Inter Campeão da Recopa e o futebol do RS

Com a conquista do Inter de ontem, o clube gaúcho também obteve a chamada "tríplice coroa", já que sagrou-se campeão da Libertadores, Mundial de Clubes e Recopa, na seqüência.
Para o clube colorado, além de todos os benefícios que um título oferece, há a vantagem de mais uma vez inserir o nome/marca no futebol internacional. Apesar da Recopa ser um título menos importante que a Libertadores de 2006 (no caso do Inter), é o terceiro título internacional conquistado no espaço de um ano, o que acaba resultando na afirmação da marca no cenário e mercado do continente. Não sei como o Inter se comportará no decorrer do Brasileirão, mas penso que a maioria dos colorados deseja no mínimo uma classificação para a sulamericana de 2008, que apesar de não ter a mesma grandeza da Libertadores, ainda assim, no meu ponto de vista, é melhor que disputar a Copa do Brasil no primeiro semestre, pelos mesmos motivos citados na conquista da Recopa. E é claro, disputar vaga para a própria Libertadores 2008 não é missão impossível.


Pelo lado gremista, uma grande final contra o Boca Juniors se aproxima. Independente das projeções para a próxima partida, o que fica evidente, é que o futebol gaúcho se encontra num momento muito especial.


O comentarista Paulo César Vasconcelos (Sportv) ao final da transmissão de ontem entre Internacional e Pachuca falou com muita propriedade que Porto Alegre tinha se transformado na capital do futebol da América do Sul, com a final da Recopa e da Libertadores no mesmo período, e com dois times diferentes.


O futebol é cíclico, todos sabem, difícil manter o mesmo patamar (principalmente quando este é elevado), e que fases boas e ruins normalmente se alteram. Mas no que diz respeito ao futebol gaúcho, é um caso diferenciado.


Nos anos 70, o Inter já se mostrava para o Brasil como um dos melhores elencos da América do Sul, 3 vezes campeão nacional, finalista da Libertadores em 80. Nos anos 80, o Grêmio conquistava o Nacional, Libertadores e o mundial, e o Inter duas vezes finalista do Brasileirão.

Nos anos 90, o Inter conquistaria sua primeira Copa do Brasil, o Grêmio sua segunda Libertadores, Copa do Brasil e bi-nacional, e o Juventude a Copa do Brasil e a ida para a primeira divisão.


Os anos 2000 começaram com mais uma Copa do Brasil para o Grêmio e, excetuado a queda do Grêmio para a segunda divisão, desempenhos muito bons dos gaúchos no Brasileirão (Grêmio: 4º em 2000, 3º em 2002 e 3º em 2006. Inter: 5º em 2004, 2º em 2005 e 2º em 2006) ainda que não o tenham reconquistado. No ano passado, Libertadores e Mundial conquistado pelo o Inter e a Recopa este ano. E, também neste ano, o Grêmio é finalista da Libertadores.


Isto para outros estados com populações muito maiores e com orçamentos dedicados ao futebol também maiores, já seria um feito também. Mas no caso do Rio Grande do Sul os feitos carregam uma marca de superação ainda maior. Para moradores de fora do Rio Grande do Sul deve ser quase intrigante como os dois clubes (principalmente) do Estado se mantêm, de uma maneira outra, em uma época ou outra, conquistando títulos ou se mantendo sempre de forma competitiva. E neste 2007, a peculiaridade é que os dois estão em evidência internacional. O Rio Grande do Sul, futebolisticamente está em evidência, de maneira positiva.


Não sei se é exagero, mas pela situação política e econômica que vem atravessando o Rio Grande do Sul, pelo tamanho de sua população, se não fosse esta superação (claro que aqui também entram outros fatores, como a luta constante pela melhor organização dos clubes) tenho a impressão que a realidade era para ser outra.

Se observarmos a nosso tradicional posicionamento periférico (geográfica, cultural e economicamente), e compararmos com outros centros, tem-se a nítida impressão que Inter e Grêmio não eram para ter conquistado muito mais coisas que outras duplas periféricas, e seriam algo como a dupla Ba-Vi, Sport e Santa Cruz (ou Náutico), Coritiba e Atlético.

Vejam que nem Minas Gerais, de população muito maior, mais "central", e com uma situação em termos de rivalidade parecida com a realidade gaúcha, chega perto disto com seus dois grandes clubes.

Nesta postagem não tenho a pretensão de explicar os possíveis motivos para esta situação, mas apenas chamar a atenção para esta peculiaridade do futebol do Rio Grande do Sul, e que tem contribuído para esta situação positiva atual.


De maneira mais clara, o futebol gaúcho é um intruso. Um cara que não convidam para a festa, mas ele insiste em ir, entrar pela porta da frente e lá dentro acaba sendo o mais popular.

Os times daqui não eram para estar onde e estão e onde já estiveram, se é que vocês me entendem.


Somando todos estes fatos, lembrando que o Rio Grande do Sul é o atual campeão da Libertadores e Mundial, e que temos o atual finalista da Libertadores, cabe a pergunta: poderíamos achar que o futebol brasileiro está em decadência? Se a mensuração de decadência/apogeu se dá através dos títulos ( e normalmente é através disto mesmo), a resposta certamente será não. Pois Inter e Grêmio, apesar de certa diferença no estilo se comparado à média, são brasileiros.


Na postagem anterior, o leitor Esteban argumentou neste blog:

"Hola,

Acá es motivo de mucha alegria saber que equipo de Gremio es adiversario de Boca juniors.la verdad acá estamos muy contente en saber que no es Equipo de Santos o adiversario de Boca juniors.nosotro no queria Santos como adiversario , por ser una equipo muy fuorte e bien mejor que Gremio.Tiendo equipo de Gremio como adiversario, Boca tien la gran capacidad de triunfo en libertadores. La verdad fútbol de brazil es decadiente, fútbol Gaucho es muy fraco y inferior la fútbol Argentino.Perdón la sinceridad y portuñol

Muchas gracias,

esteban

Córdoba"


Por tudo isto, respeitosamente discordo do Esteban. O futebol brasileiro não pode ser considerado decadente (pelo menos ainda) justamente pelos últimos resultados. São dois anos seguidos de final brasileira na Libertadores. É o terceiro ano seguido que há um brasileiro na final. E por todos os motivos explanados acima, é difícil considerar o futebol gaúcho fraco.

Se é fraco, o que há que conquistar para ser considerado forte?


É um momento especial para o futebol gaúcho, mas não é de hoje. Desde os anos 70 o futebol do Rio Grande do Sul tem se mantido entre os melhores da América do Sul e por duas vezes, do mundo.


A única ressalva que pode ser feita, é que infelizmente o futebol do interior do RS (com exceção do Juventude) ainda não foi beneficiado por estas conquistas, o que poderia ter ocorrido já há algum tempo, mesmo que de forma indireta, através da Federação Gaúcha de Futebol, com contratos de patrocinadores e cotas de transmissão que atendessem um pouco mais os pequenos do interior do Estado. Mas quem sabe até este ponto possa ser melhorado, e a presença de gaúchos nos campeonatos nacionais seja constante e positiva nas três divisões do futebol brasileiro.


Ao Inter, parabéns pela conquista da Recopa e da Tríplice Coroa!

Ao Grêmio, sorte nas finais da Libertadores.

Foto: www.facetasdeportivastv.com


3 comentários:

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

Desconsiderar os comentários deste Estebán seria um bom começo. Um cara que não escreve em nenhum idioma não merece atenção.

Parabéns pelo texto, George, como sempre ótimo... bom te ver de volta! Muito bom voltar a ler...

Mónica disse...

Exmo. Sr.,

Muito boa tarde.

O meu nome é Mónica Maia e sou a responsável pelo mercado português da Globet.com.

Gostaria que me facultasse um endereço de e-mail para o qual o poderei contactar para fins publicitários do meu e seu interesse.

Envie-mo, se-faz-favor, para o seguinte endereço de e-mail: monica@globet.com

Sem mais me despeço desejando-lhe uma óptima tarde de Sexta-feira.

Com os melhores cumprimentos,

Mónica Maia

George disse...

Maurício, tu desde de sempre és um grande incentivador do blog, e de outra maneira, de que eu continue escrevendo. Gracias.

É um prazer escrever por aqui, a realidade é que o tempo que está curto. Na "feitura" de um escrito levo pouco tempo, mas algumas vezes tenho que pesquisar até palavras, para diminuir o número de bostaços. Daí chega a levar perto de 40 minutos. Mas o que mais leva tempo, é ter algo que valha a pena escrever, já que abandonei o estilo "comentar rodadas de campeonato", como ocorria no início do blog.

Acho que o blog terá longa vida, apesar dos intervalos de postagens, já que é um grande barato escrever sobre futebol.

E te peço mais escritos também, já faz um tempinho que não nos dá a graça dos teus textos.

Abração.

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