http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Futebol/0,,MUL273545-4274,00.html
Sempre que saem notícias desse naipe na mídia (início de temporada + Paulo Pelaipe = zilhões de notícias assim) encontro dois tipos de reação na torcida: o grupo radical, maioria absoluta, que mostra que estará disposto a tratar o jogador com hostilidade e desde já o trata dessa maneira; e outro grupo, mais ponderado, que diz que ele só está sendo profissional, e que isso aconteceria com qualquer um que tivesse a chance de receber uma bolada de dinheiro para jogar em outro clube.
Faço parte do primeiro grupo, e vou desenvolver o assunto:
- Sabemos que é assim que funciona, que pagando, eles vem e vão. Os jogadores de futebol de hoje são uma raça bem desprezível, fabricados e infectados pelo vírus do boleirismo e do bom-mocismo canalha, e com a personalidade de um poste. Eu não espero muita coisa deles fora de campo, mas eu adoraria ver, ao menos às vezes, algum jogador falando o que pensa e não o que o empresário mandou;
- Meu papel dentro desse universo paralelo chamado Futebol é o mais prosaico e simplório: sou um torcedor, e como torcedor eu considero um desaforo que um jogador que tenha recebido tanta coisa boa de uma torcida, que é querido por ela, simplesmente vire as costas e vá jogar no meu rival de morte do bairro ao lado;
- Pior ainda: que demonstre publicamente uma vontade de se tornar jogador do rival, com direito à declarações que, mesmo dotadas do mais puro cliché, se tornam perturbadoras ("O Grêmio é um grande clube. É mais uma opção para eu alcançar meus objetivos.");
- Mas e se eu fosse jogador e recebesse uma proposta similar? Bom, impossível saber responder, já que eu nunca ganhei 1 centavo pra jogar bola (inclusive devo ter gasto uma fortuna pagando para jogar. Multipliquem 2 pilas vezes 10 anos de aluguéis de quadras de futsal ou futebol 7 com os amigos). Sei que, caso Fábio Rochemback for pro Grêmio, eu serei um dos milhões que vai passar a enxergá-lo como um traidor (traidor nível médio, claro... nada que me faça jogar uma pedra na vidraça do carro dele);
- E sim, eu estou totalmente consciente da irracionalidade enorme da minha postura!
- De qualquer maneira, porco dio, eu sou um torcedor (do Inter, como vocês puderam perceber), e essa condição é a desculpa perfeita para agir como um viking pilhador em estado berserker contra outra pessoa ou coletivo. E nomá, o futebol é uma das poucas coisas em que não se encontra muito espaço para o ceticismo e a racionalidade, e é exatamente esse detalhe (que poderia ser visto como um defeito, pelos chatos) que faz com que milhões de pessoas ocupem seu tempo sofrendo, lendo, escrevendo, pensando, assistindo (e mais um sem-número de atividades) um troço que, na realidade, nenhum deles têm controle algum.
Basicamente eu penso em e sobre futebol boa parte do meu dia. Acompanho jornais, sites e, antes da minha tv quebrar, eu assistia todos os programas esportivos possíveis (ainda que com as mãos algemadas no pé da cama, para controlar meu ímpeto de jogar o televisor pela janela). No meio da "crônica esportiva", lotada de velhos arrogantes e saudosistas, uma das grandes imbecilidades propagadas aos quatro ventos é que a modernização dos clubes aumentará a média de público dos campeonatos. É uma moda que começou a pegar: seja elitizando os estádios, ou "reestruturando a gerência" dos clubes, a tal modernização teria o efeito nas médias de público como milho de pipoca numa panela quente - POP! - "voilá, temos uma média de 40 mil por jogo".
No duro, ouvir essas idiotices é o preço que pagamos por termos deixado que políticos, gerentes de marketing e empresários (o último tipo de gente que entende alguma coisa sobre torcidas) se infiltrassem e se apoderassem do meio (na verdade eles sempre estiveram ali, principalmente os políticos, mas a única função deles era contratar jogadores e assinar os cheques), e hoje ligamos a TV e tá lá algum semi-calvo de terno, que jamais deve ter pisado numa arquibancada de cimento sem morrer de nojinho, falando sobre como um torcedor quer ser tratado e etc.
Digo com toda certeza do mundo: mesmo que transformem os estádios brasileiros em Allianz Arenas e Bernabéus, a média de público não aumentará, jamais aumentaria. Quem não paga 20 pilas para ver um jogo não pagará 50 paus - a não ser que estejamos lidando com um imbecil de marca maior.
O exemplo adotado pelas "autoridades" nesse assunto, aqui no Império Tupiniquim, é a Premier League, a antiga Primeira Divisão da Inglaterra. Lá sim, as médias de público são assustadoras (e realmente são: ano passado o Manchester United colocou em média 75,826 por jogo), todos assistem seus astros estrangeiros ordeiramente sentados em poltroninhas mais confortáveis do que qualquer móvel que eu tenho aqui em casa - e pagando uma quantia imensa por isso. De fato, o troço funciona bem na Inglaterra, mas o negócio aqui é o seguinte: além do argumento batido e óbvio sobre o poder aquisitivo entre a classe média/baixa brasileira e a inglesa, a cultura futebolística de lá é muito diferente da de cá, e as nossas médias só aumentarão no dia em que mudar a própria mentalidade do torcedor.
Na Inglaterra a porcentagem de pessoas que não gostam de futebol é muito maior do que no Brasil ou Argentina. O negócio é assim: todas as pessoas no Brasil gostam de futebol, tirando alguns bunda-moles que consideram que o futebol não é "bom o bastante" para eles, e a imensa, esmagadora maioria dessas pessoas são torcedores passivos, cada um com seu time, as vezes assistindo um jogo pela tv, etc. É uma cultura de torcedor passivo que se prolongou e fortificou durante 100 anos, principalmente por conta do tamanho do território do país e da atual destruição das equipes menores e suas torcidas.
Na Inglaterra a coisa muda um pouco de figura. A porção inglesa que gosta de futebol é mais obsessiva justamente por ter uma espécie de "concorrência" de outros esportes populares e ser um grupo que não é tão majoritário assim. Como demonstra Nick Hornby em seu sensacional "Febre de Bola", a cultura de ir ao estádio é muito presente no torcedor inglês - e nesse mesmo livro ele se refere a um público de 20 mil pessoas como sendo "vergonhosos". As médias de público são altas na Inglaterra porque, bem, elas sempre foram altas. O futebol lá atrai multidões há mais de 130 anos e tudo que se refere às torcidas no futebol do Reino Unido assume ares épicos e selvagens, sejam nas inúmeras tragédias que resultaram em mortes (pelas minhas contas, mais ou menos 300 pessoas já morreram em tumultos relacionados ao futebol inglês pós-guerra como em Heysel, Ibrox, Bolton, e o pior de todos: Hillsborough), nos meios de transportes antigamente utilizados para os jogos (o Football Special... oficialmente conhecido como "trem", mas que na realidade eram diversas caixas de aço puro sem assentos e divisórias com 400 pessoas dentro que rolavam sobre os trilhos), nos públicos absurdos (como os inacreditáveis 240,000 em Wembley na final da FA Cup de 1923, onde 60 mil pessoas ficaram do lado de fora; e os 183 mil torcedores socados em um estádio que hoje abriga 50 mil na Escócia em 1937), nos estádios (que até 1992 eram "construídos, na maioria dos casos, por volta de cem anos antes e que podiam acomodar entre 15 e 63 mil pessoas em pé") e em tudo que cerca a cultura de arquibancada no Reino Unido.
Digamos que um fã de futebol na Inglaterra é um alcoólatra da bola, um viciado. Já o brasileiro... bem, ele bebe socialmente com os amigos, e no meio destes sempre existe aquele que gasta 50 reais em Heinekein e vomita em cima de todos.
Claro que na última década, por conta das medidas de segurança tomadas por clubes e pelo Estado e com a elitização total do futebol de lá, esse espírito e essa cultura perderam muito da sua força e hoje se encontra com mais pujança nos clubes menores, de divisões inferiores, clubes de comunidades e bairros. E pondo na balança, a modernização do campeonato Inglês trouxe mais malefícios do que beneficios, já que os torcedores, aqueles que cantavam e criavam a famosa atmosfera dos terraces ingleses, foram chutados dos seus estádios e substituidos por consumidores e suas familias, que vão ao campo não porque o clube é parte necessária da vida deles e eles necessitam vê-lo, mas porque é um programa bacana para se fazer num sábado de tarde. Recentemente muitas pessoas de dentro do futebol inglês têm criticado os novos torcedores e a falta de atmosfera e empolgação nos estádios, entre eles o eterno técnico do Manchester, Alex Ferguson.
Imaginem então no Brasil, onde os estádios somente enchem nas finais e onde o torcedor comum é completamente passivo, pouco mobilizado e (desculpem o termo) amargo? Na maioria dos grandes clubes, podemos constatar que lotam seus estádios nas finais e grandes jogos, mas em uma rodada normal sempre se tem aqueles 15 mil (chutando alto, em PoA é um número um pouco superior... a comemorada média de público do campeonato brasileiro de 2007 foi de 17 mil pessoas) torcedores que, talvez por falta do que fazer ou talvez por um absoluto fanatismo, sempre vão nos jogos. Desses 15 mil, talvez metade deles não possam freqüentar um estádio cujo preço do ingresso dobraria de valor por conta da modernização/elitização, e dificilmente os torcedores de sofá deixarão de ser torcedores de sofá... resultado: podemos ter médias enormes nos primeiros jogos após os estádios serem reformados (sabe como é, pessoal é curioso, quer saber como ficou, etc), mas obviamente essas médias vão cair, cair e cair... até que um dia, e aqui eu peço licensa [pra cantar esta milonga e] dar uma de profeta, as direções dos clubes arranquem fora aquelas cadeiras tão pouco usadas, baixem o preço dos ingressos e tenham de volta aquela base leal de torcedores que a modernização acabara por expulsar.
----
A partir de hoje me tornei colaborador do Puro Futebol, por sugerimento do Maurício e convite do George. A princípio vou me focar mais na arquibancada do que no gramado, dando mais ênfase a cultura em volta do futebol do que o jogo em si (ao menos pretendo, pretendo...).
Um abraço e até mais ver.
No duro, ouvir essas idiotices é o preço que pagamos por termos deixado que políticos, gerentes de marketing e empresários (o último tipo de gente que entende alguma coisa sobre torcidas) se infiltrassem e se apoderassem do meio (na verdade eles sempre estiveram ali, principalmente os políticos, mas a única função deles era contratar jogadores e assinar os cheques), e hoje ligamos a TV e tá lá algum semi-calvo de terno, que jamais deve ter pisado numa arquibancada de cimento sem morrer de nojinho, falando sobre como um torcedor quer ser tratado e etc.
Digo com toda certeza do mundo: mesmo que transformem os estádios brasileiros em Allianz Arenas e Bernabéus, a média de público não aumentará, jamais aumentaria. Quem não paga 20 pilas para ver um jogo não pagará 50 paus - a não ser que estejamos lidando com um imbecil de marca maior.
O exemplo adotado pelas "autoridades" nesse assunto, aqui no Império Tupiniquim, é a Premier League, a antiga Primeira Divisão da Inglaterra. Lá sim, as médias de público são assustadoras (e realmente são: ano passado o Manchester United colocou em média 75,826 por jogo), todos assistem seus astros estrangeiros ordeiramente sentados em poltroninhas mais confortáveis do que qualquer móvel que eu tenho aqui em casa - e pagando uma quantia imensa por isso. De fato, o troço funciona bem na Inglaterra, mas o negócio aqui é o seguinte: além do argumento batido e óbvio sobre o poder aquisitivo entre a classe média/baixa brasileira e a inglesa, a cultura futebolística de lá é muito diferente da de cá, e as nossas médias só aumentarão no dia em que mudar a própria mentalidade do torcedor.
Na Inglaterra a porcentagem de pessoas que não gostam de futebol é muito maior do que no Brasil ou Argentina. O negócio é assim: todas as pessoas no Brasil gostam de futebol, tirando alguns bunda-moles que consideram que o futebol não é "bom o bastante" para eles, e a imensa, esmagadora maioria dessas pessoas são torcedores passivos, cada um com seu time, as vezes assistindo um jogo pela tv, etc. É uma cultura de torcedor passivo que se prolongou e fortificou durante 100 anos, principalmente por conta do tamanho do território do país e da atual destruição das equipes menores e suas torcidas.
Na Inglaterra a coisa muda um pouco de figura. A porção inglesa que gosta de futebol é mais obsessiva justamente por ter uma espécie de "concorrência" de outros esportes populares e ser um grupo que não é tão majoritário assim. Como demonstra Nick Hornby em seu sensacional "Febre de Bola", a cultura de ir ao estádio é muito presente no torcedor inglês - e nesse mesmo livro ele se refere a um público de 20 mil pessoas como sendo "vergonhosos". As médias de público são altas na Inglaterra porque, bem, elas sempre foram altas. O futebol lá atrai multidões há mais de 130 anos e tudo que se refere às torcidas no futebol do Reino Unido assume ares épicos e selvagens, sejam nas inúmeras tragédias que resultaram em mortes (pelas minhas contas, mais ou menos 300 pessoas já morreram em tumultos relacionados ao futebol inglês pós-guerra como em Heysel, Ibrox, Bolton, e o pior de todos: Hillsborough), nos meios de transportes antigamente utilizados para os jogos (o Football Special... oficialmente conhecido como "trem", mas que na realidade eram diversas caixas de aço puro sem assentos e divisórias com 400 pessoas dentro que rolavam sobre os trilhos), nos públicos absurdos (como os inacreditáveis 240,000 em Wembley na final da FA Cup de 1923, onde 60 mil pessoas ficaram do lado de fora; e os 183 mil torcedores socados em um estádio que hoje abriga 50 mil na Escócia em 1937), nos estádios (que até 1992 eram "construídos, na maioria dos casos, por volta de cem anos antes e que podiam acomodar entre 15 e 63 mil pessoas em pé") e em tudo que cerca a cultura de arquibancada no Reino Unido.
Digamos que um fã de futebol na Inglaterra é um alcoólatra da bola, um viciado. Já o brasileiro... bem, ele bebe socialmente com os amigos, e no meio destes sempre existe aquele que gasta 50 reais em Heinekein e vomita em cima de todos.
Claro que na última década, por conta das medidas de segurança tomadas por clubes e pelo Estado e com a elitização total do futebol de lá, esse espírito e essa cultura perderam muito da sua força e hoje se encontra com mais pujança nos clubes menores, de divisões inferiores, clubes de comunidades e bairros. E pondo na balança, a modernização do campeonato Inglês trouxe mais malefícios do que beneficios, já que os torcedores, aqueles que cantavam e criavam a famosa atmosfera dos terraces ingleses, foram chutados dos seus estádios e substituidos por consumidores e suas familias, que vão ao campo não porque o clube é parte necessária da vida deles e eles necessitam vê-lo, mas porque é um programa bacana para se fazer num sábado de tarde. Recentemente muitas pessoas de dentro do futebol inglês têm criticado os novos torcedores e a falta de atmosfera e empolgação nos estádios, entre eles o eterno técnico do Manchester, Alex Ferguson.
Imaginem então no Brasil, onde os estádios somente enchem nas finais e onde o torcedor comum é completamente passivo, pouco mobilizado e (desculpem o termo) amargo? Na maioria dos grandes clubes, podemos constatar que lotam seus estádios nas finais e grandes jogos, mas em uma rodada normal sempre se tem aqueles 15 mil (chutando alto, em PoA é um número um pouco superior... a comemorada média de público do campeonato brasileiro de 2007 foi de 17 mil pessoas) torcedores que, talvez por falta do que fazer ou talvez por um absoluto fanatismo, sempre vão nos jogos. Desses 15 mil, talvez metade deles não possam freqüentar um estádio cujo preço do ingresso dobraria de valor por conta da modernização/elitização, e dificilmente os torcedores de sofá deixarão de ser torcedores de sofá... resultado: podemos ter médias enormes nos primeiros jogos após os estádios serem reformados (sabe como é, pessoal é curioso, quer saber como ficou, etc), mas obviamente essas médias vão cair, cair e cair... até que um dia, e aqui eu peço licensa [pra cantar esta milonga e] dar uma de profeta, as direções dos clubes arranquem fora aquelas cadeiras tão pouco usadas, baixem o preço dos ingressos e tenham de volta aquela base leal de torcedores que a modernização acabara por expulsar.
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A partir de hoje me tornei colaborador do Puro Futebol, por sugerimento do Maurício e convite do George. A princípio vou me focar mais na arquibancada do que no gramado, dando mais ênfase a cultura em volta do futebol do que o jogo em si (ao menos pretendo, pretendo...).
Um abraço e até mais ver.
O Jornal Minuano, de Bagé, através do jornalista Higino Gonçalves, resgata uma história cheia de peculiridade sobre o comportamento de algumas torcidas antigamente. Nos idos dos anos cinqüenta, era bastante comum entre as torcidas do interior do Rio Grande do Sul, viagens de trem para dar seu apoio às equipes da cidade. Eu não sei em que época isto foi diminuindo, mas possivelmente tenha sido simultaneamente com o desmantelamento da RFFSA. Já o número de torcedores que acompanhavam estas tradicionais equipes do interior gaúcho também diminuiu e não só pelo fato do transporte ferroviário ter virado sucata (ou teria relação? Gostaria de pensar que sim, mas ocorreram outros problemas como já escrevemos aqui mesmo).Eu imagino se hoje houvesse este tipo de costume entre os torcedores do interior, com passagens de trens baratas (em relação ao aluguel de vans e ônibus) e vagões inteiros ocupados por torcedores dos clubes do interior do Estado, dirigindo-se para acompanhar os jogos fora da cidade. O futebol do interior estaria em que patamar? O pior é pensar que esta época já existiu e que havia muita gente que apoiava incondicionalmente o clube da cidade, a despeito da raridade de títulos, desde a década de 40.
Mas era assim no interior gaúcho, principalmente na Metade Sul, naquela época e me pergunto se alguém possui ou tem conhecimento de alguma foto com essa gente, nestas viagens lendárias. Se alguém souber, que entre em contato, seria um belo resgate.
Mas nem tudo eram flores, mesmo naquela época dourada. Às vezes eram pedras.
O Dr. Jesus Ollé Vives, ardoroso torcedor do Bagé e que já ocupou cargos na diretoria jalde-negra inúmeras vezes, guarda um curioso impresso, que circulou nas mãos dos moradores de Livramento e Rivera, à época:
“Ao povo de Santana e Rivera:
A torcida rubro-negra convida a população das duas cidades a recepcionar ao famigerado quadro do Grêmio Esportivo Bagé à altura da maneira com que foram tratados os valorosos quartorzeanos quando excursionaram à cidade de Bagé.
Repugna aos nossos foros de cidade civilizada hospedar a horda de bárbaros bajeenses que, num atestado de incultura e vandalismo, traíram as tradições de hospitalidade dos rio-grandenses e, por isso, merecem o desprezo de todos os desportistas desta fronteira.
A torcida rubro-negra previne que assumirá atitudes de represália contra todos aqueles que, de uma forma ou de outra, facilitarem a estadia dos bajeenses em nossa cidade, quer hospedando, dando condição ou tratando com elementos da sua caravana.
Exige o bom nome das nossas cidades que os bajeenses sejam tratados como bárbaros e covardes que são.
Como será um dia de luto aquele em que o barbarismo chegar a nossa cidade, Santana estará vivendo um de seus dias mais tristes quando pisarem em terra santanense os representantes do Grêmio Esportivo Bagé.”
Os grifos no texto acima são meus, obviamente. Ocorre que na época era comum, junto com as excursões de trens, o apedrejamento dos vagões que traziam a torcida visitante, não só em Bagé. Contam também os mais antigos, que as sessões de pedras e brigas, podiam ocorrer em várias estações pelos arredores da cidade, antes do trem estar definitivamente a uma distância segura ou desestimulante.
Não sei o que houve com a torcida no jogo da volta, na matéria que conta sobre esta história não há relatos sobre, mas os jogos foram em 1951, 2 x 2 em Bagé, e 3 x 3 em Livramento, apesar do clima de guerra o Bagé não se intimidou. Pode-se notar que este artifício já é utilizado há bastante tempo no futebol e, assim também como hoje, nem sempre dá resultado em campo. O Bagé acabou eliminado da competição mais tarde, em Rio Grande, perdendo para o “vovô” por 6 x 0. E mesmo abaixo de pedradas e brigas, o futebol do interior era bem mais pujante no Rio Grande do Sul dos anos 40, e hoje sem pedras mas (perdoem o trocadilho óbvio) sob escombros.

Matéria via Jornal Minuano (Bagé-RS).
Fotos: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ (na primeira, a Estação Central de Bagé nos anos 30 e na segunda nos dias atuais, agora funcionando como sede da Prefeitura Municipal).
Postado por
George
às
05:29
Marcadores:
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futebol gaúcho,
histórias do futebol
Coloquei algumas imagens aí do lado, randômicas.
Conforme for, vou adicionando outras.
Pena que não se pode colocar trilha sonor, ficaria muito pesado (aliás, este blog está com muitas "pop ups", a maioria das quais não sei a procedência. Mas vamos resolver isto).
De qualquer maneira, aqui está a trilha sonora (indicada) para assistir às "puras imagens":
http://www.sombreroluminoso.com.br/mp3/paraguay.mp3
Desfrutem.
Logo mais tem postagem, espero.
Conforme for, vou adicionando outras.
Pena que não se pode colocar trilha sonor, ficaria muito pesado (aliás, este blog está com muitas "pop ups", a maioria das quais não sei a procedência. Mas vamos resolver isto).
De qualquer maneira, aqui está a trilha sonora (indicada) para assistir às "puras imagens":
http://www.sombreroluminoso.com.br/mp3/paraguay.mp3
Desfrutem.
Logo mais tem postagem, espero.
* Por Maurício KehrwaldSabem como é, aquela coisa de histórias em família.
Só que no caso do Paulo, já não era mais só história: havia tomado o statusde lenda. E, como de praxe nestes casos, ganhava proporções maiores a cada atualização ou novo relato.
Tudo corria dentro da normalidade, até que o Pedrinho, filho do Paulo,começou a crescer.
E a se interessar pelas histórias sobre o pai.
- Teu pai jogava muito, guri...
- Muito?
- Muito!
- Em qual posição ele jogava?
- Camisa 10, meia-atacante!
- Nossa...
Na escola, durante o recreio, resolveu passar adiante uma das histórias queo tio lhe contara. Encostou no Sardinha, seu colega de sala e doente por futebol:
- Ô, Sardinha, sabia que meu pai foi meia-atacante?
- E ele era bom?
- Muito! Camisa 10. Artilheiro...
- É? E em qual time ele jogou?
- Não sei!
- Como não sabe?
Não sabia. Esquecera de perguntar este detalhe para o tio.Decidiu descobrir direto na fonte.
- Paiê, em qual time tu jogavas?
- Vários times, filho! – respondeu enquanto largava o jornal
- Algum time bom?
- Claro, filho! Joguei no São Paulo, no Inter, e...
- No São Paulo?! No Inter?!
- Er... não, filho... no São Paulo de Rio Grande e no Inter de Santa Maria,que são times muito tradicionais e importantes do futebol gaúcho...
- Ah... mas ganhou algum campeonato?
- Alguns, filho... sendo que os mais importantes foram os dois títulos consecutivos do interior...
- Como assim, título do interior? Que campeonato é esse?
- Na verdade é como chamavam na época quem chegava logo atrás de Grêmio e Inter ao final do Campeonato Gaúcho...
- Ah, entendi...
- Entendeu, filhão?
- Entendi. Os teus maiores títulos foram dois terceiros lugares no Gauchão.
- (...)
- Pai?
Nessa hora, o Paulo, que apesar de paciente também tinha limites, estavalouco pra enfiar a mão no guri. Mas teve calma e prosseguiu.
- Eram outros tempos... tu nem eras nascido ainda, e... anh... bem...
Nessa hora a melhor coisa a se fazer é, claro, mudar de assunto. Mas não foi, mais claro ainda, o que o Paulo fez.
- ...eu também fui artilheiro do Carioca em 82, quando o Flamengo comprou o meu passe.
- Flamengo? Verdade, pai?
- Aham...
Afinal, se é pra mentir, que se minta bem!
- Oba! Vou contar isso pro Sardinha.
- Vai lá...
- Demais! Ele é fã de futebol e herdou um montão de revistas do pai dele.Com certeza tem o teu nome lá, em alguma delas...
Foi aí que o Paulo percebeu a bobagem que fizera. Seria desmascarado.Brutalmente desmascarado.Haveria de carregar aquele opróbrio como um pesadíssimo fardo, às costas,até o derradeiro dia de sua passagem por este plano. Precisava consertaraquilo, e ligeiro.
- Ei, filho, espera... tu precisas mesmo contar isso pro teu colega?
- Claro, pai... me orgulho de ti... mas... é verdade isso mesmo, né?
- Claro, claro... só avisa ao Tainha...
- Sardinha, pai.
- Isso. Diga ao Sardinha pra procurar o artilheiro daquele campeonato pelo meu apelido da época. Pelo meu nome ele não vai achar.
- Apelido?
- Isso, filhão! – suando muito, mas muito frio
- Tá, e qual é o apelido, pai? Espero que não seja complicado... eu ainda não conheço quase nada de futebol, sabe...
- Zico!
A mãe do Pedrinho, indignada, teve que trocar o filho de escola. Nosso meia-atacante camisa 10 dormiu no sofá por 5 semanas consecutivas e a criança, passados 10 anos – hoje com 18 – ainda não voltou a falar com o pai sem ser por monossílabos.Ah, sim, o tio do Paulinho é considerado persona non grata na casa.
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Foto: Cards Ping-Pong
Como torcedor do Bagé, sempre me causa estranheza ler o nome do jalde-negro escrito "Grêmio Bagé". Ou pior ainda, como já vi, “Grêmio de Bagé”. Além das ponderações referentes à Língua Portuguesa, cria-se a falsa impressão de que o Bagé baseou-se no Grêmio Porto Alegrense na hora de batizar o time da fronteira, em virtude do time da capital ser muito mais conhecido e um pouco mais antigo. Mas é um erro achar isso, apesar de ser fácil de entender.Primeiro vamos esclarecer o significado de “Grêmio”, segundo o dicionário:
do Lat.Gremiu, s.m., comunidade;assembléia;corporação;associação;grupo.
Ou seja, no caso do Bagé, uma associação de futebol, denominada "Bagé".
Para exemplificar, seria o mesmo que chamar o Inter de “Sport Internacional”, o Brasil de Pelotas de “Grêmio Brasil” ou São Paulo de “Futebol Clube”, só para ficar nestes exemplos.
Vamos também nos valer da história.
O Bagé foi fundado em 1920. O Grêmio em 1903. Em 1920, o Grêmio não tinha nenhuma projeção que fomentasse alguma “cópia” pelo interior. Só havia um campeonato gaúcho disputado até aquele ano, o de 1919, e que foi vencido pelo Brasil. Em 1920, o vencedor foi o Guarany de Bagé [aqui é outro exemplo: pra quem acompanha o futebol do interior do RS, apenas grafar “Guarany” com “y”, já subentende-se que é o de Bagé). Além disso, nas décadas de 10, 20 e 30, clubes de Bagé, Pelotas, Rio Grande e Sant’ana do Livramento competiam de igual pra igual com os clubes da capital, inclusive no que diz respeito à contratações de jogadores. Bagé e Guarany, por exemplo, tiveram vários jogadores do Nacional e Penãrol em suas equipes nesta época de “plata” sobrando, já que a economia destas regiões ia muito bem.
Não havia torcedores do Grêmio Porto Alegrense ou do Inter em Bagé, e no interior, de maneira geral.
Outro fator que aponta para a desinformação quando tratam o Bagé por “Grêmio Bagé”, é que em 1906, o embrião do Bagé, também jalde-negro e de fundadores coincidentes do “Bagé de 1920”, foi batizado de “Sport Club Bagé”. Diriam hoje que seria uma cópia do homônimo de Porto Alegre, mesmo sendo o Inter de 1909.
Mas o Bagé, como alguns outros clubes do interior que coincidentemente têm o pré-nome igual à de um dos “famosos”, paga pela sua “falta de fama”.
Vejamos um exemplo emblemático do que estou escrevendo, que ocorreu num programa da TV Com (televisão de Porto Alegre do grupo RBS - pra quem é de fora do RS). O programa era apresentado pela Tânia Carvalho, coincidentemente bageense e torcedora do Guarany. O tema era futebol, estava lá inclusive o Ruy Carlos Ostermann, e lá pelas tantas falaram que um dos primeiros uniformes do Internacional tinha sido um listrado, vermelho e branco, e a Tânia Carvalho observou que era igual ao Guarany, mas todos concordaram que o Guarany é que havia se inspirado no alvi-rubro da capital.
Mesmo sendo jalde-negro, não resisti e liguei para a produção do programa para informar que o Guarany havia sido fundado em 1907 ! Não tinha culpa de ser menos famoso, o que é uma coisa, mas ter se inspirado no uniforme é outra. A não ser que os fundadores do Guarany fossem profetas e tivessem previsto tanto a fundação do Inter em 1909, como seu sucesso no futuro. Assim como os fundadores do Bagé, deveriam estar pensado: “vamos copiar o primeiro nome deste tal time de Porto Alegre, pois terão sucesso no futuro”, já que até 1920, ano de fundação do Bagé, Grêmio e Internacional eram apenas clubes incipientes, e que perdiam, títulos inclusive, para Bagé e Guarany.
Então este tipo de erro se repete, e vai se solidificando, por mais que se tente o contrário. Já enviei alguns e-mails à redações de esportes dos jornais de Porto Alegre cada vez que publicavam o “Grêmio Bagé”, mas algumas vezes as pessoas preferem se manter desinformadas, já que o assunto é “irrelevante” (no dos outros é talco) e dá muito trabalho retificar.
Outro que paga o preço do homônimo ser mais famoso é o Grêmio de Foot-Ball Santanense. Desse eu não posso afirmar categoricamente a intenção dos fundadores, já que não conheço a história do clube, mas parece ser o mesmo caso, já que foi fundado em 1913, e ainda por cima tem as cores vermelha e branca.
Então, o Bagé é BAGÉ, ou seu nome completo, Grêmio Esportivo Bagé, assim como o Internacional é “Internacional”, ou Sport Club Internacional.
E que eu pare de ler em Orkut e fóruns esta má combinação, não pelo nome, que faz parte do nome do Bagé, orgulhosamente para seus torcedores, mas porque leva o leitor desinformado a acreditar que o Bagé é uma espécie de cópia de algum outro time, no que diz respeito ao nome.
E pra esclarecer mais ainda os que não conhecem este clube, as cores são o amarelo e o preto, listrado.
Publique-se e divulgue-se!
Foto: os fundadores do Sport Club Bagé, em 1906, via Jornal Minuano (Bagé-RS).
Assisti ao filme "Mean Machine" (título em português: Penalidade Máxima).O filme, bem, aí vai a sinopse:
"Um ídolo do futebol é expulso do time devido à acusação de ter manipulado um resultado e, logo depois, agride um policial e é preso. Ele recebe então a proposta para que treine o time dos guardas da prisão. Com Vinnie Jones".
Na verdade ele é "ex-ídolo, porque não joga mais e vendeu um jogo entre Inglaterra e Alemanha. A sinopse também não me deixou interessado no filme, mas como era sobre futebol...vamos lá.
O filme não é ruim, mas não recomendaria pra quem não está disposto a gastar R$ 2,50 num filme "normal". Mas tem alguns momentos.
Resumindo a coisa toda, acaba que ocorre um jogo entre presidiários e guardas na prisão inglesa onde está o ex-ídolo. Ele lidera o time dos presidiários. Tem alguns momentos engraçados, bastante clichês e mistura o mundo "da detenção" com o mundo futebolero.
A edição da partida entre "detentos x guardas" é longa, mas se tratando de "filme de futebol" até que as ações não são das piores (ao contrário de vários outros filmes). No caso deste, eles levam vantagem porque têm que representar um jogo amador, então se torna mais fácil lidar com falta de velocidade, etc. Ficou "ajeitado".
Ficha:
Título Original: Mean Machine
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2001
Site Oficial: www.paramountclassics.com/meanmachine
Direção: Barry Skolnick
No elenco, quem assistiu ao "Snatch - Porcos e Diamantes" (um dos meus favoritos), irá reconhecer metade do elenco. Não sei se é por isto, mas na capa do filme na locadora, há uma inscrição que é do "mesmo diretor" de Snatch - Porcos e Diamantes...vendo a ficha técnica aqui, parece propaganda enganosa.
Além deles, aparece também Danny Dyer (foto ao lado) , que foi protagonista em "The Football Factory”, e apresentador do documentário que vou lincar abaixo.
No elenco, quem assistiu ao "Snatch - Porcos e Diamantes" (um dos meus favoritos), irá reconhecer metade do elenco. Não sei se é por isto, mas na capa do filme na locadora, há uma inscrição que é do "mesmo diretor" de Snatch - Porcos e Diamantes...vendo a ficha técnica aqui, parece propaganda enganosa.Além deles, aparece também Danny Dyer (foto ao lado) , que foi protagonista em "The Football Factory”, e apresentador do documentário que vou lincar abaixo.
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Este não é ficção. Danny Dyer vai para a Turquia e mostra um dos clássicos mais selvagens do mundo, entre Galatasaray e Fenerbach, pela série "The Real Football Factory - International" . Tem um pouco de imagens do clássico turco no estádio e algumas entrevistas com os envolvidos, além de comentários do próprio ator/repórter. O ator, que não é bobo nem louco, vai com a torcida que é maioria no estádio, inclusive de jaqueta do time, que ele ganha na frente de um bar de torcedores. Mas o documentário é muito bom, ainda mais tendo como parâmetro o que (pouco) se produz sobre futebol. A edição é excelente!
O único "porém" é que esta versão que eu achei é sem legendas, não sei se existe outra legendada. Mas faz do limão uma limonada e além de assistir, treina teu inglês...ou só assista mesmo, as imagens são auto-explicativas, em grande parte dos casos.
Eu gostei bastante e como é uma série, assistirei os demais e depois comento por aqui.
TRFFI - Turquia
TRFFI - Argentina (ainda não assisti, depois comento)
Este não é ficção. Danny Dyer vai para a Turquia e mostra um dos clássicos mais selvagens do mundo, entre Galatasaray e Fenerbach, pela série "The Real Football Factory - International" . Tem um pouco de imagens do clássico turco no estádio e algumas entrevistas com os envolvidos, além de comentários do próprio ator/repórter. O ator, que não é bobo nem louco, vai com a torcida que é maioria no estádio, inclusive de jaqueta do time, que ele ganha na frente de um bar de torcedores. Mas o documentário é muito bom, ainda mais tendo como parâmetro o que (pouco) se produz sobre futebol. A edição é excelente!
O único "porém" é que esta versão que eu achei é sem legendas, não sei se existe outra legendada. Mas faz do limão uma limonada e além de assistir, treina teu inglês...ou só assista mesmo, as imagens são auto-explicativas, em grande parte dos casos.
Eu gostei bastante e como é uma série, assistirei os demais e depois comento por aqui.
TRFFI - Turquia
TRFFI - Argentina (ainda não assisti, depois comento)
O canal Sportv, apesar de não estar transmitindo o Campeonato Argentino, amanhã passará ao vivo o Superclássico.A partida começa às 14 horas (horário de Brasília) e é uma boa oportunidade para dar uma conferida no campeonato de lá, porque parece que o Sportv não irá transmitar nada além dos River x Boca.
Na Itália tem o clássico entre Lazio e Roma, às 15:30, será transmitido pela RAI e TV Esporte Interativo.Eu assistirei o Boca x River e depois pego o segundo tempo de Lazio e Roma.
Não costumo postar programação aqui, mas este domingo valia uma postagem, pelos dois grandes clássicos.
Sobre o clássico argentino, fala o goleiro do River, Juan Pablo Carrizo, no D. Olé:
"En estos partidos se demuestra si tenés huevos".
Bom domingo!
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