O futebol nos trilhos

O Jornal Minuano, de Bagé, através do jornalista Higino Gonçalves, resgata uma história cheia de peculiridade sobre o comportamento de algumas torcidas antigamente. Nos idos dos anos cinqüenta, era bastante comum entre as torcidas do interior do Rio Grande do Sul, viagens de trem para dar seu apoio às equipes da cidade. Eu não sei em que época isto foi diminuindo, mas possivelmente tenha sido simultaneamente com o desmantelamento da RFFSA. Já o número de torcedores que acompanhavam estas tradicionais equipes do interior gaúcho também diminuiu e não só pelo fato do transporte ferroviário ter virado sucata (ou teria relação? Gostaria de pensar que sim, mas ocorreram outros problemas como já escrevemos aqui mesmo).
Eu imagino se hoje houvesse este tipo de costume entre os torcedores do interior, com passagens de trens baratas (em relação ao aluguel de vans e ônibus) e vagões inteiros ocupados por torcedores dos clubes do interior do Estado, dirigindo-se para acompanhar os jogos fora da cidade. O futebol do interior estaria em que patamar? O pior é pensar que esta época já existiu e que havia muita gente que apoiava incondicionalmente o clube da cidade, a despeito da raridade de títulos, desde a década de 40.

Mas era assim no interior gaúcho, principalmente na Metade Sul, naquela época e me pergunto se alguém possui ou tem conhecimento de alguma foto com essa gente, nestas viagens lendárias. Se alguém souber, que entre em contato, seria um belo resgate.

Mas nem tudo eram flores, mesmo naquela época dourada. Às vezes eram pedras.
O Dr. Jesus Ollé Vives, ardoroso torcedor do Bagé e que já ocupou cargos na diretoria jalde-negra inúmeras vezes, guarda um curioso impresso, que circulou nas mãos dos moradores de Livramento e Rivera, à época:

Ao povo de Santana e Rivera:

A torcida rubro-negra convida a população das duas cidades a recepcionar ao famigerado quadro do Grêmio Esportivo Bagé à altura da maneira com que foram tratados os valorosos quartorzeanos quando excursionaram à cidade de Bagé.
Repugna aos nossos foros de cidade civilizada hospedar a horda de bárbaros bajeenses que, num atestado de incultura e vandalismo, traíram as tradições de hospitalidade dos rio-grandenses e, por isso, merecem o desprezo de todos os desportistas desta fronteira.
A torcida rubro-negra previne que assumirá atitudes de represália contra todos aqueles que, de uma forma ou de outra, facilitarem a estadia dos bajeenses em nossa cidade, quer hospedando, dando condição ou tratando com elementos da sua caravana.
Exige o bom nome das nossas cidades que os bajeenses sejam tratados como bárbaros e covardes que são.
Como será um dia de luto aquele em que o barbarismo chegar a nossa cidade, Santana estará vivendo um de seus dias mais tristes quando pisarem em terra santanense os representantes do Grêmio Esportivo Bagé.”


Os grifos no texto acima são meus, obviamente. Ocorre que na época era comum, junto com as excursões de trens, o apedrejamento dos vagões que traziam a torcida visitante, não só em Bagé. Contam também os mais antigos, que as sessões de pedras e brigas, podiam ocorrer em várias estações pelos arredores da cidade, antes do trem estar definitivamente a uma distância segura ou desestimulante.

Não sei o que houve com a torcida no jogo da volta, na matéria que conta sobre esta história não há relatos sobre, mas os jogos foram em 1951, 2 x 2 em Bagé, e 3 x 3 em Livramento, apesar do clima de guerra o Bagé não se intimidou. Pode-se notar que este artifício já é utilizado há bastante tempo no futebol e, assim também como hoje, nem sempre dá resultado em campo. O Bagé acabou eliminado da competição mais tarde, em Rio Grande, perdendo para o “vovô” por 6 x 0. E mesmo abaixo de pedradas e brigas, o futebol do interior era bem mais pujante no Rio Grande do Sul dos anos 40, e hoje sem pedras mas (perdoem o trocadilho óbvio) sob escombros.





Matéria via
Jornal Minuano (Bagé-RS).
Fotos:
http://www.estacoesferroviarias.com.br/ (na primeira, a Estação Central de Bagé nos anos 30 e na segunda nos dias atuais, agora funcionando como sede da Prefeitura Municipal).

Pura Imagem

Coloquei algumas imagens aí do lado, randômicas.
Conforme for, vou adicionando outras.
Pena que não se pode colocar trilha sonor, ficaria muito pesado (aliás, este blog está com muitas "pop ups", a maioria das quais não sei a procedência. Mas vamos resolver isto).
De qualquer maneira, aqui está a trilha sonora (indicada) para assistir às "puras imagens":
http://www.sombreroluminoso.com.br/mp3/paraguay.mp3

Desfrutem.
Logo mais tem postagem, espero.

Camisa 10 *

* Por Maurício Kehrwald

Sabem como é, aquela coisa de histórias em família.

Só que no caso do Paulo, já não era mais só história: havia tomado o statusde lenda. E, como de praxe nestes casos, ganhava proporções maiores a cada atualização ou novo relato.

Tudo corria dentro da normalidade, até que o Pedrinho, filho do Paulo,começou a crescer.

E a se interessar pelas histórias sobre o pai.


- Teu pai jogava muito, guri...

- Muito?

- Muito!

- Em qual posição ele jogava?

- Camisa 10, meia-atacante!

- Nossa...


Na escola, durante o recreio, resolveu passar adiante uma das histórias queo tio lhe contara. Encostou no Sardinha, seu colega de sala e doente por futebol:

- Ô, Sardinha, sabia que meu pai foi meia-atacante?

- E ele era bom?

- Muito! Camisa 10. Artilheiro...

- É? E em qual time ele jogou?

- Não sei!

- Como não sabe?

Não sabia. Esquecera de perguntar este detalhe para o tio.Decidiu descobrir direto na fonte.

- Paiê, em qual time tu jogavas?

- Vários times, filho! – respondeu enquanto largava o jornal

- Algum time bom?

- Claro, filho! Joguei no São Paulo, no Inter, e...

- No São Paulo?! No Inter?!

- Er... não, filho... no São Paulo de Rio Grande e no Inter de Santa Maria,que são times muito tradicionais e importantes do futebol gaúcho...

- Ah... mas ganhou algum campeonato?

- Alguns, filho... sendo que os mais importantes foram os dois títulos consecutivos do interior...

- Como assim, título do interior? Que campeonato é esse?

- Na verdade é como chamavam na época quem chegava logo atrás de Grêmio e Inter ao final do Campeonato Gaúcho...

- Ah, entendi...

- Entendeu, filhão?

- Entendi. Os teus maiores títulos foram dois terceiros lugares no Gauchão.

- (...)

- Pai?


Nessa hora, o Paulo, que apesar de paciente também tinha limites, estavalouco pra enfiar a mão no guri. Mas teve calma e prosseguiu.

- Eram outros tempos... tu nem eras nascido ainda, e... anh... bem...

Nessa hora a melhor coisa a se fazer é, claro, mudar de assunto. Mas não foi, mais claro ainda, o que o Paulo fez.

- ...eu também fui artilheiro do Carioca em 82, quando o Flamengo comprou o meu passe.

- Flamengo? Verdade, pai?

- Aham...

Afinal, se é pra mentir, que se minta bem!

- Oba! Vou contar isso pro Sardinha.

- Vai lá...

- Demais! Ele é fã de futebol e herdou um montão de revistas do pai dele.Com certeza tem o teu nome lá, em alguma delas...


Foi aí que o Paulo percebeu a bobagem que fizera. Seria desmascarado.Brutalmente desmascarado.Haveria de carregar aquele opróbrio como um pesadíssimo fardo, às costas,até o derradeiro dia de sua passagem por este plano. Precisava consertaraquilo, e ligeiro.

- Ei, filho, espera... tu precisas mesmo contar isso pro teu colega?

- Claro, pai... me orgulho de ti... mas... é verdade isso mesmo, né?

- Claro, claro... só avisa ao Tainha...

- Sardinha, pai.

- Isso. Diga ao Sardinha pra procurar o artilheiro daquele campeonato pelo meu apelido da época. Pelo meu nome ele não vai achar.

- Apelido?

- Isso, filhão! – suando muito, mas muito frio

- Tá, e qual é o apelido, pai? Espero que não seja complicado... eu ainda não conheço quase nada de futebol, sabe...

- Zico!


A mãe do Pedrinho, indignada, teve que trocar o filho de escola. Nosso meia-atacante camisa 10 dormiu no sofá por 5 semanas consecutivas e a criança, passados 10 anos – hoje com 18 – ainda não voltou a falar com o pai sem ser por monossílabos.Ah, sim, o tio do Paulinho é considerado persona non grata na casa.
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Das nomenclaturas

Como torcedor do Bagé, sempre me causa estranheza ler o nome do jalde-negro escrito "Grêmio Bagé". Ou pior ainda, como já vi, “Grêmio de Bagé”. Além das ponderações referentes à Língua Portuguesa, cria-se a falsa impressão de que o Bagé baseou-se no Grêmio Porto Alegrense na hora de batizar o time da fronteira, em virtude do time da capital ser muito mais conhecido e um pouco mais antigo. Mas é um erro achar isso, apesar de ser fácil de entender.


Primeiro vamos esclarecer o significado de “Grêmio”, segundo o dicionário:
do Lat.Gremiu, s.m., comunidade;assembléia;corporação;associação;grupo.
Ou seja, no caso do Bagé, uma associação de futebol, denominada "Bagé".

Para exemplificar, seria o mesmo que chamar o Inter de “Sport Internacional”, o Brasil de Pelotas de “Grêmio Brasil” ou São Paulo de “Futebol Clube”, só para ficar nestes exemplos.
Vamos também nos valer da história.


O Bagé foi fundado em 1920. O Grêmio em 1903. Em 1920, o Grêmio não tinha nenhuma projeção que fomentasse alguma “cópia” pelo interior. Só havia um campeonato gaúcho disputado até aquele ano, o de 1919, e que foi vencido pelo Brasil. Em 1920, o vencedor foi o Guarany de Bagé [aqui é outro exemplo: pra quem acompanha o futebol do interior do RS, apenas grafar “Guarany” com “y”, já subentende-se que é o de Bagé). Além disso, nas décadas de 10, 20 e 30, clubes de Bagé, Pelotas, Rio Grande e Sant’ana do Livramento competiam de igual pra igual com os clubes da capital, inclusive no que diz respeito à contratações de jogadores. Bagé e Guarany, por exemplo, tiveram vários jogadores do Nacional e Penãrol em suas equipes nesta época de “plata” sobrando, já que a economia destas regiões ia muito bem.
Não havia torcedores do Grêmio Porto Alegrense ou do Inter em Bagé, e no interior, de maneira geral.
Outro fator que aponta para a desinformação quando tratam o Bagé por “Grêmio Bagé”, é que em 1906, o embrião do Bagé, também jalde-negro e de fundadores coincidentes do “Bagé de 1920”, foi batizado de “Sport Club Bagé”. Diriam hoje que seria uma cópia do homônimo de Porto Alegre, mesmo sendo o Inter de 1909.
Mas o Bagé, como alguns outros clubes do interior que coincidentemente têm o pré-nome igual à de um dos “famosos”, paga pela sua “falta de fama”.

Vejamos um exemplo emblemático do que estou escrevendo, que ocorreu num programa da TV Com (televisão de Porto Alegre do grupo RBS - pra quem é de fora do RS). O programa era apresentado pela Tânia Carvalho, coincidentemente bageense e torcedora do Guarany. O tema era futebol, estava lá inclusive o Ruy Carlos Ostermann, e lá pelas tantas falaram que um dos primeiros uniformes do Internacional tinha sido um listrado, vermelho e branco, e a Tânia Carvalho observou que era igual ao Guarany, mas todos concordaram que o Guarany é que havia se inspirado no alvi-rubro da capital.

Mesmo sendo jalde-negro, não resisti e liguei para a produção do programa para informar que o Guarany havia sido fundado em 1907 ! Não tinha culpa de ser menos famoso, o que é uma coisa, mas ter se inspirado no uniforme é outra. A não ser que os fundadores do Guarany fossem profetas e tivessem previsto tanto a fundação do Inter em 1909, como seu sucesso no futuro. Assim como os fundadores do Bagé, deveriam estar pensado: “vamos copiar o primeiro nome deste tal time de Porto Alegre, pois terão sucesso no futuro”, já que até 1920, ano de fundação do Bagé, Grêmio e Internacional eram apenas clubes incipientes, e que perdiam, títulos inclusive, para Bagé e Guarany.

Então este tipo de erro se repete, e vai se solidificando, por mais que se tente o contrário. Já enviei alguns e-mails à redações de esportes dos jornais de Porto Alegre cada vez que publicavam o “Grêmio Bagé”, mas algumas vezes as pessoas preferem se manter desinformadas, já que o assunto é “irrelevante” (no dos outros é talco) e dá muito trabalho retificar.

Outro que paga o preço do homônimo ser mais famoso é o Grêmio de Foot-Ball Santanense. Desse eu não posso afirmar categoricamente a intenção dos fundadores, já que não conheço a história do clube, mas parece ser o mesmo caso, já que foi fundado em 1913, e ainda por cima tem as cores vermelha e branca.

Então, o Bagé é BAGÉ, ou seu nome completo, Grêmio Esportivo Bagé, assim como o Internacional é “Internacional”, ou Sport Club Internacional.

E que eu pare de ler em Orkut e fóruns esta má combinação, não pelo nome, que faz parte do nome do Bagé, orgulhosamente para seus torcedores, mas porque leva o leitor desinformado a acreditar que o Bagé é uma espécie de cópia de algum outro time, no que diz respeito ao nome.
E pra esclarecer mais ainda os que não conhecem este clube, as cores são o amarelo e o preto, listrado.


Publique-se e divulgue-se!

Foto: os fundadores do Sport Club Bagé, em 1906, via Jornal Minuano (Bagé-RS).

Penalidade Máxima e ainda Football Factories

Assisti ao filme "Mean Machine" (título em português: Penalidade Máxima).
O filme, bem, aí vai a sinopse:
"Um ídolo do futebol é expulso do time devido à acusação de ter manipulado um resultado e, logo depois, agride um policial e é preso. Ele recebe então a proposta para que treine o time dos guardas da prisão. Com Vinnie Jones".

Na verdade ele é "ex-ídolo, porque não joga mais e vendeu um jogo entre Inglaterra e Alemanha. A sinopse também não me deixou interessado no filme, mas como era sobre futebol...vamos lá.

O filme não é ruim, mas não recomendaria pra quem não está disposto a gastar R$ 2,50 num filme "normal". Mas tem alguns momentos.

Resumindo a coisa toda, acaba que ocorre um jogo entre presidiários e guardas na prisão inglesa onde está o ex-ídolo. Ele lidera o time dos presidiários. Tem alguns momentos engraçados, bastante clichês e mistura o mundo "da detenção" com o mundo futebolero.
A edição da partida entre "detentos x guardas" é longa, mas se tratando de "filme de futebol" até que as ações não são das piores (ao contrário de vários outros filmes). No caso deste, eles levam vantagem porque têm que representar um jogo amador, então se torna mais fácil lidar com falta de velocidade, etc. Ficou "ajeitado".



Ficha:
Título Original: Mean Machine
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2001
Direção: Barry Skolnick

No elenco, quem assistiu ao "Snatch - Porcos e Diamantes" (um dos meus favoritos), irá reconhecer metade do elenco. Não sei se é por isto, mas na capa do filme na locadora, há uma inscrição que é do "mesmo diretor" de Snatch - Porcos e Diamantes...vendo a ficha técnica aqui, parece propaganda enganosa.
Além deles, aparece também Danny Dyer (foto ao lado) , que foi protagonista em "The Football Factory”, e apresentador do documentário que vou lincar abaixo.

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Este não é ficção. Danny Dyer vai para a Turquia e mostra um dos clássicos mais selvagens do mundo, entre Galatasaray e Fenerbach, pela série "The Real Football Factory - International" . Tem um pouco de imagens do clássico turco no estádio e algumas entrevistas com os envolvidos, além de comentários do próprio ator/repórter. O ator, que não é bobo nem louco, vai com a torcida que é maioria no estádio, inclusive de jaqueta do time, que ele ganha na frente de um bar de torcedores. Mas o documentário é muito bom, ainda mais tendo como parâmetro o que (pouco) se produz sobre futebol. A edição é excelente!
O único "porém" é que esta versão que eu achei é sem legendas, não sei se existe outra legendada. Mas faz do limão uma limonada e além de assistir, treina teu inglês...ou só assista mesmo, as imagens são auto-explicativas, em grande parte dos casos.
Eu gostei bastante e como é uma série, assistirei os demais e depois comento por aqui.

TRFFI - Turquia
TRFFI - Argentina (ainda não assisti, depois comento)

Aviso

O canal Sportv, apesar de não estar transmitindo o Campeonato Argentino, amanhã passará ao vivo o Superclássico.

A partida começa às 14 horas (horário de Brasília) e é uma boa oportunidade para dar uma conferida no campeonato de lá, porque parece que o Sportv não irá transmitar nada além dos River x Boca.




Na Itália tem o clássico entre Lazio e Roma, às 15:30, será transmitido pela RAI e TV Esporte Interativo.

Eu assistirei o Boca x River e depois pego o segundo tempo de Lazio e Roma.

Não costumo postar programação aqui, mas este domingo valia uma postagem, pelos dois grandes clássicos.


Sobre o clássico argentino, fala o goleiro do River, Juan Pablo Carrizo, no D. Olé:
"En estos partidos se demuestra si tenés huevos".
Bom domingo!

Das canchas retas às 4 linhas

Existe no município de Pinheiro Machado (RS), um distrito chamado Torrinhas.Belíssimo lugar, onde pode ser visto ainda os últimos remanescentes dos mais xucros costumes gaudérios. Eu conheço o lugar porque um amigo meu, o Luciano, possuía uma estância por lá, e algumas vezes visitei o lugar. O avô deste meu amigo possuía também uma “cancha reta” (local destinado à corrida de cavalos) na localidade, talvez único local de diversão da galera nos finais de semana. Semana passada este meu amigo me visitou e relembrou algumas histórias que presenciou no estabelecimento de seu avô, histórias insólitas e muito engraçadas, e os personagens, figuras que ainda guardam o que de mais autêntico há na cultura gaúcha.
Os relatos são incríveis, e vão desde dos hábitos etílicos dos freqüentadores, até peleias lendárias em virtude dos jogos que por lá ocorriam (jogo de osso, carteado, cancha reta, etc).


Nada envolvia futebol, para que eu relatasse aqui, até que ele lembrou de um jogo, um pequeno fato, mas que demonstra bem como a cultura local invade o futebol. Ocorre em todos os setores, mas o futebol é prodigioso no que diz respeito a incorporar a “localidade” na prática de um esporte que é internacional.

O jogo corria normalmente para os padrões deste rincão, muita pechada, canelada, berros dos jogadores e da assistência, futebol cru, a essência do que hoje chamamos de “futebol força” – futebol à força. Com os exageros das divididas, a coisa foi ficando mais ríspida que o normal, e os jogadores de ambas as equipes já deixavam a bola e a marcação do gol para o plano secundário: virou caça ao adversário. Nada que preocupasse platéia e “comissões técnicas”, era normal que os jogos terminassem assim. Mas em alguns casos, até o mais rude zagueiro pode ficar preocupado com o parceiro de equipe.

Lá pelas tantas, numa dessas “divididas”, um zagueirão que só dava bico pra longe, jogando sem camisa, com o cigarro apertado entre os dentes, ao ser driblado por um atacante, não vacila: em velocidade, acerta um chute potente, mirando apenas a perna do “driblador”, que já ia disparar em velocidade (o segredo dos atacantes destas bandas é a velocidade, muito mais que a técnica... dá pra entender).
A câmera é lenta. O grunhido é de ambos. Um solavanco e o vôo. E o que assustou a todos, inclusive os que estavam acostumados com estes jogos domingueiros de futebol: um “CRAC”!
Um barulho horrendo para sair da perna de alguém. Um som de osso estilhaçado, mas muito estilhaçado. Já pensavam em rumar pro hospital mais próximo.
O atacante, rola, a pancada fora realmente muito forte, uma, duas, três vezes...cai inerte por uns bons 5 segundos de apreensão e levanta, mexendo na meia atingida.
A platéia está atônita, e fica mais surpresa ainda quando o jogador saca de dentro da meia, rindo, pedaços de uma telha Brasilit. Era a “caneleira” do sagaz atacante que havia espatifado. A canela, “intacta”, considerando a violência da pancada.
Primeiro, gargalhadas, depois aplausos efusivos da claque.

Eu apenas lamento não haver imagens destas pérolas que ocorriam nos campos do sul.

Das frases que marcam

Esta postagem é via "Frases Futboleras".
Mas a frase foi quase uma história, ou uma história, realmente. Reproduzo a frase aqui, em espanhol, pois postar ela traduzida seria um crime. Lendo vocês irão entender.

Então, que fale José Luis Calderón*:

"Hace unos años fui con mi pibe a una compra venta de un amigo de la infancia, de la villa. Bueno, llegué, un lío bárbaro, nos fuimos a tomar unos mates. Y ahí, entonces, el tipo me dijo que no tenía sillas.

"Y pasame un cajón, boludo", le tiré.

Al rato mi pibe pidió una gaseosa y mi amigo me dijo que no tenía vaso de vidrio.

"Y que tome del pico", le contesté.

Y así... Cuando nos fuimos mi pibe me dijo: "Papá, son muy pobres".

Paré el auto en seco. Lo miré.

"Escuchame una cosa, pendejo de mierda y la concha de tu madre, qué te pensás que sos, ¿millonario? ¿Sabés dónde vivía yo, pelotudo?", le dije.

Y lo llevé a la villa. Y le mostré mi casa, con el baño [banheiro] a 30 metros. Ahora se adapta a todo".


E o que tem isto com futebol? Tudo.

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* O autor da frase é José Luis Calderón, jogador argentino, e podem saber mais dele na Wikipédia, em:
http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luis_Calder%C3%B3n

Prêmio Blog Solidário


O Puro Futebol recebeu uma indicação ao Prêmio Blog Solidário. A indicação é feita por outros blogs de futebol, que contribuam com a internet futebolera (sem incentivos financeiros), e no nosso caso, quem nos indicou foi o blog Futebesteirol. Agradecemos sinceramente a indicação e abaixo vai a lista das indicações do Blog.

Ao fazer esta lista notei duas coisas: que a maioria dos blogs que lembrei são argentinos, mas resolvi deixar assim mesmo porque na verdade sou relativamente um novato na blogsfera, e talvez por isto a minha lista de leitura não seja extensa. E a segunda coisa é que de blogs brasileiros, pouco leio além dos blogs relacionados na lista de links ao lado.
Tenho que ler mais os blogs futeboleiros nacionais, tem muita coisa boa pra ser lida, certamente.

Novamente, muito obrigado ao Futebesteirol.


Dêem uma passada pelos blogs (mesmo os em língua espanhola), são bem interessantes.

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* Condiciones y bases de participación:
1.- Escribir un post mostrando el PREMIO y citar el nombre del blog que te lo regala y enlazarlo al post que te nombra. (De esta manera se podrá seguir la cadena).
2.- Elegir un mínimo de 7 blogs que creas que se han destacado alguna vez por ayudar, apoyar y compartir. Poner sus nombres y los enlaces a ellos. (Avisarles).
3.- Opcional. Exhibir el PREMIO con orgullo en tu blog haciendo enlace al post que escribes sobre él y lo otorgas a otros.

Mudanças no visual do Puro Futebol

Pessoal, tive que alterar o "template" do Puro Futebol para estes que vocês estão vendo agora. Uma pena, porque gostava bastante daquele anterior, que era "limpo" e com detalhes que também gostava.
Não mudei por vontade própria, é que na última semana as postagens apareciam "desformatadas", os links foram para o final da página e ficou muito desorganizado, apesar de eu não ter alterado nada (acho que o blogger danificou o modelo anterior).
De qualquer maneira, salvei o "código" do visual anterior e se os problemas acabarem, retornarei com ele.
Por enquanto fica este, que não gosto, mas admito ser bem mais fácil manipular.
E na verdade o principal é o texto (rogo!), mas um "layout" que não me agrada tanto é irritante.
É mais do mesmo com as cores diferentes, peço a compreensão de todos.
Mas saliento: foi uma mudança compulsória.

Sem luz no fim do túnel

A notícia do leilão do estádio do Gaúcho de Passo Fundo foi veiculada em vários sites e vocês podem ter um resumo da história no blog Futebesteirol.
No caso específico do Gaúcho há ainda uma tragédia acontecida nas piscinas do clube, indenizações não cumpridas, etc., mas o clube se junta ao melancólico cenário que vive o futebol do interior do Rio Grande do Sul, de maneira geral.
A penúria se traduz nas finanças mas também, e talvez principalmente, resulta da “globalização” das torcidas do interior. O mal só não é maior, porque diferentemente de outros Estados, o torcedor do interior gaúcho quando torce por outro “grande” que não seja de sua cidade, opta por Inter ou Grêmio, diferentemente do acontece em vários outros Estados, com torcedores apoiando times do Rio de Janeiro e São Paulo (como acontece na maioria dos Estados nordestinos, por exemplo).
Mesmo assim, os efeitos já são visíveis deste abandono por parte dos torcedores dos times do interior gaúcho. A sedução de torcedores do interior é fácil de entender: de um lado a fartura de títulos e mesmo na ausência destes, a televisão consolidou as marcas da dupla Gre-Nal, e o que ocorre no interior (na melhor das hipóteses) é que o torcedor tem sempre o clube da cidade como preferido e junto a este faz a opção por um time da capital. Há casos de torcedores que se dedicam com a mesma paixão para seus dois clubes, mas infelizmente na maioria das vezes o clube do interior é relegado a um segundo plano. E ainda se não bastasse a influência da TV, a dupla Gre-Nal descobriu o caminho do marketing e através dele atrai associados do interior do Estado, venda de artigos dos clubes, etc.
E o futebol do interior também não se ajuda. Pouco ou nenhum marketing, administrações falhas e poucos abnegados tentando tocar o barco, cada vez com menos “tripulantes”. A exceção é o Juventude, que inicialmente cresceu com a parceria com a Parmalat e depois dela se sustenta com a participação no Brasileirão.
Uma pena este definhamento do futebol do interior, pois inclusive a partir dele a dupla Gre-Nal construiu seu estilo de jogo, o futebol gaúcho se tornou o que é a partir dos campos do interior.
As perspectivas são as piores. Todo início de Gauchão há a polêmica sobre o número de jogos ser excessivo para a dupla Gre-Nal, que usarão reservas na maioria das partidas, etc. Por outro lado, há o discurso que nenhum dos grandes quer perder o Gauchão e que é sempre bom ganhar do tradicional rival. O resultado na prática é que os clubes do interior que disputam a primeira divisão do Gauchão, tem futebol por apenas 3 meses (para os que passam da primeira fase), e depois um longo recesso que vai até setembro, onde disputam a Copa FGF (este ano denominada Copa Paulo Rogério Amoretty, em homenagem ao ex-presidente colorado), copa que é desvalorizada pelas próprias torcidas do interior, talvez porque a dupla Gre-Nal não participe com seus times principais. Para os que disputam a Segundona, aí o calendário é maior (março-setembro), mas o campeonato é deficitário ao extremo.
O problema é que os times do interior da 1ª divisão concordam com este calendário. O torcedor do interior fica com 3 meses de futebol, e depois assiste fartamente jogos da dupla Gre-Nal, em torneios muito mais importantes, em estádios melhores, em jogos mais decisivos e acompanha pelos jornais, rádios, internet, conversas de boteco tudo sobre a dupla Gre-Nal. O time dele, do interior, esquecido. Por 9 meses. Uma gestação. A gestação da paixão por outro clube que não o da sua cidade. Mas os clubes, por um motivo, inevitável ou não, aceitam o calendário proposto, ano após ano. E suas torcidas definhando, em número e em fanatismo.
O interior também comete o erro de não cultuar seus ídolos. Para ser ídolo, só se não for da cidade. Só se aparecer na TV e falarem na rádio da capital. Então lotam cinemas para assistir partidas da dupla, mas não colocam uma arquibancada cheia em jogos do time da cidade. A camisa do clube da cidade é “cara” (isso quando as direções disponibilizam nas lojas especializadas), mas não pensam duas vezes em pagar R$ 150, R$ 180, por camisas de “times grandes”, até europeus. E assim alimenta-se o círculo vicioso.
Não é nada bom o futuro de todos os times do interior do Rio Grande do Sul. Que esqueçam o Gauchão (que dá no máximo uma partida de casa cheia numa semi-final qualquer) e que lutem para disputar a Série C do Brasileiro para a partir daí, quem sabe um dia, chegar na Série B nacional, está sim, muito rentável para o clube (se tratando de um time interiorano).
Então o SC Gaúcho tem seu patrimônio perdido e fecha suas portas, mas está acompanhado de muitos outros que só não estão formalmente nesta situação, mas de fato, fecharam suas portas. Clubes tradicionais como Grêmio Santanense, Rio-Grandense (Rio Grande), Guarani de Cruz Alta estão fechados. Outros vão e voltam, de tempos em tempos e muitos estão se encaminhando para mais cedo ou mais tarde abandonarem os campeonatos oficiais, para depois nem torcedores ter.
Infelizmente não sei a solução ideal também, mas algumas atitudes já deveriam ter sido tomadas para a revitalização do futebol interiorano. Que seja rápido.


Que os torcedores da dupla Gre-Nal pelo interior sigam torcendo para a dupla, não há nenhuma crítica, mas que gastem também com seus times do interior...eles não pedem muito: uma camisa, um ingresso e talvez alguma mensalidade de 20 ou 30 reais, ou se não der, apenas um destes. A retribuição é sempre certa. Com futebol aos domingos, ao vivo, não enlatado, representando tua cidade de origem.

No título do tópico do Futebesteirol que trata do fechamento do Gaúcho, o autor (Maurício Brum) foi muito feliz: “A morte de um Gaúcho”. E com o clube, morre uma importante parcela do futebol gaúcho também.




















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1ª Foto: autor - Gatuzo (via Flickr.com)
2ª Foto: Ultras do Bréscia.

Carrinho na pedra e filosofia futebolístico-campesina*

Para além da Vacaria há uma certeza: quem é capaz de dar carrinho na pedra, é capaz de qualquer coisa.
E esta certeza vem coberta de razão.

- Olha lá, é o oitavo carrinho só no segundo tempo!
- Será que ele não percebeu que estamos jogando no paralelepípedo?
- Acho que ele não se machuca...
- A julgar pelas cicatrizes nas pernas, machuca...

Futebol-arte x Futebol-força
Drible x Marcação
Toque de bola x Chutão

Juramos a mesma bandeira, vivemos sob a mesma constituição.
Somos patrícios e jogamos, teoricamente, o mesmo jogo. Por que o futebol gaúcho é tão diferente do futebol no restante do Brasil?

Temos a vizinhança, que certamente ajuda. Quem já jogou uma pelada contra argentinos sabe que é matar ou morrer. (Já joguei e este texto não é psicografado).
Há a questão da temperatura – muito calor no verão, muito frio no inverno (mudanças assim gritantes obrigam os praticantes a valorizar a força e a condição física).
Há a cultura peleadora ocasionada – creio – pela variedade étnica no Rio Grande: a teimosia teutônica, a grosseria italiana, a força física africana, o sangre caliente espanhol e a raza rioplatense. Isso só pra citar os mais comuns.

Mas o principal, a meu ver, é que todo o gaúcho vê no futebol uma chance de representar o “continente”. O riograndense – cada um – sente-se o embaixador sulino quando fora do âmbito regional.
O brasileiro espera dele futebol-força e ele confirma as expectativas. Geralmente com certo exagero, é claro.

Esta necessidade de ser ultragrosso me fez lembrar de alguns dos antigos heróis do Rio Grande. Jogadores que levaram o pavilhão gaúcho para além-fronteiras. Atletas da mais alta estirpe, cujos grandiosos feitos nos deixam cheios de orgulho e admiração.

Recordo-me do grande Latorre, filho de pai uruguaio e mãe índia. Zagueiro central e cria de Santana do Livramento. Atuou por meia década num time local até ser descoberto por um olheiro – no tempo em que os clubes tinham olheiros – de tradicional time carioca.
Jogou lá por quase dois anos, contabilizando 3 pernas quebradas, 11 expulsões de campo, 1 agressão a gandula e 1 saída algemada do estádio
Acabou seus dias de jogador em famoso time bageense, intercalando expulsões por falta violenta, com expulsões por insulto à arbitragem.
Hoje atua como comentarista de futebol no bolicho do Guedes, em Livramento, mas no momento encontra-se suspenso pois ainda não pagou os 12 martelinhos que deve.

Tem também o inesquecível Rodrigues Ramos, que jogava ali pelo meio, na contenção (de corpos) e na distribuição (de faltas).
Verdadeiro herói em sua cidade natal – Dom Pedrito – este atleta teve destaque em tradicionais equipes riograndeses.
Em 1971, na véspera da final do certame gaúcho (a data é mera alegoria, posto que Rodrigues Ramos jamais disputou uma final de campeonato), este grandioso expoente do futebol-força teve sua carreira interrompida para sempre: teve as duas pernas quebradas por capangas logo após tentar uma abordagem mais incisiva em uma festa de debutantes.
A moçoila era a filha do Delegado da cidade e estava entre as convidadas. Sua festa de 15 anos ainda demoraria mais alguns anos...

E, por fim, não posso deixar de citar o lendário Schneider González.
Centroavante de origem teuto-rioplatense, medindo 1,97 e pesando 110 quilos, logo se destacou em laureada facção esportiva da Fronteira Oeste, na sua cidade natal e de onde jamais saiu.
Agregou durante os mais de 25 anos de carreira as funções de Delegado de Polícia e camisa nove. Durante 25 anos seu time foi campeão municipal. Durante 25 anos nenhum bandeirinha viu impedimento seu.
No último jogo da carreira – contrariado, mas acatando desesperado pedido da família para que parasse – lá pela casa dos 45 anos de idade, desabafou ao repórter que o entrevistara, após marcar o gol do vigésimo quinto título consecutivo, em impedimento:

- Solamente veinte y cinco años... muy lindo el Reich, pero que muy breve...

Este é o futebol gaúcho: sempre unindo todos os povos e destacando o que eles têm de melhor!

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* Por Maurício Kehrwald

Paulo Roberto Rocha - Eterno Capitão do Bagé

Como alguns sabem, sou torcedor do Bagé. Também por isto, junto com a torcida jalde-negra, criei o site do Bagé (link acima). E para o site entrevistei o Capitão Rocha, que foi capitão da equipe do Bagé que conquistou um dos títulos mais importantes da história do Bagé: a Copa Governador do Estado de 1974.
As respostas do Capitão são belíssimas e mesmo para os que não são torcedores do Bagé, é uma ótima oportunidade para conferir como nascem as paixões futebolísticas, ainda que por times que não comparecem tanto na mídia.
Além disto, Rocha conta um pouco como era o futebol gaúcho nos anos 70. Recomendo fortemente a leitura, pra torcedores de todos os times, mas que acima de tudo gostam de futebol.
Puríssimo.

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O site jalde-negro entrou em contato com o Capitão Paulo Roberto Rocha para a realização desta entrevista que os torcedores jalde-negros poderão conferir abaixo.Paulo Roberto Rocha é um dos maiores ídolos da história do Grêmio Esportivo Bagé e foi capitão da equipe que conquistou o inesquecível título da Copa Governador do Estado de 1974.
Nesta entrevista, Rocha conta alguns fatos bastante interessantes ,fala daquela época, do Bagé e sobre futebol de maneira geral.
Fica aqui nosso agradecimento ao capitão Paulo Roberto pelas excelentes respostas na entrevista e por tudo que realizou defendendo a camisa amarela e preta. Nosso sincero “muito obrigado”, de toda a torcida jalde-negra.
Dados Pessoais:Paulo Roberto Rocha
Nascimento: em Porto Alegre, no dia 27 de junho de 1951.
Carreira 1967 - infantil do Grêmio Porto-alegrense
1968/1969 - juvenil do Grêmio Porto-alegrense
1970 - profissionalização
1970 - Náutico de Rio Pardo
1971 a 1979 - Bagé
Posição: Ala (atuava tanto na esquerda como direita)
Formado em Educação Física pela Urcamp e professor estadual em atividade, atualmente leciona na Escola Waldemar Amoretty Machado, em Bagé. _________________________________________________________
Sobre seus dados pessoais, Paulo Roberto Rocha acrescenta:
"Apenas um reparo quanto á minha posição em campo.Nos meus tempos de guri, em times de várzea, comecei como lateral esquerdo. Quando fui para o Grêmio nas categorias de base, atuei na zaga, o mesmo ocorrendo no Náutico de Rio Pardo.Quando cheguei em Bagé, era zagueiro, com a chegada do Galego, fui deslocado para lateral direita.Naquele tempo éramos laterais, ala é coisa mais moderna, apesar de fazermos a mesma função, e ainda voltarmos para marcar".


Como ocorreu sua vinda para o Bagé?
Lá em Rio Pardo jogavam vários jogadores que eram, ou haviam jogado aqui.(Nilson goleiro, Walter, Osmar irmão do Carlinhos, Casemiro, Celmar, Baiano, Danúbio, Amarante).Quase vim para o Guarani, junto com o Claudionor, desisti na ultima hora (não queria me afastar de perto de Porto Alegre) Mas o Náutico estava fechando e aceitei o convite do Bagé, através do Jacob Sued e do Dr. Roberto Garrastazú, e vim junto com o Amarante.


Observando algumas imagens da conquista da Copa Governador, nota-se que já à época o título foi extrema e justamente valorizado pela torcida - inclusive com invasão de campo -. Os jogadores daquela grande equipe tinham a real dimensão do título conquistado e da importância que ele viria a ter a partir dali na história jalde-negra?
Sempre coloco o Campeonato Gaúcho de 1925, como o maior titulo conquistado pelo Bagé. Mas a Taça Governador do Estado em 1974 vem logo em seguida. Foi um título muito suado com dois turnos e na virada do 1º para o 2º estávamos em 14º lugar. Fomos recuperando posições e chegamos na rodada final, para decidir tudo num Baguá. Só a vitória interessava, e ela chegou com 1x0 gol do Derli (ponta esquerda).O estádio do Guarani veio abaixo... E no final do jogo nunca tinha visto coisa igual, foi a maior comemoração feita ate hoje. A torcida invadiu literalmente o campo, fomos fazer desfile de “carro” pela ”sete “de setembro... Eu subi e desci a sete umas quatro ou cinco vezes, com uma câimbra infernal na barriga... Na Pedra Moura a festa seguia... Estendeu-se até o meio da noite. Não deu como não ficarmos sabendo do quanto nossa torcida estava feliz (e tudo em cima do tradicional adversário) e que aquele título estava para sempre marcando um feito na historia do GRÊMIO ESPORTIVO BAGÉ.Aquela equipe era unida, mas muito unida mesmo. A maioria dos jogadores morava na concentração (inclusive o Galego) éramos como irmãos.Uns ajudavam os outros dentro e fora de campo. Tudo passava pela mão do Galego, que exigia de nós o máximo, tanto dentro do campo, quanto em atitudes fora de campo. Era quase um pai. Suas exigências e ajuda, também era para os jogadores casados, que moravam fora da Pedra Moura. Com certeza, não seriamos vencedores por tanto tempo sem a presença dele.Ele sempre nos fazia ver que ficaríamos marcados na história do clube, se ganhássemos títulos, se nossas campanhas nos campeonatos fossem boas. Mas para isso teria que trabalhar duro, no nosso máximo.Então sabíamos que de nossos esforços, viriam as glorias. E é muito bom saber que o Bagé daquele tempo, através das suas conquistas, serve de exemplo até hoje.
[Na foto acima, Rocha ergue a Taça Governador do Estado]

O Bagé sempre impôs muitas dificuldades aos adversários, principalmente na Pedra Moura, e nos anos 70 inclusive contra a dupla Gre-Nal. Qual era a maior virtude da equipe Campeã de 1974 (e da base que seguiu nos outros anos) e dos jogadores que por ela atuaram?
Minha resposta de cima, ajuda a responder esta. A era Galego no Bagé, se caracteriza por essa persistência e teimosia de estar sempre exigindo o nosso limite máximo. Lembro que suas preleções sempre iniciavam assim: ”Hoje é um jogo” chave ““.Se contra os outros...Era jogo chave... Contra a dupla Gre-nal (jogo que estaríamos na vitrine de toda imprensa gaúcha) era o jogo de nossas vidas.


A famosa garra das equipes do Bagé, de maneira geral, e particularmente do grupo que o senhor participou nos anos 70, juntamente com a técnica, é sempre lembrada. Era um grupo diferenciado em termos de aplicação e luta?
Sempre foi estilo Galego, essa determinação em buscar o melhor resultado. Diziam que ele como jogador corria o campo todo, motivando e mostrando aos seus companheiros que deveriam fazer o mesmo. Acho que ele teve a sorte e competência de juntar os jogadores certos aqui no Bagé. Eu perdia em média de 2 a 4 kg por partida, mas muitas vezes era poupado nos treinamentos. Sem um preparador físico formado...Era ele o responsável.Juntam-se ao Galego...O trabalho de toda direção...Presidentes como Luis Carlos Alcalde, Julio Machado, Pedro Dirceu, Liader Previtali, diretor de futebol como José Pedro de Melo Fuchs, não se encontram a toda hora.


Entre as fotos dos anos 70 (publicada recentemente no Jornal Minuano) há uma (inclusive muito apreciada pelos jovens torcedores do Bagé), em que o senhor aparece erguendo o braço direito com o punho cerrado. Foi algum tipo de manifestação? Fale um pouco sobre esta foto.
Não recordo em que momento é aquela foto. Mas pode ser na hora de um gol...Ou em um final de partida ganha.

Sobre os clássicos Ba-Guá nos anos 70: algum marcou mais na memória? Como era este confronto para o senhor?
Meu 1º Baguá foi o mais importante. Fazia 4 anos que o Bagé perdia pro Guarani,e ganhamos de 1x0 gol meu .Fui escolhido o melhor em campo, e recebi muitos presentes. Sempre dei muita sorte nos clássicos.

Algum fato pitoresco ou engraçado que o senhor lembre nestes anos como jogador? (ou alguma "fria" enfrentada neste interior gaúcho)
Vários... Logo que cheguei no Bagé (antes do Galego vir) passei por alguns fatos interessantes...Minha chuteira quebrara o solado, e fiz muitas partidas com ela me “beliscando” a sola do pé. Não tinha dinheiro para outra.Nossa alimentação era: de segunda á quinta arroz com repolho refogado, na sexta ao se aproximar do jogo do fim de semana...Arroz, feijão e um bife á milanesa, sábado e domingo...Comida de jogo da época: arroz, bife purê e salada de tomates.Nas viagens, íamos em duas Kombi, jogadores,roupeiro e massagista...Quem já viajou de Kombi sabe que os bancos não têm encosto para cabeça...Já pensou ir e voltar á Passo Fundo? De engraçado não tem nada, mas serve para medir as mordomias de hoje.


Qual a fato mais marcante vivenciado pelo senhor nestes anos como jogador do Grêmio Esportivo Bagé?
Muitos...Foram 8 anos como jogador do Bagé.Lembro quando realmente me tornei jalde-negro de verdade. Foi no meu 1º Baguá (aquele que fiz o gol da vitória). Não lembro que jogador do Guarani veio me gozar, retruquei, e ouvi dele, que nem distintivo nos tínhamos na camiseta (era verdade). Lembro que entrei no vestiário no intervalo do jogo, irritado com aquilo, comentei e quase exigi do “seu Paulo” (Galego) uma camiseta decente para o próximo jogo.No 2º tempo e tendo feito o gol da vitória passei por esse jogador e falei que nosso distintivo tava no nosso peito...Por baixo da nossa pele...Nosso distintivo era nosso coração.Ali nascia mais um jalde-negro.[grifo meu]



Um gol e/ou partida inesquecível:
Gols...Além de dois em baguá...Tem dois pitorescos: Baile de Debutantes no Clube Comercial, o Galego deixa-me ir, sem beber (só guaraná), sem fumar (eu fumava) e sem dançar...Assim que terminassem os desfiles eu viria para concentração. Isso aconteceu às 5 da madrugada. Às 8 horas viagem para Pelotas e jogo às 3 da tarde. Final do jogo Bagé 1 x 0 Farroupilha ,gol meu. Lembro que o Paulo Sergio Brasil que tbm tinha ido ao baile, quando me viu indo para área em um escanteio, me gozou: ”fica lá atrás te poupando, capitão...” Na volta, com meu gol de cabeça, retruquei: “tá faltando o teu agora...Senão o “homem” não te deixa ir mais aos bailes... Eu vou ir...”Sábado, jogo contra o Pelotas, o Galego diz que volta conosco para Bagé, pois não teremos folga para ir ao carnaval. Faço uma aposta com ele, se fizesse um gol, ele nos daria folga e ficaria em Pelotas após o jogo (ele morava lá). Fizemos 2x1 e eu o gol da vitória. Ele nunca mais quis apostar comigo outras folgas.Partida...Em Passo Fundo. Para classificarmos para o Gauchão precisávamos empatar com o Gaúcho.O Gaúcho um baita time...Os irmãos Pontes, Bebeto (canhão da serra) Leivinha (mais tarde veio para o Guarani e nos formamos juntos em educação física) Luis Freire, Raul Matte, Roberto (pai do Juca do Botafogo e cunhado do P.C.Carpeggiani, (treinador do Corinthians) jogou no Guarani tbm).O 1º tempo terminou 2 x 0 para o Gaúcho. Começa o 2º tempo o Mariotti desconta 2 x 1 , mas aos 15 min. O Bebeto faz 3 x 0. Aos 40 minutos eu cruzo uma bola e o Walter de meia bicicleta faz 3 x 2 , e aos 45 min. O Derli chuta de fora da área...A bola bate no travessão e no chão...E saí. O bandeirinha corre p/ o centro do campo...O juiz confirma o gol, 3 x 3.Os Pontes queriam matar o Mario Severo (bandeirinha conhecido por ser “caseiro”), termina o jogo,alegria total.”Seu Fuchs” (diretor de futebol) entra de roupa e tudo nos chuveiros junto conosco, e avisa que a gratificação estava dobrada...O L.C.Alcalde (Michidinha) prevê que vai ter que sair para rua conseguir o dinheiro que o “Fuchs” prometera.Chegamos em Bagé às 7 da manhã, sol alto (o Derli havia levado toda a delegação do ônibus para um passeio pelas ruas da “zona” lá em Sta Cruz, como tudo era festa... com o aval do Presidente, e isso nos atrasou).A torcida nos esperava na entrada da cidade, fomos até a Pedra Moura depois de comemorar pela “sete”.
Qual a diferença que o senhor observa entre a época do titulo da Copa Governador do Estado e os últimos anos no futebol profissional de Bagé, em termos de torcida, mobilização da comunidade e entusiasmo?
Eu posso dizer que no meu tempo, nossa torcida era mais tradicional, pois era mais velha, e não menos apaixonada como é hoje. Noto que hoje os torcedores mais entusiasmados são mais jovens, que torcem pelos resultados obtidos em campo, e não pela história do clube ou pela rivalidade com os adversários. Esta mesma torcida de hoje, que são na maioria jovens e, portanto mais efusivos, terão com certeza o mesmo perfil daqueles do meu tempo, com o passar dos anos. Quando presente nos jogos de hoje, noto que a “corneta” é bem mais pesada, inclusive saindo do nosso próprio pavilhão. E isso chega aos jogadores dentro do campo, sempre de forma negativa. A torcida deve apoiar mais, nos piores momentos, pois isso além de fortalecer a equipe dentro do campo, mostra ao adversário, que eles estão em minoria. Lembro de muitas vezes sermos aplaudidos, mesmo nas derrotas. Era só notarem que havíamos demonstrado luta.Tudo são seqüências...Com um bom time virão as conquistas... Com as conquistas, o respeito e admiração do torcedor...Com o torcedor as boas rendas...Com as rendas, melhores condições de ter time competitivo...Com um time competitivo, ajuda e entusiasma a comunidade. Um depende do outro.

Nos fale um pouco sobre a emoção de ver seu filho vestindo a camisa jalde-negra e também carregando a braçadeira de capitão. Há nervosismo? E se há, é mais difícil apenas torcer do que estar em campo?
Sempre foi melhor estar em campo, pois as coisas poderiam depender do teu esforço...na torcida, dependemos dos esforços dos outros. E isso nos faz sofrer demais.E com o Tiago em campo, aumentava mais essa agonia. Mas ele sempre soube representar muita bem a garra jalde-negra, aliada a uma grande capacidade de visão coletiva e habilidade individual, e isso me enche de muito orgulho. Por isso galgou a capitania em campo (outro motivo de satisfação).
[na foto ao lado, Tiago Rocha]


Qual sua impressão sobre o futebol atualmente? O senhor costuma ir a estádios, assiste pela TV, ou se mantém mais distante?
Tudo ajuda hoje para que se jogue melhor o futebol, a bola, os gramados, os salários (dos grandes clubes) os uniformes, as concentrações, os melhores hotéis, as chuteiras, as viagens, tudo. Até a variedade de jogos transmitidos pela tv ajudam no aprendizado, nas informações que chegam de todos cantos do mundo.Claro que tem muitas coisas para serem aperfeiçoadas...Mas não dá para fazer comparações com antigamente nestes itens que enumerei.Estive presente no estádio todos estes anos que o Tiago jogou pelo Bagé. Agora estou um pouco afastado, mas acompanho pelo rádio sempre.

Qual sua opinião sobre o futuro do futebol do interior? Existem coisas que podem ser melhoradas na sua opinião para o crescimento dos clubes e torcidas?
É uma pena ver o interior enfraquecido. Pra mim, tudo começou, quando a dupla Grenal se desinteressou do Gauchão. Muitas vezes comparecem com times reservas, pra eles é muito mais vantajoso financeiramente outro campeonato. O interior sempre dependeu deles para vender bem seus jogadores, para terem boas rendas. Um jogo contra a dupla, muitas vezes colocava os salários em dia, a mídia comparecia e atletas e clubes eram notados. Outra coisa são as trocas constantes de planteis, existe uma perda de identidade clubisticas por parte dos atletas. Parece que antigamente pegava-se mais amor ao clube, torcedores sabiam de cor as escalações do seu time e do adversário (as rendas muitas vezes eram melhores por que queriam também ver os bons jogadores do time visitante).Não tem como recuperar esses pequenos erros, uns foram levando aos outros, e o acúmulo causou esse caos no futebol interiorano. Não saberia apontar a solução, pelo imenso mal causado, a não ser, dizer que as soluções existem, mas interesses maiores, parecem que obstruem esses caminhos. A crise é geral, e o futebol do interior mostra isso a cada ano. Os grandes estádios estão sendo diminuídos em suas capacidades, porque não conseguem mais enchê-los de torcedores. Dói ver um jogo do Bagé, com a geral vazia.Parece-me que uma das maneiras de puxar os torcedores ao estádio é ter em seu time, um craque, que esteja identificado com o clube. O torcedor gosta de ver esta diferença, é ela que vai lhe levar ao estádio.Todo ídolo muitas vezes acaba se tornando automaticamente um líder, e com isso contagia o resto do grupo.Desde que seja uma liderança positiva. Outra coisa que sempre acreditei, são as categorias de base.É lá que está a solução dos clubes. Além de ser mais viável financeiramente, jogador da “terra” parece que é mais cobrado (a família, os vizinhos, o bairro, enfim... a comunidade) Desde que seja muita bem trabalhada essa “responsabilidade”.

O senhor considera a hipótese de voltar ao futebol profissional em outras funções?
Nunca quis mexer com futebol, pois entendo que nunca seria fora, o que fui dentro campo. Já pensou dirigir o Bagé, e não atingir meta nenhuma? Já pensou ser chamado de “burro” por aquele mesmo torcedor que um dia me aplaudiu? Não tenho esse perfil de aturar ofensas e aplausos das mesmas pessoas quieto, poderia me frustrar e com isso me afastar de vez. Parei aos 27 anos, confesso que cansado das viagens e concentrações. Recebi vários convites, mas preferi me manter torcedor a vida toda, do que ter que um dia deixar de ser jalde-negro.Quem sabe... Quando me aposentar, e encontrar pessoas que pensem próximas do que acho seja dirigir futebol, eu não possa colocar meu nome a disposição dos interesses do Bagé. Encanta-me muito, a Direção de futebol...Contratações de jogadores, contato com treinadores,administrar contratos, etc.

Um abraço jalde-negro,
Rocha
A monografia foi apresentada e fui aprovado. Na realidade, apesar de sempre ser complicado enfrentar este tipo de situação (banca de professores, falar em público, análises, etc), este trabalho realizado junto com meu orientador foi muito gratificante, principalmente em termos de aprendizagem. Mas demanda tempo e em alguns momentos quase que a exclusividade de nossas preocupações. Portanto, caros leitores, a minha ausência nas postagens foi em virtude disto.

Voltando ao futebol, sempre continuei acompanhado tudo, mas agora muitos assuntos já estão datados. A partir de hoje, voltarei às postagens, não diariamente, mas de maneira bem mais freqüente.

Sejam bem-vindos (novamente) ao Puro Futebol.

Tequila y Fútbol

O blog Puro Futebol entrevistou (via e-mail) Duda Calvin. Duda (foto ao lado) é vocalista da Tequila Baby, colorado e apaixonado por futebol. Na entrevista abaixo Duda fala um pouco de futebol gaúcho, Inter, rock e sobre um projeto social que a banda está desenvolvendo com uma gurizada de uma vila de Porto Alegre, que envolve futebol e a Tequila Baby.
Nossos agradecimentos ao Duda, que de maneira muito solícita e rápida respondeu aos questionamentos do blog.
Gracias, Duda!






Troca de passe

Time:Inter
Melhor equipe que já viste atuar no teu clube: Vi o Inter ser invicto em 79 (mas adoraria ter Figueroa naquela zaga)
Maior ídolo no Inter: Pra mim, Figueroa
Título inesquecível: Campeão do Mundo
Jogo inesquecível: Inter e SP pela final da Libertadores

Cadeira ou arquibancada? Arquibancada sempre, mas sei que o projeto é colocar cadeira no Beira-rio, acho isso ótimo, quando falo arquibancada falo daqueles setores que o ingresso é mais barato, e não da arquibancada de cimento em si.

Maior virtude num jogador: Inteligência futibolística, não confuda com a inteligência comum, a futibolística é exclusiva daquelas 4 linhas, exemplo: Mané Garrincha, era um gênio com a bola nos pés, brincava com ela, era até displicente ás vezes, o que gerava muitas críticas,uma vez perguntaram se ele gostava mais de driblar ou de fazer gols, ele disse: _Driblar ué!
Quando um jogador de inteligência futibolística sai das 4 linhas, ás vezes não consegue nem falar direito, construir uma frase que seja, mas ponha a bola nos pés dele e tu verá a genialidade brotando a cada passo.

Pior defeito num jogador: Fingir que é bom de bola, tem uma cambada aí fingindo.

Futebol força ou futebol arte?
Aí eu vou citar Gregório de Matos Guerra, que num poema escreveu: “O Todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte”. Café com leite, queijo e goiabada, tem a medida exata para ser perfeito, e historicamente,todos os times vencedores alinharam muito bem estes duas teses.

Alguma loucura já feita pelo teu clube?
Sim, digamos que tenho o dom de converter Gremistas e torcedores de outros estados para o Inter, arrisco meu pescoço, mas é divertido. E já passei de 100 almas nesta conversão.

Quem sobe este ano na Série B do Gauchão?
Puxa queria os clássicos, o futebol só existe como paixão pelos clássicos, queria um Ba-Gua na primeira divisão, Um Bra-Pel Um Rio – Paulo (Rio Grande e São Paulo de Rio Grande).
O clássico mexe com todos, ele tem a função de tirar a teia de aranha da mente dos mais desligados por futebol, e faz você lavar aquela camisa velha e esquecida no fundo do Armário, e se preparar para o Jogo.

Programa esportivo e Coluna de futebol que mais gostas: Gosto de assistir o ESPN Brasil, em Jornal acho tudo muito sensacionalista demais, os colunistas de Jornal aqui de POA entram em contradições toda a semana, não curto muito isso.

Site de futebol: Gosto de sites sobre camisas de futebol, tenho uma coleção muito grande mesmo, mais de 350 peças.

Algum time do exterior que admira: Como sou colecionador tenho vários, quase uma centena que admiro, por suas histórias, por suas camisas, afinal sou professor de história, e pesquisei muito sobre futebol, mas digamos, tem um time na Alemanha, que é mundialmente famoso por ser o Time dos Roqueiros, se chama Saint Paulí, de Hamburgo, é da segunda divisão, vai um público imenso nos seus jogos, e quando o time entra em campo toca AC/DC no som do estádio, muito legal.


Duda, falando da rivalidade Gre-Nal. Na música "Sexo, Algemas e Cinta Liga", tem um trecho que diz: "não importa que seja oriental... mas que torça pro Internacional". Esta mesma música foi o primeiro clipe da banda que tocou inclusive nacionalmente (via MTV). Na hora de compor e de escolher como música para vídeo-clipe, chegaste a recear ter alguma antipatia por parte da torcida do Grêmio? E ao contrário: muitos colorados e fãs da banda comentam contigo sobre a letra?
Hum... Não sei te dizer, tipo, na Tequila sou o único colorado, todos os Gremistas sabem disso, e os colorados também, então os colorados falam: _ “Esta música foi o Duda que fez porque ele é o colorado da Tequila”.
E os Gremistas dizem:“Esta música foi o Duda que fez, mesmo porque ele é o único que não é gremista da Tequila”.
Ainda sobre "Sexo, Algemas e Cinta Liga". Futebol e rock formam uma parceria bem interessante. Mas muitas vezes pode resvalar no artificialismo, músicas "sob encomenda", etc, justamente ao contrário do trecho citado da "Sexo, Algemas” que soa tão espontânea.Não pensas em voltar ao tema em próximas músicas?Não sei mesmo, não fiz a música pensando nisso, foi pela rima mesmo Oriental/internacional.


Na torcida do Grêmio existe uma faixa em alusão ao AC/DC. Na do Inter existe uma do Ramones. A faixa não é tua, é? O que achas desta "tendência" do pessoal levar a paixão roqueira nas cores do clube para dentro do estádio?
Acho o Máximo, parabéns ao Gremista que fez a faixa do AC/DC e ao Colorado que fez a dos Ramones, façammais faixas, no exterior isso é muito comum.


Outro paralelo entre rock e futebol. No Rio Grande do Sul temos várias peculiaridades. Na música praticamente se criou aqui um mercado próprio (no sentido de não depender exclusivamente do centro do país, ainda que seja importante). Várias bandas surgiram da metade dos noventa para cá, e sobreviveram através do "mercado interno gaúcho" (apesar que muitas tenham atingindo o resto do país, como no caso da Tequila). No futebol, de certa maneira, existe uma situação análoga. Os dois maiores clubes daqui tinham tudo para ser clubes periféricos, mas em termos de conquistas não é isto que se apresenta. Creditas esta situação também a peculiaridades gaúchas? Aproveitando a tua formação como historiador, também pergunto: as características do povo do RS foram relevantes para estas conquistas ou isto seria apenas mais uma demonstração do famoso bairrismo gaúcho?
No RS sempre é nítida a bi-polaridade em assuntos que mechem com a paixão. Chimangos e Maragatos, Farroupilhas e Legalistas, e até quando Vargas chegou ao poder, mesmo sendo conterrâneo, aqui no RS não era unanimidade. Acreditas que isto é trazido para dentro dos clubes gaúchos? É a maior rivalidade do país?
Sim, você matou a questão, sem a rivalidade, não teríamos alcançado estes títulos, o Grêmio não é nada sem o Inter, o Inter não é nada sem o Grêmio, não torci pro Grêmio ser rebaixado, nunca vou torcer, senão, não vamos nos superar e tentar ganhar, com o Guarani na primeiro o Bagé vai ter que lutar e subir, eu não admito que o Bagé não tente fazer isso, eu não aceito que eles não queiram fazer isso, pelo bem do futebol ,Suba Bagé![grifo meu: é isto aí!].


No clipe do Ramones da música "Touring", aparecem trechos da banda chegando na Argentina. Em algumas imagens mostram carros ao lado do ônibus da banda, recepcionando-os. Lembra o fanatismo futebolístico, diretamente. Na tua opinião, caso de bandas como Ramones o fanatismo é semelhante ao vivido por clubes de futebol, ou é particularidade de certos países?
É exatamente o mesmo fanatismo, tatuam o símbolo da banda, chamam os filhos com nomes que homenageiam músicos da banda, no futebol é o mesmo.

O Motorhead patrocina um time de guris na Inglaterra. Noel Gallagher está pensando em se tornar acionista do Manchester City. Tens algum projeto relacionado ao futebol, ou mesmo pensas em entrar na vida política do Internacional?
A Tequila está com um projeto já funcionando que é um time de futebol em uma vila de POA, para meninos carentes, damos os uniformes e divulgamos o time que se chama Tequila Baby F.C. no site da Tequila teremos notícias deste projeto em breve, a idéia é de que uma vez por mês, este time faça jogos no interior (com membros da banda e convidados ilustres, de outras bandas, artistas, personalidades, etc...) arrecadando alimentos, um Kg de alimento por torcedor, as rádios iriam apoiar e a Tequila iria junto para jogar (aí que mora o perigo, pois os 4 são perna de pau demais,demais,demais)

Olhando teu perfil no Orkut vemos comunidades de vários clubes do interior gaúcho, inclusive da série B. Teu interesse por futebol do interior gaúcho, em especial, surgiu como? Tens alguma preferência mais forte por algum(s) dele(s)?
Pela história das cidades e de seus clubes clássicos, curto todos mesmo, ganhei este tempo uma camisa do Guarany de Bagé, pra minha coleção, amei, o pessoal do Rio Grande F.C.me mandou outra, é o clube mais antigo do Brasil, e está aqui no RS, a galera do São Paulo de Rio Grande me mandou uma também.O Esportivo de Bento, o Brasil de Farroupilha e o Farroupilha de Pelotas outra, fico Feliz em poder citar estes times e agradecer pelo presente, amo futebol, acho muito legal poder saber um pouco mais sobre nossos times do estado, e amo ver jogos do Gauchão, coisa de torcedor mesmo.


Nos conta um pouco sobre como viveste a final da Libertadores e do Mundial em Yokohama. Era um dos otimistas quanto ao jogo frente ao Barcelona? Ainda sobre jogos decisivos, há algum ritual que pratica?
Era um observador, contra o SP vi em SP o Jogo, ali sabia que tínhamos chance de ganhar, contra o Barcelona pensei, vai ser jogo de Xadrez desde o primeiro minuto, e foi, ali achava que só muita dedicação daria o título ao Inter, foi o que aconteceu, não foi um jogo, foi uma aplicação dos Jogadores, superaram suas dificuldades, e quem se supera surpreende sempre.
Pensei que o Grêmio faria isto contra o Boca Juniors, achava que o Grêmio conseguiria agora nesta libertadores, de verdade, mas levando-se em conta que saíram de uma segunda divisão e chegaram numa final, eles se superaram mesmo não é? É a rivalidade, tu luta para superar o outro sempre, ta dando resultados.

A tradicional mensagem final ou algo que não foi perguntado:
Abração a todos, apareçam nos shows da Tequila e entrem no www.tequilababy.com.br lá você pode escutar nossas músicas, entrar em nossas comunidades e escrever pra gente.
Feitoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!
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Imagens: todas retiradas do site oficial da Tequila Baby



Guerra em Mataderos

Ontem decidiam uma vaga na Primeira Divisão argentina, Nueva Chicago e Tigres. O Nueva Chicago lutava por sua manutenção na primeira divisão e o Tigre pelo acesso (faz 27 anos desde a última participação do Tigre na primeira divisão).

Em campo, o jogo caminhava para o final, com 2 x 1 para o Tigre, que lhe dava a vaga e rebaixava o Nueva Chicago, quando é marcado um pênalti para o Tigre, que sacramentaria o desfecho da partida.

A partir daí, torcedores do Nueva Chicago (mandante da partida) invadem o campo e começam a agredir os cerca de 3.500 torcedores do Tigre, que não tiveram tempo de comemorar o desejado acesso à primeira divisão. A violência se mostrou com arremessos de paus, pedras, placas publicitárias e qualquer objeto mais contundente.

Se observarem o vídeo postado logo aí abaixo, verão cenas lamentáveis, pois além da briga entre torcidas, a torcida do Tigre ficou encurralada num canto do estádio, enquanto era alvejada por paus e pedras, arremessados por torcedores do Nueva Chicago que se encontravam dentro do campo. Entre a torcida do Tigre nota-se que há mulheres e crianças, que nada podem fazer para se proteger e fugir das pedradas, a não ser levantar o casaco e tentar cobrir a cabeça.
Os policiais pouco fazem (segundo reportagem do Clarín eram 350, mas pareciam menos, pelo menos no foco da confusão), e se observarem no vídeo, em certo momento parte da torcida do N. Chicago que invadiu o campo sai em disparada para o sentido inverso da confusão, e começa a sair do campo. Infelizmente saiam não por terem sido expulsos pelos policiais, mas sim porque observavam que os torcedores do Tigres começavam a conseguir abandonar as arquibancadas, e o objetivo dos que correram de dentro do campo, ao que parece, era continuar a briga fora do estádio, o que acabou ocorrendo.

O saldo futebolístico foi a queda do Nueva Chicago para a B e o acesso do Tigre para a A no argentino.

O saldo da violência, além de demonstrar despreparo da polícia lá presente, foi de 14 feridos e 78 detidos.
A nota mais trágica do ocorrido foi a morte de um torcedor do Tigre, de 41 anos, por traumatismo craniano, por causa de uma pedrada.
Mas pelas imagens da batalha campal de ontem e que se seguiu pelas ruas, pode-se dizer que poderia ter muito pior, como em outras tragédias.

O jornal Olé descreve no trecho final de sua reportagem:

"Desde la platea se escuchaban estallar los vidrios de de los autos; las narices y ojos picaban cuando el viento arrimaba los resabios del gas lacrimógeno disperso afuera, y un humo negro se veía a lo lejos: en Corrales y Cárdenas uno de los micros ardía en llamas. El resto de la caravana de Tigre era apedreada en Gral. Paz y Corrales, donde la batalla fue feroz. Tanto que el tránsito de la avenida se frenó por completo cuando la gente cruzaba, con cascotes en sus manos.
Sangre y muerte.
Todo está en manos del Juzgado de Instrucción Nº 2, a cargo del juez Omar Aníbal Peralta. Quedó la tragedia..."

Fontes:
http://www.clarin.com/diario/2007/06/25/um/m-01445126.htm
http://www.ole.com.ar/notas/2007/06/26/01445435.html


Noel e sua paixão futebolera

Noel Gallagher (foto aí do lado), guitarrista da banda britânica Oasis, declarou que pretende comprar a equipe inglesa do Manchester City (rival do Manchester United, de projeção internacional bem maior). Na realidade é aquele esquema de ações da equipe, e Noel compraria o suficiente para se tornar o acionista majoritário. O valor: algo em torno de 1,5 milhões de reais, o que Noel, a despeito de nós, pobres (literal e metaforicamente) mortais, chama de "mixaria" (que no fundo pode ser verdade, se for relativado).

O comentário dele, ao periódico musical NME: "Gosto do time desde criança e parece brincadeira que eu agora possa adquiri-lo por uma mixaria. Acredito que nós possamos juntar cerca de 400 mil libras [cerca de R$ 1,5 milhões] em dinheiro para comprar o clube".
A aventura no futebol contaria com a participação de Mike Pickering (produtor da banda e diretor da Sony BMG)., que seria seu sócio no negócio .
A paixão de Noel pelo Manchester City (segundo o site argentino La-Redó, o clube mais popular da cidade inglesa) não é de hoje.









Lembro que em uma reportagem da revista Showbizz (antiga Bizz, que não sei se ainda existe, desculpem) que cobria uma turnê deles no Brasil, Noel perguntou para um repórter brasileiro como conseguir notícia do campeonato inglês. Queria saber se seu time havia conseguido a vaga para a primeira divisão (hoje em dia o Manchester City encontra-se na Premier League, mas sempre namora com a Segundona de lá). Achei interessante, pois não é tão comum, apesar de não ser raro, estrelas do rock internacional preocupadas com os seus times, e não apenas posando pra foto com a respectiva camisa de vez em quando (na foto ao lado, Noel ainda guri).
Há alguns anos atrás, apesar do interesse pelo clube, Noel refutou a possibilidade de entrar no mundo da cartolagem inglesa, e explanou um dos motivos: "não quero uma horda de holligans na minha casa me xingando caso a equipe não vença".
De qualquer maneira, independente do negócio se concretizar, Noel faz lembrar o sonho de muitos torcedores (principalmente de equipes menores), que é se tornar um dirigente do clube, e ainda com a possibilidade de botar uns pilas em cima, coisa que é reservada apenas a quem tem algum sobrando, em grande escala. Se eu fosse ele, não disperdiçaria a chance.
Na pesquisa para esta postagem (leia-se, Google), acabei encontrando outra frase de Noel, bem interessante, sobre a seleção inglesa. A pergunta era sobre a participação inglesa na Copa de 2006 (que já havia sido eliminada à época da entrevista):
Pergunta: O que você achou da campanha da Inglaterra?
Média. Não tão ruim quanto estão dizendo. Os jogadores ingleses são muito valorizados em um time onde são cercados por jogadores de outros países, mas se reunirmos 11 ingleses em um time de futebol, é uma tragédia. Na Inglaterra, estão criticando muito Sven (Goran Eriksson), mas fala-se muito de tática – não temos um jogador tão habilidoso quanto Henry, Ronaldinho ou Ronaldo, nem goleiros tão bons quanto (Jens) Lehmann. Temos apenas (Wayne) Rooney e (David) Beckham, mas ele está encerrando a carreira. Todos os nossos melhores jogadores, como Steven Gerrard, (Frank) Lampard, John Terry são potentes– são famosos por suas entradas duras e têm fôlego para correr o dia todo."
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