Expresso da Bola & Foreign Fields

O programa Expresso da Bola, apresentado pelo repórter Décio Lopes, passa no Sportv (canal 39, NET). Hoje assisti o programa visitando o Uruguai, e tentando mostrar alguns fatores que contribuiram para a decadência do futebol uruguaio, tanto seleção como clubes, em termos de conquistas.

O programa é excelente (reprisará, entre outros horários, neste domingo à 8h e 30min), e trata da parte cultural envolvida no futebol e neste programa específico, mostra as mazelas que passa o futebol cisplatino. Há entrevistas com ex-jogadores, treinadores e jornalistas uruguaios também.

Uma das coisas que chama atenção, é o estado em que se encontram os centros de treinamentos dos grandes Peñarol e Nacional. O do Peñarol é um pouco melhor, mas deixa muito a desejar em comparação aos times de ponta brasileiros, por exemplo. Estão naquele esquema: "tudo bem pintadinho", bem cuidado, etc, mas observando as condições de infra-estrutura mesmo, nota-se que eles pararam no tempo. São CT's de times pequenos, que não condizem com a grandeza de Peñarol e Nacional.
Um outro problema é semelhante ao nosso, que é o êxodo dos melhores jogadores, mas com um país de apenas 3 milhões de habitantes, nem os "exportados" são grandes destaques tecnicamente.

O programa mostra também a relativa ascensão do Danúbio, e a curiosidade é que existem 3 jogadores gaúchos por lá. Um deles, zagueirão de 1,95 de Santana do Livramento, já há 7 anos por lá, que virou o "xerife" e líder da equipe e também o ex-Brasil de Pelotas, Marcos Tora (meio-campista). O time está investindo nas categorias de base, e começa a colher os primeiros resultados, com um título uruguaio e neste ano participará da fase "pré-Libertadores", enfrantando o Vélez Sarsfield. O vencedor entrará no grupo do Inter.

E o documentário retrata também a economia uruguaia e a cultura "futebolera" de lá. Vale a pena assistir, excelentes imagens da capital Montevidéu, e um ótimo texto de Décio Lopes.

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Ainda sobre documentários, o leitor Froner indicou aí na caixa de recados ao lado , o documentário da BBC "Foreign Fields", que trata sobre a violência nos estádios pelo mundo. Assisti apenas a primeira parte, estou carregando as outras, mas já me apresso em indicar mesmo assim. Muito bom o documentário, e na primeira parte aparecem as torcidas italianas e argentinas, com entrevistas de torcedores (Rafa di Zeo), Di Canio (jogador da Lazio) e inclusive uma com "el Dié", Maradona. Vale a pena assistir também, só pela primeira parte dá pra ver que tem tudo o que não tinha no outro documentário que comentei aqui ontem. Após assistir todo, coementarei aqui, mas só pela primeira parte, nota 10, muito bom mesmo.
Abaixo os links do Youtube para quem quiser ver (é em inglês e sem legendas em português). O Froner, que já assistiu todo, pode comentar aí pro pessoal ter mais uma idéia do documentário.
Valeu pela dica, Froner!

(os trechos são de aproximadamente 10 minutos cada um)

Primeira Parte
Segunda Parte
Terceira Parte
Quarta Parte
Quinta Parte
Sexta Parte

11 comentários:

Froner disse...

Então...

Para quem tem interesse em barras/ultras, esse documentário é um prato cheio, pois é feito em cima da barra mais famosa do mundo (La12) e do grupo ultra mais numeroso e forte na Europa (Irriducibili).

Apesar de alguns deslizes ridiculos (como a má tradução intencional das falas e músicas da barra do Boca), a BBC consegue mostrar bem como funciona uma semana preparatória de uma grande torcida para um grande clássico.

A IRR possui uma estrutura que me deixou embasbacado. E a penetração que La Doce tem na imprensa, jogadores e direção também é digna de atenção.

O interessante nesse documentário fica pro final, que ... é uma surpresa.

E o mesmo consta com depoimentos de Di Canio, Maradona, Fabrizio (lider da IRR), Rafa Di Zeo (capo da Doce), além de jornalistas, dirigentes, etc.

Como é de se esperar, a violência que acontece é dramatizada, mas nada que estrague os videos, já que podemos entender PORQUE ela está ocorrendo naquele momento.

Abraço, George!

George disse...

Froner, a má tradução dá pra perceber já na primeira parte, é verdade.
Entretanto (comento toscamente, pois não assisti todo, claro), o documentário não se ocupa apenas de "vídeos incríveis", e vai nos torcedores e no "ao redor".
Além das imagens, que mostra o esquema todo de forma mais ampla.

Eu não conhecia este vídeo, e como tem que caregar parte por parte, virou uma "novela" (no bom sentido)...hehehehe.

Abraço e te agradeço a dica novamente!

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

Até aqui o Froneirismo não perdoa!

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

Entender o porquê da violência... meu chapa, não se trata de guerra por território nem disputa por comida. Ações de vagabundos em turbas não devem ser apoiadas, posto que qualquer um fica valente quando em grande número.

Bando de vagabundo!

George disse...

Maurício:
Concordo e discordo.
Concordo que a valentia de qualquer grupo (ou melhor: do indivíduo pertencente a um grupo) cresce positiva e proporcionalmente ao número de "acompanhantes".

Discordo pelo fato de que a explicação da violência leva em conta fatores culturais também. Tanto no caso geográfico, como na diferenciação do que está 'em jogo'.

Agora mesmo num 'post' anterior concordei de certa forma contigo: a violência é inerenete ao ser humano, principalmente em grupo. Mas existem peculiaridades no futebol, e estas são interessantes de serem observadas. O documentário mostra isso, porque é sobre futebol. Se fosse sobre vôlei, seria sobre as peculiaridades dos torcedores de vôlei, por exemplo. Neste ponto, o documentário é interessante para quem acompanha futebol.

Há uma diferença: não é uma apologia à violência, ou aos "vagabundos" que a praticam. É uma ótica de quem observa a violência restrita aos campos de futebol. E esta ótica também é formada por quem assiste ao documentário.

A violência, mesmo considerando a covardia devido às atitudes em grupo, tem seus fatores culturais, singulares, que variam de, por exemplo, esporte para esporte (em termos de torcedores), região para região, indivíduo para indivíduo.

Saio do futebol, por um momento, e te dou um exemplo. Cidades gaúchas. Médias anuais de furtos, homicídios e lesões corporais. O que se espera? Que se uma cidade de 100 mil habitantes tenha, por exemplo, 10 homicídios e então, a cidade de 10 mil habitantes, teria 1 homicídio/ano (neste caso).

Mas não funciona bem assim. Exatamente pelas peculiaridades e pelo fator cultural.

Citei isso como exemplo, pela reportagem da Zero Hora de hoje, sobre criminalidade no RS, coincidentemente. O índice de lesão corporal em Bagé, é muito acima do esperado, dado o número de habitantes e a comparação com Porto Alegre.
A explicação? Cultural:

"Bagé, com 121.299 mil habitantes, o município da Fronteira Oeste é destacado pelo professor da PUC Rodrigo Azevedo como exemplo de local onde a violência é gerada por uma questão comportamental. A cidade, relativamente mais tranqüila no que se refere a crimes como roubos e homicídios, tem indicadores negativos quando se fala em lesões corporais. Parte da população, especialmente na periferia, prefere resolver desavenças com o uso de armas, acessíveis na fronteira, e em bares, onde há consumo excessivo de álcool".

Desculpa este enorme comentário, mas é que o assunto me interessa.
Neste sentido, o documentário esclarece algumas coisas, mesmo que eu também seja contra o comportamento(em várias vezes covarde) de algumas torcidas.


Abraço!

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

Acho bonito o movimento forte das torcidas em favor de suas equipes preferidas.
Meu comentário sobre vagabundos é em razão de nosso amigo Froner ter como sonho da vida ser "capo" de alguma torcida argentina...

Eu realmente não consigo entender o que faz um sujeito sair de casa num Domingo, e, ao invés de fazer algo construtivo, meter-se em embates campais contra hordas rivais.

Você pode, com sorte, bater - e talvez ser detido
Com azar, apanhar - e talvez ser detido

É só isso que não entendo, George.

Não sou pacifista. Não mesmo... mas eu acho essa veneração ao estilo "mafioso" de torcida organizada na Argentina uma viadagem sem tamanho.

Arthur Virgílio disse...

O que chamou atenção é que todos brasileiros são gáuchos. E, mesmo assim, reclamaram da rigidez dos atletas uruguaios

George disse...

Maurício:
entendo teu ponto de vista. Isto dá um tópico grande, até. Ou mais. Vamos voltar ao tema em breve. Independente de nossas opiniões, isso faz parte da cultura futebolísca, e me agrada muito o debate sobre o assunto. Há comportamentos simplesmente inexplicáveis mesmo de alguns torcedores, e outros brigam pela paixão, ou pela pura rinha, ou pelo clube, exacerbado pelas rivalidades.

Arthur:
É verdade, mas foi mais uma constatação do que reclamação. O zagueirão gostou...hehehehe...acho que ele deve ter gostado da arbitragem mais "acostumada" ao jogo tosco. Isso também dá um tópico novo. Porque na minha visão, de quem acompanha o futebol gaúcho em todos os níveis, jogador gaúcho que nunca disputou a Série B do Gauchão(não deve ser o caso dos jogadores do especial do Sportv), não sabe o que é o futebol gaúcho.
É por isso que acredito que a dupla Gre-Nal está cada vez mais se distanciando do futebol gaúcho, verdadeiramente. Se isso é bom ou ruim, é outro assunto. Claro, que comparados com outros times mais distantes, a dupla ainda é a representante do futebol gaúcho, priorizando marcação, etc. Mas comparado aos times do interior, e principalmente aos campeonatos do interior, a dupla Gre-Nal já se "desacostumou" com a aridez do futebol do Sul. Vou escrever mais sobre isto.

Abraço.

Froner disse...

Sei que dificilmente alguém vai ler isso, mas... sobre o PORQUE (sic) da violência.

No documentário é mostrada a manifestação da torcida da Lazio. O time estava sendo massacrado pela Roma, enquanto os jogadores, que ganham milhões por ano, não suavam a camisa. Para alguém que dedica seu tempo e dinheiro para proporcionar uma festa no estádio, o fato dos jogadores não se empenharem pode ser tomado quase como uma ofensa pessoal.

E daí surge UM DOS motivos para a violência.

No Brasil, pode-se botar como fator primário a ação desastrosa que a polícia tem nos jogos de futebol. Só a presença da Brigada em jogos do Inter é um prólogo para a violência.

E sobre as barras argentinas, só digo que são as melhores torcidas do mundo, incomparavelmente. Mas o maior erro é associar essa cultura diretamente à Argentina - enquanto temos torcidas nos mesmos moldes na Colombia, Chile, Equador, Uruguay, Paraguai... e em praticamente todos os paises da AL.

Foi uma "benção" a vinda desse estilo pro Rio Grande do Sul. Sem a Geral, o Grêmio não teria subido para a A, e sem a Popular, o Inter não teria vencido a Libertadores (coisa que os próprios jogadores - Tinga, Fernandão - admitiram).

No mais, é só um comentário, mal redigido e vindo de um cara que tá morto de sono.

George disse...

Concordo, Froner.

Só no finalzinho ali, onde tu diz que Grêmio e Inter não teriam conquistado os títulos, é que eu fico em dúvida. Dúvida. Não estou dizendo que as torcidas seriam presindíveis, mas não sei até que ponto, com uma boa equipe, principalmente no caso do Inter, esse título teria deixado de vir para o Beira-Rio.

Mas é um jeito novo de torcer (no Brasil), sim.

Froner disse...

Pois é... não é uma certeza absoluta, claro.

Eu levo em conta as declarações dos jogadores, além de jogos como Inter 3x2 Pumas, Inter 2x0 LDU e Inter 2x0 Libertad.

Acho que nesses 3 jogos a torcida fez uma diferença brutal. Nos outros foi forte, mas nada que servisse de fator de desequilibrio.

Eu, como torcedor, não tenho a noção exata do que significa a torcida pro jogador. Mas quando era menor joguei uns torneios de goleiro pelo meu colégio, e só a torcida dos colegas já era motivo pra jogar muito mais. E eram só uns 20... imagina com 6 mil.

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