmo, e daí os vários desdobramentos.

O segundo diz respeito a uma figura de humor, mas de traço ideológico, que é considerada um sinal de inteligência, que é a auto-depreciação. Que de maneira quase inversa, torna qualquer tipo de ‘’defesa’’ de uma identidade, seja qual for (e mesmo no futebol), um bairrismo simplório, fora acusações mais sérias, que remetem, também, à ideologias. Se não te deprecias, bom sujeito não és...(ainda mais sendo gaúcho).

O terceiro, e não menos importante, refere-se ao ‘’pai da criança’’. Para quem considera o futebol-força uma “brucutulidade” hedionda, então os inventores desta aberração residem bem longe da casa dele.
Já para os que pensam que o futebol-força, de resultado, etc, seja a essência do futebol, então estes dirão: - surgiu, na verdade, no pátio da casa do meu avô, num gol a gol em 1922.

A discussão é infindável também por isto: carência de boas fontes, total ausência de vídeos e, hoje em dia, nem testemunhas oculares temos daquele princípio de futebol.
Como podemos saber, se um repórter do Correio do Povo, de Porto Alegre, ao reportar uma partida como “normal”, na verdade não presenciou um jogo de alta rispidez? Para ele, normal, mas para nós, com a visão de hoje, poderia ser extremamente futebol-força, ou futebol-arte, ou nem futebol.

A respeito dos vídeos, muito poderiam elucidar. Mas normalmente servem para confundir, pois são poucos, mas utilizados como prova cabal (até por sua raridade). Eu não acredito, ao menos até agora, que um Brasil x Suécia, em 1958, fosse mais ríspido do que qualquer jogo do Gauchão no mesmo ano, por exemplo. E nem falo de esquema tático. Mas não imagino um jogo de tal pompa, tendo as mesmas características de um jogo de Gauchão, mesmo em 1958. É algo como imaginar um Brasil x França nos dias atuais, disputado da mesma maneira que um Bra-Pel ou Ba-Gua. Inimaginável. Por que na metade do século passado seria diferente? Na falta de prova mais substancial, fico com a comparação atual, mesmo sabendo que os jogadores hoje em dia, estão muito mais vigiados em termos disciplinares, fator que reduz a força empregada, inclusive nas jogadas consideradas “limpas”.

Sobre o Foguinho ter iniciado o ‘’futebol de resultados” por aqui, também tenho minhas dúvidas, como todos que não presenciaram os acontecimentos naquela época deveriam ter.
Foguinho, como jogador, enfrentou equipes do Interior do RS que faziam frente a Grêmio e Inter (Foguinho nasceu em 1909). Enfrentou times da fronteira, que eram considerados bons tecnicamente (segundo relatos, óbvio), mas que já eram chamados de “times aplicados”. O futebol começou no RS trazido por ingleses em Rio Grande, e na fronteira quem nos apresentou à pelota foram uruguaios e argentinos (Santana do Livramento, Uruguaiana e Bagé), e muitos deles tornaram-se jogadores dos times daqui. Essa influência é inegável. O que pode-se discutir é que tipo de legado deixaram: “arte” ou “força”, ou o nome que quiserem dar.

Fato é que, Inter e Grêmio tiveram como primeiros adversários, fora de Porto Alegre, estes times do interior gaúcho.
E é fato também que, geograficamente e em termos de números absolutos de torcedores e população, Grêmio e Inter não deveriam ter conquistado tantos títulos fora do Estado como conquistaram, isto baseando-se na observação de outras cidades relativamente semelhantes a Porto Alegre nestes quesitos, dentro do Brasil.

A resposta à pergunta de Luis Fernando Verissimo não está no chimarrão, ou no número de gaúchos que hoje compõe os times da dupla Gre-Nal, e sim com quem estes clubes aprenderam a jogar bola. Ou seja, no pátio de nossos avós, invariavelmente embarrados.

E afirmar que o futebol gaúcho, em geral, prima pela força ou “raça” não exatamente quer dizer que os outros não possuem estas características, ou que não há técnica por aqui.

Como disse Luís Felipe na bela postagem que publicou no Impedimento, não é preciso nascer em alguma cidade interiorana do Rio Grande do Sul para se ter ‘’raça’’ e virilidade num campo de futebol. Mas que ter nascido por estes pagos ajuda na hora de encarar um Ba-Gua de bota, espora e bombacha, isto é inegável:



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Foto: Jornal Minuano (Bagé-RS), sobre o polêmico e último ''Ba-Gua de botas, esporas e bombachas'', realizado em 1988 na Pedra Moura, com jogadores amadores, e árbitro "de a cavalo".

Clássico Eterno

Nasci alguns meses antes da Argentina ser campeã mundial pela primeira vez. O Brasil empatou em 0 x 0 num confronto também em Rosário, como o do próximo sábado. Depois a Argentina seguiu em frente goleando o Peru, o que até hoje rende polêmica pelo placar, e saiu campeã contra a Holanda.

A primeira Copa do Mundo que quase assisti foi em 82. Como tinha apenas 4 anos, não lembro de nada, a não ser que minha família assistia os jogos, e que sofreram com a eliminação frente à Itália. Alguns anos depois a imagem do Falcão comemorando o gol que marcou naquele jogo entrou num clipe de final de ano da RBS TV (aquele repetido à exaustão nos finais de outros anos, da música “Vida”) e meus pais ao verem a cena da comemoração no clipe ainda lamentavam, comentando que todo aquele esforço, infelizmente, não rendeu a classificação. Mas nesta Copa, eu não lembro do jogo, possivelmente nem assisti, enfrentamos a Argentina de novo. 3 x 1 para o Brasil, com expulsão de Maradona por uma solada em Batista.
Li na coluna do Falcão estes dias, que Maradona declarou que aquela solada era na verdade para Falcão, que estaria debochando dos derrotados (Falcão negou, dizendo que isso nunca foi seu estilo).

Já em 86 eu lembro de muito mais lances dos jogos e dos sentimentos. Havia ganhado uma camisa oficial do Brasil, uma linda camisa da Topper, na época em que dentro
do escudo estava a Jules Rimet, e um detalhe com um ramo de café.
Foi com ela que assisti aquele golaço do Josimar no 3 x 0 contra a improvável Irlanda do Norte e eliminação nos pênaltis (quartas-de-final, contra a França), sendo que durante o jogo, quando ainda estava empate, Zico, que havia entrado alguns minutos antes, perdeu um pênalti sofrido por Branco. Desde este jogo que detesto comemorações por pênaltis marcados, antes de serem concluídos.


Depois da partida fui para a casa do meu vizinho para jogar botão e encontrei o pai dele, que na época parecia ter mais de 2 metros de altura, debruçado numa estante, chorando a eliminação. Na final, Alemanha e Argentina. Jogávamos bola na frente de nossas casas, já sem o menor interesse pela Copa, mas na rua estreita ouvíamos os gols narrados na TV. Ia 2 x 0 para a Argentina, até que deduzimos que a Alemanha havia empatado pelos berros daquele vizinho que havia chorado a eliminação do Brasil dias antes: - Era disso que “precisávamos”! Era disso!
Não, ele não era descendente de alemães ou algo do tipo.
Mas no final não houve jeito, Burrochaga, num gol clássico, fez o 3º e definitivo tento platino, decretando a segunda e dolorosa eliminação do meu vizinho naquela copa.

http://www.youtube.com/watch?v=UeleVz86uKI

Desta copa também lembro das tradicionais figurinhas do chiclete Ping Pong. Hoje em dia acho que nem o chiclete existe mais.

Na Copa de 90, a seleção de Lazaroni encontraria a Argentina nas quartas-de-final. Mais sofrimento (por isso sempre digo que a geração pós-90 não está nem aí pra “selenike” muito em virtude da fartura de finais e títulos...antes era dureza). A história não conta, mas o Brasil foi muito melhor durante o jogo. Mas numa jogada genial, Maradona coloca Caniggia frente a frente com Taffarel (lembra do gol do Burrochaga?), e gol da Argentina. Aqui no Brasil falavam que Alemão, companheiro de Maradona no Nápoli, deveria ter entrado rachando e que não fez por ser amigo do argentino. Um golaço, além de tudo. Aquele gol eu senti mais que a eliminação nos pênaltis para França. Além de estar mais velho, a disputa por pênaltis meio que vai fortalecendo o couro em caso de derrota.
Mas aquele gol de Caniggia, não. Nos deixou atônitos. O replay, com a câmera de trás do gol, era como um soco na boca do estômago quando a bola batia na rede.

http://www.youtube.com/watch?v=2zENs7iALyg


Terminado o jogo, fomos jogar bola, meio sem vontade, comentando do jogo. Mas no começo dos 90 era assim que curávamos as tristezas futeboleras. Jogando futebol.

Brasil e Argentina são de tal forma envolvidos em termos de futebol, que até nas Copas que não se enfrentam, um acompanha o outro. Lamento por aqueles que hoje em dia acham Brasil e Argentina somente mais jogo, por causa do dinheiro, da falta de respeito de alguns jogadores, etc. Não deixam de ter razão, mas prefiro a nostalgia dos 80, revivida em lampejos como na Copa América de 2004.

http://www.youtube.com/watch?v=8txyy_PXQM8

P.S: tentei por várias vezes colocar os vídeos diretos aqui, mas o Blogger está dando problema, pra variar.

Fotos: do Google Imagens, em blogs que não citavam os autores.

A história de Álvaro


O zagueiro Álvaro saiu do Internacional e ontem se apresentou ao Flamengo.
Como a estupidez humana, o futebol raça do Bagé, e as declarações imbecis de boleiros não têm fim, Álvaro também tem o direito de dar seu pitaco:

- É um desafio para mim e isso cria motivação por tudo o que o clube representa. É quase uma religião. A história do Flamengo é muito maior do que a do Inter. Não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados do Brasil. Pressão é só um braço de tudo o que representa o clube. Para jogar aqui tem que ser grande e pensar como grande.

Para que todos fiquem a par do "diz-que-disse", dia 10 de agosto, o jornalista Wianey Carlet escreveu a versão dele sobre a saída de Álvaro.

Álvaro pode ter alguns defeitos, além da lentidão, mas extra-campo revelou-se como um profundo desconhecedor do futebol gaúcho, mesmo que possamos compreender a tentativa de fazer média com a torcida do Flamengo.

Sobre a declaração do supra-citado boleiro, além de eu desconhecer os parâmetros dele para mensurar a história de um clube, urge um esclarecimento, para os milhões de cariocas e fluminenses que sempre visitam este blog.

Álvaro cometeu o pecado de ser superficial. Tanto na frase, como na falta de conhecimento que mostrou na parte que declara: "A história do Flamengo é muito maior do que a do Inter. Não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados do Brasil."

Na tocante à história, cai muito no subjetivo, mas no trecho em que ele fala "em todos Estados do Brasil", Álvaro entra no campo do clichê, como bom boleiro que é, frequentador nato do Globo Esporte.

Lá pelos anos 90, a revista Placar fez uma pesquisa sobre as torcidas brasileiras (infelizmente não existe link). Elencou um título para cada resultado (Estado). O título do trecho sul-riograndense da matéria era: "Gaúcho torce pra Gaúcho", apontando Grêmio em primeiro lugar, Inter em segundo e nas colocações abaixo, times do interior gáúcho, para depois aparecerem os times de outros Estados, com menos de 1% da preferência.

O título da reportagem era porque, o RS, tornou-se o Estado com menor número de torcedores de clubes de outros estados. Algo beirando ao insignificante, que poderia ser facilmente imputado a moradores oriundos de outros estados residentes aqui.

Temos vários defeitos, inclusive citadinos abandonarem os clubes locais em prol da dupla Gre-Nal. Mas entre estes defeitos, não se inclui o de torcer para times de fora do Rio Grande do Sul.

O evangélico e boleiro Álvaro não sabe disso. Morou por aqui por vários meses e não aprendeu.
Claro, ele pode estar querendo fazer média, guardar mágoa do Inter, ou qualquer coisa do tipo. Mas de toda maneira, Álvaro não aprendeu que gaúcho pode até torcer por time de fora de sua cidade, mas jamais por um time "estrangeiro".
A história do Flamengo é respeitável, e José Roberto Wright corrobora. Mas no Rio Grande do Sul o Flamengo é isto: um brioso adversário. E convenhamos, não é pouco.

Álvaro, conheça o Rio Grande do Sul.

Havemos Papa na Segundona


Pelotas e Porto Alegre estão na Primeira divisão. O PF saúda as enormes torcidas dos dois clubes.
Mas sempre direi: a Segundona é o melhor do futebol gaúcho.
A primeira divisão é desejada, óbvio, mas é um dos piores campeonatos do país. Não vale nada para o interior, a não ser o orgulho de ver o rival na segundona. Mas quem vence a Segundona, merece os parabéns.
No final de semana, Pelotas e Porto Alegre decidirão o campeão (estão empatados em pontos). Mas os dois já estão na Primeira. Parabéns e sorte.
Como curiosidade, em Pelotas aconteceu duas vezes, recentemente: o Pelotas subiu exatamente no ano em que o Brasil caiu, assim como no ano em que o Pelotas caiu...o Pelotas sobe e o Brasil enfrenta a Segundona.





Imagens do vídeo retiradas destes sites:
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blog do Flamengo de Alegrete
http://futebesteirol.blogspot.com/ (o melhor blog de imagens e textos sobre a segundona Gaúcha, lejos)
http://imagensnarrativas.wordpress.com/
http://www.novohamburgo.org/
http://blogdorui.wordpress.com/
http://gafarroupilha.blogspot.com/
http://esportche.com.br/
http://www.esporteaqui.com.br/
http://w3.ufsm.br/
http://impedimento.wordpress.com/
http://www.sportclubriogrande.com.br/
http://www.diariopopular.com.br/
http://radiogaucha.clicrbs.com.br/
http://www.finalsports.com.br/
http://imagensfatos.blogspot.com/
http://www.gebage.blogspot.com/

Música: Miguel Figueroa - Abrazando mi pais (puro chamamé)

Não foi este ano, Brasil

Se o Brasil subisse para a Série B, não faria uma postagem "normal". Tinha pensado em apenas colocar uma foto do jogo de hoje e, obviamente, um título.
Como perdeu, resolvi escrever. Também esta não é uma daquelas postagens do tipo "força, Xavante!".
Mas resolvi postar na noite de domingo por alguns fatores.
O principal deles é que nestas derrotas doloridas é que se forjam torcedores verdadeiros. Obviamente, é muito melhor vencer. O futebol é também, e muitas vezes, principalmente isto: vencer.
O segundo motivo, é que para futebol do interior gaúcho, seria muito bom que Caxias e Brasil conquistassem a vaga na "B" nacional, ou ao menos um deles. Além do galardão da vitória, mostraria que é possível, no interior do RS, fazer futebol o ano inteiro, com torcida fidelizada, sem depender do Gauchão, e com ótimas receitas.

Não deu para nenhum dos dois.

Estava em Pelotas neste final de semana, e no
Laranjal vi uma galera com camisas do Brasil e bandeiras do Brasil de Pelotas, preparada para escutar o jogo. Algumas camisas do Pelotas (que vive ótima fase na Segundona Gaúcha), mas muitas (a maioria, em empate técnico com as do Brasil) camisas de Grêmio e Inter (adultos, adolescentes e crianças). Não eram estudantes de fora da cidade. São resultantes do "massacre" midiático. Há que se reconhecer a doença, para tratá-la.

Na volta para a "cidade", passei por um posto de gasolina e vi dezenas de xavantes sofrendo, juntos, e já ia 2 x 1 para o América. Ainda há futebol no interior gaúcho e não só em Pelotas, mas Pelotas é emblemática.

Escrevo para pouca gente, mas entre os leitores do blog, tem dois xavantes. Um eu conheço pessoalmente, outro é um que conheço pela internet. O segundo deles, está viajando de volta para Pelotas, viagem longa, e com essa derrota dolorida (eu já viajei assim, em outras circunstâncias, mas sei como demora esta viagem).

Obviamente, a parte áureo-cerúlea da cidade ficou contente, e com razão, pois rivalidade é isto. Jorginho e Alex, dois apaixonados áureo-cerúleos e meus grandes amigos também, devem estar contentes. Futebol é assim, e isso nos mantém....Bra-Pel, Ba-Gua, Rio-Rita, Ca-Ju.... Mas estão de olho na "A" do Gauchão, os lobos.

Mas que a subida do Brasil pra "B" do Brasileirão, justamente no ano em que caiu pra "B" do Gauchão, iria corroborar ''minha tese''...isto é fato.

Faltou o gol no Bento Freitas. Mas também faltou segurar o empate em Minas. Coisas do futebol.
E no futebol, sempre tem o ano que vem.

Não me iludo. Quarta-feira tem Brasil x Bagé pela Copa FGF. Provavelmente o Brasil entre com reservas, a torcida estará fazendo pouco ou nenhum caso, mas seguirá a história. Ao primeiro pontapé ou cotovelaço, estarão xingando o Bagé de "varzeano" e de "bagequino", assim como são nossos jogos contra o Pelotas.
Mas tenho certeza que hoje, através de Brasil e Caxias, o futebol do interior gaúcho perdeu junto.
Aos do Brasil que viajaram até Minas Gerais, meu respeito.
Aos que continuerem apoiando e peleando nesta luta desigual (grenás e rubro-negros), minha admiração.
2010 é logo ali,
diria Vanucci

Força, interior!

Receita simples para a Sulamericana

Sempre gostei da Copa Sul-americana e já escrevi isto aqui no blog, lá em 2006 e 07 (bem antes da discussão Gre-Nal sobre ela, na época em que todos gostavam da competição, ao menos aqui no RS). É uma Copa que nos possibilita ver times que não frequentam tanto as transmissões de TV (na primeira fase), sem abrir mão de vários grandes da América do Sul. Também há todo o clima de “Copa”, que só os ‘’mata-mata’’ proporcionam.

Mas a Conmebol insiste em colocar em prática algumas medidas que só fazem colaborar para o não “desarrollo” da competição.

Então, faço abaixo uma pequena e simples lista de sugestões para a Conmebol, e como acredito que Nicolás Leóz seja um leitor assíduo do PF, talvez sejam colocadas em prática já em 2010.

1) Critérios técnicos: Só garantem vaga para a Sul-americana os clubes que ficarem logo abaixo da última posição que dá vaga para a Libertadores, em cada país. Sem convites ou outros tipos de critérios políticos.

2) Número de vagas: O número de vagas para cada país até pode ser variável, mas não este absurdo que há hoje em dia no Brasil, por exemplo, onde um time tanto luta para não cair, como para pegar a última vaga da Sul-americana. A vaga deve ser privilégio e não prêmio de consolação. Para o Brasil, 3 ou 4 vagas estaria ótimo (do 5º ao 8º colocado do Campeonato Brasileiro, por exemplo).

3) 1ª fase por grupos: uma primeira fase em grupos de 4 times, por sorteio, e já internacional, acabando com estes jogos eliminatórios entre times do mesmo país.

4) Nomenclatura: a partir de agora, jamais mudar o nome da competição, e após escolhido o melhor semestre a ser disputada, manter a decisão.

5) Jogo pós-título: o campeão da Sul-americana disputaria um jogo contra o campeão da Copa da UEFA (competição disputada pelo mesmo critério e moldes).

6) Torcida: proibir a entrada na cancha de torcedores portando facas.

Uma Sul-americana nestes moldes teria a seguinte configuração em 2009:

Flamengo
Internacional
Botafogo
Goiás
Newells Old Boys
Gymnasia La Plata
Estudiantes
Arsenal
Defensor
Racing
Liverpool
Peñarol
Universidad Católica
O’Higgens
Everton
Colo-Colo
Nacional (Par)
Cerro Portenho
Guarani (Par)
Boyacá Chico
Santa Fé
Independiente de Medellín

E seguiria por aí...faltam ainda os times de Bolívia, Equador e Venezuela. E não esquecendo que os clubes, já na primeira fase, seriam sorteados por grupos, 4 equipes em cada grupo.

Quem quiser ler um texto que trata de como iniciou a competição este ano e seus defeitos, tem
um texto de Ubiratan Leal no Trivela. E quem quiser ler um almanaque atualizado de todas as edições, tem um muito bom no Bola na área, inclusive com o ranking histórico da competição.
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Foto: de Daniel Cassol, em
uma excelente postagem no Impedimento.

Fim do primeiro turno


E chegamos ao final do primeiro turno do quadrangular final da Segundona 2009. Ontem à tarde, no estádio dos Eucaliptos, o Riograndense sofreu uma goleada para o time do Porto Alegre: 1 x 4. Na terça-feira, o Pelotas, que jogou de tarde na Boca do Lobo, havia feito 3 x 0 no Cerâmica.

Com os resultados, o primeiro turno termina nestas condições:

1º - Pelotas : 6 pontos
2º - Porto Alegre : 4 pontos (saldo +2)
3º - Cerâmica : 4 pontos (saldo +1)
4º - Riograndense : 3 pontos

O Porto Alegre tem o melhor ataque (8 gols marcados), o Pelotas a melhor defesa (2 gols sofridos). Pior ataque e pior defesa pertencem ao Riograndense (3 gols marcados e 7 sofridos. Neste quesito empata com o Cerâmica, que também sofreu 7 gols).

Restam agora 9 pontos a serem disputados. Vamos ver como será a disposição de jogos:
Pelotas: dois jogos fora e um em casa.
Porto Alegre: dois jogos em casa e um fora.
Cerâmica: dois jogos em casa e um fora.
Riograndense: dois fora e um em casa.

Nesta relação, teoricamente, Cerâmica e Porto Alegre podem ter maior vantagem, e ambos jogam contra o líder Pelotas em casa. Mas a Segundona tem mostrado resultados surpreendentes, até no que diz respeito a placares elásticos. Ontem, por exemplo, o Riograndense, de boa campanha, sofreu a segunda (nas fases final e semifinal) goleada em seus domínios por 1 x 4. Na fase anterior, outro exemplo: numa rodada o Pelotas perdeu em casa para o Riograndense por 1 x 2, para na rodada seguinte fazer um 1 x 4 em Santa Maria. Bebeto Rosa tem a fama de também ser um motivador, resta saber se será suficiente para reverter a situação contra o mesmo Porto Alegre só que agora fora de casa. Já o Cerâmica pega o Pelotas, em Gravataí, e também precisará quase que obrigatoriamente da vitória. Lembrando que, se pegarmos como exemplo a fase anterior, que foi disputada neste sistema, nem os 9 pontos conquistados pelo Panambi , foram suficientes para obter a classificação. Mas por enquanto, por óbvias razões, o Pelotas é quem está mais perto de uma das vagas. Restam 3 partidas apenas e tudo recomeça neste final de semana.


O público que está acompanhando a fase final da Segundona nos estádios tem sido muito bom, principalmente nos casos de Pelotas e Riograndense. E isto já ocorria com outros times, nas outras fases, provando que a Segundona é o campeonato com mais apelo (comparado ao insosso e mais curto que estribo de petiço, Gauchão). Além disso, o nível técnico desta fase final tem sido bom, com a TV Com transmitindo bons jogos de futebol, sem prejuízo da tradicional pegada e de alguns lances mais pitorescos (para não deixar acabar a mística). Mas já passou da hora de olharmos a Segundona como um bom campeonato de futebol (seguramente o melhor do RS, no mínimo), não só pelo que há de curioso, mas também pelas paixões, que apesar de tudo, ainda mobilizam o futebol do interior do Estado.

Fotos:
Riograndense x Porto Alegre, nos Eucaliptos. Retirada do site oficial do Riograndense.
Pelotas x Cerâmica, foto de Gabriel Ribeiro, retirada do site oficial do Pelotas.
De acordo com a extensa bibliografia que a humanidade vem acumulando ao longo dos séculos, Deus já teve todas as cores, formas e facetas (além de todos os desvios de personalidade).
Já foi citado como tirano e benevolente, vingativo e apaziguador. Deus já foi considerado tudo isso. E o oposto.
Deus já fez gol de mão e, 18 anos mais tarde, cruzou a fronteira e vestiu a 9 com direito a testaço platinado e estampa neandertalesca para mostrar que a divindade não encontra limite nem está de molecagem.

Eu quero é falar do Diabo.

Certa feita, tive a oportunidade de adormecer em um recinto fechado, sem perceber que uma lata de Cascola estava aberta no ambiente.
Tive diversos sonhos bizarros, mas o que interessa aqui é meu encontro com o Diabo.

- Ué, porque a praça tá tão diferente?
- Por que isso é um sonho e a sua mente não funciona com toda a capacidade em estados de inconsciência.
- Sério?
- Sim, é tipo ligar o Windows no modo de segurança.
- Capaz! É sério mesmo isso?
- Não. Mas era o que você responderia pra alguém.
- Ah...
- Você sabe quem eu sou?
- Pela cor pode ser um alemão na praia, ou o diabo. Pelo cavanhaque pode ser o Froner, ou o diabo. Pelos chifres e rabo pode ser uma vaca, ou o diabo. É, vou pelo denominador comum...
- Parabéns! Normalmente as pessoas não percebem de cara com quem estão falando. Somente os melhores.
- Sério?
- Não. Qualquer idiota percebe que está falando com o diabo e nem precisa pensar tanto.
- Ah...
- Pois então, como está a vida?
- Não vou reclamar de nada, pois tudo sempre pode piorar e eu não quero que piore. E lá na tua terra, como anda a coisa?
- Quente, mas já tem tanto ar-condicionado que isto pouca diferença faz...
- Até aí pode ser o Rio de Janeiro...
- Sabe que eu não tenho nada a ver com os problemas do Rio, né?
- Não tenho dúvidas. Inclusive acho que o 80% do que sai sobre o Rio na imprensa é invenção da mídia.
- Enfim, não é mais minha jurisdição aquilo lá.
- Então...
- Não, nem Dele. O Rio de Janeiro está sub-judice, assim como São Paulo estava até semana passada.
- E agora...
- Agora temos de nos reunir novamente para decidir quem ficará responsável por São Paulo.
- Entre tu e Deus?
- Não, não, tá pensando que a gente é otário?
- Então, quem...
- A gente tá na dúvida entre Capão Redondo ou virar Terra de Ninguém mesmo...
- Ah... bom, lá no Rio Grande não temos esse tipo de problema...
- (gargalhadas)
- Não entendi...
- Amigo, o seu estado é o pior caso do Brasil.
- Como assim?
- O Rio Grande do Sul pode ser encarado por dois ângulos: você escolhe.
- Quais sejam?
- O Brasil que se leva a sério ou a Europa do baixo-orçamento.
- Não entendo essa visão que vocês têm do Rio Grande ser europeísta. A história do Rio Grande do Sul é calcada na variedade étnica e de povos...
- Baixo-orçamento!
- Ah...
- É.
- E o Rio Grande é jurisdição de quem?
- Você nem desconfia?
- Meu Deus! Brizola?
- Ahahahaha, não. O Brizola cuida do Uruguai, que é de propriedade dele.
- Nossa! Eu sempre digo isso pros guris de São Paulo e eles demoram pra acreditar.
- Pois é!
- Tchê, mas de quem será a juridição riograndense?
- Vou dar uma pista: está vivo!
- Un... NÃO!!!!!!!
- Não, não, calma, não é o Tony da Gatorra. Brincadeira tem limite.
- Ufa... espera, como é que tu...
- Eu sou parte do seu subconsciente, sei o que vocë pensa, fica tranqüilo...
- Un...
- Temos tempo, quero que você mesmo pense...
- Será que... NÃO, NÃO PODE SER!
- (sorriso diabólico)
- Não... é sacanagem, né?
- (gargalhadas diabólicas)
- Não acredito nisso! Quem permitiu...
- É, amigo, cada um tem o que merece, não é o que você mesmo diz?
- Tá, beleza, mas logo o Celso Roth??!!!!
- Veja bem. Tem um lado bom e um ruim...
- Porra, e qual é o BOM?
- O bom é que ele assumiu não faz nem uma semana...
- Tá! E o ruim?
- O ruim é que nos próximos 100 anos todos os homem nascerão volantes de contenção e com extrema dificuldade no passe...
- Bem, eu sou um entusiasta dos volantes de contenção...
- Os modelos serão o Leandro Guerreiro e o Eduardo Costa...
- NÃÃÃÃÃÃÃÃO

Acordei suado e em pânico.

Prefiro pensar que este encontro foi tão somente o efeito da maldita cola a evaporar pelo ambiente confinado.
Mas, por via das dúvidas, estou avisando vocês...

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* Texto de Maurício Kehrwald, que além de escrever no PF
também escreve no seu blog pessoal.

Uniformes dos times gaúchos

Uma postagem do blog argentino La Redó, intitulada Colores del mundo, uníos (?), gerou a curiosidade de fazer o mesmo levantamento por aqui. A postagem citada trata sobre as cores dos uniformes dos clubes das principais ligas do mundo, quais as cores e disposições que mais se repetem em cada um desses campeonatos. Com isto, fiz o levantamento dos uniformes dos times gaúchos, da 1ª e 2ª divisão de 2009 no Estado.
Começando pela 1ª divisão:


Da esquerda para a direita:
- Avenida
- Brasil-Pel
- Caxias
- Esportivo
- Grêmio
- Inter-SM
- Internacional
- Juventude
- Novo Hamburgo
- Santa Cruz
- São Jose - PoA
- São Luiz
- Sapucaiense
- Ulbra
- Veranópolis
- Ypiranga

Como (acho que) podem ver na imagem acima (editado: clicando na imagem dá para visualisar em tamanho maior), as cores mais presentes nos uniformes do Gauchão são o vermelho e o azul, com quatro clubes que as têm como cor predominante para cada lado. Como cor coadjuvante preto ou branco aparecem quatro vezes. No quesito listras, que estão em sete uniformes, a predominância são das verticais, tendo um único uniforme listras horizontais (e assim mesmo só na altura do peito), o do Veranópolis, que também se destaca por ser “pentacolor”.

Segundona Gaúcha:

Da esquerda para direita:
- 14 de Julho
- Atlético de Carazinho
- Aimoré
- Bagé
- Brasil-FA
- Cerâmica
- Cruzeiro-PA
- Farroupilha
- Flamengo de Alegrete
- Glória
- Guarany
- Lajeadense
- Milan
- Porto Alegre
- Pananbi
- Pelotas
- Rio Grande
- Riograndense-SM
- Rio Pardo
- Santo Ângelo
- São Gabriel
- São Paulo
- Três Passos

O verde é a cor predominante em 6 uniformes (aqui considera-se como predominante mesmo quando divide as listras com outra cor), junto com o vermelho (também em 6 camisas), e entre as combinações a mais comum é o rubro-verde, junto com os rubro-negros, 4 para cada lado. O amarelo predomina em outras três camisetas e o azul em quatro. Nas listras, goleada para as verticais, que aparecem 11 vezes, mas diferentemente da Primeira Divisão, aqui as horizontais têm vez e estão nas camisas de 4 clubes.

Resumindo, ao final desse pequeno levantamento, não se chega a quase nenhuma conclusão interessante, a não ser que quando fui fazer a imagem com os times da Segundona, a primeira e mais importante dúvida que apareceu foi: já não estaria na hora de voltar a Série C?

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Para confirmar a distribuição das cores nos uniformes utilizei a Wikipédia, mas em alguns casos a descrição do primeiro uniforme não batia com os que vemos nos campos usualmente. Um dos exemplos é o São José de Porto Alegre, que na maioria das vezes vejo de azul escuro, mas na Wikipédia constra como primeiro uniforme o todo branco, nestes casos fui confirmar a informação com imagens do Google. Mesmo caso do São Luiz, que tem como primeiro uniforme a camisa branca, e eu achava que era a vermelha. Neste eu utilizei a informação da "enciclopédia" por não ter chegado a uma conclusão através das imagens.
Os contornos dos uniformes retirei de uma imagem do blog
Café Fútbol.

Mudança de visual

Hoje coloquei um novo "template" no blog, então algumas coisas ainda estão sendo arrumadas e com o tempo vamos ver se ficará tudo certo.
Este é o terceiro modelo de blog que uso, e só troquei o primeiro porque foi desformatado quando o blogger.com foi reformulado. Depois nunca estive satisfeito com o outro modelo, mas por comodismo foi ficando. Agora espero que este não tenha erros e que não precise alterar tão cedo.
Na mudança de visual posso ter perdido algum link que havia no outro modelo, se alguém que tenha o PF "lincado" e não estiver por ali, é só avisar que adiciono.

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Na postagem anterior um grande amigo meu, o Ary Nelson Júnior, deixou um recado bastante elogioso, que só a amizade justifica.
Conheci o Juninho quando ele era bem guri, é o irmão mais novo de outro grande amigo meu de infância, o Igor.
Quando frequentava a casa deles, sempre encontrava o Juninho fazendo jogos imaginários de futebol, com bonecos, soldadinhos, botões...jogadores bastante heterogêneos. E tinha o cuidado, inclusive, de recriar todo o ambiente, com arquibancadas, reservados, placas publicitárias e narração, além das tabelas de campeonato cuidadosamente elaboradas.
Então sempre que nos encontrávamos, desde essa época o assunto era futebol. Com o passar dos anos o Juninho virou um aficionado por futebol, muito atento, e desde, sei lá, seus 10 anos, já corrigia erros que os jornais publicavam, em escalações, numeração, etc.

O tempo passou e eu e o irmão dele, hoje já temos filhos, somos re-compadres (eu sou padrinho do filho dele e ele do meu) e o Júnior é acadêmico de Jornalismo. Tenho certeza que teremos um ótimo jornalista no mercado. Nos encontramos pouco, mas é o tipo de amizade que ficamos tempos sem nos falarmos, mas quando há uma oportunidade, é como se estivéssemos retomando o assunto que foi interrompido no dia anterior.

O Júnior escreve no blog
Sanidade Mental, e lá fez também uma postagem sobre o PF, a qual já aproveito para agradecer.

Um grande abraço, Júnior!

Um verdadeiro amistoso

Escrevo esta postagem, principalmente, como uma maneira de prestar um serviço à memória do futebol, ao menos no que tange a internet, já que na época do ocorrido, as publicações bageenses não eram “upadas” para a rede. Então, a partir de agora, espero que quem procure pelo jogo abaixo relatado na internet, chegue pelo menos a este texto, que apesar das falhas da memória, já é alguma coisa.

O ano é 1994, e o local é o estádio da Pedra Moura.
Os dirigentes de Bagé e Guarany organizaram uma rodada dupla, na qual as equipes locais enfrentariam duas equipes de Montevidéu. Ao Guarany tocou enfrentar o Sud América, naranja, e o jogo de fundo seria Bagé x Miramar Misiones, la zebrita.

O primeiro jogo começou às 15h30min, e transcorreu dentro da normalidade. A partida entre Bagé e Miramar Misiones começou quando já caia a noite. Era uma noite muito fria, com o vento ajudando a aumentar o frio e uma garoa miúda de congelar ossos.
Neste cenário começou o prélio amistoso internacional.

O frio era tão intenso que desestimulou a torcida do Guarany a apoiar os adversários do Bagé e se retirou em sua maioria, numa atitude sensata.
Para quem não conhece a Pedra Moura e nem as rodadas duplas, uma breve explicação: em algumas situações, como nestes dois amistosos, ou quando Bagé e Guarany reformaram seus gramados, ocorreram a rodada dupla: o rival fazia a preliminar e o dono da casa fazia a partida de fundo. Neste tipo de rodada, quem era beneficiado também eram os times visitantes, que passavam a contar com inesperada e ardorosa torcida, ocasionando um verdadeiro Ba-Gua, ao menos nas arquibancadas.
Ocorre que na Pedra Moura, a torcida adversária fica na lateral oposta ao “pavilhão social”, sem nenhuma cobertura. E este pavilhão é a única área coberta do estádio.

Voltando ao jogo, começada a partida, eu e meu irmão (na época eu com 16 anos e ele com 11) estávamos no lugar que costumávamos assistir sempre os jogos: atrás da casamata adversária (hoje em dia não existem mais as casamatas, que foram destruídas na reforma de 2004, mas na foto abaixo vocês podem observar como era antigamente):

Neste local do estádio podíamos externar toda a nossa paixão jalde-negra, estranhamente contra os adversários que ficavam por ali, a poucos metros do primeiro degrau da arquibancada. Mas como contei no começo do texto, caía uma chuva miúda, que era quase neve, mas quando apertava virava chuva mesmo. Pensando nisto, “subimos” para o pavilhão, como a maioria que estava lá naquela noite.

O jogo ia bonito, apesar de ser um amistoso internacional, estava com toda a cara de Gauchão. O campo estava virado numa mangueira, e os jogadores não tratavam o jogo como amistoso. Muita correria, chegadas ríspidas, carrinhos e toda a sorte de golpes lícitos e ilícitos.

E a coisa ia assim, acirrando os ânimos, esquentando os torcedores naquele gelado inverno e tornando a partida uma decisão Rio Grande do Sul x Uruguai.

Até que lá pelas tantas, já no segundo round, uma falta para o Bagé, uns 35 metros da goleira, mas frontal.

Um jogador do Bagé, de apodo Capincho, pega a bola para cobrar a falta. Arruma o balão no chão, e se levanta, com aquele jeito de quem ainda vai decidir se cobra direto ou se cruza na área. Mas neste momento, dá de cara com um jogador do Misiones muito perto do rosto dele. Não trocam, aparentemente, uma palavra sequer. Encaram-se. O jalde-negro empurra o “zebrita” forte, na altura do pescoço, e o desequilibra, como que arrumando espaço para cobrar a falta. Na volta do “desequilíbrio”, o jogador do Misiones já vem com o punho na frente, desferindo um soco no atleta jalde-negro.

O jogador do Bagé devolve o cumprimento, mas por cordialidade, adiciona um pontapé lateral. Ato contínuo, o jogador do Miramar “se bota”, e os dois continuam nessa troca de socos e pontapés. Claro que escrever sobre isto é lento, mas na hora foi rápido, e no momento que começou a ‘’trocação’’, ambas as equipes correram em direção à pugna que ali se instalara. A partir daí, é difícil relatar com precisão, porque além dos anos para embaçar minha memória, criaram-se muitos os focos pelo campo...e aí a briga começou.

Nesta altura, eu e meu irmão, comodamente instalados nas cadeiras da Pedra Moura, nos sentimos como traidores, enquanto a peleia ia solta, nós ali, longe da casamata dos “visita”, sem nem ao menos xingar. A resolução foi rápida: vamos para a tela. Para isto pulamos o muro que faz a divisa das sociais com a arquibancada, que se encontrava quase vazia naquele local, e outros torcedores, empolgados com o nosso gesto (quero crer), fizeram o mesmo. A Brigada, que estava em pouco número junto à tela, se assustou com a movimentação repentina, e partiu pra cima de nós, subindo os degraus em direção à pequena turba (em número e idade) com cacetetes em punho e com a intenção clara de liquidar com o nosso “aguante”. De qualquer maneira, das humilhações a menor, não tivemos que pular de volta para as sociais fugindo, mas ficou claro que não poderíamos sequer tocar na tela do gramado.

Em campo, o que havia começado com apenas dois jogadores, agora envolvia os 22 atletas e mais as duas comissões técnicas. Lembro de pequenos grupos de jogadores brigando quase isoladamente, como por exemplo, dois atletas do Bagé, segurando e dando socos em dois jogadores do Miramar, colocando-os contra a tela (bem no trecho em que a Brigada não deixava a torcida chegar perto).

Para não me perder em pequenos relatos de tantas brigas que ocorreram naquela verdadeira luta campal, relato um fato curioso, mas que mostra bem o tamanho da briga, e provo que esta sim, pode ser chamada de generalizada.

Nesta época, o Bagé possuía um massagista que pesava muito além dos 100 quilos. Ele foi um dos que tornaram a labuta “generalizada”.
Quando vemos, adentra ao gramado, correndo em direção ao grande círculo, o massagista, numa corrida desajeitada por causa do peso e do barro.
O alvo: um jogador do Misiones, obviamente.
A arma: um soco poderoso, capaz de botar a dormir um javali.
O fail : o castelhano se esquivou e o massagista, desequilibrado, girou sobre o próprio eixo, uns 180º. A consagração: sem intenção, o massagista quando já estava de costas para o oponente, não sustentou mais o equilíbrio, e acabou caindo em cima do uruguayo. Festa nas arquibancadas: o jogador adversário estava espremido entre o generoso peso do massagista e o gramado embarrado e o principal,fora de combate.
Sinceramente não lembro em que altura conseguiram, os mais calmos dentro de campo e a brigada, acabar com a contenda. Mas acabou.

Outro fato engraçado foi que, ao acabar a briga, um dirigente do Bagé “invade” o túnel do Misiones, mas com a intenção de pedir desculpas pelo ocorrido. Já estava indo em direção a um dirigente, que não sabia do final da briga, e ouve do uruguaio: “Não me dê! Não me dê!”. Teve que explicar a razão da visita.

Já estava programado que ao final da partida, o Bagé ofereceria um jantar ao Miramar Misiones, na AABB de Bagé. E o jantar ocorreu, e por incrível que possa parecer, com a presença de vários jogadores e dirigentes jalde-negros.

Meu pai sempre havia falado, que nas andanças como técnico já tinha enfrentado algumas vezes uruguayos, e de um comportamento particular deles. E isto se comprovou neste jantar: a briga foi dentro do campo, e por mais violenta que tenha sido, no jantar todos riam e celebravam. O tema predominante, claro, foi a briga de mais cedo, cada um contando seu ponto de vista, no mais autêntico portunhol. Ali sim, foi onde ocorreu o amistoso.

Bem, eu não fui nesse jantar, soube disso por quem lá esteve. Saí da Pedra Moura direto para casa (morava cerca de oito quarteirões do estádio, bons tempos). Ligo a TV, Jornal Nacional* no final e qual minha surpresa: revejo o giro matador do massagista do Bagé, em cadeia nacional. Só o Bagé...

O resultado do jogo, realmente não lembro (não foi o mais importante), mas perguntarei pra outras pessoas e faço a edição aqui. Mas que foi um baita jogo, foi.

* Tentei, há dois anos atrás recuperar esta filmagem através de e-mails para a Globo. Não consegui, por enquanto.
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